<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083</id><updated>2011-11-30T23:52:33.744Z</updated><title type='text'>cócó ranheta e facada</title><subtitle type='html'>ele há cá com cada uma...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>101</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-116516819763457994</id><published>2006-12-03T17:49:00.000Z</published><updated>2006-12-04T01:35:47.806Z</updated><title type='text'>TRAGUS, o borreguinho grego</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2126/920/1600/284014/borrego.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2126/920/320/773186/borrego.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todo o edifico da cultura ocidental foi construída em cima do borreguinho grego. &lt;br /&gt;Borrego que em grego se diz TRAGUS, é a palavra que serviu de base para inventar a palavra TRAGÉDIA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta a lenda, que foi sobre uma pele de um borrego que Téspis dançou embriagado de vinho dionisíaco e felicidade. Isto depois de ter inventado o teatro. &lt;br /&gt;E bem vistas as coisas até tinha razão o velho Tepis de Atica para se embebedar e ficar contente… Se houve invenção que teve de facto impacto na humanidade, essa invenção foi a tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase três mil anos depois de ser inventado, o teatro grego continua a ser o abecedário com que se escreveu e escreve todo o pensamento dito ocidental. &lt;br /&gt;O pensamento clássico grego, produto e produtor da tragédia serviu para cimentar a cultura grega, e depois todas as culturas ocidentais: a cultura latina, católica romana, medieval, renascentista, iluminista, liberal, libertaria, capitalista e marxista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo narrativo da tragédia grega, o processo do borrego, serve de base para todo uma epistemologia racional onde os efeitos provocam causas e estas por sua vez se transformam em novos efeitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ismos vários, ciência, poesia, tecnologia, romances e estrelas pop, tudo isto enquanto conceito, pois foi parido, cuspido e cagado pelo borreguinho grego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O antigo teatro grego, tinha uma forma bastante fechada.&lt;br /&gt;Tres elentos: o actor, o coro e o publico. &lt;br /&gt;O actor dizia o ditirambo, uma espécie de discurso laudatória e lamechas que usando uma linguagem figurativa lambia o cu a um dos deuses… &lt;br /&gt;O coro, era o conjunto de vozes que interpretava o ditirambo que o actor debitava e o “traduzia” em linguagem comum de modo a que o publico percebesse a historia. &lt;br /&gt;O público, assistia e se gostasse batia palmas, se não gostasse espancava o actor e os elementos do coro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O actor falava do sofrimento de um deus, o coro ia explicando a historia, o publico chegava à verdade. A verdade primordial dos deuses, o mito era assim difundida pelo teatro e através desta via chegava às pessoas. &lt;br /&gt;Foi esta a razão que levou o Tepis a inventar o teatro: para propagandear verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na organização narrativa da tragédia grega, a verdade é o MITO. O prémio por termos chegado à verdade é borrego, TRAGUS. &lt;br /&gt;A tragédia, tal como Nietzsche a explicou é o culminar do processo de sofrimento.  &lt;br /&gt;O sofrimento, PATHO (palavra que mais tarde serviu para inventarem a patologia) não é mais de uma antecâmara da verdade. &lt;br /&gt;Há o sofrimento, a verdade e a sua interpretação criada sobre a forma de mito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito enquanto conceito também é em si um actor, pois representa o real enquanto amálgama de varáveis organizadas num só texto. &lt;br /&gt;O prémio final, o TRAGUS. &lt;br /&gt;Outra vez o borrego…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a partir desta organização cronologia: sofrimento, verdade, prémio que toda uma linhagem civilizacional construiu o seu edifício. &lt;br /&gt;Um processo afinal bastante simples: sofrer, conhecer e comer o borreguinho.&lt;br /&gt;Toda a criação ocidental gira à volta deste ciclo trifásico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos romances de cavalaria medieval, o cavaleiro andante, passa as passinhas do Algarve para ter acesso ao caminho que conduzirá ao Graal ou à quente virgindade da donzela enclausurada que é assim uma espécie de borrego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na novela renascentista e com o advento das personagens complexas e metafóricas, os novos elementos introduzidos não mudaram a organização molecular da narrativa. Continua a haver um percurso de sofrimento e vicissitudes, um culminar do enredo com o conhecimento da verdade e um prémio no final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento dos enciclopedistas do século XVIII trouxeram o processo causa efeito para a produção científica e aspiraram a uma verdade universal confirmada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolução francesa não é só por si uma tragédia grega? &lt;br /&gt;Veja-se. O sofrimento do povo como PATHOS, a tomada da Bastilha como o MITO (um episódio simbólico que explica o real) e a cabeça da Antonieta guilhotinada como o TRAGUS (borrego que premeia os actores…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio cinema foi criado em cima deste modelo do borreguinho. &lt;br /&gt;O rapaz doa fita, leva porrada dos bandidos e dos índios maus, conhece um índio bom que o ajuda a chegar ao esconderijo e salva a rapariguinha mesmo antes dos mauzões a comerem à vez… PATHOS, MITO, TRAGUS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a pobre escrava Isaura, que só deixa de levar porrada do malvado Loencio (PATHOS) quando percebe que na realidade é uma nobre (MITO) e que vai herdar toda a fazenda de escravos (TRAGUS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este modelo, sofrimento/verdade/prémio, serviu tambem para construir o corpo teologico do cristianismo. O sofrimento de Cristo, (PATHOS), a palavra sagrada (MITO) e a salvação da alma do católico como o borrego (TRAGUS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até os modelos marxistas, vão beber à tragédia grega:  &lt;br /&gt;PATHOS é sociedade capitalista marcada pelo sofrimento causado pela exploração do homem pelo homem. &lt;br /&gt;MITO é o processo revolucionário enquanto verdade universal que explica o real. TRAGUS é a sociedade sem classes que é por si o prémio que todos vamos alcançar.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Mas afinal de contas o que é que valoriza a tragédia grega? &lt;br /&gt;Pois carissimos leitores, a tragédia valoriza o conhecimento. &lt;br /&gt;A verdade como modelo de acesso ao borrego.&lt;br /&gt;Criamos uma sociedade milenar baseada nesta lógica do conhecimento enquanto chave…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MITO, a verdade é o que nos liberta do sofrimento PATHOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes pergunto a mim mesmo, (acontece-me com frequência nas tardes de domingo) como seria o mundo se em vez de valorizarmos o conhecimento valorizássemos as emoções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seraim as coisas, se em vez de tentarmos perceber, tentássemos sentir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em vez de pensarmos em ontem e amanha nos limitássemos a pensar em hoje….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, que revolução…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou convicto que se o presente imperasse, o prémio deixaria de ser o borreguinho já rançoso da tragédia grega...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-116516819763457994?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/116516819763457994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=116516819763457994' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/116516819763457994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/116516819763457994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/12/tragus-o-borreguinho-grego.html' title='TRAGUS, o borreguinho grego'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-116301633863958875</id><published>2006-11-08T20:05:00.000Z</published><updated>2006-11-09T19:59:53.546Z</updated><title type='text'>Barcelona e eu</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/bar%3F%3Fa.gif"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/bar%3F%3Fa.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando em 1992 estive em Barcelona fui completamente tomado pela cidade. &lt;br /&gt;No inicio dos anos 90, Lisboa era um buraco (e ainda é!!) onde tudo quanto era modelo neo liberal americano tinha de ser importado, aplicado e adorado com reverencia.&lt;br /&gt;Eram os anos do cavaquistão duro e cinzento. O santana lopes andava pela cultura de estado e aos estudantes que lutavam pelo ensino público os media chamavam geração rasca...&lt;br /&gt;Os modelos capitalistas estavam intocáveis no seu pedestal.&lt;br /&gt;Tudo quando fugisse a uma organização social organizado nas leis do mercado era considerado ridiculamente obsoleto.&lt;br /&gt;Nesse ano de 92 andava eu a meio de uma licenciatura em ciências sociais. Acreditem que às vezes era desesperante lutar contra todo um universo de modelos e estereótipos em relação  aos quais eu sabia convictamente que me era imprescindível lutar….&lt;br /&gt;Chegar em finais de 92 a Barcelona e perceber que ali havia gente que ousava viver e fazer coisas de maneira diferente das maneiras impostas pelo costume... foi uma sensação incrível de liberdade. &lt;br /&gt;Mais: ali as coisas aconteciam naturalmente sem grandes celeumas. As organizações juvenis politizadas e interventivas, os protestos consequentes, a cultura como coisa de rua feita para todos, as liberdades de hábitos e consumos, tudo isto foram para mim revelações.&lt;br /&gt;Percebi que não estávamos só.&lt;br /&gt;Percebi e reconheci-me numa esquerda possível, moderna, interventiva e progressista. Percebi que, ao contrário do que diziam certos pseudo esclarecidos, não estávamos todos a empurrar para a frente um carro que acabaria por de cair no precipício que tragou muro de Berlim.&lt;br /&gt;Passaram por mim 14 anos. &lt;br /&gt;Estudo e trabalho. A dependência, a independência. Um filho, um casamento, um divorcio. Uma união de facto. Africa, América e Ásia. Um ajuntamento. A magia branca e negra. O desamor. A morte passou por mim e levou-me família e amigos. A vida trouxe novos amores. Uma filha.&lt;br /&gt;Definitivamente já não sou o mesmo.&lt;br /&gt;Catorze anos depois, Barcelona foi uma desilusão.&lt;br /&gt;A cidade deixou de pertencer à gente. Deixou de pertencer agente. Deixou de nos pertencer.&lt;br /&gt;Encontrei Barcelona plastificada. &lt;br /&gt;Onde antes andavam putas e velhos comunistas, estudantes borbulhentos em excursão de finalistas fazem declarações de amor a professoras solitárias. &lt;br /&gt;Os turistas e os erasmos tomaram conta da cidade. &lt;br /&gt;A propaganda política saiu das paredes. &lt;br /&gt;Tabernas fechadas transformadas em espaços design. &lt;br /&gt;Jovenzitos bem parecidos empenhados em parecer artistas. Artistas empenhados em fazer fortuna. Ricos empenhados até aos cabelos. &lt;br /&gt;Bancos e lojas finas. Quiosques de recuerdos a venderem o touro andaluz a mil km de distância. &lt;br /&gt;Em 92 vi pela primeira vez uma verdadeira fusão de culturas. Desta vez não encontrei a cidade. Está mais moderna, disseram-me. E globalizada. Globalizada com tudo de mau que o conceito arrasta. &lt;br /&gt;Barcelona, é hoje propriedade de uma minoria catalã, onde trabalham os magrebinos e sul-americanos para servir os europeus que a visitam à procura daquilo que é suposto ser uma alma cultural hispânica.&lt;br /&gt;O mediterrâneo que inundava as praças da cidade com o cheiro a mar foi afastado para lá de uma imensa marina construída como uma montra para a cidade. Que interesse tem ver barcos de luxo se um estivador já não consegue arranjar trabalho no porto?!?!&lt;br /&gt;Os velhos republicanos sempre dispostos a contar como aqui se lutou e morreu pela liberdade devem já ter baicado todos.&lt;br /&gt;As casas ocupadas têm subsídios camarários e são centros culturais.&lt;br /&gt;O turismo e a cultura são o negócio.&lt;br /&gt;Barcelona que eu vi em 92 está viva. Eu sei que ainda está viva. Mas está escondida. Na clandestinidade. Espera por melhores dias.  &lt;br /&gt;Daqui a uns tempos, quando os erasmos todos voltarem para as suas terras cinzentas e para carreiras de sucesso em gabinetes de classe,&lt;br /&gt;Quando os touritos mais os bibelots e os livros sobre arquitectura comprados pelos turistas ganharem suficiente pó,&lt;br /&gt;Quando no Equador, na Guatemala, nas Honduras ou na Bolívia, já não for preciso fazer as malas para ir procurar comida noutro lado,&lt;br /&gt;Quando os muros que alguns políticos quiseram construir à volta da Europa ruírem por falta de fundações, &lt;br /&gt;Então aí pode ser que Barcelona possa voltar a ser Barcelona.&lt;br /&gt;Então volta tudo a ser possível. &lt;br /&gt;Outra vez à luz difusa do entardecer vou ver o fantasma do Picasso deambulando à procura dos amigos fuzilados em 36.&lt;br /&gt;Vou sentar-me numa mesa quadrada de mármore, pedir lume ao octogenário anarquista e atirar-lhe assim de caras:&lt;br /&gt;--- Foi a vossa indisciplina que fez perder a guerra e abriu a porta ao franco.&lt;br /&gt;Depois vou ficar a embebedar-me com osborn o resto da noite, enquanto aprendo histórias de trincheiras e de solidariedade. Sem regras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-116301633863958875?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/116301633863958875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=116301633863958875' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/116301633863958875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/116301633863958875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/11/barcelona-e-eu.html' title='Barcelona e eu'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-116301630036606728</id><published>2006-11-08T19:46:00.000Z</published><updated>2006-11-09T19:02:52.006Z</updated><title type='text'>Pedido de desculpas ao Sr. Santos de Taipa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/taipa.0.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/taipa.0.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tive notícia através de um familiar que vive em Macau, que o Sr. Santos em Taipa, leu este meu blog.&lt;br /&gt;Leu e não gostou.&lt;br /&gt;Não gostou com toda a razão.&lt;br /&gt;Quando escrevi aqui sobre o seu restaurante, disse que o Sr. Santos fazia filhos a uma filipina. É mentira. &lt;br /&gt;O Sr. Santos é casado com uma portuguesa e não com uma senhora de nacionalidade filipina.&lt;br /&gt;Como esclarecimento, devo dizer que as historias deste bloge são feitas daquela mistura perigosa que incliu realidade e a intrepretação que dela eu faço.  &lt;br /&gt;Às vezes a minha intrepretação ultrapassa aquilo que para os outro é a realidade. &lt;br /&gt;O Sr. Santos existe e vive em Taipa, nos arredores de Macau. O Sr.Santos tem um restaurante português onde se come muito bem. Fui levado como convidado a este espaço e tenho as melhores recordações dessa noite.&lt;br /&gt;A senhora filipina que vi no restaurante será eventualmente uma empregada do Sr. Santos.&lt;br /&gt;Confundi-me e disse o que não é.&lt;br /&gt;Confundi a empregada com a patroa. O vinho alentejano às vezes potencia este tipo de confusões. Quando no blog quis publicitar o sitio que deveras gostei quer pela companhia quer pela comida e atendimento, fiz asneira.&lt;br /&gt;A mentira que disse, disse-a tambem de uma forma que pode ser entendida como deselegante e intrepretada como roçando o machismo e o racismo.&lt;br /&gt;Eu sei que os filhos se fazem a dois. &lt;br /&gt;Eu sei que as senhoras filipinas, são tão dignas como as senhoras portuguesas, chinesas, alemãs ou quenianas. &lt;br /&gt;Com mais de um ano de grosseria e inverdade publicada peço as minhas sérias e sinceras desculpas.&lt;br /&gt;Lamento.&lt;br /&gt;Lamento por si senhor Santos, pela sua esposa, pela sua empregada e por todos os seus clientes e meus leitores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-116301630036606728?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/116301630036606728/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=116301630036606728' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/116301630036606728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/116301630036606728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/11/pedido-de-desculpas-ao-sr-santos-de.html' title='Pedido de desculpas ao Sr. Santos de Taipa'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-115771987113973083</id><published>2006-09-08T13:47:00.000+01:00</published><updated>2006-09-08T14:07:38.213+01:00</updated><title type='text'>A riqueza da festa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/Luanda.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/Luanda.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em casa de angolano pode não haver nada para comer; pode a pobreza ter levado o kumbo todo; pode nem haver fuba para misturar na agua… Mas havendo electricidade, uma coisa é garantida, dentro do frigorífico há sempre uma cerveja gelada à espera. É a cerveja dos amigos. Esta riqueza permanente e imensa generosidade sempre presente faz do povo angolano o povo mais rico do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta filosofia da Floribela vem a propósito  do lançamento do semanário Sol. &lt;br /&gt;Uma amiga recente de quem gosto particularmente decidiu convidar-me a mim e à minha companheira para estarmos presentes. Lá vestimos uns trapitos melhores e fomos. &lt;br /&gt;Tchi pá, tanta cara conhecida e tanto figurão!!! &lt;br /&gt;Gente importante da politica e do jornalismo. Bar aberto e gajas super produzidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia de tudo na festa, mas faltava alegria na farra. Se a coisa fosse feita por angolanos ainda agora se dançava no museu encostado ao Tejo. Talvez não fosse esse o objectivo do senhor José António Saraiva…. Mas o que é que querem… cada um tem as suas referencias que servem com modelos de comparação &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá o casalinho do subúrbio bebeu um gin tónico, demos dois dedos de conversa e voltamos para margem certa por volta da meia-noite. &lt;br /&gt;Voltei pensando nas festas a que já fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor farra da minha vida aconteceu há alguns verões atrás. No Vale da Amoreira, essa grande cidade angolana. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Num verão remoto, frequentei o Vale diariamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia fui no tribunal da Moita servir de testemunha abonatória para um tipo que não conhecia mas que era primo de uma amiga. &lt;br /&gt;O réu chamava-se Miro e teve de comparecer num julgamento tardio de um caso de ofensas corporais e estragos num café. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado, um angolano cinquentão e bem disposto especialista em criminalidade suburbana sugeriu uma testemunha idónea e branca. &lt;br /&gt;Posso não ser lá muito idóneo mas como sou branco lá fui. Bem engravatado fui dizer ao juiz que era o melhor amigo do Casimiro, que o conhecia desde que ele nasceu e que era um rapaz cordato e que não faz mal a uma mosca. &lt;br /&gt;A coisa correu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Miro foi absolvido de todas as acusações e nem sequer teve de pagar os danos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi a farra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos do tribunal eram cinco da tarde e todo o prédio nos veio receber às escadas. &lt;br /&gt;A festa já estava montada. &lt;br /&gt;Mesmo que o réu fosse condenado, vinha a casa fazer a festa que seria de despedida e depois seguia para a Holanda onde já tinha parentes à espera… Como o Miro foi absolvido a farra ganhou sabor de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia muamba, kalulu e cabidela de cabrito que as mulheres estavam a fazer desde manha. &lt;br /&gt;Três frigoríficos cheiinhos até cima de sagres mini.&lt;br /&gt;Bué da garrafões de três litros whisky JB. &lt;br /&gt;Uma aparelhagenzorra deste tamanho a bombar quetas. &lt;br /&gt;As portas dos apartamentos estavam todas abertas e desde o rés do chão ao terceiro andar toda a gente dançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durou três dias a farra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao nascer do sol na segunda madrugada de festa o advogado teve comigo uma inconfidência. Estávamos os dois a mijar de cima do prédio virados para nascente. &lt;br /&gt;-- Sabes Riki, eu sei que eles não me vão pagar os meus honorários… A mãe do Miro já disse que nesta semana não podemos fazer as contas…. Mas que se lixe pá!!!! Só para vir numa farra destas era capaz de trabalhar o dobro sem cobrar!!!! &lt;br /&gt;Moro com a minha segunda mulher num apartamento confortavel em oeiras. Até me vou safando bem para um preto que chegou aqui em 68 com uma bolsa de estudo...mas se queres que te diga faz-me falta Africa. Faz-me falta Luanda. Quando tou aqui no Vale com os meus clientes às vezes sinto-me assim como em casa, sinto-me assim aconchegado, sabe? &lt;br /&gt;Tou para aqui a mijar de cima do prédio e a ver aquele sol a nascer amarelo e já não tou mais na Europa. Tou de volta no meu Bairro Operário. Ali atrás de nós já não tem o Barreiro, está a Marginal, a Baía e o Mussulo… que dinheiro é paga isto pá???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi vir embora. &lt;br /&gt;Voltei para casa, tomei duche e fui trabalhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o Miro está preso outra vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado continua a defender criminalidade de subúrbio e a sofrer de saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dessa farra guardei a memória da festa, amigos para as ocasiões e aquele precioso nascer do sol em Luanda com a Moita ao fundo. &lt;br /&gt;Essa riqueza a mim ninguém me tira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-115771987113973083?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/115771987113973083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=115771987113973083' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115771987113973083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115771987113973083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/09/riqueza-da-festa.html' title='A riqueza da festa'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-115514389467847984</id><published>2006-08-09T18:16:00.000+01:00</published><updated>2006-08-09T20:21:39.260+01:00</updated><title type='text'>600 metros barreiras em becos escuros</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/gato.2.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/200/gato.0.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quais Obicuwelos quais Carlos Lopes, só quem já alguma vez fugiu da polícia consegue conjugar correctamente o verbo correr. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim aconteceu-me sem querer. Quer-se dizer, querer fugir, até queria… O que eu não queria era ser apanhado. &lt;br /&gt;Eu conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu andava aí pelos meus dezoito anos, um dos interesses de todos os putos da minha idade era a Feira da Ladra. A maltesaria do subúrbio fazia de cada ida à feira um momento marcante das nossas semanas. Nas madrugadas de sábado apanhávamos o primeiro barco que cruzava o Tejo e ainda não eram sete e meia já todos estávamos abancados na feira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levávamos coisas para vender. Cenas sem importancia. Depois de vender comprávamos. Tambem merdas sem importancia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levávamos roupa. Roupa. Sapatos. Óculos escuros, discos e cassetes, walkmans em greve, livros escolares sem uso, medalhas dos avós, despertadores parados, pentes, escovas, máquinas de barbear de parentes mortos, bengalas, óculos graduados, navalhas, porta-chaves, cinzeiros de cafés e repartições públicas e todas as outras coisas possíveis de levar dentro de um saco às costas. (Sei de um gajo que até uma dentadura em segunda boca conseguiu vender.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo o que se carregava, aquilo que se vendia melhor era sem duvida a roupa. &lt;br /&gt;Falo-vos do tempo em que a Ana Salazar fez a Lisboa beta e benzoca descobrir a roupa em segunda mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes finais de oitenta, os casacos das avós saídos do armário e a cheirar a naftalina não aguentavam muito tempo na feira… Paravam por lá duas ou três tiazocas com boutiques na Av. de Roma que compravam praticamente ao preço que lhe pedíssemos. Depois mandavam limpar o casaco da velhinha suburbana, davam-lhe uns retoques de costura e vendiam pelo dobro do preço nas lojas das pessoas finas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também as calças de ganga usadas tinham saída. Especialmente se fossem de marca ou tivessem uma etiqueta conhecida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casacos de homem que os cavalheiros no subúrbio usaram nas décadas anteriores para irem a casamentos e baptizados eram nesse tempo disputados por intelectuais vagamente maricas que pagavam na hora a preços inflacionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal vendia a roupa e em geral gastava logo na feira o dinheiro conseguido. Muitos compravam discos, outros regateavam livros os mais desesperados investiam logo ali o guito em haxe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chato foi quando a roupa começou a faltar.