Homus Arrábidus
A caverna é enorme. O mar da Arrábida bate uns três metros abaixo de uma varanda natural que permite a entrada de luz e de ar fresco. Nós viemos pela serra e descemos a escada íngreme pela mata até à caverna. Lá dentro há uma capela construída no século XVII e tem espaço suficiente para fazer um capo de basquetebol... Nos éramos uns 10 e chegamos ao final da tarde. Trouxemos guitarras, tambores, carne e vinho. Para nos dar luz acendemos uma fogueira onde assámos a carne. Cantamos com o vinho e tocamos guitarras pela noite dentro aproveitando a ressonância natural das pedras. Já noite cerrada, acenderam-se cigarros de erva e a festa continuou selvagem e louca. Pela madrugada alguns já dormiam... outros espremiam as garrafas para ver se ainda pingava alguma coisa. Meio ébrio, saí para ver nascer o sol sobre a serra. Saltei pela varanda de rocha e subi a um penhasco mesmo em frente. Pequena ilha na maré cheia embalado pelas ondas suaves do Portinho.
O sol ainda não tinha nascido. A cor do céu entre o azul e o vermelho anunciava para os lados de Setúbal um dia de Agosto daqueles que fazem fritar os alcatrão das estradas e dá febre aos cães.
Apanhei o cabelo que na altura ainda tinha e usava comprido e despi-me. Fiquei nu virado para sol a ganhar coragem para o mergulho higiénico. Não há como um banho de mar gelado para fazer passar a bebedeira e evitar a ressaca. Pensei assim que o sol me der nos olhos salto para a agua. Entretanto o intestino começou a dar sinais de vida e decidi ali mesmo fazer a descarga matinal. Saquei das minhas calças de ganga o pacote dos lencinhos de papel, de cócoras me aliviei virado para a metade do disco solar que ia aparecendo por de traz da serra. O tinto de má qualidade sempre teve em mim um efeito laxante... essa manhã não foi excepção. Deixei um monte em forma de piramide mole que ficou a escorrer sobre a pedra. Acabei com os lenços para me limpar e saltei.
A diferença de temperatura dissipou os vapores etílicos e erbacios. Decidi dar umas braçadas para aquecer. Não me afastei muito, só o suficente para deixar de ver as rochas do chão de pedra. Quando me virei percebi a presença na varanda da caverna de pessoas estranhas ao grupo. O meu amigo Vladimir argumentava com os desconhecidos que depois vim a saber serem biólogos. Eram um professor francês, duas assistentes tambem francesas mais um professor da faculdade de biologia do Porto. Vieram para a Arrabida à seis da manhã para observarem a fauna.
Ouvia as vozes mas não percebia o que diziam
Da varanda da Caverna o Vladimir fazia comentários e esbracejava na minha direcção.
Ainda esperei uns momentos para ter privacidade para me vestir... mas a agua gelada começava a doer-me nos ossos. O frio aumentou a descaração e decidi por ir-me secar assim mesmo. Quando subi ao penhasco em frente à caverna para recuperar a roupa, claro que estava completamente nu.
Foi ai que percebi a conversa do Vladimir para os professores de biologia e para as duas assistentes que curiosos olhavam para mim...
--- Pois como vos disse chegaram atrasados... por minutos perderam a brutal cagáda matinal do homus arrabidus que como podem ver que ainda está fresca... Mas eis que aqui o temos, fotografem-no, fotografem-no, creio que não atacara ... um dos últimos elos perdido na evolução entre o macaco e o homem... este exemplar é um jovem macho a escalar o rochedo na direcção da caverna onde pernoitou.
Claro que não me restava mais nada a fazer...
Em vez de me vestir, peguei num enorme calhau cocei as axilas, as partes e grunhi...
O sol ainda não tinha nascido. A cor do céu entre o azul e o vermelho anunciava para os lados de Setúbal um dia de Agosto daqueles que fazem fritar os alcatrão das estradas e dá febre aos cães.
Apanhei o cabelo que na altura ainda tinha e usava comprido e despi-me. Fiquei nu virado para sol a ganhar coragem para o mergulho higiénico. Não há como um banho de mar gelado para fazer passar a bebedeira e evitar a ressaca. Pensei assim que o sol me der nos olhos salto para a agua. Entretanto o intestino começou a dar sinais de vida e decidi ali mesmo fazer a descarga matinal. Saquei das minhas calças de ganga o pacote dos lencinhos de papel, de cócoras me aliviei virado para a metade do disco solar que ia aparecendo por de traz da serra. O tinto de má qualidade sempre teve em mim um efeito laxante... essa manhã não foi excepção. Deixei um monte em forma de piramide mole que ficou a escorrer sobre a pedra. Acabei com os lenços para me limpar e saltei.
A diferença de temperatura dissipou os vapores etílicos e erbacios. Decidi dar umas braçadas para aquecer. Não me afastei muito, só o suficente para deixar de ver as rochas do chão de pedra. Quando me virei percebi a presença na varanda da caverna de pessoas estranhas ao grupo. O meu amigo Vladimir argumentava com os desconhecidos que depois vim a saber serem biólogos. Eram um professor francês, duas assistentes tambem francesas mais um professor da faculdade de biologia do Porto. Vieram para a Arrabida à seis da manhã para observarem a fauna.
Ouvia as vozes mas não percebia o que diziam
Da varanda da Caverna o Vladimir fazia comentários e esbracejava na minha direcção.
Ainda esperei uns momentos para ter privacidade para me vestir... mas a agua gelada começava a doer-me nos ossos. O frio aumentou a descaração e decidi por ir-me secar assim mesmo. Quando subi ao penhasco em frente à caverna para recuperar a roupa, claro que estava completamente nu.
Foi ai que percebi a conversa do Vladimir para os professores de biologia e para as duas assistentes que curiosos olhavam para mim...
--- Pois como vos disse chegaram atrasados... por minutos perderam a brutal cagáda matinal do homus arrabidus que como podem ver que ainda está fresca... Mas eis que aqui o temos, fotografem-no, fotografem-no, creio que não atacara ... um dos últimos elos perdido na evolução entre o macaco e o homem... este exemplar é um jovem macho a escalar o rochedo na direcção da caverna onde pernoitou.
Claro que não me restava mais nada a fazer...
Em vez de me vestir, peguei num enorme calhau cocei as axilas, as partes e grunhi...