&lt;br /&gt;Ao início a malta do meu bairro levou a roupa que sobrava la por casa. &lt;br /&gt;Depois começou a levar a roupa que a família e os amigos não queriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às tantas já o pessoal levava a roupa que os desconhecidos queriam e que não sabiam que havia quem a levasse.&lt;br /&gt;Fazer estendais. Era este o nome. Fazer estendais, chamava-se à prática de recolher a roupa estendida para secar na sexta-feira à noite e levar para vender na feira da ladra sem que os proprietários notassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos prédios de subúrbio, no rés-do-chão ninguém deixa a roupa estendida.&lt;br /&gt;Só a partir do primeiro andar é que começam a aparecer penduradas as disputadas peças.  &lt;br /&gt;Mas aí em cima o pessoal não conseguia chegar… Também parecia provocação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu amigo Anarco que alem de ser completamente doido sempre foi muito inteligente descobriu um processo de recolha da roupa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas nossas saídas à sexta-feira à noite trazia de casa o Gringo, o gato da irmã. O Gringo era um gatão malhado que pertencia à boazona da Marina e que passava os dias a dormir no sofá da sala e as noites sabe-se lá onde. Falo-vos do gato, do Gringo. Nada de confusões, porque a Marina sempre foi uma meninda recatada que não saía de casa para desespero do pessoal lá da rua. O gato esse sim, era um devasso. Um desregrado que vadiava incognico entre contentores e telhados sujos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite lá em casa do Anarco nunca se sabia do gato.&lt;br /&gt;Excepto nas noites de sexta, nessas noites, nós sabíamos onde estava o Gringo…Vinha connosco para a rua.&lt;br /&gt;Levávamos o gato a beber copos e a passear. &lt;br /&gt;Quando acontecia passarmos por baixo de um primeiro ou segundo andar com roupa estendida, se esta nos parecia passível de ser comercializada, fazíamos o número do Gringo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um de nós ficava a vigiar de um lado. Outro vigiava a rua no lado oposto. O Anarco pegava no Gingo pelas patas de trás, dava-lhe balanço, fazia pontaria à roupa e pimba. Super gato a voar, calças ou casaco preso nas unhas, gato a cair bem sempre de pé e a roupa esperada a cair com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muito bem disse o Castanho que costumava vir connosco: é mais fácil que ir ao Multibanco, assim ou menos um gajo não tem de estar a gastar a molécula a lembrar-se dos códigos!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente correu tudo bem até ao dia em que prenderam o Gringo.&lt;br /&gt;Já tínhamos um saco jeitoso cheio de calças de ganga, algumas camisas e um casaco de malha. Mas o Anarco não estava satisfeito. &lt;br /&gt;Pela terceira sexta-feira consecutiva foi atirar o Gringo para um estendal no primeiro andar por trás do café onde costumávamos iniciar a noite. &lt;br /&gt;Como das outras vezes estava carregado de roupa já seca e com as luzes todas apagadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que ainda o gato não ia no ar já tinham ligado a sirene do carro da polícia.&lt;br /&gt;Mesmo atrás de nós.&lt;br /&gt;O carro da bófia de máximos acessos e a arrancar vrruum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu cada um para seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saco da roupa ficou abandonado para os bófias dividirem entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os becos e ruas escuras do bairro não facilitam as perseguições policiais.&lt;br /&gt;Voei sobre carros abandonados, contentores de lixo e vasos de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bófias saíram do carro e correram também. Não os vi mas ouvi-lhes os passos.&lt;br /&gt;Não deram tiros para o ar mas gritaram pára pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não parei. &lt;br /&gt;Dez minutos depois já eu estava na segurança da casa paterna sinceramente arrependido de toda aquela história. Coitado do meu pai que não merecia ter um filho assim como eu. &lt;br /&gt;Nessa noite jurei a mim mesmo nunca mais me envolver em merdas que possam dar prisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo que tenha cumprido o juramento à risca. Tambem é dificil, afinal de contas fazem-se umas leis tão restritivas... &lt;br /&gt;De qualquer forma: nunca mais fiquei de vigia, nunca roubei nada e se não me chatearem podem ficar descansados que cá o Riki tambem não faz mal a ninguem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite a polícia apreendeu o Gringo. Ficou detido no posto da Quinta da Lomba. Durante mais de dois meses a Marina chorou o gato pelos cantos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farto de vê-la sofrer, o Anarco contou tudo à irmã. A Marina foi à bófia dizer que lhe tinha morrido um gato muito parecido com aquele que eles lá tinham. Com as lágrimas nos olhos, pediu para ficar com ele… como a gaja era podre de boa os bófias não disseram que não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o Anarco trabalha na segurança social de Setúbal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro tipo que nessa noite estava connosco morreu há três anos com uma tuberculose oportunista do vírus da sida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Marina continua boa e é professora de inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gato também já deve ter morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados tantos anos ainda olha à volta quando me lembro da história, não vá estar algum agente da brigada do estendal à espreita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa noite também lamento não estar ninguém a cronometrar a minha velocidade na corrida. Tenho a certeza que bati o recorde do mundo dos 600 metros barreiras em becos escuros…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente nenhum dos polícias me conseguiu dar a medalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-115514389467847984?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/115514389467847984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=115514389467847984' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115514389467847984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115514389467847984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/08/600-metros-barreiras-em-becos-escuros.html' title='600 metros barreiras em becos escuros'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-115436363531879261</id><published>2006-07-31T17:28:00.000+01:00</published><updated>2006-07-31T23:56:43.743+01:00</updated><title type='text'>La Habana e o robalo cabeludo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/la%20habana.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/la%20habana.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Seguindo pela 5ª Avenida, um bom par de quilometros depois  da Marina de Hemingway, vira-se à esquerda e chega-se ao bairro de Santa Fé. Subúrbio pobre com casas pequenas e hortas minúsculas. A selva começa aí e abraça a Havana pelo lado nascente. Construções humildes de gente humilde. Vegetação eufórica de vida que cresce eternamente verde por todo o lado. Pisos térreos com janelas sem vidros e portas sempre abertas para que a brisa cumpra a sua função de arrefecimento.&lt;br /&gt;Passei por ali em finais de 98. Sentado na cadeira de baloiço, recuperei da escarlatina e aprendi a fumar puros nessa casa. Sentava-me, acendia o charuto e assistia ao crepúsculo rápido olhando os fios eléctricos que passavam por cima da casa em frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro dia que fiquei naquela casa, que reparei nos pássaros. Pela primeira vez vi em liberdade abutres. Neste caso, urubus. Passarões negros, do tamanho de perus, com o pescoço e a cabeça despidas de penas, mostrando a pele vermelho vivo. Quase todos os dias, ao final da tarde faziam a reunião do bando, sobre a casa da frente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais tarde vim a perceber porquê. A casa que ficava do lado de lá da pequena rua de terra batida, em frente à minha cadeira de baloiço, era uma agência funerária. &lt;br /&gt;Em Cuba os velórios são laicos e feitos nas agências funerárias. No caso de haver corpo, os urubus apareciam para velar o morto. Se não houvesse corpo na casa em frente da minha, os urubus faziam a sua vidinha por outros sítios e não apareciam em Santa Fé. &lt;br /&gt;Quando poisavam nos fios, vinham avisados por um cheiro difuso de carne em putrefacção. Entre o cheiro a estufa, a tabaco e a diesel falsificado só os urubus distinguiam o cheiro a morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ainda do que pelo aspecto tétrico da questão, fiquei impressionado pelo instinto de sobrevivência destes pássaros.&lt;br /&gt;Passaram quase oito anos e não voltei a Cuba – tenho saudades do cheiro a estufa, a tabaco e a diesel falsificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num outro continente, um mar de milhas a nordeste de Santa Fé, na praia do Barreiro, uma das barracas foi transformada num bar. &lt;br /&gt;Melhor: uma das barracas foi transformada numa taberna. Passo por lá quase diariamente quando ao final do dia vou andar de bicicleta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono da barraca transformada em taberna é um tipo que vive de esquemas desde que a mãe o pariu. Abriu a taberna ilegalmente, vende cerveja que refresca em bidões de gelo. Meteu um ucraniano grandalhão a fazer o serviço das mesas e passa o dia descalço em calções de banho a coçar a micose.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com um arrepio de calor, entre a febre e a saudade que da praia do Barreiro me vi transportado para Havana e me lembrei dos urubus nos fios eléctricos. &lt;br /&gt;Aqui junto ao Tejo, voltei a ver o bando de abutres. Encostados ao balcão da tasca mantinham a pose de quem espera poder comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desocupados permanentes. Ex-presidiários cinquentões. Chulos profissionais. Reformados por invalidez que se dedicam à pesca. Empreiteiros clandestinos. Toxicodependentes recuperados à força de bagaço. Sucateiros receptadores. Profissionais da baixa permanente. Vendedores de carros usados e material roubado. Velhos gaiteiros e pescadores de estuário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Cuba a lição dos abutres ficou aprendida. Não vi o morto mas percebi que havia ali carne em decomposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei a passar pela taberna improvisada com mesas e cadeiras entre o lodo. Todos os dias vou andar de bicla entre os cães vadios e o Tejo que sobe e desce em função da lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, um tipo que eu conheço dentro da tasca improvisada gritou o meu nome.&lt;br /&gt;Conheço-o do ginásio e das artes marciais. Foi bófia, mas como bebia em serviço, correram com ele. Agora é chulo a tempo inteiro. Especialista em raparigas do leste.&lt;br /&gt;Em tronco nu, abanado o braço das pulseiras de ouro voltou a chamar-me com a cerveja na mão. Nas costas um leão tatuado anunciava o amor pelo sproting. A garrafa gelada também gritou o meu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque andar de bicicleta é uma actividade que faz desidratar, parei, desci, encostei a máquina à parede da barraca e a barriga ao balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Riki, já sabes que comigo jogas em casa – foi assim que ele começou a conversa. Pediu uma cerveja para mim e depois levou-me às traseiras da tasca para me mostrar as bonecas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quintal por trás da barraca é directamente a praia. Viradas para Lisboa, mais ou menos em frente à Praça do Comércio as mulheres esperavam por melhores dias. Junto às ondas mansas do Tejo, uma dúzia de mulheres louras e envelhecidas. Sentadas e declinadas em cadeiras e espreguiçadeiras de plástico espreguiçavam a apanhar sol nas carnes flácidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vê lá se queres ir beber um whisky ao reservado? Só tens de escolher a companhia.&lt;br /&gt;Na barraca ao lado, funcionava “o reservado”.&lt;br /&gt;Uma cortina de fitas impedia a visão do interior e dos necessariamente minúsculos quartos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rejeitei a oferta do whisky e da companhia. Desculpei-me com a pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento as cortinas do reservado abriram e um estranho par saiu do escuro para a luz do sol. &lt;br /&gt;Debaixo do braço de uma eslava com cerca de dois metros e mais de cento e vinte quilos, vinha o homem que vende o melhor peixe da praça do Barreiro. A mulher vinha em biquini florido e trazia o ar de enfado característico das putas velhas. &lt;br /&gt;O peixeiro sorriu-me com os dentes que lhe restam entre o comprometido e o satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na sombra da taberna, na outra ponta do balcão enquanto recebia a sagres gelada da mão do empregado, aquele que costuma vender o peixe gritou para mim de modo a que todos o ouvissem:&lt;br /&gt;-- Ó Riki em sessenta anos de vida, dezoito no mar e três na guerra, nunca tinha visto tanto pintelho louro!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assistência riu, e o taberneiro passou o pano por cima do balcão de madeira suja.&lt;br /&gt;Tambem eu ri. Depois, vagamente agoniado do calor, acabei a cerveja, voltei a montar na bicicleta e fui à minha vida a contar os tostões que preciso para voltar para Havana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que depois deste episódio na barraca da praia do Barreiro, tenho tido um pesadelo recorrente. Quando este sonho me ensombra as noites, acordo a suar e a cuspir.&lt;br /&gt;Vou beber agua mas tenho dificuldade em voltar a adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conto o sonho:&lt;br /&gt;Estou sentado na varanda da casa de Santa Fé a comer um lindo robalo. Robalo legitimo pescado no Tejo. Assado por mim no carvão. Fresquíssimo… Vejo-me sentado à mesa. No sonho cheira a trópicos depois da chuva. Começo a arranjar o peixe e a tirar as espinhas. Em cima da mesa, à minha frente está uma Bucanero  gelada e um rádio roufenho toca salsa. Depois vem a parte assustadora do sonho: em vez de espinhas, entre a carne branca do robalo, estão crespos pintelhos louros…Quanto mais eu tiro com a ponta da faca mais pintelhos louros aparecem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que para parar com este terrivel pesadelo vou ter de deixar de comer peixe grelhado?&lt;br /&gt;Ou terei mesmo que voltar a Cuba para, com a ajuda de uma Santeira esconjurar a maldição do robalo pintelhudo???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-115436363531879261?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/115436363531879261/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=115436363531879261' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115436363531879261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115436363531879261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/07/la-habana-e-o-robalo-cabeludo.html' title='La Habana e o robalo cabeludo'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-115332834367707124</id><published>2006-07-19T17:47:00.000+01:00</published><updated>2006-07-19T20:24:30.736+01:00</updated><title type='text'>2º Piso - Psiquiatria</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/hnsr.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/hnsr.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu vou dizer a verdade mas poucos vão acreditar em mim. &lt;br /&gt;Vou contar como tudo aconteceu mas acho que alguns vão pensar que eu estou maluco. &lt;br /&gt;Eu lembro-me de tudo. De tudo tudo. Até ao mais ínfimo pormenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma como Riki pediu e eu vou contar-vos.&lt;br /&gt;O Riki acredita em mim. O Riki é meu amigo e por isso eu conto aqui a historia. E nem é pelas cervejas que o gajo me ofereceu…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo-me Marco Armindo Salvaterra, tenho 42 anos, sou bancário na CGD e estou de baixa.&lt;br /&gt;Juntaram-se todos contra mim: o gerente da agencia, o meu senhorio, a minha ex-mulher e a minha prima Leonilde.&lt;br /&gt;Acusaram-me de desleixo, irresponsabilidade e arrogância. &lt;br /&gt;Por causa deles fui raptado e estive retido num campo de concentração que funciona clandestino no segundo piso do hospital do Barreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi lá a casa um gordo cinquentão que cheirava a suor e a Old spice. Lembro-me como foi simpático comigo. A pedir com bons modo para ir com ele na ambulância e aceder a ligar a sirene quando eu lhe pedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que cheguei à minha célula adormeceram-me com uma injecção que introduziu dentro de mim seres minúsculos e estranhos. Só mais tarde percebi o funcionamento da coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vieram com as naves pequeninas, circulares e bancas. Ofereciam as naves com água. &lt;br /&gt;Obediente, eu engolia os pequenos discos brancos e sentia o escape da nave a deixar um risco de poluição até ao estômago. Um rasto de azia a lavrar-me o esófago. Quando as naves aterravam entre lagos e pântanos de ácido os pequenos seres que as tripulavam saíam. Depois entre os tripulantes alguns eleitos entravam na corrente sanguínea e subiam até ao meu cérebro. Os outros ficavam no estômago a fazer peso e a desmontarem a nave. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quando os infiltrados chegavam à cabeça que a tortura começava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pequenos seres químicos, depois de me entrarem no cerebro começavam por me confundir as ideias. Impediam-me de seguir um raciocínio do princípio ao fim. Martelavam e punham em causa todas e qualquer premissas. De um modo sistemático desmontavam a minha lógica mental. A intenção era esgotar-me para quebrar a minha natural resistência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante tempo interminável, os pequenos seres viajantes dos discos brancos trabalhavam dentro de mim. &lt;br /&gt;Quando, passado algumas horas as pequenas naves se desintegravam, a minha merda saía peganhosa e mal cheirosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regulares como um relógio suíço, vinham os pobres dos escravos vestidos de branco trazer-me mais micro-naves para eu tomar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao por do sol uma escrava vinha dar-me uma injecção azulada que introduzia na minha corrente sanguínea os agentes sabotares. Toda a minha energia ia a baixo depois dos alienígenas introduzidos através da injecção azul terem rebentado com a minha central interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que eu quisesse continuar a pensar não conseguia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos fechavam-se e adormecia um sono sem sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordava tarde com a boca amarga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As naves que me obrigavam a engolir eram nada mais, nada menos do que minúsculos veículos militares onde os agentes da polícia de pensamento viajavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes seres micros actuavam no sentido de me impedir de pensar com queria. Devia pensar só nas ideias que me sugeriam.&lt;br /&gt;Um dos escravos a quem os outros escravos chamavam doutor, volta não volta vinha falar comigo.&lt;br /&gt;Ao início dizia-lhe a verdade e aquilo que sentia.&lt;br /&gt;Depois percebi que o pobre homem também ele escravizado não tinha capacidade para ouvir a verdade. Percebi a coisa e mudei de actitude. Contei-lhe as mentiras que ele queria ouvir. &lt;br /&gt;À medida que fui ficando fluente no discurso da mentira, o escravo a que os outros chamavam doutor começou a sorrir mais vezes e a ficar confiante no tratamento.&lt;br /&gt;Não sei ao certo quanto tempo tive que me submeter ao campo de concentração para pensadores independentes. &lt;br /&gt;Foram muitos dias. &lt;br /&gt;Demasiados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha volta outros. Não consegui perceber se eram como eu. Também os meus vizinhos de cativeiro estavam a ser vigiados por dentro. Tambem eles sofriam atraves das pequenas naves para tomar e injectáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de uma certa altura comecei a conseguir enganar os polícias do pensamento que me obrigavam a ingerir nas micro naves. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastava-me ficar parado sentado na cadeira virado para a janela. Ficava a ver os pardais nas árvores e a pensar só nos pardais. Os polícias ficavam baralhados e atacavam-se a si mesmo. Então tinha liberdade para ser pardal e saltar de ramo em ramo. Como bem me apetecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei assim dois dias sentados a ver os pássaros nas árvores. Os escravos deixaram de me dar a injecções com os agentes sabotadores da central de energia interna.&lt;br /&gt;Continuaram com as pequenas naves. Agora só duas antes de cada refeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta tarde saí da prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinei com o medico escravo que o ia continuar a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci ao café e encontrei o Riki que me perguntou o que é que eu andava a fazer. &lt;br /&gt;Como o Riki é um gajo fixe contei-lhe a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebemos umas cervejas mesmo contra a prescrição do escravo médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei à parte das naves pequeninas, o Riki trouxe-me aqui para o escritório e pediu-me para por tudo por escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos beber outra cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À malta que não é de confiança, e que me pergunta o que é que me aconteceu, digo que tive um esgotamento mas que agora estou melhor.&lt;br /&gt;A história do esgotamento é fixe. &lt;br /&gt;Justifica o internamento em psiquiatria e não tenho que estar com conversas.&lt;br /&gt;Mas voces que são amigos do Riki, merecem a verdade.&lt;br /&gt;Agora que ja sabem, ponham-se a pau. &lt;br /&gt;Não deixem que os escravos de branco venham a saber. Nunca lhes digam que quando estão sozinhos pensam que podiam ser passaros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou que bazar porque a Blimunda tá a chegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Riki diz que se a Blimunda o apanha na palheta e a beber cervejas com os malucos do bairro lhe dá cabo do juízo….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-115332834367707124?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/115332834367707124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=115332834367707124' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115332834367707124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115332834367707124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/07/2-piso-psiquiatria.html' title='2º Piso - Psiquiatria'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-115288280426927427</id><published>2006-07-14T14:11:00.000+01:00</published><updated>2006-07-17T16:19:01.573+01:00</updated><title type='text'>Queda pá coisa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/Cicatriz.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/Cicatriz.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zirinho morreu de cirrose. &lt;br /&gt;É por isso eu não compro um capacete para andar de bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zirinho, que viveu uns sessenta anos aqui no meu bairro. Morreu no ano passado com o fígado feito em nhanha. &lt;br /&gt;Zirinho, é o nome incompleto. O nome completo era Zirinho Queda-facial. Tinha esta alcunha porque nos últimos 15 anos da sua vida fazia o número da queda facial várias vezes por dia. Trocava a Queda-facial por minis.&lt;br /&gt;Na taberna na Glória, desafiava conhecidos e desconhecidos para apostarem uma mini versus a sua Queda-facial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ó migo, já viu a minha Queda-facial? Mande lá vir uma mine pra cima do balcão que eu faço a queda. Se não ficar satisfeito com o numbaro bebe a mine você, conde não mamo a mine eu!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se às primeiras propostas era habito haver recusas, com a insistência do artista o espectador acabava por ceder. Um sim tímido feito com a cabeça era motivo para o Zirinho dar pancadas de mão aberta em cima do balcão até a Dª Glória por a mini gelada aberta sobre o mármore. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zirinho começava os preparativos:&lt;br /&gt;Abria a camisa até ao umbigo.&lt;br /&gt;Ia ao prego espetado ao lado da porta da casa de banho buscar a toalha turca e cuidadosamente dobrava o pano em forma de um pequeno rectângulo. &lt;br /&gt;Os clientes da taberna abriam uma clareira no chão de azulejos polvilhado de serradura.&lt;br /&gt;O Zirinho dispunha cuidadosamente a almofada feita com a toalha um metro e meio à frente da biqueira dos chinelos.&lt;br /&gt;Tirava a cruz que tinha ao pescoço, embrulhava o fio no cristo e metia na boca debaixo da lingua.&lt;br /&gt;Fazia-se silêncio na tasca.&lt;br /&gt;O Zirinho fechava os olhos e benzia-se. &lt;br /&gt;Braços esticados ao longo do corpo, posição de sentido.&lt;br /&gt;Respirava fundo e  fazia o numero dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixava-se cair. &lt;br /&gt;Direitinho como uma tábua&lt;br /&gt;Cara contra os azulejos e testa a bater na toalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionava quem via.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionava ainda mais a velocidade com que o gajo se levantava e emborcava a mini que em cima do balcão esperava por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Banto estava por perto, não deixava o Zirinho fazer a Queda-facial. Pagava ele a mini e dizia ao pessoal para evitar aquelas quedas. O Banto é um guineense que veio jogar à bola para o Barreiro nos anos 60 e que foi um dos melhores jogadores que há memoria na equipe da Cuf. Aqui na zona toda a gente, novos e velhos, conhece e respeita o Banto. Por isso quando o Banto vinha à taberna pedir para acabar com a queda facial do Zirinho, até a dona Gloria dizia que não queria vender mais cerveja assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos pedidos do Banto, calculando assim por baixo o Zirinho deve ter dado umas doze mil quedas nos últimos dez anos da sua vida. Faciais e sem ser faciais. Cair estava-lhe no sangue. Foi paraquedista no tempo da guerra colonial e orgulhava-se de nunca ter descido de um comboio com a máquina parada na estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta não volta atirava-se pró chão – só para enrijar os ossos dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora cá no bairro, não há memória de um gajo que tenha caído tantas vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não ser talvez, o Manel Beicinho nos meses a seguir a ter comprado a famel. Nessa altura, o traje obrigatório do Manel Beicinho, era capacete com um rabo de raposa num braço – o saudável -- e gesso e lenço a prender o gesso ao pescoço no braço que estava partido…Três em três semanas trocava o capacete pelo gesso. Mas esse é outro tema. Alem do mais o Manel Beicinho ia tratar-se ao hospital. O Zarinho não se metia com médicos. Tratava-se a ele próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Setentaeduasminis que mora no mesmo prédio onde o Zirinho morava, diz que não se lembra nunca de ver o Zirinho descer as escadas. Do terceiro andar até à rua o processo era sempre o mesmo. Andava no patamar depois caía o lance de escadas. Levantava-se endireitava-se e caía outro lance. Assim até à rua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zirinho nunca partiu nada a não ser uma vez o pára-brisas do carro do Gosma. O Gosma é bófia, mora aqui na rua e ninguém gosta dele -- nem a própria mulher que lhe pôs os cornos com um sobrinho. &lt;br /&gt;Dessa vez, já o Zirinho tinha bebido qualquer coisa e quando saiu da taberna caiu por cima do carro do Gosma com uma garrafa de cerveja na mão. Partiu-se o vidro do carro.&lt;br /&gt;Depois o estúpido ainda queria prender o homem… Claro que a malta que estava na taberna não deixou… Pagamos o copo prometido ao Zirinho e mandamos o Gosma por no seguro!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por autocarros vi eu o Zirinho ser atropelado mais de uma dúzia de vezes. Isto sem exagero. E só falando em autocarros. Não contando com camionetas, frogonetes carrinhas carro e motas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zirinho, nunca foi ao hospital. Levantava-se das quedas ou dos atropelões e sacudia-se. Se houvesse sangue ia lavar-se à taberna ou à torneira que há atrás da Santinha no jardim. Estaleiro é que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu cedo coitado e não foi de nenhuma queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois esta conversa toda do Zirinho vem a propósito dos capacetes para os ciclistas. &lt;br /&gt;Como eu agora ando todos os dias de bicicleta, algumas pessoas bem intencionadas vem falar comigo a dizer que tenho de arranjar um capacete… Por causa das quedas. Avisam. &lt;br /&gt;Cá eu, quando me falam em quedas lembro-me logo do Zirinho Queda-facial e a única coisa que me ocorre responder é que arranjo um capacete quando se fizerem capacetes pró fígado…É com a isca que um gajo tem de se por a pau….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-115288280426927427?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/115288280426927427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=115288280426927427' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115288280426927427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115288280426927427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/07/queda-p-coisa.html' title='Queda pá coisa'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-115218276888352482</id><published>2006-07-06T11:45:00.000+01:00</published><updated>2006-07-06T14:04:12.946+01:00</updated><title type='text'>Fronteiras</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/aduana.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/aduana.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando era puto imaginava que as fronteiras fossem riscos no chão. Imaginava as fronteiras desenhadas a giz. Ou melhor: feitas com tinta branca grossa e com revelo, como os traços contínuos da estradas. &lt;br /&gt;As primeiras vezes que saí do país (para Badajoz claro) apercebi-me que fronteira queria dizer tensão legal latente e potencial confronto com a bófia. Era puto nos meus cinco ou seis anos mas lembro-me bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na altura eram os guardas-fiscais do lado de cá e os carabineros do lado de lá. Ao chegar à fronteira, o carro parava numa fila. Depois vinham os guardas pedir o passaporte. As declarações assinadas para o miúdo poder viajar. Mais a papelada do carro. Transportam, café bebidas alcoólicas ou armas? &lt;br /&gt;Os adultos faziam um ar sério e mostravam as pastas e pastinhas tiradas do bolso do casaco. O guarda que com ar de caso fazia o seu papel de cão de fila. O bófia, inspeccionava a documentação, depois as pessoas e depois outra vez a documentação. Ás vezes mandava abrir e revistava o carro. Mala, motor e interiores. Lembro-me de um tipo mais zeloso que uma das vezes até quis ver o cesto do farnel. Quando a inspecção acabava, lá nos mandavam seguir e passavam a chatear as pessoas do carro que vinha atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que era um favor que nos faziam deixar-nos passar aquela cancela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir vinha a aduana. Caso não saibam, aduana é como os carabineiros chamam à fronteira. Bófias, vestidos de igual modo contudo de uma maneira diferente dos guardas de Portugal. Faziam exactamente a mesma coisa que em Portugal a falarem uma língua que sendo distinta se compreendia perfeitamente. Voltavam a pedir a mesma papelada. Se não fossem a má educação e arrogancia própria dos que usam farda, até podia ser um jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que aquilo que mais me impressionava nos carabineros alem do chapéu à Napoleão eram as espingardas. Do lado português os guardas traziam uma pistola à cintura dentro dum coldre, do lado espanhol traziam uma enorme espingarda à bandoleira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Talvez venha daí a minha forte convicção que, ao contrário do que diz o merceeiro aqui do bairro sobre a fruta, em geral em España as coisas são melhores que em Portugal.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carabineiro inspeccionava papelada. Licenças e documentos carimbados. Das pessoas e do carro. Demorava eternidades a comparar os passaportes e os seus proprietários. &lt;br /&gt;Era nesta fase que eu inventava a vontade de ir mijar. Na realidade o que eu queria era ir ver como era a fronteira do lado espanhol. Lembro-me de uma vez ter acontecido um detalhe que me impressionou bastante nessa aduana de Badajoz: pela primeira vez vi os cartazes com as caras dos bascos procurados por terrorismo. Fiquei pasmado a olhar para aquelas fotografias. Nos meus seis ou sete anos não compreendia que se tratassem assim pessoas. Os carabineiros passavam com papéis nas mãos. Um dos adultos que vinha comigo esforçava-se para me tirar dali e evitava responder aos meus porquês. Já nessa altura a minha conversa era subversiva. Nos anos 70 nem os portugueses nem os espanhóis estavam habituados à democracia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas idades entre os seis e os oito anos, comecei a aprender línguas sem aprender gramática. Ainda hoje a minha formação ao nível de línguas estrangeiras passa pela oralidade. Oralidade de fronteiras, da praia e de balcão de taberna.&lt;br /&gt;A primeira frase que aprendi numa lingua que não o portugues, foi-me ensinada pelo meu avô paterno. O meu avô que foi ferroviário dos anos 40 aos anos 70 e com frequência viajava para Espanha. Apesar de não ser assunto discutido em familia, lembro-me que o meu avô, de vez em quando fazia algum pequeno contrabando para a família e para amigos. Importação de tabaco, caramelos, rádios de pilhas e ventoinhas.  &lt;br /&gt;Talvez seja esta genetica de semi-clandestino que fez com que primeira coisa que aprendi a dizer em "estrangeiro", fosse conversa raiana:&lt;br /&gt;-- Míralo usted.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi o Miralóstê quase como uma palavra mágica para esconjurar carabineiros. Um tipo, mesmo que tivesse de seis anos, saltava do colo do avô mostrava o saco do lanche e dizia um sonoro miralóstê. O carabineiro, impressionado com a prontidão e percebendo que nada tinhamos a esconder, nem sequer se dava ao trabalho de espreitar. Debaixo da sandes de chouriço podiam vir os caramelos. Por milagre da palavra dita, era assim possível seguir livre de perigos. Um simples miralóstê permitia continuar passando para sempre fronteiras e aduanas embalado pelo comboio numa viagem sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que fui crescendo uma dúvida sobre a consistencia das fronteiras foi-se instalando em mim. Onde raio ficava a  fronteira para lá da berma da estrada e longe da linha do comboio? &lt;br /&gt;Dum lado e Portugal doutro é Espanha. Na estrada a fronteira é marcada e guardada por bófias dos dois lados, mas fora da estrada como é?&lt;br /&gt;A fronteira, onde anda ela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tipo de filosofar espontâneo, fez-me perceber aí pelos meus oito ou nove anos que as fronteiras eram uma invenção dos adultos. Tipo lobo-mau ou bruxa da branca de neve: só assustam quem acredita nelas. A partir dessa altura sempre que nos aproximávamos de uma fronteira, comecei a sugerir sair da estrada e ir pelos campos. Sugestão que nunca ninguém levou a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a minha adolescência a Europa ficou sem fronteiras. Ainda bem.&lt;br /&gt;Quando comecei a viajar fora da Europa voltei a deparar-me com os mesmos esquemas de fronteira que aprendi enquanto criança. E voltei a espantar-me com o absurdo da situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou ignorante por conta própria, isso quer dizer que não posso culpar ninguém pelas coisas que não sei. Tenho-me esforçado por aprender. Como sempre gostei de mapas, de atlas e de geografia, tenho andado a estudar o tema das fronteiras tão aprofundadamente quanto os meus próprios limites me permitem.&lt;br /&gt;A conclusão a que vou chegando é aquela que por instinto percebi aos oito anos: As fronteiras não existem. &lt;br /&gt;As fronteiras são traços imaginários. IMAGINÀRIOS. Não há Portugal nem Espanha. Há mundo.&lt;br /&gt;Não há Marrocos, nem Argélia, nem Angola / Namíbia, nem Moçambique /Suazilândia, nem Suiça /França, nem Índia /Nepal. Há mundo. Muito mundo.&lt;br /&gt;As fronteiras foram inventadas para enganar aqueles que são suficientemente ingénuos para acreditar nelas. Serviram para fabricar uma entidade colectiva a que os goverantes chamaram pátria. As pátrias são só pretexto de comparação em relação às pátrias dos outros. &lt;br /&gt;Um tipo que é agricultor na beira baixa, trabalha a mesma terra que um agricultor na Estremadura. Porque é que um há-de ser português e outro espanhol?&lt;br /&gt;Em nome das fronteiras, da sua integridade e da sua ampliação foi feito grande parte do mal que faz sofrer a humanidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única função das fronteiras é delimitar um território de coutada para caça aos impostos de um determinado governo. As fronteiras têm uma função meramente económica. Quando o sistema económico pelo qual nos forçam a orientar for alterado, deixa de ser preciso inventar riscos no chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai chegar o dia em que as crianças só vão saber o que foram fronteiras nas aulas de história. Nessa altura, os putos de oito anos vão sorrir do absurdo que foi os adultos acreditarem em riscos imaginários no chão. Tal como os putos de hoje sorriem ao saber que os marinheiros de quinhentos acreditavam em sereias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-115218276888352482?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/115218276888352482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=115218276888352482' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115218276888352482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/115218276888352482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/07/fronteiras.html' title='Fronteiras'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-114252824102871967</id><published>2006-03-16T16:56:00.000Z</published><updated>2006-03-17T13:26:20.853Z</updated><title type='text'>As meias do Platini</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/mapa%20de%20ceuta.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/mapa%20de%20ceuta.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordei às 10 da manha porque o quarto me cheirava a vinho do porto. &lt;br /&gt;Na noite anterior, estive em cavaqueira com um professor de biologia belga e despejei a garrafa de vinho do porto que carrego sempre que vou de viagem. &lt;br /&gt;A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi o enorme martelo da ressaca que me bateu implacavelmente dentro da cabeça provocando-me uma dor lancinante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me e arrastei os pés atá à casa-de-banho. A retrete com lavatório fica ao fundo do corredor. O Hotel chama-se pomposamente “Paradis Berbère” mas não passa de uma espelunca das mais baratas de Midelt, uma vilazinha de montanha perdida em pleno atlas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acocorei-me para esvaziar os intestinos e olhei para o calendário atrás da porta. Dez de Novembro de 2002. O calendário mostrava um domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo?!?!? Não pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me que trazia um relógio no pulso esquerdo. Eu nunca uso relógio, excepto quando estou em viagens “terceiro mundistas”, alem e fazer jeito para saber as horas pode servir sempre de suborno para poder sair de alguma enrascada…Olhei então para o relógio de pulso, um topo-de-gama-da-praça-de-espanha. Carreguei nos botões minúsculos à procura do calendário. Confirmei, Domingo 10 de Novembro. &lt;br /&gt;Isso queria dizer que estava um dia atrasado. Segunda-feira 11 era já amanhã. Era suposto estar em Lisboa engravatado ás 9 horas a entrar no escritório!!!!!&lt;br /&gt;Faltavam-me percorrer 600 km até Ceuta, depois mais a travessia do estreito e depois mais 700 km até casa. Estava há duas semanas no reino de Marrocos e tinha perdido a noção dos dias…&lt;br /&gt;Para ajudar estava de diarreia. Natural reacção à dieta marroquina regada com vinho do Porto!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpei-me e tomei um duche frio.&lt;br /&gt;Corri para o quarto.&lt;br /&gt;Meti os meus haveres dentro da mochila e desci para tomar o pequeno-almoço. Banana e chá de menta. Mais nada.&lt;br /&gt;Antes das 11 já estava na estrada que serpenteia pela montanha em direcção ao norte. &lt;br /&gt;O ultimo barco saía de Ceuta por volta da meia noite. Se não perdesse muito tempo na fronteira e seguisse directo podia ser que desse tempo.&lt;br /&gt;Sem poder apertar muito com o clio de 91 lá fui fazendo o que podia. A maquina reagiu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só parei para por gasolina, comprar comida e ir à casa de banho.&lt;br /&gt;A diarreia não deu tréguas. Nada de preocupante, nem febre, nem vómitos, nem fezes sanguinolentas… Diarreia simples. Completamente liquida e acompanhada de cólicas.&lt;br /&gt;Apesar das paragens obrigatórias, a viagem seguiu rápida. &lt;br /&gt;À hora de jantar já estava em Tetuan. &lt;br /&gt;Como ainda tínham tempo decidi parar para esticar as pernas e comer qualquer coisa. Para ver se serenava os intestinos, limitei-me ao pão com Coca-Cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei antes das 9 à fronteira de Marrocos para Ceuta. Pouco carros, poucas pessoas a atravessar a pé. Afinal era domingo à noite. &lt;br /&gt;Mesmo antes de chegar a minha vez para ser atendido, mostrar os documentos e seguir viagem, deu-me a cólica. Corri para a casa-de-banho do edifico da alfandega e desfiz-me em merda. Tive uns cinco minutos acocorado a expelir líquidos.&lt;br /&gt;Quando cheguei ao carro já os guardas estavam desconfiados a bater nas rodas à procura de sítios ocos. Um tipo a ir a correr para a latrina mesmo antes de passar no controlo deve ter ido esconder alguma coisa. Pensaram que era aqueles gajos que passam a fronteira com trinta quilos de haxe escondidos em todos os buracos do corpo e do carro. Decidiram levar-me e revistar-me no gabinete da alfândega e caprichar na revista do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei tês horas na fronteira. Despi-me, baixei-me, tossi, cuspi, escarrei, abri as bordas do cu, mostrei a garganta e nada. Cá fora fizeram-me a tirar tudo de dentro do carro. Quiseram abrir e verificar tudo. Embrulho por embrulho. Caixa por caixa. Saco por saco. Até o macaco tiraram de dentro da roda suplente que insistiram em desmontar. Levantaram os tapetes todos (deu para juntar mais de duzentos paus em moedas de escudos!). Tiraram os bancos de trás para fora… enfim, procuraram tudotudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntaram-me três ou quatro vezes o que é que tinha ido esconder à casa de banho. &lt;br /&gt;A polícia marroquina está interessada a prova ao mundo que os traficantes de haxixe são os estrangeiros – por isso não facilita!!!&lt;br /&gt;Só quando eu expliquei pela enésima vez que estava de diarreia os convidei a acompanharem-me à latrina é que desistiram de querer levar-me ao hospital para me radiografar o intestino!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo esta insistência policial era já passava da meia-noite.&lt;br /&gt;Do lado Espanhol da alfândega perceberam o que se tinha passado e mandaram-me seguir. Rápido, se quiseres apanhar ainda o barco da meia-noite e meia. &lt;br /&gt;Acontece que à entrada da marginal de Ceuta, a caminho do porto, fiquei atrás do carro do lixo que fazia a recolha. Muito contentor tem aquela avenida... Catorze contentores de lixo. Contei-os. Entrei no porto dos ferris à meia-noite e trinta e quatro. O barco levantou ferro nesse preciso momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis horas de seca!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para piorar as coisas, depois de entrar no porto não podemos sair voltar no dia seguinte. O bilhete é cortado e pronto.&lt;br /&gt;Preparei-me para dormir ali no carro umas horas.&lt;br /&gt;Ajeitei-me como pude no banco da frente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O meu carro era o primeiro da fila. Só lá para as tês ou quatro da manhã começaram a chegar os camiões de transporte de mercadorias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia espanhola veste de uniforme de combate e passeia marcial. Patrulham o porto armados de metralhadoras e cães. Pastores alemães enormes e bem tratados… muito melhor alimentados do que todos aqueles que diariamente chegam do sul do continente e querem passar para a Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco da manhã. Farto de carro saí para a rua e fiquei a fumar cigarros e a trocar dois dedos de conversa com o bófia espanhol que estava mais próximo. Era um puto novo e trazia um cão também ele cachorro. Explicou-me que ali se treinam os cães para funções diferentes: há cães que servem para farejar droga – haxixe e heroína, há cães treinados para farejar explosivos e este cachorro em particular pertencia ao grupo dos cães treinados para farejar pessoas… clandestinos. O cachorro que tinha pela trela estava a fazer um ano de idade e chamava-se Platini. &lt;br /&gt;Ali todos os cães policia tinham nomes de jogadores de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Platini queria brincar e partilhei com ele o resto de um pacote de bolachas de agua e sal. O bófia disse que era ilegal dar de comida aos cães da coroa espanhola, mas como o rei não estava a ver podia ser…&lt;br /&gt;A conversa estava gira mas a cólica falou mais alto. Perguntei-lhe onde eram as casas de banho. O gajo deu-me a indicação e disse-me que na ronda dele tinha de levar o Platini duas em duas horas às casas de banho para o cão farejar tudo não fosse esconder-se alguém ali para depois entrar clandestino no barco. Já tinha acontecido!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa de banho era um luxo para os meus critérios de selecção bastante alargados nas últimas semanas em Marrocos e nas últimas horas com diarreia…Até tinha sanitas. O chão estava limpo e nem cheirava muito mal.&lt;br /&gt;Fiz o que tinha a fazer mas quando me fui para limpar percebi que já não tinha lenços de papel. O stock que tinha posto dentro do casaco tinha acabado. Claro que não havia papel higiénico…&lt;br /&gt;Com este problema na mente, olhei para baixo e vi as meias. Turcas, de desporto, compradas na feira com a raquete à altura do meio da canela. Baratas, macias e super absorventes.&lt;br /&gt;Confesso que não me foram desconfortáveis ao tacto… Calçar os ténis sem meias é que me pareceu menos agradável. Depois de as usar, deixei-as embrulhadas umas na outra atrás da sanita. Não queria entupir os canos ao homem, mas não havia baldinho para por os papeis…&lt;br /&gt;Da bolsinha à tiracolo tirei a minha escova de dentes, a pasta e a micro-barra de sabão. Quase tomei banho no lavatório…. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá fora o dia nascia do lado do mediterrâneo. O céu escuro da noite ia tomando tons mais claros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi mais um camel e respirei fundo o ar da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco que me iria devolver à Europa já tinha chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais cinco minutos e chegou a brigada para inspeccionar o carro. Preparei-me para tirar tudo para fora outra vez. Que não era preciso. Bastava afastar-me do carro e deixar os cães fazerem o seu trabalho.&lt;br /&gt;Assim fiz. Os cães policias eram simpáticos e não me fizeram perder muito tempo. Os tratadores dos cães mandaram-me entrar no carro e seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neste momento em que eu o vi. A correr e a latir de contente. O Platini vinha solto com a trela de rojo a correr na minha direcção. Atrás dele o bófia novinho que era suposto tomar conta do cão corria também. Na boca, o cão o trazia qualquer coisa… um trapo ou assim. &lt;br /&gt;Entrei no carro à pressa quando reconheci as meinhas da raquete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco demorou mais meia hora até encher e atravessou o estreito em quarenta e cinco minutos. Na free-shop comprei mais cigarros e lenços de papel. Aproveitei a pausa na condução para calçar umas meias.&lt;br /&gt;De Sevilha telefonei para o escritório a dizer que estava doente e que metia mais um dia de férias.&lt;br /&gt;Quando passei por Badajoz a diarreia começou a aliviar.&lt;br /&gt;Cheguei ao Barreiro na segunda-feira à hora de almoço. &lt;br /&gt;Comi comidinha caseira e adormeci a rir a pensar no achado do Platini.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-114252824102871967?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/114252824102871967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=114252824102871967' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114252824102871967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114252824102871967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/03/as-meias-do-platini.html' title='As meias do Platini'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-114167424134333297</id><published>2006-03-06T19:41:00.000Z</published><updated>2006-03-06T21:48:32.436Z</updated><title type='text'>Glória ao Almirante Negro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/almirante%20negro.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/almirante%20negro.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Brasil 1910. A escravatura tinha sido abolida oficialmente há 22 anos mas a condição das pessoas não se muda por decreto. Em muitos sectores da sociedade continuava-se a viver uma realidade completamente esclavagista.&lt;br /&gt;Uma das instituições na qual o esclavagismo mais se evidenciava era na Marinha de Guerra do Brasil. O uso do açoite como medida disciplinar continuou a ser aplicado aos marinheiros. Os marinheiros, que na sua esmagadora maioria eram negros continuavam a ser açoitados publicamente por determinação dos oficiais que eram exclusivamente brancos. O pelourinho continuava a existir nos navios da marinha do Brasil.&lt;br /&gt;Quando algum marinheiro era condenado a açoites os outros marujos eram obrigados a assistir à punição. Esta infâmia criou condições para um das primeiras revoltas modernas: a “Revolta da Chibata”.&lt;br /&gt;Chamo moderna à “revolta da Chibata” porque ao contrário de outras revoltas abordo de barcos de guerra esta foi das primeiras a ter um cariz claramente ideológico. Não foi um motim, foi uma revolução. &lt;br /&gt;Para o movimento revolucionário internacional, a Revolta da Chibata, também foi  uma das primeiras de uma série de revoltas de marinheiros que pelo mundo fora ergueram bandeiras e que fizeram desta classe de militares um dos sectores mais progressistas e revolucionários.&lt;br /&gt;Em 1910, uma viagem de instrução à Inglaterra cria a consciencia de classe necessaria à reacção ideologica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem inaugural do Minas Gerais,os marinheiros tomam consciência do movimento pela melhoria das condições de trabalho levado a cabo pelos marinheiros britânicos entre 1903 e 1906. E claro da insurreição dos russos embarcados no encouraçado Potemkin, em 1905.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 20 de Novembro de 1910 abordo do Minas Gerais, o marinheiro negro Marcelino recebeu 250 chibatadas em frente a toda a tripulação, formada propositamenta no convés, para assistir à punição. O homem desmaiou, mas os açoites continuaram. Tinha sido condenado injustamente por pretensamente ter participado numa briga.&lt;br /&gt;Os marinheiros revoltaram-se. Chefiados João Cândido organizaram-se contra a situação humilhante de que eram vítimas. Nos outros navios da esquadra a marujada também aderiu à revota. &lt;br /&gt;O cabo Gregório liderava no São Paulo, e no Deodoro havia o cabo André Avelino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolta alastrou na classe esclarecida dos marinheiros, num golpe de mão, João Cândido apoderou-se dos principais navios da marinha de guerra. &lt;br /&gt;Cândido que ficaria conhecido como o Almirante Negro, aproximou-se do Rio de Janeiro e mandou uma mensagem ao presidente da república exigindo a extinção do uso da chibata.&lt;br /&gt;A capital então era no Rio, o governo ficou estarrecido. Ter os marinheiros a controlar os canhões mesmo à entrada do porto assustou a classe politica. O governo e a oposição parlamentar tornaram-se momentaneamente solidários e fizeram correr todo o tipo de boatos injuriosos sobre os revoltosos e o pânico espalhou-se pela população do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os navios amotinados, tinha hasteado bandeiras vermelhas e nos bairros periféricos já se falava na “Comuna do Almirante Negro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste impasse o governo negociou com os marinheiros e proibiu oficialmente o uso da chibata nos navios de guerra. Foi negociado uma rendição com amnistia para todos os amotinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isto, os marinheiros desceram as bandeiras vermelhas dos mastros dos seus navios. A revolta havia durado cinco dias e terminava vitoriosa. Desaparecia, assim, o uso da chibata como norma de punição disciplinar na Marinha de Guerra do Brasil. &lt;br /&gt;No entanto, a amnistia fora uma farsa para desarmá-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que depõem as armas, são acusados de conspiradores e presos imediatamente&lt;br /&gt;A guarnição da ilha das Cobras que também se havia se sublevado é atacada. Os poucos sublevados daquela ilha propõem rendição incondicional, o que não é aceite. Segue-se uma verdadeira chacina. A ilha é bombardeada até ser arrasada. Estava restaurada a honra da Marinha. &lt;br /&gt;O presidente Hermes da Fonseca necessitava de um pretexto para decretar o estado de sítio, a fim de sufocar os movimentos democráticos que se organizavam. As oligarquias regionais tinham interesse num governo forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Cândido, juntamente com alguns camaradas foi encerrado numa masmorra da ilha das Cobras. Dos 18 reclusos da sua cela 16 morreram. Uns fuzilados sem julgamento, outros em consequência das péssimas condições em que viviam enclausurados. &lt;br /&gt;João Cândido enlouqueceu, e acabou por ser internado no Hospital dos Alienados. Tuberculoso e demente, consegue, contudo, restabelecer-se física e psicologicamente. &lt;br /&gt;Em 1943 é-lhe concedida uma amnistia que lhe permite “ir morrer a casa”.&lt;br /&gt;Assim que cruza as portas do presídio passa imediatamente à clandestinidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Almirante vem a morrer em 1969, com 89 anos. &lt;br /&gt;Os últimos anos da sua vida foi peixeiro no Entreposto de Peixes da cidade do Rio de Janeiro, sem patente e sem reforma.  Gostava de se sentar com os amigos para admirar os rabos das mulatas, tomar  cachaça e fazer samba em caixa de fosforos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Elis Regina imortalizou o Almirante Negro num samba enrredo chamado “0 mestre-sala dos mares”. O autor da letra chamado Aldir Blanc contou que quando escreveu o samba em meados dos anos 70 teve de inventar “polacas e franceses” para poder passar a letra que era demasiado politica na visão dos censores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica aqui a letra e fica a homenagem ao Almirante Negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre-Sala dos Mares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há muito tempo nas águas da Guanabara&lt;br /&gt;O dragão do mar apareceu&lt;br /&gt;Na figura de um bravo marinheiro&lt;br /&gt;A quem a história não esqueceu&lt;br /&gt;Conhecido como almirante negro&lt;br /&gt;Tinha a dignidade de um mestre-sala&lt;br /&gt;E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas&lt;br /&gt;Foi saudado no porto&lt;br /&gt;Pelas mocinhas francesas&lt;br /&gt;Jovens polacas e por batalhões de mulatas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubras cascatas&lt;br /&gt;Jorravam das costas dos negros&lt;br /&gt;Entre cantos e chibatas&lt;br /&gt;Inundando o coração&lt;br /&gt;Do pessoal do porão&lt;br /&gt;Que a exemplo do marinheiro gritava, então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória aos piratas, às mulatas, às sereias,&lt;br /&gt;Glória à farofa, à cachaça, às baleias,&lt;br /&gt;Glória a todas as lutas inglórias&lt;br /&gt;Que através da nossa história&lt;br /&gt;Não esqueceram jamais.........&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve o almirante negro&lt;br /&gt;Que tem por monumento&lt;br /&gt;As pedras pisadas do cais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas, salve...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve o almirante negro&lt;br /&gt;Que tem por monumento&lt;br /&gt;As pedras pisadas do cais”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-114167424134333297?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/114167424134333297/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=114167424134333297' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114167424134333297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114167424134333297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/03/glria-ao-almirante-negro.html' title='Glória ao Almirante Negro'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-114138929100921042</id><published>2006-03-03T12:21:00.000Z</published><updated>2006-03-03T12:34:51.040Z</updated><title type='text'>A vitória é certa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/ruskiemate.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/ruskiemate.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Se não fosse esta certeza &lt;br /&gt;que nem sei de onde me vem, &lt;br /&gt;não comia, nem bebia, &lt;br /&gt;nem falava com ninguém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Gedeão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-114138929100921042?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/114138929100921042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=114138929100921042' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114138929100921042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114138929100921042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/03/vitria-certa.html' title='A vitória é certa'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-114061554150677577</id><published>2006-02-22T13:38:00.000Z</published><updated>2006-02-22T13:39:01.566Z</updated><title type='text'>vou fechar para obras</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-114061554150677577?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/114061554150677577/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=114061554150677577' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114061554150677577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114061554150677577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/02/vou-fechar-para-obras.html' title='vou fechar para obras'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-114010284371734814</id><published>2006-02-16T15:03:00.000Z</published><updated>2006-02-16T15:21:42.296Z</updated><title type='text'>O Biguana foi em trabalho para Madrid</title><content type='html'>Quando recebi este mail do meu amigo Biguna percebi que tinha de partilha-lo convosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cheguei cedo ao aeroporto, cerca de 1h30 antes da partida do avião. Dirigi-me para a porta de embarque onde peguei no meu livro (de viagens do Bill Bryson, muito bom) e dei inicio ao meu ritual de controlar as gajas que vão no mesmo avião que eu, sonhando que poderia ser hoje que a melhor gaja do avião iria sentar-se ao pé de mim e me "obrigaria" a ter sexo com ela a 30000 pés. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aconteceu, é pena, mas se ainda não perdi a esperança ao longo das cerca de 30 vezes que viajei de avião, também não a vou perder agora. Tb diga-se que hoje as probabilidades eram escassas, gajas podiam contar-se pelas unhas dos pés, e boas nem vê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos passageiros eram empresários tugas com esperança de conseguir vender as suas empresas falidas a alguma multinacional espanhola ou gestores espanhóis que vem 1 vez por semana ver como está a produtividade na sucursal portuguesa da sua empresa, ou aplicar um downsizing... &lt;br /&gt;Foi um espécime destes que se sentou ao meu lado. Menos mal. Ainda tinha bem presente na memória a viagem desde Genebra, bem como o sósia do Graciano Saga que se sentou ao meu lado, com as suas calças Wrangler 3nºs abaixo do tamanho ideal, o cabelinho a Maradona nos anos 80 e o intenso cheiro a Old Spice.&lt;br /&gt;Já para não falar que o sr. decidiu partilhar comigo e com metade do avião todos os toques poli-merdo-fónicos do seu telemóvel, incluindo alguns que me pareciam excertos de músicas do próprio Graciano Saga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado a Madrid Barajas e depois de caminhar os quase 10km que separavam a gate da saída do aeroporto, aproximei-me da praça de taxis onde constatei o chaço que me iria transportar, um Peugeot não-sei-o-num a cair de podre, dos que fazem inveja a qq Mercedes de Lx, daqueles com 20 anos e 1 bilião de kms. Pelo cheiro no interior tirei mais 2 elações: que a lei anti-tabaco do sr. Zapatero é pra tuga ver, e que afinal não são só os franceses que não se banham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo, viro-me para o taxista no meu belo espanhol e digo "Buenas noches, Hotel Foxa, 3 Cantos", ao que o sr. responde "hummmm, connosco a 3 Cantos, pero no al hotel. Pero no hay problema. Vamos!". Assustei-me, juro que me assustei, a última vez que estive em Madrid andei duas horas perdido dentro de um taxi, com o mapa na mão a tentar indicar ao taxista onde era o hotel que ambos desconhecíamos. Hoje as coisas correram um pouco melhor, mal saímos da autoestrada para 3 Cantos vi o néon a indicar o hotel. Que sensação de alívio, e acho q para o taxista tb...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de jogar as malas para dentro do quarto de hotel (bastante luxuoso diga-se, parecia uma suíte de um palacio vitoriano), achei boa ideia ir comer qq coisa. Saí do hotel e descobri que estava no meio de nenhures e que bares não deviam existir num raio de vários kms. Fiquei-me pelo bar de hotel onde pedi uma sandes de salmão e uma caña de Mahou. Durante momentos ponderei no que o sabor daquela cerveja me fazia lembrar, mas mal vi exposta uma garrafa de Osborne, senti a bexiga cheia não precisei de pensar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao quarto fiz um pequeno zapping na tv, onde pude (re)constatar a obsessão mórbida que os espanhois tem por programas de imprensa cor-de-rosa e por reality shows. O melhor que se pode dizer da TV espanhola é que nos dá a sensação de um estado de coma sem a preocupação e o incómodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim termina um dia em viagem como tantos os outros... Mas antes de terminar vou experimentar o jacuzzi instalado na casa-de-banho do quarto!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 Cantos (Madrid), 13 de Fevereiro de 2006&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-114010284371734814?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/114010284371734814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=114010284371734814' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114010284371734814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/114010284371734814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/02/o-biguana-foi-em-trabalho-para-madrid.html' title='O Biguana foi em trabalho para Madrid'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113945042930148533</id><published>2006-02-09T01:56:00.000Z</published><updated>2006-02-09T02:06:17.613Z</updated><title type='text'>Lição para as esquerdas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/hamas.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/hamas.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A vitória esmagadora do Hamas nas eleições legislativas para a Autoridade Palestina foi uma vitória da luta sobre a submissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas eleições palestinianas também são uma exelente oportunidade para que todas as esquerdas possam tirar as suas conclusões e redefinir as suas rotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os representantes do Hamas foram eleitos não porem serem muçulmanos e sim por serem combativos. Trata-se de um aviso fundamental para aqueles que se dizem laicos, ateus e "de esquerda" mas na vida real têm posições de compromisso com a reacção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre laicos conciliadores e religiosos combativos, os povos preferem os últimos — por serem combativos e não por serem religiosos. Esta lição é preciosa para o movimento revolucionário de todo o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, tanto na Europa como em outros continentes, há numerosos partidos que se dizem de esquerda mas não o são. &lt;br /&gt;Falo-vos de partidos que se assumem como socialistas mas na prática são organizações reformistas/possibilistas, que muitas vezes se prestam a por um carimbo "de esquerda" a políticas reaccionárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os palestinianos, forjados em décadas de luta não se deixaram enganar. Entre uma Fatah desmoralizada e colaboracionista e um Hamas revolucionário e combativo, souberam escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que assim foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113945042930148533?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113945042930148533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113945042930148533' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113945042930148533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113945042930148533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/02/lio-para-as-esquerdas.html' title='Lição para as esquerdas'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113927505450628946</id><published>2006-02-07T01:16:00.000Z</published><updated>2006-02-07T12:12:25.600Z</updated><title type='text'>As sereias e as caricaturas do profeta</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/sereia.gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/sereia.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As sereias e a comunicação social imparcial pertencem ao mesmo mundo. Pertencem ao mundo dos anjinhos dos super-heróis e das coisas belas que só são reais dentro dos filmes publicitários. Pertencem ao mundo das coisas que não existem e que no íntimo gostávamos que existissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode contar-se uma história com mais ou menos ficção e carregando mais ou menos na paleta de cores, mas as história que é contada é necessariamente diferente daquela que é vivida. È assim que a coisa funciona e não há volta a dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um órgão de informação diz que é imparcial, mente. &lt;br /&gt;Quando diz que não está ao serviço de nenhuma interesse mente de uma forma ainda mais descarada. &lt;br /&gt;Não há nenhum órgão de informação que se limite a informar. Até os jornais de parede nas salas de aula servem para difundir modelos de comportamentos que se querem como ideias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que envolve a difusão massiva de mensagem envolve propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto empresas privadas, os órgãos de informação estão dependentes dos accionistas. Estão escravizados dos clientes para a publicidade. E têm objectivos de venda e de tiragens que lhes impões determinadas linhas editorais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto agentes de difusão de informação os jornalistas estão subalternizados aos editores, aos directores e ao público consumidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os consumidores dos produtos de entretenimento que se convencionou chamar informação estão condenados à passividade bovina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza de do próprio processo de fabrico de notícias impõe uma série de intermediários entre o actor directo e o consumidor de informação que fazem com que cada historia que seja contada venha já completamente dissecada, formalizada, cozinhada, digerida e servida muitas vezes sob a forma de dejecto informativo. &lt;br /&gt;Do facto que eventualmente pode ser noticia, frequentemente só chega ao consumidor o cheiro alterado pelos processos da comunicação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais, as rádios, as televisões não se limitam a mostrar-nos o que acontece. Mostram-nos aquilo que querem mostrar, para poder controlar a nossa opinião sobre os factos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo a que erradamente se chama informação é um agente patológico que inoculado sobre as massas tem a capacidade de as modificar na sua forma. Através da gestão da informação e dos modelos de difusão de informação é possível fazer os outros agir segundo determinados padrões. Não é novidade. A propaganda sempre existiu. Sempre existirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a técnica de impressão tem 500 anos, e os jornais existem há três séculos só há uns escassos oitenta anos se começou a falar em imparcialidade no discurso informativo. &lt;br /&gt;A propaganda essa é transversal a todos os processos de comunicação.&lt;br /&gt;A imparcialidade entre os órgãos de comunicação social está assim ao nível dos orgasmos entre as casadas, não é assunto de que se fale, todas assumem que os vivem, mas poucas são capazes de se recordar quando foi a ultima vez!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal ou a rádio imparcial foi uma invenção da propaganda politica do pós primeira guerra mundial. Aparece como reacção às censuras que caíram sobre os jornais do mundo durante esse primeiro conflito do século XX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os anos vinte e até à segunda guerra a comunicação social foi assunto de estudo dos políticos competentes e a propaganda surge com todo o seu esplendor nesses idos anos 30. Foi o tempo da invenção dos ministros da propaganda. Até aqui em portugal no nosso fascismozinho de pantufas, tivemos um ministério da propaganda ( com um ministro intelectual – António Ferro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo tripartido de entre as duas guerras, três linhas diferentes de propaganda, assumiam as diferenças estéticas e ideológicas e concorriam para atingir um mesmo fim: a mobilização das massas. &lt;br /&gt;A propaganda nazi assumia um papel organizacional e de difusão tecnicista, com grandes meios dos estados ao serviço da difusão das mensagens. &lt;br /&gt;O mundo socialista, assumiu a propaganda na linha da teorização leninista da necessidade de agitação e mobilização. &lt;br /&gt;As democracias ocidentais inventaram a imparcialidade para fazer propaganda aos modelos ocidentais de democracias parlamentares. Inventou-se o mito da “imprensa livre “ que servia o “Mundo Livre”. Foi a invenção do “Free World”.&lt;br /&gt;A roupa da imparcialidade que a comunicação social ocidental assumiu, serviu para fazer contra informação às máquinas de propaganda nazi e soviética que se preparavam para a segunda guerra.&lt;br /&gt;Esta propaganda ocidental e os mitos da informação imparcial serviram para ajudar a ganhar a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o fim da segunda guerra e o esmagamento do nazismo, a guerra-fria marca um novo modelo de difusão de informação. &lt;br /&gt;Do lado socialista mantém-se a propaganda institucionalizada e o controlo directo sobre os órgãos de informação. A referência é o jornal Pravda – “a verdade”.&lt;br /&gt;Do outro lado capitalista a propaganda manteve a roupagem da imparcialidade para continuar a fazer a propaganda dos modelos económicos e políticos do regime capitalista ocidental. A referência é o New York Times.&lt;br /&gt;Ambos jornais diários de difusão massiva, e ambos jornais de regime. Onde o Pravda assumo o carácter propagandístico da sua informação o New York Times define-se como imparcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo ocidental, a propaganda passou a ser designada como informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da segunda Grande Guerra, a Europa foi considerada pelos Estados Unidos da América o espaço certo para ser a referência propagandística do modelo do capitalismo. &lt;br /&gt;Os teóricos da propaganda americana, através da recém formada Agencia Central de Inteligência (CIA) perceberam que a forma mais eficaz de propagandear o modelo americano de desenvolvimento liberal seria através de exemplos de sucesso económico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Plano Marshall permitiu aos países europeus do pós guerra não só recuperar as suas economias completamente arrasadas, mas serviu sobretudo como factor de propaganda para exibir aos povos do mundo socialista. “Vejam como o capitalismo parlamentar promove o desenvolvimento” – foi esta a mensagem que a propaganda dos estados unidos difundiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos 50 e 60 forma anos de bonança para a Europa, porque a propaganda americana quis mostrar aos russos, os níveis de prosperidade e consumo possíveis de atingir vivendo num sistema economicamente liberal e politicamente parlamentarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem foi tão bem difundida que ainda hoje, neste mundo parlamentarista liberal em convulsões e agonia, há muito boa gente (e digo boa gente sem ironia nenhuma – gente boa e bem formada) que continua a acreditar que a melhor forma de gerir uma sociedade é através de um sistema economicamente liberal e politicamente democrático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A difusão desta ideia de desenvolvimento é a confirmação do profissionalismo e da eficácia da propaganda americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao desmoronar do socialismo na União Soviética não foi alheio o papel da propaganda ocidental capitalista que conseguiu passar a sua mensagem de uma forma contínua mesmo para lá da “cortina de ferro”. &lt;br /&gt;A propaganda norte-americana, conseguiu mesmo dentro da Rússia ainda socialista, mobilizar milhares de pessoas. À mínima oportunidade saíram para a rua prontos para reverter os processos históricos iniciados por Lenine com vista à integração num modelo económico capitalista. Saíram para a rua porque estavam convictos que o desenvolvimento surgiria de um sistema político completamente diferente daquele que conheciam. &lt;br /&gt;A ideia do desenvolvimento baseada na democracia parlamentar e no liberalismo económico era a alternativa defendida por aqueles milhares de pessoas que se manifestaram contra o Mikhail Gorbatchov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a queda do muro e o fim da guerra-fria, a propaganda dos valores ditos ocidentais desenvolvida pelos norte-americanos continuou a ser necessária. &lt;br /&gt;O objectivo agora não é mais esmagar uma ideologia que preconiza um modelo de desenvolvimento económico e social diferente. &lt;br /&gt;Hoje a propaganda norte americana faz falta para salvar o próprio sistema económico que está à beira do colapso interno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sangue que corre nas veias e artérias da economia norte americana é o petróleo. Os combustíveis fósseis em geral e o petróleo em particular são o oxigénio dos motores que literalmente mantêm o mundo a rodar. &lt;br /&gt;Desde que se tomou conhecimento que o petróleo é um recurso finito, a pressão sobre os produtores de petróleo, não tem parado de crescer. &lt;br /&gt;A propaganda ocidental tem tido um papel importantíssimo nesta pressão exercida sobre os países produtores de petróleo.&lt;br /&gt;Acontece que a maior parte do petróleo do mundo esta enterrado nas areias dos desertos que pertencem a povos islamizados. O islão enquanto religião preconizam uma forma de desenvolvimento diferente do capitalismo americano. Mais uma vez é a dieferença de modelos que se torna insuportavel aos americanos&lt;br /&gt;A propaganda norte americana na ultima década e meia tem-se esforçado para mostrar ao mundo que os povos islamizados não são dignos de viveram segundo os modelos e as leis que escolherem para eles. &lt;br /&gt;A propaganda norte americana tem usado todos os meios legítimos e ilegítimos para provocar, achincalhar, desprezar e humilhar os homens e as mulheres que constituem o Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como na durante a guerra-fria, hoje a propaganda norte americana continua a controlar os órgãos de informação da Europa.&lt;br /&gt;Os estados unidos e Israel têm tido uma política vergonhosa no médio oriente e com as comunidades árabes espalhadas pelo mundo.&lt;br /&gt;A comunicação social europeia esconde a cabeça na areia e sempre que fala no médio oriente fala em fundamentalismo. &lt;br /&gt;Quando uma parte da comunicação social europeia tenta fazer humor com assuntos que sabem que vão acender fogueiras e incendiar rastilhos, quem são os responsáveis por essa acção de propaganda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que se f XXXX odam --.  (XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX&lt;br /&gt;XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX&lt;br /&gt;XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXauto censurado por sugestão do Zé da PenalvaXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX&lt;br /&gt;XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX&lt;br /&gt;XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX)&lt;br /&gt;Eles bem merecem.&lt;br /&gt;Alla Ackba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113927505450628946?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113927505450628946/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113927505450628946' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113927505450628946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113927505450628946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/02/as-sereias-e-as-caricaturas-do-profeta.html' title='As sereias e as caricaturas do profeta'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113877498726561142</id><published>2006-02-01T06:20:00.000Z</published><updated>2006-02-01T06:50:56.893Z</updated><title type='text'>Prohibido olvidar</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/victor%20jara.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/victor%20jara.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No dia 11 de Setembro de 1973 o Victor Jara acordou mais tarde. Tinha estado a trabalhar num novo disco. &lt;br /&gt;A mulher, uma hipie inglesa que se apaixonou pelo Vítor Jara e pelo Chile, andou pela casa em bicos de pés para não acordar o marido. Fez o pequeno-almoço e levou as filha do casal à escola. &lt;br /&gt;O Victor saiu de casa já próximo da hora de almoço. Meteu-se no Dois Cavalos e seguiu para a escola politécnica, naquele dia estava previsto animar uma sessão de esclarecimento aos estudantes universitários. A música era para ele tão importante que não era capaz de ouvir musica e concentrar-se noutra coisa ao mesmo tempo. Por isso nunca ouvia rádio no carro. Só quando chegou à reitoria é que se apercebeu que algo de estranho se passava em Santiago. &lt;br /&gt;Nos últimos meses – desde a campanha eleitoral de Allande – o Victor Jara andava numa roda-viva. Concertos, manifestações de apoio, espectáculos politizados, comícios. Andava com pouco tempo para a família, a mulher queixava-se mas já tinha planificado um fim-de-semana sem concertos para dedicar-se exclusivamente aos seus. No ano anterior tinha estado em Cuba com a mulher e as filhas uns meses antes e estas foram as únicas férias que teve na vida.&lt;br /&gt;Nesse dia 11 de Setembro o general Pinochet entrou na história quando, pela força das armas, tomou o poder do presidente democraticamente eleito Salvador Allande. Os militares bloquearam as entradas da universidade com tanques. Grupos de homens fardados e equipados para a guerra invadiram a universidade. Reuniram toda a gente, estudantes, professores e funcionários num único pátio interior. Obrigaram que todos ficassem sentados no chão com as mãos em cima das cabeças. Começaram a primeira identificação e triagem. Chamavam os nomes dos professores mais conhecidos pelas suas actividades politica e imediatamente os levavam algemados&lt;br /&gt;Para Victor e para os outros camaradas que estavam na universidade não houve duvidas. Desde o primeiro segundo perceberam que o que estava a acontecer era um golpe de estado fascista. O Victor Jara era na altura um símbolo da esquerda chilena. Era “a voz” do regime de Salvador Allande. Todos conheciam o seu nome, as suas músicas e a sua posição politica. Apesar da fama, o rosto do cantor de intervenção não era ainda uma cara publica pois a televisão só tinha começado a emitir em 1968. Em 1973 um televisor era um objecto de luxo, eram poucos os chilenos que tinham um. Alem do mais, o Vítor Jara só tinha aparecido uma única vez na televisão. Por estas razões os professores e os dirigente estudantis insistiram que o cantor os imitasse nas medidas de segurança, assim, tal como os outros revolucionários profissionais o cantor fez desaparecer pela sarjeta que servia o pátio onde estava, todos os documentos pessoais que o identificavam. Apartir daí mudaria de nome.&lt;br /&gt;Na primeira vez que um dos militares lhe perguntou o nome e a profissão, o Victor Jara disse:&lt;br /&gt;-- José, profissão carpinteiro.&lt;br /&gt;O militar mandou-o levantar e seguir com todos os outros em passo de corrida e fila indiana. Sempre com as mãos em cima da cabeça, os cerca de mil homens e mulheres que estavam no pátio da universidade, seguiram os cinco quarteiros que separam o campus universitário do estádio nacional de Santiago do Chile. O recolher era obrigatório. Pela rua circulavam exclusivamente carros militares. &lt;br /&gt;O estádio já estava cheio de prisioneiros.&lt;br /&gt;Ouviam-se tiros e rajadas de metralhadora. O silêncio era imposto entre os presos. Espancamentos.&lt;br /&gt;Ao grupo que chegou da universidade foi-lhes indicado uma parte do relvado onde deviam esperar. Passaram-se algumas horas. Entretanto um capitão da força aérea, um indivíduo ruivo, informado sobre os presos que chegaram da universidade, pegou num megafone e chamou: &lt;br /&gt;-- O cantor Victor Jara.&lt;br /&gt;Silencio. Victor sabe que a sua vida está em jogo. Baixa a cara quando o militar passa com as botas engraxadas e pisar a relva ao lado da sua perna. Uma voz soa na outra ponta do grupo. &lt;br /&gt;-- Sou eu o Víctor Jara.&lt;br /&gt;-- Mentira, eu é que sou o Víctor Jara.&lt;br /&gt;-- Sou eu&lt;br /&gt;Dezenas de homens entre professores e alunos tentaram proteger o cantor. Todos diziam ser o Victor Jara.&lt;br /&gt;O verdadeiro levantou-se e cantou. Cantou uma das suas canções mais conhecidas. O Manifesto&lt;br /&gt;O Ruivo bateu-lhe imediatamente com a coronha da pistola que tirou da cintura.&lt;br /&gt;Insultos.&lt;br /&gt;Dois soldados (dois miúdos camponeses, fardados e de metralhadora ao ombro) ataram com arames os pulsos do cantor atrás das costas.&lt;br /&gt;Arrastaram-no para os camarotes que estavam transformados em câmara de tortura.&lt;br /&gt;Pelo caminho debaixo das bancadas Victor percebeu que provavelmente não saia com vida do estádio. Por todo o lado fuzilamentos.&lt;br /&gt;O ruivo mandou cortar as algemas ao cantor.&lt;br /&gt;Sentado atrás da sua secretaria vazia olhava o outro homem que escorria sangue da testa. Um soldado entrou com a guitarra acústica do Victor.&lt;br /&gt;-- é tua?&lt;br /&gt;(tinha-lhe  sido oferecida pelo Sílvio Rodriguez em Havana no ano anterior)&lt;br /&gt;-- Recuso-me a prestar declarações. Estou detido ilegalmente.&lt;br /&gt;O militar sabia que era inútil. Já estava a fazer interrogatórias há horas. Tinha ordens para abater o cantor e mandar o corpo para a morgue sem identificação. A ideia era limpar Santiago dos intelectuais de esquerda fuzilando e enviando para a morgue para serem enterrados em valas comuns. Queriam fazer desaparecimentos. &lt;br /&gt;A postura de resistência e de insubmissão do cantor provocaram-lhe uma crise de ódio. Sim porque o ódio, apesar de ser uma doença crónica provoca intensas e agudas crises.  &lt;br /&gt;-- Sargento, traga o martelo que vamos ensinar esta comuna a tocar viola.&lt;br /&gt;Com a ajuda de dois soldados o sargento esmagou cuidadosamente à martelada todas as falanges dos dedos do Vítor Jara.&lt;br /&gt;O capitão acendeu um cigarro e pediu café. Não dormia há mais de 24 horas. Estava frustrado porque a ele calhava sempre o trabalho sujo.&lt;br /&gt;Pegou ele no martelo.&lt;br /&gt;Marteladas nos testículos, nos rins e nos dedos dos pés. &lt;br /&gt;O corpo do cantor era uma coisa amontoada no chão.&lt;br /&gt;O sargento e um dos soldados levantaram o que restava do homem. &lt;br /&gt;O outro soldado foi vomitar.&lt;br /&gt;O capitão Ruivo voltou a falar para o preso:&lt;br /&gt;-- Canta agora comuna, canta para eu ouvir.&lt;br /&gt;Dizem as testemunhas – o soldado que foi vomitar e um outro que ficou à porta de metralhadora em punho– que o homem que estava ferido se endireitou nos braços dos militares e cantou.&lt;br /&gt;-- vencermos!!!&lt;br /&gt;O capitão Ruivo voltou a tirar a pistola do coldre e matou o cantor.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte levaram o corpo do cantor sem identificação para a morgue.&lt;br /&gt;Um empregado da morgue, militante da juventude comunista chilena reconheceu o Victor Jara entre as centenas que chegaram nessa manhã.&lt;br /&gt;À tarde o partido arranjou maneira de avisar a mulher do cantor. Era preciso recuperar o corpo para que o mundo viesse a saber o que tinha acontecido ao Victor Jara.&lt;br /&gt;Depois de muita pressão da embaixada inglesa, a junta militar presidida pelo general Pinochet autorizou a família a recuperar o corpo.&lt;br /&gt;Victor Jara foi enterrado no cemitério de Santiago. Tinha trinta e quatro anos. No dia seguinte o diário chileno “La segunda” informava laconicamente que tinha sido enterrado o cantor "Victor", numa cerimónia reservada à família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto esta historia aqui porque hoje, em Janeiro de 2006, em conversa com duas amigas percebi que nenhuma delas sabia quem tinha sido e o que representa o Victor Jara.&lt;br /&gt;As amigas de que falo são mulheres inteligentes e cultas. Uma delas é realizadora e produtora de documentários, a outra é jornalista num dos maiores diários do país. Não são de todo louras burras!!!! São pessoas instruídas e bem formadas. Para elas Victor Jara era a brigada. O grupo que divulga (a boa) musica popular portuguesa. Não conheciam o cantor chileno.&lt;br /&gt;A culpa não é das minhas amigas.&lt;br /&gt;A culpa é de todos nós que sabemos como a coisa aconteceu e apesar de tudo às vezes deixamos que os outros esqueçam.&lt;br /&gt;A mulher do cantor Victor Jara tem uma fundação para que ninguém esqueça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113877498726561142?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113877498726561142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113877498726561142' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113877498726561142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113877498726561142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/02/prohibido-olvidar.html' title='Prohibido olvidar'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113807523533864497</id><published>2006-01-24T04:00:00.000Z</published><updated>2006-01-24T04:05:35.543Z</updated><title type='text'>democracia</title><content type='html'>Quando se fala em democracia sou sempre o primeiro a apontar o dedo ao sistema. Normalmente dou o exemplo da bimba analfabeta que vota onde o padre na missa manda botar a cruz. &lt;br /&gt;Costumo dizer que não é justo nem legitimo que o voto de um eleitor esclarecido e politizado valha o mesmo que o voto de um eleitor iludido e manipulado. Pelo gosto do politicamente incorrecto, muitas vezes as pessoas mais chegadas me ouviram dizer que não me revia nos valores das democracias parlamentares dos países europeus e que as eleições não queriam dizer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci antes do 25 de Abril mas as minhas memórias são todas vividas em democracia. Claro que crescer no Barreiro dos anos setenta marcou profundamente a minha personalidade. Sou comunista desde a adolescência, militante desde os dezasseis anos. Politicamente activo desde muito novo, o meu voto sempre foi um voto militante. Votar para mim, mais do que o exercer de um direito, mais do que cumprir um dever de cidadania, era cumprir uma tarefa partidária. &lt;br /&gt;Até às últimas eleições presidenciais, votei sempre com total convicção nas coligações ou nas personalidades propostas pelo meu partido. Votei como quem cumpre qualquer outra orientação do partido, não votei por convicção nos ideais democráticos. &lt;br /&gt;Para mim, ir votar no dia das eleições era só mais um contributo para o partido. Votar estava ao mesmo nível do que distribuir propaganda na escola secundária, redigir um texto de protesto contra os aumentos salariais ou descascar batatas na festa do avante. Votar foi sempre para mim um acto de militância, nunca de cidadania. Votar foi sempre um acto de disciplina partidária, nunca um acto simbólico.&lt;br /&gt;È verdade que ao longo destes anos de militância tive fases mais ou menos activas politicamente, mas nunca deixei de me sentir profunda e convictamente comunista. Nunca deixei de cumprir aquilo que para mim era a tarefa de militância que consistia em ir votar.&lt;br /&gt;Até estas presidências foi assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vai ser diferente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas eleições de domingo, o partido atribui-me uma tarefa extra. Alem de ir votar, fui convocado para ser delegado da candidatura do meu camarada Jerónimo de Sousa à Presidência da Republica.&lt;br /&gt;No sábado tive no centro de trabalho a aprender sobre o funcionamento executivo das mesas eleitorais. Composição, deveres e funções dos intervenientes. Aprendi e estudei sobre os Deveres dos Delegados. Li o livrinho e a documentação que me deram e preparei-me para estar presente na mesa de votos. &lt;br /&gt;Fui convicto para representar o melhor possível o Partido Comunista Português. Para mim esta é uma responsabilidade de peso!!! A minha função era estar presente durante o acto eleitoral e durante a contagem dos votos. &lt;br /&gt;Na mesa para a qual fui convocado o PCP já tínha um elemento nomeado. O objectivo estratégico de termos um outro elemento nomeado como delegado passa pela necessidade de estarmos presentes dois comunistas para que fosse possível aos militantes mobilizadas para o escrutínio poderem sair para almoçar ou tomar um café garantindo que nas mesas de voto estaria sempre presente um militante comunista.&lt;br /&gt;Estava nevoeiro na madrugada de domingo. Saí da cama e fui para a rua à procura da mesa de voto onde devia apresentar-me. &lt;br /&gt;A assembleia foi presidida por um homem nos seus cinquentas e tais que representava a candidatura do Manuel Alegre. Estava presente um secretário da Candidatura do Mário Soares também nos cinquenta. Da minha idade era o secretário representante da candidatura do Cavaco Silva. O outro comunista era um sexagenário alentejano com uma militância forjada nas lutas sindicais que exercia as funções de vice-presidente. O ambiente era de uma formalidade calorosa e de um civismo educado e polido. Todos nos conhecíamos de vista.&lt;br /&gt;Quando cheguei cumprimentei os presentes. Reconheci o meu camarada e preparei-me para apanhar uma grande seca. O senhor presidente deu-me uma lista com mil números que eu devia ir riscando à medida que as pessoas fossem votando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não apanhei seca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei a minha opinião sobre as eleições e sobre a democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante as quase 12 horas que estive naquela sala vi passar cerca de 700 eleitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setecentas pessoas que me mostraram que a democracia é uma coisa muito especial e muito bonita. Homens e mulheres de todas as idades e de todas as condições sociais apareceram convocados à chamada do seu país. Ontem talvez tenha aprendido o significado da palavra pátria que nunca soube bem o que queira dizer. &lt;br /&gt;À frente da secretária onde estive sentado a riscar números no papel passou a minha gente. Homens e mulheres de todo as cores vieram aquele sala onde as crianças aprendem a ler. Os homens e as mulheres escolheram de livre vontade quem vai ser o chefe máximo do país nos próximos cinco anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da missa das 8 começaram a chegar as primeiras beatas. Catequistas e meninos do coro. Algumas pessoas vestiram-se a rigor para vir votar. Muitos casais de idosos e de meia-idade vinham votar juntos porque fizeram o recenseamento eleitoral ao mesmo tempo. Os mais novos vinham sozinhos e informais. Alguns velhos engravatados faziam questão de apertar a mão a todos os elementos da mesa. Mulheres viúvas. Velhos de muletas. Apareceram os desportistas de domingo com o seu de fato de treino. Míopes que levavam o boletim de voto para debaixo da luz. Empregados de mesa nos cafés que aproveitavam a hora de almoço para virem votar. Pais de família traziam os filhos mais pequenos ao colo. Depois de almoço alguns alcoolizados. Solitários. Alguns vinham votar vestidos de vermelho gritante, de laranja provocante ou de rosa panasca. Mulheres espampanantes e produzidas também apareceram. Os tímidos que quase pediam desculpa para votar. Vieram os desorganizados que se esqueciam do cartão de eleitor ou do bilhete de identidade. Apareceram os convictos que desejavam boa sorte. Vieram os indecisos que se enganavam e pediam novo boletim. Votaram homens calados. Mulheres do povo. Todos vieram. Todos tiveram direito a um boletim de voto cuidadosamente contabilizado. Todos formam para atrás do biombo por a cruz. Todos deram o seu voto dobrado em quatro ao presidente da mesa. A urna caixão de ferro na vertical foi sendo cheia com os votos de todos. &lt;br /&gt;Todos em liberdade.&lt;br /&gt;Ao longo do dia foi a peregrinação colectiva dos que levavam os votos. O clímax foi depois.&lt;br /&gt;Dezanove horas. Portas fechadas. &lt;br /&gt;Os homens presentes – neste caso foram só homens, juntaram as mesas e o presidente abriu a urna. Caem os setecentos papéis num montinho. O presidente da mesa chama-me para ajudar a contar. &lt;br /&gt;À volta da mesa fazemos um círculo ritual. Começamos a desdobrar os boletins de votos e magia acontece. O milagre da democracia são os montinhos dos diferentes votos a crescerem e a diferenciarem-se uns dos outros no tamanho. &lt;br /&gt;Alguns candidatos são mais votados. Outros têm menos votos. Estão ali os papelinhos com as cruzes para nos mostrar. Não há que enganar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a ser convictamente comunista. Continuo a achar que as eleições por si não chegam para fazer a democracia. Continuo a achar que a eleição do Cavaco Silva para presidenta da república é de lamentar.&lt;br /&gt;Apesar de tudo isto, para mim estas presidenciais de Janeiro foram uma grande aprendizagem. &lt;br /&gt;Aprendi a comparar as eleições assim como uma espécie de um parto. Ao longo das horas que durou o escrutínio a urna foi-se enchendo como o ventre de uma mulher que quando chegou o momento pariu. Os votos não são números nem percentagens são decisões do povo.&lt;br /&gt;Até ontem não acreditava no sistema democrático, continuo a ter sérias dúvidas sobre a sua justiça. Mas que fique claro que umas eleições democráticas e livres são um acto que pode orgulhar todos aqueles que participam nelas, disso não tenho duvidas nenhumas!!!&lt;br /&gt;Viva a liberdade e viva a democracia.&lt;br /&gt;(mesmo que seja pare eleger o cavaco)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113807523533864497?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113807523533864497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113807523533864497' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113807523533864497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113807523533864497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/01/democracia.html' title='democracia'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113803496306523878</id><published>2006-01-23T16:48:00.000Z</published><updated>2006-01-23T17:06:39.843Z</updated><title type='text'>Cavaquistão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/cavaco.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/cavaco.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todos gostam de futebol.&lt;br /&gt;Ontem queimaram bruxas. &lt;br /&gt;Porque o padre mandou, perseguiram e queimaram judeus.&lt;br /&gt;Denunciaram à Pide os vizinhos que achavam que eram comunistas.&lt;br /&gt;Denunciam ao chefe os colegas que acham que são sindicalistas&lt;br /&gt;Vivem no litoral mas têm as raízes no interior. Já emigraram ou têm familiares emigrados.&lt;br /&gt;Na escola primária estendiam o dedo acusatório contra os parceiros e eram os primeiros a dizer eu não fui. &lt;br /&gt;Pedem sempre desculpa a quem manda. Mesmo quando não fizeram nada pedem perdão.&lt;br /&gt;Rezam em Fátima. Rezam na igreja. Rezam em casa. Rezam no hospital. Por isso acham normal que um hospital não tenha uma incubadora mas tenha uma capela.&lt;br /&gt;Baptizam os filhos e casam na igreja. Quando morrem são velados junto ao crucifixo.&lt;br /&gt;Não são racistas mas não gostavam que as filhas casassem com um preto. A maior parte ainda diz “a nossa africa” e acredita que as colónias estavam melhor quando eram administradas por Lisboa. No íntimo e para si, guardam a convicção obtusa que as pessoas que têm a pele mais escura merecem menos respeito. Por isso apreciam tudo o que vem do “estrangeiro” sendo o estrangeiro todos os países com pessoas louras e de olhos azuis.&lt;br /&gt;São em geral pouco instruídos. Não tiveram acesso à formação e não procuram ter.&lt;br /&gt;Metem cunhas para os filhos poderem trabalhar. &lt;br /&gt;Gostam de beber vinho e cerveja. Acham que o melhor vinho é o produzido dentro do país e que as melhores comidas são as deles. &lt;br /&gt;Respeitam as autoridades sejam fardadas de verde GNR seja de bata branca do doutor. Gostam de receber prendinhas e de tudo o que seja à borla. &lt;br /&gt;São machistas independentemente do sexo. Todos eles se acham bons amantes e garanhões. Elas toleram o adultério no masculino mas ostracisam as outras mulheres que se deitam com quem querem&lt;br /&gt;Gostam de fado, de telenovelas e de ranchos folclóricos. &lt;br /&gt;Pedem dinheiro aos bancos onde gostavam que os filhos trabalhassem, para comprarem os carros e as casas que foram eles próprios que construíram.&lt;br /&gt;Vibraram com o euro 2004.&lt;br /&gt;Ficam no trabalho até depois da hora quando o chefe e o patrão está presente. Só se sindicalizam quando obrigados. Lambem as botas a quem manda e pela promoção são capazes de tudo.&lt;br /&gt;Dão excelentes capatazes mas são incapazes de gerir.&lt;br /&gt;Quando bebem demais ficam violentos e alguns batem nas mulheres.&lt;br /&gt;Gostam de exibir os automóveis como prolongamentos do ego.&lt;br /&gt;Consideram-se a si próprios como bons trabalhadores. Em todos os aspectos, acham-se melhores que a média. Pensam que o subdesenvolvimento do país em que vivem tem haver com o facto dos seus conterrâneos não gostarem de trabalhar.&lt;br /&gt;Lêem jornais desportivos ou de distribuição gratuita. &lt;br /&gt;Tem orgulho em Portugal e sabem de cor o hino do seu país. Muitos têm uma bandeira vermelha e verde.&lt;br /&gt;Na versão masculina sonham com um aumento, com um carro topo de gama, com uma pila mais comprida e com uma amante brasileira.&lt;br /&gt;Na versão feminina sonham com uma casa de férias, com novos cortinados para a sala, com menos dez quilos de peida e que o seu homem voltasse a gostar delas.&lt;br /&gt;Ontem votaram no Cavaco &lt;br /&gt;Hoje estão satisfeitinhos da vida com a merda que fizeram.&lt;br /&gt;Cada povo tem o que merece.&lt;br /&gt;Oguente-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113803496306523878?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113803496306523878/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113803496306523878' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113803496306523878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113803496306523878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/01/cavaquisto.html' title='Cavaquistão'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113746346380807353</id><published>2006-01-17T01:59:00.000Z</published><updated>2006-01-17T13:08:31.323Z</updated><title type='text'>Tejo que levas as àguas correndo de par em par, lava a cidade de mágoas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/fragata.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/fragata.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Não, não vou falar de poesia do Manuel da Fonseca porque ainda acabo a falar no candidato à presidência Manuel Alegre)&lt;br /&gt;Venho falar-vos de fezes e de testículos.&lt;br /&gt;Descansem os críticos higienistas que já estão a resmungar: lá vem este gajo outra vez com conversas de merda.&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;Mas desta vez é diferente.&lt;br /&gt;Desta vez não venho falar de histórias mais ou menos sujas de um passado remoto com cigarros para rir e gente alcoolizada. Nada disso. Venho falar-vos do futuro.&lt;br /&gt;Venho falar-vos do rio. Do nosso rio.&lt;br /&gt;Do Tejo e da ETAR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi anunciado aqui há uns dias na imprensa regional o arranque do projecto para execução de uma Estação de Tratamento das Aguas Residuais dos concelhos da Moita e do Barreiro. Uma ETAR. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porreiro – e depois?? – dirão os cínicos – o que é que essa merda interessa???&lt;br /&gt;Interessa muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta coisa simples da ETAR é uma peça fundamental na construção do nosso futuro. As ETAR são hoje o que de mais próximo temos com unidades de reciclagem de agua… São uma fábrica que transforma agua suja em água limpa.&lt;br /&gt;Num futuro tragicamente próximo o mundo vai dividir-se entre os países que têm agua e fazem uma gestão inteligente da água … e aqueles que não têm agua e têm de a comprar….&lt;br /&gt;Se no Iraque hoje os americanos matam em função do petróleo, imaginemos o que não farão amanhã por causa da água. É a história do beirão a matar o vizinho com a inchada por causa “d’eiagua” à escala global.&lt;br /&gt;É preciso estarmos preparados. E uma forma de nos prepararmos é construindo ETARs.&lt;br /&gt;Uma ETAR não só uma piscina de merda. &lt;br /&gt;Uma ETAR é uma família de piscinas de merda. Imaginemos um campo vedado com tanques enormes onde os esgotos domésticos vão desaguar. Tudo aquilo que mandamos pela sanita, pias, ralos, lavatórios e urinóis passará a ir pelo esgoto directamente para estas enormes piscinas… Estas aguinhas sujas são tratadas de modo a separar os resíduos. &lt;br /&gt;Na ETAR a merda é separada dos pensos higiénicos, dos preservativos usados, dos restos de comida, e de todo tipo de objectos que se podem atirar pelo cano. &lt;br /&gt;As fezes são transformadas em adubo. As areias são extraídas e reutilizadas. O lixo é removido da água. O cheiro é transformado em gás metano.&lt;br /&gt;Enfim, é executado todo um complicado processo para que a agua do esgoto possa sair num estado suficientemente limpo para ser usada outra vez. Se para beber outra vez ainda não temos tecnologia para isso, podemos usar perfeitamente as aguas recicladas numa ETAR para regas, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando esta ETAR estiver a funcionar, a qualidade de vida das pessoas que vivem os concelhos do Barreiro e da Moita vai melhorar. Em breve (dentro de uns dois ou três anos) a merda que todos nós fazemos, deixa de ser canalizada pela rede de esgotos até ao Tejo e passa a ser "tratada" na ETAR e isto vai premitir às águas do rio correrem mais limpas.&lt;br /&gt;É verdade que o Tejo hoje está menos sujo do que há vinte anos. Sem a poluição industrial das fábricas deixaram de aparecer peixes mortos por causa  do amoníaco e deixou de aparecer aquela nata de espuma preta a boiar na maré cheia… De qualquer maneira sempre que se fazem analise às águas os números de bactérias fecais são assustadores…Bacterias fecais é uma maneira educada de dizer merda dissolvida na água. São esses índices que vão baixar drasticamente sem os esgotos domésticos a sujarem o rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que decidir construir a ETAR não foi uma opção fácil.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A autonomia das autarquias já era. &lt;br /&gt;As câmaras municipais são responsáveis por mais de dez por cento do investimento público mas só têm direito a dois por cento do orçamento geral do estado. &lt;br /&gt;Os sucessivos governos têm vindo a desrespeitar o funcionamento democrático e fazer das câmaras municipais verdadeiros reféns da crise e do deficit. Para as autarquias cada vez vai menos dinheiro do orçamento geral. Por isso as câmaras não têm dinheiro para grandes infra-estruturas nem investimentos.&lt;br /&gt;A Câmara Municipal do Barreiro, essa então está duplamente paupérrima. Para alem da torneira fechada pelo estado, estão as dividas e os compromissos assumidos e não cumpridos pela anterior gestão.  &lt;br /&gt;Contra a construção da ETAR não está só este mal nacional crónico que é a falta de dinheiro…há mais.&lt;br /&gt;Há os interesses.&lt;br /&gt;Contra a construção da ETAR está também o lobie fortíssimo dos especuladores imobiliários. Neste caso o rosto por trás da mascara é o grupo Mello que é proprietário da Quimiparque, zona onde ETAR vai ser construída.  Claro que os senhores da família Mello pretendiam urbanizar a área em causa. Claro que o objectivo da Mello Imobiliária é lucrar com a especulação imobiliária que se avizinha com a decisão da construção da nova travessia sobre o Tejo – Barreiro Chelas. Claro que a construção da ETAR é uma pedra no sapato destes senhores…&lt;br /&gt;Contra a construção da ETAR está também lógica da política da demagogia. A lógica da política de fachada, não permite construir ETARs…&lt;br /&gt;A ETAR que vai ser construída para servir os concelhos do Barreiro e Moita, não é uma obra para inaugurar com as televisões em horário nobre. Cheira mal… tresanda um fedor que afasta os senhores jornalistas. Não é um exemplo máximo do topo de gama das engenharias. Não é um jardim enorme com cinemas e centro comercial incluído. Não são luzinhas a acender e a apagar que os totós gostam de ver e que fazem ganhar eleições. Afinal de contas, aquilo que foi decidido foi construir um grande balde de merda em cimento…. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fazia falta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas estas razões, acho que esta foi uma decisão de “tomates”.&lt;br /&gt;Independente da cor politica de quem tomou a medida de construir a ETAR , penso honestamente que é um boa medida… &lt;br /&gt;Felizmente para mim, e estou convicto, para o concelho, a câmara do Barreiro é uma autarquia comunista. Esta autarquia, a minha autarquia, ao decidir pela construção da ETAR deixou-me cheio de orgulho nos meus camaradas pela decisão tomada. É como se aquele balde de merda tamanho gigante que vamos fazer no quintal dos Mellos também fosse um bocadinho meu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma esperança feita de certeza que um destes dias posso ir com os meus filhos e com o meu cão à praia da minha terra. Mas à praia mesmo … com toalha e fato de banho e cesto com farnel. Espero um destes dias poder em família dar um grande mergulho no rio que é nosso e não é dos Mellos. Um mergulho tão grande como aqueles que dei na minha infância… mas num Tejo muito mais limpo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113746346380807353?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113746346380807353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113746346380807353' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113746346380807353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113746346380807353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/01/tejo-que-levas-as-guas-correndo-de-par.html' title='Tejo que levas as àguas correndo de par em par, lava a cidade de mágoas'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113684425900541718</id><published>2006-01-09T22:01:00.000Z</published><updated>2006-01-10T01:07:34.516Z</updated><title type='text'>Brandos  Costumes</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/escravatura.gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/escravatura.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em 1439, Nuno Tristão e Antão Gonçalves trouxeram os primeiros negros para Portugal. Seis homens da zona do actual Senegal foram oferecidos como “presentes exóticos” pelos navegadores ao Infante Dom Henrique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis anos depois começava o negócio. &lt;br /&gt;O primeiro leilão de escravos em Portugal foi feito em Lagos em 1445 onde se venderam 20 homens trazidos da Guiné. Lagos, que foi o primeiro porto de chegada de escravos, depressa foi substituído por Lisboa onde o volume do negócio justificava a intervenção da coroa. Ainda no século XV foi inventado um cargo próprio para gerir o mercado de escravos: Mestre da Casa de Escravos de Lisboa, este cargo era normalmente atribuído a um nobre e esta “casa” era a loja oficial de venda de escravos da coroa. &lt;br /&gt;A escravatura era o negócio mais lucrativo destes primeiros tempos de descobrimentos. A coroa tinha a Casa de Escravos mas havia muitas outras lojas. No início do século XVII já eram mais de vinte as lojas de escravos só em Lisboa. Principalmente junto à Ribeira das Naus que era o cais por onde chegavam. Em 1502 foi inaugurado o “mercado de escravos de Alfama”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comércio de escravos era tão lucrativo que foi preciso estabelecer regras para proteger a qualidade da mercadoria não deixando desvalorizar o produto. Assim, um escravo doente podia ser recolhido por alguém que tratasse do “bem” para depois poder comprar a um preço mais baixo proporcional ao investimento na saúde do escravo. Estas normas estavam escritas…. Havia pessoas que se dedicavam a esta negócio, de recolher os doentes para depois comprar por um valor mais baixo… Outro negocio que surgiu logo no início do século XVII era o de simplesmente possuir escravos e explorar o trabalho destes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escravatura e a mão-de-obra escrava, foi uma realidade comum quer no campo quer na cidade. Segundo um comerciante veneziano que chegou a Portugal no início do século XVIII todos os portugueses tinham escravos. Desde as prostitutas ao rei, todos os homens e mulheres livres possuíam pelo menos um escravo. Mesmo o artesão mais miserável tinha pelo menos um escravo que servia para executar algumas tarefas que seria pouco dignas de um homem liberto (tipo ir despejar os penicos ou limpar a oficina). Até o próprio Camões que todos reconhecem ter morrido …” na miséria, sozinho sem ninguém a não ser a companhia de um jovem escravo…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Optando por uma linguagem mais actual, podemos dizer que apesar de estar bem implementado no mercado residencial, os escravos eram importados sobretudo para servirem de mão-de-obra no mercado empresarial. Falo da agricultura de ceriais, do trabalho nas pedreiras e sobretudo nas minas e construção civil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo quanto é monumento construído em Lisboa entre 1450 e 1800 foi feito sobretudo com mão-de-obra escrava… Os Jerónimos, a Torre de Belém ou o aqueduto das Aguas Livres tomam uma dimensão humana mais dramática…. Quanta injustiça, quanta infâmia e quanta violência gratuita aquelas pedras antigas não escondem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o negro não trabalhava o suficiente era dever do seu dono impor-lhe disciplina. O “pingo” era o método comum para punir as indisciplinas leves do escravo… o pingo consistia em derreter sebo ou derramar azeite quente nas palmas das mãos dos escravos que se pretendiam castigar. Para faltas mais graves podia-se amputar as orelhas… Faltas realmente imperdoáveis, não se perdoavam… matava-se o escravo e comprava-se outro. Mas esta medida radical era rara uma vez o escravo era visto sobretudo como uma mercadoria, uma mercadoria valiosa. Por isso, os donos descontentes, limitavam-se a vender a mercadoria outra vez ou para um leilão ou para as minas… ideia que só por si aterrorizava o escravo.&lt;br /&gt;Quando um negro morria, atirava-se ao Tejo ou apodrecia na lixeira. Foi assim até D. Manuel, que achando que era pouco higiénico este processo decidiu mandar construir um enorme poço (com mão-de-obra escrava) onde todos os dias um negro propriedade da corte despejava cal por cima dos cadáveres dos seus pares. È pois ao D. Manuel, o Venturoso que temos todos a agradecer a Travessa do Poço dos Negros…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcula-se que entre 1439 e as invasões francesas – data quando terminou a importação formal de escravos, terão entrado em Portugal perto de meio milhão de homens, mulheres e crianças com a condição de cativos. Este número torna-se astronómico se tivermos em conta que no final do século XVIII não chegavamos aos cinco milhões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde foram estes dez por cento de escravos que tivemos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lado nenhum, por cá ficaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a genetica eles estão em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas cidades e nos campos do sul fundiram-se com as populações mais pobres. Por cá deixaram os seus genes espalhados mais ou menos por todo o lado. È esse meio milhão de homens e mulheres trazidos das constas do golfo da Guiné que fazem com que apareçam portugueses de cabelo encaracolado, de lábios grossos e de nariz largo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os genes destes nossos antepassados roubados à africa que nos convencem que é melhor comer e calar porque assim temos mais possibilidades de sobrevivência. São estes genes da sobrevivência que nos fazem amochar calados e esperar por melhor dias… &lt;br /&gt;Se não fossem estes dez por cento de genes herdados da escravatura como é que se explicaria esta subserviência crónica disfarçada de timidez que nos manda ficar calados e olhar para baixo quando temos que falar com um padre, com um bofia ou com o patrão???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113684425900541718?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113684425900541718/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113684425900541718' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113684425900541718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113684425900541718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2006/01/brandos-costumes.html' title='Brandos  Costumes'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113581534161381442</id><published>2005-12-29T00:12:00.000Z</published><updated>2005-12-29T00:22:34.796Z</updated><title type='text'>A minha conversão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/2005_12_28_003.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/2005_12_28_003.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando era puto a minha avó quis-me catequizar. &lt;br /&gt;Levou-me à missa várias vezes durante a infância… As coisas corriam mal para ambos comigo a correr e a gritar palavras de ordem durante as cerimónias. Experiências traumatizantes para os dois que faziam com que a senhora me mantivesse afastado da igreja durante meses. Mas depois, a fé assim o exigia, e como a minha avó sempre gostou muito de mim, pronto, lá fazia o sacrifício para salvar a minha alma, e pimba, lá me levava outra vez…&lt;br /&gt;Estas idas à missa mais ou menos forçadas aconteceram até ao verão dos meus nove anos, em que subitamente comecei a pedir para ir à missa. E surpresa das surpresas a portar-me bem!!! Nas primeiras vezes ficou tão feliz que acredito que acendeu velinhas por mim antes de prosseguiu com a minha catequização. &lt;br /&gt;Até o meu pai começou a estranhar em mim o comportamento devoto… Afinal de contas eu era a criança-terrivel. Era aquele que toda a família conhecia pelo “Turra”. Aquele tipo de putos que se estão calados é porque estão a fazer merda. Só parava de estrebuchar quando estava a dormir e mesmo assim não era sempre. Pois este menino que com nove ou dez anos já fazia arte do gangue dos “Terríveis da rua de Santo António” passou a ir à missa com a frequência das velhas beatas. &lt;br /&gt;Ao contraio do que a minha avó materna esperava, não aconteceu nenhuma alteração no meu comportamento… Não deixei de espetar garfos os cães nem perdi os sempre presentes instintos pirómanos que me faziam incendiar tudo aquilo que fosse inflamável. &lt;br /&gt;Lá na rua a malta continuava a chamar-me “Miguel Trovoada” ou “Cavalão” – e desde já confesso não gostava desta ultima alcunha…&lt;br /&gt;Continuei a apanhar boleia nos comboios de mercadorias que passavam nas traseiras da minha casa em andamento brando. Continuei a fugir de casa para ir à pesca nas ruínas da Ponte dos Ingleses. Claro que mantive o saudável hábito da brigazinha diária. Fosse, a escola fosse na rua, pelo menos uma vez por dia tinha que andar à trolha… havia dias que falhava, mas noutros recuperava completamente… Lá na minha rua o nosso hobie durante a infância era andar à pancada. Dois a dois ou em grupo, todos contra todos, ou os clássicos contra a malta da outra rua… tinha era de haver molho!!!! &lt;br /&gt;Isto tudo misturado com missas.&lt;br /&gt;O meu pai começou a desconfiar que se passava qualquer coisa… até avisou a minha avó, que era a sogra dele:&lt;br /&gt;-- Oiça lá, se um destes dias o padre aparecer envenenado ou se os bancos do coro se partirem a meio da cerimonia, não se admire... já sebe o risco que corre de levar o seu neto para as essas missas…&lt;br /&gt;A minha avó que sempre viu (ainda hoje vê) em mim o menino que nunca fui, respondeu ao genro enquanto se benzia:&lt;br /&gt;--Ai Credo, Louvado seja Deus, o menino fica sempre tão sossegado ao pé de mim lá na missa…Ele gosta é de ficar em frente ao coro… mas porta-se sempre muito bem…&lt;br /&gt;Claro que o meu pai não acreditou. &lt;br /&gt;Na realidade ninguém acreditava naquela conversão…. &lt;br /&gt;Mas o facto é que eu continuava a ir à igreja.&lt;br /&gt;Até que um dia denunciei as minhas verdadeiras motivações. E por mero acaso, isto é, sem que tivessem feito um interrogatório.&lt;br /&gt;Acontece que por volta da hora de jantar tocaram à companhia lá de casa e mandaram-me a mim ir abrir…Lá fui e nos meus nove anos apanhei um dos maiores choques emocionais da minha vida: &lt;br /&gt;Era ela. Tinha vinte e poucos, morena cor de canela, cabelo encaracolado e uns olhos verdes daqueles de fazer um homem (mesmo um homem de nove anos) atirar-se para o chão. Fiquei ainda mais aparvalhado do que o que é costume.&lt;br /&gt;Vinha com um vestido de linho branco de alças e trazia sandálias…&lt;br /&gt;Quando parou à porta do segundo andar, fez um sorriso e disse:&lt;br /&gt;--- Olá… podes ir chamar o teu pai?&lt;br /&gt;A boca secou-se-me logo ali, a mim que nunca fui de me faltar respostas. Corri para dentro e na minha ingenuidade disse ao meu pai:&lt;br /&gt;--- Pai, tá ali o “Borrachinho” da missa. &lt;br /&gt;--- O quê filho? &lt;br /&gt;È preciso esclarecer que na altura uma mulher bonita era um “Borracho”. Um ”granda Borracho”, se fosse caso disso. Ou até mesmo um “Borrachinho” quando o diminutivo se impunha pela qualidade do material. Neste caso estávamos perante um “Borrachinho”. Por isso repeti:&lt;br /&gt;--- Pai, tá ali o “Borrachinho” a missa, costuma cantar no coro. Tá ali fora e quer falar contigo. &lt;br /&gt;Foi com esta inconfidência que toda a gente percebeu a razão das minhas idas à missa.&lt;br /&gt;Claro que todos se riram de mim. Claro que ninguém levou a sério a minha paixão cristã.&lt;br /&gt;Passaram-se vinte anos mas lembro-me bem daquele meu verão católico. Recordo a pele mais escura do início do mamilo esquerdo da rapariga. Quando o coro cantava o “Vemos ouvimos e lemos” o Borrachinho batia palmas de levantava os braços mostrando a axila rapada. Se eu me debruçasse o suficiente no banco quase que lhe conseguia ver a maminha na totalidade…Papei as missas todas do verão de 1981 no Barreiro sempre na ilusão daquele seio meio oculto.&lt;br /&gt;Com Setembro vieram as camisinhas de meia manga e eu perdi o meu furor religioso.&lt;br /&gt;Deixei de ir à missa mas continuei a cruzar-me com o Borrachinho. A vida mudou para todos mas continuei a vê-la. A rapariga trabalhou numa florista aqui do bairro e entretanto abriu um negócio dela. &lt;br /&gt;Eu que de flores não percebo nada, e que não voltei a ir à missa continuei a conhecer borrachos borrachinhos e borrachonas.&lt;br /&gt;Envelheci mas continuei sempre a apaixonar-me por coisas que não estão lá mas não se vêem, seja o contorno oculto da pele do mamilo, seja o som do sorriso de uma mulher através do telefone, sejam as intenções sugeridas nas entrelinhas das mensagens de e-mail.&lt;br /&gt;Aqui há uns três anos, conheci um borrachinho que não me leva à missa mas que com ela vou ao fim do mundo. Tocamos uns e-mails. Depois falamos ao telefone. Fomos jantar juntos no bairro alto. Bebemos gins tónicos e conversamos de politica. O nosso desacordo permanente fez faísca e por fim fizemos aquilo que ambos merecíamos que nos fizessem… Dormimos juntos desde então. Comemorámos ontem o terceiro aniversário.&lt;br /&gt;Como sou um gajo pouco polido e pouco habituado a permanências não sabia o que lhe havia de oferecer. Foi só por isso que fui falar com o Borrachinho da Missa. Continua bonita nos seus quarenta e muitos. Depois dos cumprimentos de circusntancia, perguntei-lhe.&lt;br /&gt;--- O que é que um tipo oferece a uma mulher de quem gosta muito muito muito?&lt;br /&gt;Ela respondeu sem hesitar:&lt;br /&gt;--- ofereça-lhe uma orquídea que ela vai gostar.&lt;br /&gt;Foi o que fiz. Ofereci-lhe uma orquídea. &lt;br /&gt;Agora que me ponho a mirar bem a “couve” acho que as florezitas sendo assim meio escaganifóbéticas fazem-me assim lembrar acho que… mamilos… &lt;br /&gt;Será da florista?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113581534161381442?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113581534161381442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113581534161381442' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113581534161381442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113581534161381442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/12/minha-converso.html' title='A minha conversão'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113530657691581263</id><published>2005-12-23T02:53:00.000Z</published><updated>2005-12-23T03:18:09.716Z</updated><title type='text'>Vziga Gatov!!! (sempre prontos)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/sPETNAZ.0.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/sPETNAZ.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em meados dos anos 80, a Africa do Sul era uma das mais duras ditaduras do mundo. Alem das policias politicas, dos assassinatos e dos desaparecimentos, o regime de Pretoria imponha a uma grande parte da sua população a exclusão mais ignóbil que pode haver: a exclusão rácica. O racismo institucionalizado tal como Hitler imaginou teve lugar no seio da própria mãe Africa.&lt;br /&gt;O sistema de apartheid, foi idealizado pelo snobismo inglês durante o século XX e posto em prática nas décadas de 50 e 60 pelo Ian Smith na Rodésia. Teoricamente o conceito é simples: um mesmo espaço dois países. Uma mesma terra estava dividida em dois países sobrepostos no mesmo território. Um país para brancos e um país para negros. A riqueza e o bem-estar para os primeiros, a pobreza e a miséria para os segundos. O apartheid na africa do sul chocava o mundo e criava gritos de revolta onde quer que houvesse preocupações com a justiça.  &lt;br /&gt;Para alem de impor aos próprios sul-africanos a violência  do aprtaid, o estado fascista  comandado pelo então presidente Pieter Botha tinha ambições imperialistas. Para impor uma ordem geografia periférica decide atacar e invadir a jovem republica de Angola.&lt;br /&gt;Em Agosto de 1981, uma operação designada “Protea” 15.000 soldados sul-africanos, apoiados por blindados e aviação de invadem Angola e bombardeiam o Lubango, na serra da Huila., Causam a morte de 1700 pessoas, porque atacam durante o dia alvos civis como escolas e o hospital civil do Lubango. O mundo estava ainda ofuscado com o fausto do casamento da princesa Diana com o príncipe de Gales e os intlectuais estavam atentos à transladação da Guernica de Nova Iorque para Madrid. Enquanto isso morreram só num raid de aviação mais de 650 civis na província da Hulia. A invasão sul-africana provocou um verdadeiro êxodo com mais de 130.000 deslocados.&lt;br /&gt;Por Mar, comandos sul-africanos sabotam a refinaria de Luanda e conseguiram deixa às escuras a capital angolana durante semanas. A comunicação social portuguesa falava do apagão em Luanda como incompetência dos angolanos de se governarem sozinhos….&lt;br /&gt;Angola é atacada pela aviação sul-africana. O porto de Benguela é encerrado. Malange é bombardeada. Luanda fica em risco. A Força Aérea Angolana não tem hipóteses de se defender. Não existe nenhuma base aérea Angolana que permita lançar operações defensivas contra os ataques sul-africanos. &lt;br /&gt;Internamente a Unita funcionava em parceria com a Africa do Sul. Tal como funcionou com o exército colonial portuguê, a Unita funcionava como se fossem os batalhões de observação das forças sul-africanas. A Africa do Sul, por seu turno armava e dava apoio logístico às tropas do Jonas Savimbi.&lt;br /&gt;A diplomacia Angolana esta isolada e sem apoios no mundo ocidental. A única ajuda internacional que pode ter vem de Cuba. Os Estados Unidos apoiam a Unita e a Africa do Sul. Cuba já tinha enviado um contingente de homens para apoiarem o exército angolano. Foram os cubanos que na primeira invasão sul-africana em início de 76 estancaram os invasores. Em Luanda os quadros médios e superiores necessários ao funcionamento regular do país são assegurados por cooperantes cubanos muitos portugueses que apoiam o regime do presidente poeta Agostinho Neto tambem estavam presentes.&lt;br /&gt;Em meados de 84 a situação militar é desesperada. O Embaixador de Angola em Moscovo vai juntamente com o seu homónimo cubano falar com os homens dos negócios estrangeiros russos responsáveis pelo Africa Austral. O angolano vai pedir ajuda aos russos e o cubano vai com ele meter a cunha… Leva na pasta a esperança de um povo martirizado por 450 anos de colonialismo e 20 anos de guerra. &lt;br /&gt;Os russos, para variar, na reunião não decidem nada. Ao estilo frio dos eslavos, não dizem que sim nem que não… O cubano esta confiante. O angolano permanece em expectativa.&lt;br /&gt;Na semana seguinte o embaixador é de novo chamado. Está decidido, o exército soviético vai ajudar: vão mandar engenheiros, uma companhia de tropas especiais aerotransportadas (Spetnaz -- na fotografia!!!) e 20 homens da KGB – alem daqueles que já estavam oficiosamente em Luanda. &lt;br /&gt;O diplomata angolano ficou desiludido. O cubano argumenta que se os russo tomaram aquela decisão foi pelo melhor… O cubano diz que é para confiar nos camaradas russos…o angolano não tinha muitas certezas mas agradeceu e voltou para Luanda  mais seguro  depois de ouvir o Fidel dizer que retirava de Angola quando os Sul-Africanos acabassem com o apartheid …. No fundo o que o Fidel disse foi que ia continuar em Angola.&lt;br /&gt;Em 1985 os russos chegaram. A equipe de engenheiros russos construíram juntamente com os operários angolanos e cooperantes portugueses especialistas e experimentados em minas um aeroporto. Uma obra inovadora de engenharia militar. A obra foi feita totalmente subterrânea nos arredores da cidade do Kuito próximo da fronteira com a Namíbia. Era possível abrigar e fazer levantar do solo mais de 50 aviões em menos de 5 horas.&lt;br /&gt;Partindo do aeroporto do Kuito a Força Aérea Angolana conseguia desencadear acções defensivas contra o exercito da Africa do Sul, que tinha bases junto à fronteira. A Força Aérea Angolana conseguiu inclusivamente abater no solo uma delegação com alguns generais sul-africanos que se tinha deslocado à frente norte na actual Namíbia.&lt;br /&gt;Os angolanos começavam a ficar contentes com a ajuda dos russos. O apoio técnico na construção do aeroporto foi fundamental… Mas mesmo assim, achavam que 20 “seguras” eram demasiados KGB… ainda por cima ninguém os via….Para quê tanto KGB????&lt;br /&gt;A utilidade dos homens da KGB não tardou a revelar-se. &lt;br /&gt;Em Janeiro de 1988 as forças sul-africanas atravessaram a fronteira. Falamos de uma composição de três batalhões com tanques e carros blindados, com mais seis batalhões da Unita, apoiados por aviões de combate. Um exercito enorme avançando em colunas de mais de 20 mil homens e duas mil viaturas. Vinham armados de tecnologia e poder para tomar a base Aérea do Kuito e abrir um corredor que permitisse abrir uma brecha dividindo o país ao meio com controlo do planalto central. A ideia era isolar o governo de Luanda no norte do país. Depois era a velha técnica romana da tenaz com o Mobutu, no Zaire, cima e a grande Africa do Sul, vitoriosa em baixo.&lt;br /&gt;Acontece que os russos não dormiam em serviço. A KGB não estava parada. Mesmo nos oficiais superiores do exército sul-africano haviam várias fontes de informação. &lt;br /&gt;Quando o Estado-maior Sul-Africano tomou a decisão de avançar, os homens da KGB tiveram conhecimento dos planos. As informações russas perceberam o quando, o quem e o como do ataque. &lt;br /&gt;A KGB foi de uma utilidade vital na recolha das informações que permitiram defender o aeroporto do Kuito e vencer definitivamente a invasão Sul-Africana.&lt;br /&gt;Mais de 60% dos efectivos da Unita estavam envolvidos no ataque. Os tanques da cavalaria Sul-africana estavam presentes em força com cerca de 50 % dos efectivos operacionais. Os homens da Unita, sobretudo infantaria, avançavam a pé atrás dos tanques da Africa do sul. &lt;br /&gt;Os russos planificaram e coordenavam a defesa. O estado-maior angolano deu à KGB e à Spetanaz a responsabilidade de coordenar a defesa e comandar o contra-ataque. Os cubanos ficaram encarregues de manobrar a artilharia – falamos de katiuscas os temíveis mísseis montados sobre camionetas. As tropas especiais do exercito angolano sobretudo infantaria de soldados já experimentados no norte e leste, foram dispostos em de forma a embuscar a coluna sul-africana criando um corredor de morte em emboscada.&lt;br /&gt;Depois foi a guerra de nervos. &lt;br /&gt;A KGB conhecia o dia, o local e a hora da invasão, não partilhava com os cubanos nem com os angolanos as decisões. Com algumas horas de antecedência mandou colocar os homens no terreno que até verem os primeiros tanques sul-africanos estavam convencidos que se tratava de um exercício. Os russos conheciam inclusivamente o número de homens envolvidos e os meios. &lt;br /&gt;Os sul-africanos entraram pela fronteira cautelosos… Os russos sabiam a que velocidade os sul-africanos avançariam. Os homens do apartheid prosseguiram pela madrugada na chana cautelosos e esperando alguma resistência, nada aconteceu. &lt;br /&gt;Os mapas e as transmissões da Africa do Sul anunciavam que estavam a 10 km do objectivo. De resistência, nada. Os comandantes ordenaram o avance. A coluna prosseguiu. Faltavam zero cinco km para o objectivo, da resistência angolana nem sinal. Os generais sul-africanos reúnem-se. Que fazer??? Por unanimidade decidem prosseguir e voltar a parae a 1000 metros do objectivo. Uma quinta de criação de gado, que era a parte visível do aeroporto. Continuaram. Diz quem estava lá que dava para cheirar o medo dos sul-africanos e o ódio no suor dos soldados da Unita. A mil metros nova paragem da coluna. Não há resistência, a palavra foi dada. Os homens da Unita passaram através dos tanques para tomarem posições e fazerem o assalto ao aeroporto. À vista da quinta que sabiam ser o disfarce do aeroporto subterrâneo ganharam confiança e avançaram… faltavam 600 metros.&lt;br /&gt;Do lado do exército angolano os oficiais tinham dificuldade em manter em silencio os soldados… &lt;br /&gt;--- tchée estes russos vão deixar-nos os sul-africanos entrar-nos em casa???como é qui pode!!!&lt;br /&gt;Aos 500 metros das casas, nem mais um centímetro os russos dão sinal. &lt;br /&gt;Os cubanos manobram as katiuscas .&lt;br /&gt;Os soldados angolanos abrem fogo.&lt;br /&gt;Os sul-africanos ficam encurralados. Os primeiros blindados são pulverizados. Os segundos também. È preciso dar a volta e recuar. Rebentam mais uns quantos.&lt;br /&gt;Os angolanos  não deixam a unita entrar pela chana , obrigam o inimigo a cavar posições de defesa. Mesmo no caminho de retirada dos tanques. Os carros de assalto sul-africanos já vinham com toda a pressa a fugir à área de fogo da katiusca. As unidades de infantaria da Unita são dizimadas pelos próprios tanques da Africa do Sul. As baixas são terríveis.&lt;br /&gt;Fala-se na maior batalha africana pelos meios envolvidos.&lt;br /&gt;A africa do Sul depois da derrota do Kuito foi obrigada a negociar com Angola.&lt;br /&gt;Nunca mais os homens da Unita confiaram nas forças armadas da africa do sul. &lt;br /&gt;A ajuda da KGB foi mais uma vez determinante para o real desenvolvimento dos povos  e pela segurança das forças democráticas.&lt;br /&gt;_____________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está agora a fazer 88 anos que , no dia 20 de Dezembro de 1917, o Conselho dos Comissários do Povo estabeleceram a Comissão de Emergência de Toda a Rússia para combater elementos contra revolucionários e forças de sabotagem que tentavam destruir o sonho soviético. Estamos a falar sobre tudo de espiões e enviados do império prussiano e de forças ksaristas que no exílio faziam tudo para minar a revolução do povo russo. O revolucionário soviético Felix Dzerzhinski foi o primeiro Presidente desta Comissão de Segurança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois da morte de Josef Stalin, no dia 13 de Março de 1954, foi estabelecido a Comissão para a Segurança do Estado, Komitet Gosudarstvennoi Bezopasnosti (KGB), que foi o mais notável agência do governo soviético. Sua história terminou no dia 3 de Abril de 1995, quando o alcoólico  Boris Eltsin assinou a lei sobre o Serviço de Segurança Federal da Federação Russa e o nome do KGB foi alterado para FSB (Gabinete de Segurança do Estado). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor russo Viktor Pelevin considera que a ideia foi ultrajosa, pois “destruiu uma marca internacionalmente conhecida. Nem todos os estrangeiros sabem o que quer dizer FSB, e até fazem confusão com FSD – Female Sexual Dysfunction (Disfunção sexual feminina) noção que foi criada pelas companhias farmacêuticas para poderem vender Viagra às mulheres”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta semana do 20 de Dezembro comemora-se o aniversário dos serviços de segurança e tos os profissionais na FSB, Serviço de Inteligência no Estrangeiro, Serviço Federal das Prisões e a Directoria Central para Programas Especiais do Presidente da Federação Russa tiveram um dia de folga. Todos estes serviços contituiram o KGB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Vladimir Putin, que trabalhava nos serviços de segurança do estado, ontem congratulou todos os profissionais nesse sector, dizendo que não só protegem os interesses nacionais da Rússia como também e fundamentalmente, a estrutura do Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A KGB foi uma organização sobretudo de recolha e tratamento de informação. Em termos internos fez um trabalho de protecção da revolução soviética, e de protecção do estado russo contra inimigos externos, falo-vos não só na segunda guerra mundial, mas sobretudo durante a guerra-fria quando os Estados Unidos tentaram sistematicamente sabotar o desenvolvimento científico russo, nomeadamente na conquista do espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propaganda norte-americana fez da KGB os mauzões de todos os filmes. Os agentes da Comissão de Segurança do Estado Soviético eram sempre os piores vilões… A realidade foi bem diferente. A KGB foi uma agência de informações imprescindível para a criação da democracia e para o desenvolvimento de muitos povos do mundo. &lt;br /&gt;As informações que a KGB recolhia não serviam só os interesses dos russos, a KGB foi de facto um organismo revolucionário e os seus homens estão de parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome de todos os camaradas caídos na batalha do Kuito e em todas as outras batalhas pela liberdade presto aqui a minha modesta e sentida homenagem ao KGB e ao mais bem organizado e mais eficaz serviço de seguranças alguma vez criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vziga Gatov!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113530657691581263?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113530657691581263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113530657691581263' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113530657691581263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113530657691581263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/12/vziga-gatov-sempre-prontos.html' title='Vziga Gatov!!! (sempre prontos)'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113499699731565052</id><published>2005-12-19T12:55:00.000Z</published><updated>2005-12-19T15:33:30.006Z</updated><title type='text'>Filosofando barato</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/adromecido.0.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/adromecido.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como já dizia o outro:&lt;br /&gt;“A vida é aquilo que nos acontece enquanto estamos ocupadíssimos a fazer outros planos.” &lt;br /&gt;Ou a dormir.&lt;br /&gt;Cuidado, ás vezes mesmo ao nosso lado a realidade que passa vertiginosa não se repete.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113499699731565052?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113499699731565052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113499699731565052' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113499699731565052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113499699731565052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/12/filosofando-barato.html' title='Filosofando barato'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113438822834124183</id><published>2005-12-12T11:47:00.000Z</published><updated>2005-12-12T15:56:06.066Z</updated><title type='text'>Na casa da Granel e do Tórelato</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/por%20do%20sol..1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/por%20do%20sol..1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Já fomos e já viemos. Mas uma parte de mim ficou lá, na casa da Granel e do Tórelato. Quatro dias na tribo.&lt;br /&gt;A mulher, uma cria (senti falta da outra), o cão e amigos. O que é que um homem quer mais?&lt;br /&gt;Vinho caseiro. Peixinho fresco comprado na praça. Tempo. Liberdade  para fazer petiscos e partilhar velhas e novas historias.  Um pôr do sol fantástico com o atlântico a fazer de cama para toda a luz de Dezembro. O cão solto a comer peixe podre na praia. A minha filha a adormecer ao som da internacional. Receitas de pescador partilhadas à volta do tacho. &lt;br /&gt;Ficou uma ligeira acidez no estômago, os intestinos revoltos e uma persistente vontade de tirar a gravata, mandar à merda o chefe e voltar para o sul. &lt;br /&gt;Em Lisboa fico assim a modos que açaimado.  Rodeado de colegas e amigos da onça. Tento fechar os ouvidos para as conversas  que não interessam de gente desespera por acumular mais riqueza e valorizar o status. Se me interrompem directamente digo-lhes que sim  mas que me deixem trabalhar. &lt;br /&gt;Faço um ar sério. Olhos fixos no monitor e dedos a bater no teclado, convicto de competência ocupada em produzir mais valia.  Entre estes meninos armados em cóbois finjo que sou o xerife. Há que impor-lhes respeito. Não fazem ideia que eu sou um legítimo pele vermelha. Um moicano da outra banda. Eles não sabem que debaixo do colete e estrela da lei trago as minhas pinturas.  Dentro do coldre em vez da pistola andam as minhas setas letais e prontas a disparar. Se me vir enrascado com alguma situação faço um ritual xamanico, solto o grito de guerra e arranco o capachinho ao administrador. &lt;br /&gt;Às vezes acontece-me ficar bicho-do-mato. Depois de uns dias com a tribo, tenho ainda mais dificuldades a adaptar-me à realidade dos homens brancos.&lt;br /&gt;Para piorar tudo hoje o meu cavalo não quis vir comigo. Está ressentido de não o ter levado nesta caçada. Deixei-lhes os olhos acesos durante quatro dias e hoje de manhã não quis pegar.  Descarregou a bateria. Vim a pé para a estação mas mesmo assim cheguei demasiado cedo.&lt;br /&gt;Pela janela do escritório ao meu lado direito está o Tejo. Ao fundo a minha terra esta assinalada pelos discretos sinais de fumo das imensas chaminés às riscas. O Sul começa lá em casa. È de lá, da porta de casa que sai, a estrada para onde o sol aquece mais e onde o frio da noite não corta tanto. Olho pela janela e imagino que andar a direito por cima do rio em duas horas me ponho em casa. Porque o Tejo não gela nem eu consigo andar por cima do rio, levanto-me e vou beber outro copo de agua. Pode ser que me passe esta lãzeira. Só me levanto da secretária para ir buscar copos de agua que emborco de seguida. Hoje já devo ter bebido pelo menos dois litros. Para limpar o organismo. &lt;br /&gt;Com a tribo come-se sempre demais!!!!&lt;br /&gt;O que não me sai da cabeça são os chocos do almoço de sexta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113438822834124183?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113438822834124183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113438822834124183' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113438822834124183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113438822834124183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/12/na-casa-da-granel-e-do-trelato.html' title='Na casa da Granel e do Tórelato'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113386624610312366</id><published>2005-12-06T10:50:00.000Z</published><updated>2005-12-06T10:56:35.020Z</updated><title type='text'>Uma historia para crianças de todas as idades</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/alvarocunhal.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/alvarocunhal.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há cinco anos, Álvaro Cunhal escreveu, a pedido de um grupo de professores, um conto para crianças sobre o 25 de Abril. A Visão publicou-o pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história que vos vou contar passou-se há muitos anos, ainda nenhum de vocês tinha nascido.&lt;br /&gt;Foi num país em que havia uns homens conhecidos como os Barrigas e outros conhecidos como os Magriços.&lt;br /&gt;Os Barrigas não tinham este nome por serem todos barrigudos, mas por comerem tanto, tanto, tanto que nem se percebia onde cabia tanta coisa. Houve até quem dissesse que para lá caber tanta comida o corpo dos Barrigas lá por dentro devia ser todo estômago.&lt;br /&gt;Os Magriços também não se chamavam assim por terem nascido todos magrinhos. Mas porque, em certas épocas do ano, os Barrigas não lhe davam trabalho, nada lhes pagavam, e passavam tanta fome. E então sim, ficavam tão magrinhos, só pele e osso, magrinhos como carapaus secos. Os Barrigas tinham muitos campos, muitas terras, tão grandes, tão grandes, que de uma ponta nem com binóculo se via a outra ponta.&lt;br /&gt;Os Barrigas tinham também moinhos para moer farinha, lagares para moer azeitona e fabricar azeite. Nesses campos, nesses moinhos, nesses lagares, trabalhavam os magriços. Mas recebiam tão pouco, tão pouco, que não lhes dava para comerem eles, suas mulheres e seus filhos.&lt;br /&gt;E, ainda por cima, eram mesmo maltratados, como se fossem bichos.&lt;br /&gt;Uma vez, um Magriço pediu ao Barriga seu patrão que lhe pagasse mais pelo seu trabalho. E sabeis vocês o que lhe respondeu o Barriga? O Barriga riu-se e respondeu: "Se não tens pão, come palha." Isto não se diz a ninguém. São palavras feias de um homem mau, não vos parece?&lt;br /&gt;Outra vez, um outro Magriço que trabalhava num lagar procurou o Barriga e disse-lhe «Senhor Barriga, eu fabrico cântaros e cântaros de azeite, mas o senhor fica com todo e eu não tenho azeite para temperar as batatas». E o Barriga deu uma resposta tão feia, tão feia, que não sei se aqui a diga. Mas sempre a digo. O Barriga respondeu: «Se não tens azeite para temperar as batatas faz-lhe xixi por cima.» Disse isto com palavras ainda piores, mas foi isto que disse.&lt;br /&gt;São também palavras feias de um homem mau, não vos parece?&lt;br /&gt;Isto eram, porém, palavras feias de homens maus, mas as coisas eram ainda piores. Porque os Barrigas tinham ao seu serviço soldados armados e quando os Magriços protestavam - um, por exemplo, disse ao Barriga: «O senhor é um homem mau» - eles diziam aos soldados para prender os Magriços, meterem-nos presos nuns buracos a que chamavam prisões. Isto e ainda pior. Uma vez, um Magriço não se cansava de protestar. «Vai-te embora daqui». E ele disse: «Não vou sem o senhor nos dar razão». O Barriga deu ordem aos soldados para lhe darem um tiro e ele morreu logo ali.&lt;br /&gt;Falando uns com os outros, os Magriços diziam que as coisas não podiam continuar assim. Mas havia os soldados. E se eles se revoltavam , os Barrigas diziam aos soldados para os correrem todos a tiro.&lt;br /&gt;Que fazer? Se algum de vocês fosse uma Magriço, o que fazia? Foi um Magriço que se lembrou. Tinha um amigo que era soldado e disse-lhe assim: «Olha lá amigo, achas bem isto? O que os Barrigas te mandam fazer?» O soldado era bom rapaz e disse: «Eu estou de acordo contigo. Mas que posso eu fazer?»&lt;br /&gt;Lembrou-se então de falar com os outros soldados e todos pensaram que era preciso ajudar os Magriços a libertar-se de tal situação. Foi então que os Magriços se juntaram todos, procuraram o mais barrigudo dos Barrigas e lhes disseram: «Isto não pode continuar assim. O senhor tem tanta terra que muita está abandonada. Nós vamos trabalhar para lá, cultivá-la, e o que produzirmos é para nós.»&lt;br /&gt;O Barriga nem queria acreditar. Começou logo a gritar: «Estais malucos ou quê? Se  atrevem a isso, varro-vos todos a tiro!» Mas os Magriços não tiveram medo, foram para essas terras abandonadas, começaram a limpá-la de mato para depois cavarem e semearem.&lt;br /&gt;Os Barrigas protestaram, chamaram nomes aos Magriços, ameaçaram de os mandar matar. Mas o pessoal não se assustou. O mesmo sucedeu por toda a parte e os Magriços, com o seu trabalho, desenvolveram rapidamente a agricultura.&lt;br /&gt;Asseguraram trabalho a todos os que dantes passavam metade do ano sem trabalho e sem pão e ganharam para que ficasse a juventude que fugia.&lt;br /&gt;Semearam terras que estavam abandonadas. Produziram e venderam trigo, tomate, compraram vacas e ovelhas e assim produziram leite e queijo. Arranjaram máquinas agrícolas.&lt;br /&gt;O que fizeram os Barrigas? Chamaram os soldados e deram ordem: «vão lá e corram com esses gajos a tiro!» Os soldados foram, lá isso é verdade. Mas não deram tiro nenhum, e até deram os parabéns aos Magriços pelo trabalho que estavam a fazer.&lt;br /&gt;E o mesmo se passou nos moinhos e nos lagares de azeite. Os magriços tomaram conta de uns e de outros e quando apareceram os Barrigas a protestar, eles disseram: «Não lhe queremos mal, senhor Barriga. O senhor leva a farinha e o azeite de que precisa para a sua família. E nós levamos o resto para as nossas.» E o memso se passou nas fábricas dos Magriços e em toda a parte. Passou-se tudo isto na primavera. Calhou começar no dia 25 do mês de Abril. Por isso, quando se fala no 25 de Abril, é dessa revolta dos Magriços e do que foram capaz de realizar que se fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para acabar a história, quero fazer-vos uma pergunta.&lt;br /&gt;A mim, já me têm perguntado: «Ouve lá, se tivesses vivido nessa época, com quem estarias tu? Com os Barrigas ou com os Magriços?» E eu respondo: com os Magriços, claro!&lt;br /&gt;E penso que conhecendo vocês esta história, dariam a mesma resposta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113386624610312366?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113386624610312366/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113386624610312366' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113386624610312366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113386624610312366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/12/uma-historia-para-crianas-de-todas-as.html' title='Uma historia para crianças de todas as idades'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113337405119367055</id><published>2005-11-30T18:06:00.000Z</published><updated>2005-12-01T19:50:40.443Z</updated><title type='text'>Prisiricolga</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/simara.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/simara.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Em Luanda aprendi o oficio de puta mas em Lisboa aprendi de prisiricolga!!!”&lt;br /&gt;Quem fala assim é uma das minhas companheiras dos café da manhã aqui na rua de São Paulo. &lt;br /&gt;Numa das esquinas do largo há uma leitaria velha e suja quem vende bolos de padaria e é onde as putas tomam o pequeno almoço. Quando venho trabalhar demasiado cedo para comer no barco, costumo parar por ali onde as pessoas que trabalham de noite se cruzam com as pessoas que trabalham de dia. Taxistas em fim de turno, putas, policias extraviados, pintas  decadentes, emigrantes clandestinos desempregados e eu. Cervejas convivem com meias de leite pacificamente sobre as meses de mármore.&lt;br /&gt;Com o tempo já vou conhecendo as pessoas pelo nome. &lt;br /&gt;A senhora que aprendeu a ser puta em Luanda chama-se Simara e é do  tipo pequena e arredondada. Tal como eu deve andar nos trintas e tais. Tem os olhos azuis plásticos constantemente a lacrimejar das lentes de contacto e na cabeça usa uma cabeleira  com cabelo preto desfrisado. Sei que tem lentes e cabeleira porque às vezes quando a leitaria fica mais vazia, a Simara vai tirar as lentes e a cabeleira... quando isso acontece as botas e a eterna mini-saia destoam do seu rosto vulgar de mulher cansada. &lt;br /&gt;Hoje de manhã a Simara tinha as lentes, a cabeleira, a mini saia e a boa disposição alcoolizada de quem anda a facturar em cima do subsidio de natal. &lt;br /&gt;Na leitaria vazia estávamos poucos. O velho surdo que é o dono, mais a Simara e uma sua colega mais nova e com o rotulo AGARRADA escrito na testa. Eu já tinha subido ao escritório mas como ainda não eram oito e meia desci para tomar o pequeno almoço e olhar as gordas do publico. &lt;br /&gt;Foi depois de responder aos meus bons dias que a  Simara se saiu  com a frase:&lt;br /&gt;-- Em Luanda aprendi o oficio de puta mas em Lisboa aprendi de prisiricolga.&lt;br /&gt;-- psicóloga !!! Corrigiu a agarrada na sua voz sonolenta.&lt;br /&gt;-- Isso prisiricolga. &lt;br /&gt;Interessado no tema sentei-me na mesinha do canto, abri o Publico e fiz render as folhas do jornal para ouvir o discurso até ao fim. A Simara prosseguiu:&lt;br /&gt;--Em Luanda uma rapariga para ser puta tem de ser boa de cropo e noa de cama. Aqui em Lisboa para se ser puta tem de saber ouvir com atenção os problemas dos portugueses e concordar com eles. E não tem haver com os homens brancos e os homens pretos. Aí é  o mesmo igual aqui que lá. A diferença esta no que os homens procuram nas rapariga. Nisso em Lisboa é diferente de Luanda.&lt;br /&gt;Em Luanda os homem que vai nas menina é os imigrante que tão a sentir sozinho. Lá  como aqui tem de todas as cores. Lá  tem muitos malaios e zairenses, e tem também europeus. Lá tambem tem muito emigrante, esses todos vai nas meninas por que precisa mesmo. &lt;br /&gt;Não tem mulher, então, como é que faz? Então vai nas menina.  &lt;br /&gt;Mas muitos dos homens que vai nas meninas em Luanda não é os emigrante. Em Luanda os homem vai nas menina, vai para levar os amigo. &lt;br /&gt;È. &lt;br /&gt;È assim mesmo. Vão em grupos de três e quatro e um deles paga para os outro fudé.  É assim mesmo, leva os amigo nas menina  depois fica à espera e pergunta para os amigo: “Então gostaste desta pá? “  se os amigo diz que não gostou fica bravo e às vezes dá até para exigir o dinheiro de volta. Quase nunca tem maka porque quando os homem vai com os amigo nas menina ficam todos contente.&lt;br /&gt;Aqui em Portugal os homem não faz isso. Quando os homem querem agradar os outro levam a jantar em casa. Ou tomam bebedeira juntos. Mas não oferecem menina. Em Angola todo o mundo vive a jantar na casa de todo o mundo e todos tomam bebedeira sempre com amigos, inimigos, conhecido e desconhecido. Então amigo que é amigo leva amigo nas putas porque não tem outra maneira de mostrar amizade entre homem. Lá é assim mesmo.&lt;br /&gt;Aqui os homem que vem nas menina são diferente. Vem sempre sozinho. Parece que não vem para fudé. Tem imigrante angolano que vem comigo para falar das coisas que tem em Angola e das coisa que já tem em Portugal e já comprou e que vai comprar. São dos que fode e depois fica a conversar alto para impressionar as menina. A mim não faz efeito essa magia!!! Desses eu não gosto memos porque normalmente nunca querem pagar logo logo. Depois perguntam se gostei. O que é que tu vais responder  a isso? Vou responder a verdade? Eu gosto é de dinheiro?? Não pode. Então se respondo que sim, mesmo por delicadeza vão-me logo a querer o dinheiro de volta. Tchiiii pá!!! Com parente e compatriota assim, aka que fica difícil!!!&lt;br /&gt;Depois também há os homem portugueses esse são os piores pá!!!&lt;br /&gt;Aqui o seu olhar cruzou comigo e fez-se um silencio momentâneo na leitaria.&lt;br /&gt;-- Não são todos, corrigiu a Simara com um sorriso rasgado atirado para mim de cima do balcão de mármore. Não são todos.  São só os meus cliente. Esses sim, são todos mesmo tarados de doente. Então eles pagam para subirem comigo e ficam a falar o tempo todo. Todos diz não são racista não são racista. Todos diz que gosta de Angola e que se calhar tem filhas na minha idade. Alguns querem saber o nome da minha mãe e então tenho de inventar para eles. &lt;br /&gt;Mas que tipo de homem é que vai nas puta para ficar a falar nas filha ??? como é que pode?? Tem um amigo cliente  já kota que vem me ver todos os mes e que paga sempre com gorjeta grande e que primeiro me bate e depois fica a chorar e a pedir desculpa... Tchiiii...Eu até fica com pena. &lt;br /&gt;Depois todos os que são kota  vem contar historia de tropa. Sobem comigo para a pensão e quase que fodem a correr só para ficar a falar da tropa que fizeram em Angola. Das comissão, dos camarada, dos barco. Da guerra mesmo não falam e todos diz que não são racista e todos diz que não disparou tiros nem matou ninguém.  &lt;br /&gt;Mas sei mesmo que é mentira pá!!! Eu quando era canuca em Malange aprendi na escola dos pioneiros tudo sobre a guerra de libertação.  Agora vêm os portugueses e dizem que não mataram. &lt;br /&gt;A Simara parou de falar e chegou-se à porta para olhar o céu a ver se chove. Depois proseguiu:&lt;br /&gt;-- Já tinham-me avisado que os portugueses gostavam das angolanas, mas não tinham-me dito que gostavam da gente para ficar a dar conversa fiada!!! Por isso eu digo, aqui em Lisboa eu não sou puta. Sou prisiricolga.&lt;br /&gt;-- psicóloga !!! voltou a corrigir a droga dita que era claramente uma clone da Edite estrela edição ligth.&lt;br /&gt;-- Pois sou prisiricolga como tu diz.&lt;br /&gt;A manha foi interrompida com a entrada de um homem na casa dos sessenta. Português típico, mais para o baixo, bigode na cara e SG gigante nervoso a tremer-lhe nas unhas.&lt;br /&gt;Pediu um cerveja ao velhote da leitaria e de um golo deixou a garrafa a meio. Tirou as medidas à Simara que lhe sorriu. O homem segredou qualquer coisa ao ouvido da rapariga e saíram os dois porta fora.&lt;br /&gt;Não posso garantir mas acho que debaixo da gabardina e à transparência da camisa  grossa de flanela se conseguia ler no que restava do bicípite direito as palavras tatuadas, “amor de mãe Angola 1966”. Paguei a meia de leite e sai para a rua pensando com os meus botões: ali vai outro que fez a guerra sem matar ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113337405119367055?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113337405119367055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113337405119367055' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113337405119367055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113337405119367055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/11/prisiricolga.html' title='Prisiricolga'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113334792017243201</id><published>2005-11-30T10:48:00.000Z</published><updated>2005-11-30T14:46:07.340Z</updated><title type='text'>Capital europeia da Cultura</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/pessoa.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/pessoa.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa capital da cultura. Bares abertos a noite inteira. O bairro alto estava em frenesim. No início de 1994 o Bairro ainda não tinha sido tomado pelos putos do Erasmus e mais os gangs que vem alimentar-se de pequenos roubos aos turistas. O Bairro Alto ainda era o Bairro Alto.&lt;br /&gt;A propósito não sei bem de quê mas ligado com as comemorações de Lisboa capital da cultura, os bares tiveram ordem para ficar abertos 24 horas. A coisa foi em grande. Até a policia, que era sempre muito exigente e cumpridora fechou os olhos as passitas que se fumavam nas ruas.... Teatro de marionetas, musica , os primeiros malabaristas que vi a atirar coisas ao ar no largo Camões (na altura, o xapitô ainda não tinha sido politizado pelo bloco de esquerda), artistas sérios e reconhecidos a declamar na Rua da Rosa, a gorda do frágil de portas abertas e a deixar entrar toda a gente... enfim foi assim uma espécie de 25 de Abril na noite.&lt;br /&gt;Nesse fim de semana de inauguração da capital da cultura juntamos um grupo de suburbanos mais ou menos alfabetizados e seguimos todos para o bairro. Alguns de nós com interesses culturais, outros com interesses recreativos mas todos bem aprumadinhos e motivados. Foi bonito. &lt;br /&gt;O mais exuberante era o Luís que na altura ainda não era dependente mas que já tinha uns consumos um pouco excessivos de produtos colombianos. Levava o corpo pequeno e magro dentro de um fato macaco prateado, um casaco de peles de raposa, botas da tropa pintadas de amarelo e cabelo azul. A cereja no cimo do bolo eram as luzinhas de arvora de natal à volta do pescoço a acender e a apagar alimentadas por duas pilhas grades armazenadas dentro do casaco. Veio a meia hora do barco que separava Lisboa do Barreiro a tentar fazer a ligação das lâmpadas às pilhas.... finalmente conseguiu. &lt;br /&gt;No barco juntamo-nos a um grupo grande que já  tinha chegado à cave. Havia uma nuvem de fumo no ar e não era tabaco. &lt;br /&gt;Entre os que não fumavam mas bebiam estava o Batata que tinha trazido uma garrafa de whisky para despejar pelo caminho. Rapaz de poucas falas mas de grande alimento liquido era daqueles que tinha vindo exclusivamente para poder embebedar-se sem limite de tempo.&lt;br /&gt;Na baixa era a puta da confusão, os automóveis tinham não só invado o asfalto como tambem ja tinham saltado para cima dos passeios. Caos total no transito. Cafés e leitarias que habitualmente fecham às sete da tarde estavam ainda abertas às 11 da noite. &lt;br /&gt;Entramos numa pastelaria na baixa para bebermos qualquer coisita. O Pinguinhas, no seu ar descarado pede ao dono um iskeiro e começa a fazer um charro. O homem não gostou do abuso e pôs-nos a todos na rua. Nós não quisemos ir.  Chama a policia ou não chama a policia? Saímos a bem ou saem a mal? Saímos a bem. Como recordação do momento o  Batada trouxe duas garrafitas dentro do casaco. Uma de macieira que partilhou com a malta e mais uma de anis que ninguém consegui beber a não ser o próprio Batata. &lt;br /&gt;Subimos ao Chiado. Mais copos. Algumas meninas que vieram connosco quiseram tirar fotografias ao colo do Fernando Pessoa. Alguns dos rapazes tentaram as cavalitas do poeta. O Pinguinhas tirou uma fotografia que para a eternidade o vai mostrar a queimar haxixe no joelho do Pessoa.&lt;br /&gt;Seguimos viagem para cima. As ruas do bairro estavam a abarrotar. Três da manha hora de ponta. Multidão  compacta de gente bem disposta. &lt;br /&gt;Entramos em todos os bares e em todos os bares bebemos. Só pagamos no Arroz Doce porque a proprietária exigia  o dinheiro antes de nos servir. &lt;br /&gt;O Batata estava visivelmente bêbado. &lt;br /&gt;Nos três pastorinhos o Luís arrancou o espelho da casa de banho para cheirar coca. “O espelho na parede não dá jeito nenhum”. O dono do bar não gostou da resposta mas aceitou a justificação e evitou mais problemas. Viemos para a rua refrescar as ideias. &lt;br /&gt;Vindas não se sabe de onde apareceu um grupo de gajas estrangeiras com um garrafão de agua cheio de sangria.  Os mais sóbrios metemos conversa com as meninas inglesas  mais interessados nos rabos redondos e  na bebida do que nas caras sardentas. Conversa cordial e de circunstancia. Sorrisos e piadinhas em inglês que podiam dar a prever eventuais relações bilaterais luso britânicas de afoga-o-ganso rebimbómalho. O Batata quando vê o garrafão estraga os engates da malta. Feito bruto borrifa-se nos copinhos de plástico que as gajas delicadamente oferecem e emborca o garrafão para dentro. Na ânsia de beber até bocados de limão com casca engoliu. As bifas, chocadas fazem-se à estrada e  deixam o garrafão. Ao menos isso.&lt;br /&gt;Alguns, ficamos desiludidos... o Batata sentou-se no passeio a esvaziar o que restava da sangria.&lt;br /&gt;No rio de gente surge a Ana Salazar, que na altura era “a estilista”... Moda em Portugal era a Ana Salazar... Ainda não tinha desembarcado da Madeira a Fátima. O Zé da Guiné era só um rapazinho africano que se prostituía com senhores mais velhos e ainda não tinham aberto cabeleireiros onde sempre existiram tascas.&lt;br /&gt;Quando o Luís descobriu a Ana Salazar entre a multidão foi ter com ela a esbracejar  e a mostrar-se.&lt;br /&gt;-- Ò Ana Salazar, ó Ana, morde lá este cenário… curte só esta roupinha.... &lt;br /&gt;A Ana fingia que não ouvia e tentava esconder-se entre os amigos bem. &lt;br /&gt;-- Não te refundas, ó Ana , curte só esta roupinha, isto é que é cenário. Curte bacana  curte... Nem que te cagues toda lá no teu atelier consegues sacar um cenário com este sainete!!!&lt;br /&gt;A multidão fez uma roda onde o Luís rodopiava a meio mostrando a roupa. &lt;br /&gt;A Ana Salazar vestia de preto com uma mini-saia que deixava ver umas pernas magras mas na minha opinião bem torneadas. Meias de renda preta e a pele muito clara por baixo das meias. Os amigos da senhora estavam chocados e reviravam os olhinhos para cima naquele expressão que só os maricas sabem fazer quando estão enfastiados... A coisa durou apenas um segundo.&lt;br /&gt;O Batata levantou-se do chão para ver o que se estava a passar.  &lt;br /&gt;Na clareira de gente aberta na rua, o Luís era a estrela. A estilista conhecida era mera espectadora. Depois de se levantar o Batata cambaleou para a frente. Com o esforço de se ter de pé, a sangria, mais o anis, mais o wiskies e sabe-se-lá-mais-o-quê saíram em jorro da boca do pobre rapaz que não conseguiu conter o vómito.&lt;br /&gt;O Luís, habituado à dinâmica própria do subúrbio e com a cocaína a acelarar-lhe os reflexos rápidos conseguiu esquivar ao jacto que saiu da boca do Batata. &lt;br /&gt;A Ana Salazar, menos habituada, menos rápida e eventualmente menos cocada não se desviou a tempo e nas pernas ainda levou uns salpicos. &lt;br /&gt;Enojada e aproveitando a pausa na passagem de modelos do Luís a estilista voltou a desaparecer entre a multidão.&lt;br /&gt;Foi então que Luís se virou para o Batata e lhe disse:&lt;br /&gt;-- Foda-se Batata agora que eu estava prestes a ser contratado pela Ana Salazar é que estragaste a cena!!! Acabaste de fuder o inicio da carreira do maior estilista ibérico de todos os tempos.&lt;br /&gt;Nem eu, nem o Luís, nem o batata voltamos a ver a Ana Salazar.&lt;br /&gt;O Batata esta agora a viver na Alemanha. O Luís morreu no final do ano passado. &lt;br /&gt;Cá eu, sempre que  penso nessas coisas das modas e das capitais de cultura lembro-me das pernas ainda dentro do prazo da Ana Salazar salpicadas de sangria com digestão incompleta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113334792017243201?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113334792017243201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113334792017243201' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113334792017243201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113334792017243201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/11/capital-europeia-da-cultura.html' title='Capital europeia da Cultura'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113275160976113205</id><published>2005-11-23T13:12:00.000Z</published><updated>2005-11-23T17:56:26.906Z</updated><title type='text'>O militar no correio para o algarve</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/comboio%20noite.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/comboio%20noite.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Domingo à noite. Cheguei à estação já passava das onze e um quarto. O horário dizia que o comboio partia às vinte e três e vinte e dois. Corri para a bilheteira tropeçando nos turistas que encasulados nos sacos cama se preparavam para dormir. A mochila  ia cheia com alguns livros e pouca roupa. Era verão e o calor acentuava o cheiro a lodo da maré vazia. Na estação antiga do Barreiro os comboios partiam quase dentro de àgua.&lt;br /&gt;-- Para Tavira , segunda classe faz favor. &lt;br /&gt;Foi entrar no comboio e o apito soar.&lt;br /&gt;Agosto. O  Comboio correio. O meu comboio favorito. Quase nove horas de balanços e paragens em todas as estações e apeadeiros entre o Barreiro e Vila Real de Santo António. O amanhecer a chegar do lado de Espanha a modificar a cor do céu entre o preto e o amarelo. O nascer do sol de verão enquanto o comboio segue para o sul. Turistas de pé descalço, militares e bandidos à babugem. A loucura sobre trilhos de ferro. Liberdade patrocinada by CP. Estrada de ferro para o sul.&lt;br /&gt;Tinha 17 ou 18 anos e sentia-me livre. Os balanços do comboio a passar na escavadeira aumentaram o cambalear do meu andar etilizado. Quase caí por cima de três turistas australianas. Pareceu-me um bom sitio para cair... preparei a mochila. Uma das raparigas de mau humor desviou o saco para eu me sentar.  Uma bíblia protestante encadernada a preto a sair da mala de mão da mais velha fez-me mudar de ideias. Se não ia haver bacanal, ao menos que não houvesse catequese. Com este pensamento elevado segui entre as sacudidelas do comboio. &lt;br /&gt;Duas punks espanholas sorriram para mim. A mais simpática não tinha dentes à frente. Demasiado javardas pensei eu armado em snobe. Segui aos tombos pelo corredor.&lt;br /&gt;Na ultima carruagem parcamente iluminada um tipo fardado acenou para mim. Só metade das luzes da carruagem iam acesas.  Não me lembrava do gajo.&lt;br /&gt;-- Riki!!! Riki!!! Abanca aqui pá!!!&lt;br /&gt;Afinal conhecia vagamente o rapaz fardado. Morava três ruas abaixo da minha. Estava sentado sozinho num banco para duas pessoas. Tinha o saco verde da tropa debaixo das pernas e os pés calçados com as botas pretas obrigatórias que ocupavam o corredor. O banco frente estava livre. Atirei com a mochila para o banco desocupado.  Saltei por cima das botas do tropa e de uns alemães freaks que já se tinham deitado no corredor. Finalmente abancado. Descalço-me e deito-me por cima da mochila.&lt;br /&gt;Feitos os comprimentos habituais, percebi que o meu conhecido estava na tropa em Beja e que ia apresentar-se no quartel às seis da manhã. A conversa seguiu com as trivialidades comuns na oratória dos militares. Antes de chegarmos a Setúbal já estávamos a beber de uma garrafa de bagaço que o soldado tirou do saco. Demasiado simpático, demasiado delicado, pensei. Que se lixe,  o bagaço é bom.&lt;br /&gt;Continuei a beber. Para ser honesto estava a beber desde as 3 da tarde.  Ao nosso lado alemães sacaram de uma guitarra. O meu companheiro de viagem mandou os tipos irem tocar para longe. A farda intimidou os alemães que obedeceram. O Tropa continuou com as suas historias desinteressantes de proezas físicas e durezas pseudo-masculinas. &lt;br /&gt;As canções de protesto em alemão cantadas em sussurro, as historias da recruta , o bagaço e mais o balanço do comboio tudo junto é melhor que qualquer comprimido para dormir. &lt;br /&gt;Lembro-me que ainda pedi desculpa ao militar... mas que estava a cair de sono.&lt;br /&gt;-- Dorme um bocado que eu também vou dormir – disse o gajo na sua simpatia formal.&lt;br /&gt;Depois levantou-se e desmontando  plástico da carruagem conseguiu apagar a lâmpada que por cima de nós dava uma claridade amarela. Ficamos na penumbra quase completa. Com a escuridão interior as luzes do Alto Alentejo tornaram-se ainda mais brilhantes. &lt;br /&gt;Para me proteger do vento da noite que entrava fresco pelas janelas escancaradas tapei-me com o meu velho casaco de camurça. Verifiquei que a eterna carteira de cabadal continuava presa ao pescoço por baixo da t-shirt junto ao corpo.  Com a mão voltei a sentir dureza do aço da navalha que trazia no bolso das calças de ganga. Depois, quase imediatamente, adormeci profundamente.&lt;br /&gt;Sonhei. Sonhei com gajas. Sonhei com as australianas. Estavam vestidas com túnicas bancas numa especie de baptismo protestante. Eu estava nu. As túnicas molhadas pela agua de um rio calmo mostravam os corpos brancos à transparência. Riam para mim enquanto me davam banho. à nossa volta casais copulavam nas aguas tépidas. As australianas da primeira carruagem lavavam-me  a pila à vez. Um sonho real. Tremendamente real. Demasiado real.&lt;br /&gt;Entreabri os olhos e percebo que a mão que me mexe nas calças de ganga por cima da braguilha não é de uma australiana devota. Em vez de ser eu a perverter uma menina religiosa é um soldadito pervertido a querer perverter-me a mim!!!!&lt;br /&gt;Debaixo do corpo tenho quinhentas mil molas que me fazem saltar. Quase bato no teto.&lt;br /&gt;Grito bem alto : Foda-se!!!! &lt;br /&gt;Quésta merda ??!?!?! A minha voz soa no silencio da carruagem. &lt;br /&gt;Os alemães mandam-me calar. São cinco e trinta e seis.&lt;br /&gt;O soldado recolheu e mão debaixo do seu casaco verde. Bem a propósito , virou para mim o rabo e fingiu que estava a dormir. &lt;br /&gt;Não quero ficar ali nem mais um segundo. Meto o casaco na mochila, calço as sandálias à pressa e piro-me daquela carruagem. Antes de abancar no bar, vou mijar para me passar o inchaço. &lt;br /&gt;Mais calmo enquanto fumo um cigarro de pé encostado ao balcão oiço o empregado contar historias inverosímeis sobre caça. O revisor , um negro simpático também se juntou à festa. Pediu sagres e desmentiu sistematicamente todas as afirmações do caçador. Seguimos até Tavira a rir e a beber cerveja.&lt;br /&gt;O Algarve continuava igual a si. Quando chega Agosto, fica tudo cheio de bimbos e novos ricos a exibirem as férias como exibem as pulseiras de ouro, os carros e as roupas de marca. Tavira estava no mesmo sitio. Em mim, o sol da manhã limpou a ressaca da noite. Peixe assado em família. À tarde a ilha e a sua fauna. Libertárias holandesas, erva, amor livre, sangria e guitarradas na praia. Banhos de sol e mar. &lt;br /&gt;Não voltei a andar no comboio correio. &lt;br /&gt;Só anos mais tarde revi o ex-soldado que felizmente fingiu que não me conhecia.&lt;br /&gt;Nunca mais adormeci em comboios e desconfio sempre da simpatia dos militares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113275160976113205?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113275160976113205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113275160976113205' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113275160976113205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113275160976113205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/11/o-militar-no-correio-para-o-algarve.html' title='O militar no correio para o algarve'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113161507970681515</id><published>2005-11-10T09:30:00.000Z</published><updated>2005-11-10T09:40:25.526Z</updated><title type='text'>88 anos da revolução de Outubro que se comemora em Novembro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/lenin.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/lenin.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um aniversário da Revolução Russa de Outubro de 1917 é algo que vale a pena comemorar. Não por rotina burocrática ou nostalgia pela União Soviética brejneviana. Mas como momento de afirmação, de reflexão, de luta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurarei assim contribuir para as comemorações do 88º aniversário da Revolução de Outubro tentando rebater algumas opiniões que o director do jornal Público, José Manuel Fernandes (JMF), costuma emitir acerca da história do comunismo. E que constituem, creio, como que um paradigma da ignorância e dos mal-entendidos que persistem acerca desta história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consideremos, por exemplo, o editorial que JMF escreveu por ocasião do 10º aniversário da queda do Muro de Berlim. (1) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante o inequívoco falhanço do que chama de «socialismo real» que existiu na Europa de Leste, JMF admira-se muito com a «persistência e a longevidade» do ideal comunista, considerando-as mesmo um paradoxo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece ignorar que o comunismo tem raízes profundas. Nasceu, como já assinalava Milovan Djilas - um dos seus mais acérrimos críticos -, «da cultura ocidental, do judaísmo, do cristianismo, (...) dos filósofos utopistas. (...) este sonho de liberdade, igualdade e fraternidade faz parte da natureza humana». (2) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua persistência e longevidade são bastante naturais. Mas a admiração que despertam em JMF também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, pegando nas palavras do antigo dissidente soviético Boris Kagarlitski, «quanto mais vivas são as ideias de Marx, mais natural é o desejo de o enterrar. Ninguém se mexe para "enterrar" Hegel ou refutar Voltaire, porque é evidente, mesmo sem isso, que o hegelianismo e as ideias de Voltaire pertencem ao passado. As ideias dos filósofos antigos dissolveram-se nas teorias modernas. Isso não aconteceu com Marx. Nem pode acontecer, porque a sociedade que ele analisou, criticou e sonhou transformar ainda existe. O fim do marxismo só poderá ocorrer com o fim do capitalismo». (3) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que 120 anos depois de Marx, esse capitalismo evoluiu bastante, e permitiu grandes e inequívocos progressos. Mas não alterou a sua natureza geradora de profundas injustiças sociais, nem pôs fim à necessidade de as combater e superar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JMF admira-se também com a firmeza de convicções comunistas de milhões de pessoas, «mesmo quando já era impossível negar as práticas terríveis do socialismo real». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve efectivamente «práticas terríveis», absolutamente indesculpáveis e que não devem ser esquecidas. É chocante que tenham sido cometidas em nome de um ideal tão justo e generoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para compreender como foram possíveis - condição elementar para evitar que se repita algo de semelhante e para avançar no sentido de uma sociedade mais justa - é fundamental conhecer e respeitar a verdade (e a experiência) histórica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que ter em conta portanto que o chamado «socialismo real» de modo algum se reduziu a «práticas terríveis». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que realizações como a garantia de emprego, de educação, de cuidados de saúde gratuitos ou de habitação barata foram «práticas terríveis»? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O «socialismo real» que existiu na Europa para lá do Muro de Berlim não foi socialismo nem comunismo. Foi uma experiência que, em determinadas condições históricas, e em alguns aspectos fundamentais - nomeadamente ao nível da democracia política, das liberdades individuais e da racionalidade económica - contrariou o ideal e projecto comunista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esse afastamento contribuiu de um modo decisivo um fenómeno que se convencionou designar por estalinismo. Foi um caso extremo de abuso do poder, embora também sejam relevantes outras características, como concepções dogmáticas e sectárias, aparentemente marxistas, mas na verdade bastante estranhas ao pensamento marxista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em grande medida o problema de como facilmente o poder corrompe e se afasta do povo, de como é fácil abusar dele, e da falta de mecanismos democráticos para o prevenir e corrigir, que desviou de princípios essenciais e destruiu o «socialismo real». E isto num determinado contexto histórico, bastante propício a este tipo de situações, como era o colapso político, económico, social e militar da Rússia aquando da Revolução de Outubro. Ou como foi os constantes cerco e ameaça imperialista, desde a invasão nazi na 2ª Guerra Mundial à Guerra Fria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os abusos de poder não são exclusivo de nenhuma ideologia, de nenhum sistema político, de nenhuma classe ou época. Têm ocorrido e continuam a ocorrer, ao longo dos séculos até aos dias de hoje, em nome do comunismo, do liberalismo, do cristianismo, do islamismo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor remédio para os abusos de poder é a democracia. E a melhor forma de melhorar a prevenção de abusos de poder é melhorar a democracia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As «práticas terríveis» em nome do comunismo, referidas por JMF, acabam por ser um excelente exemplo, entre tantos outros, de como é pertinente o comunismo definido como "liberdade igualitária", assente numa concepção alargada dos direitos humanos fundamentais, da qual a liberdade é um elemento básico e central. Que aponta não só para a valorização e aprofundamento da democracia política, tanto na vertente representativa como na participativa, mas também da democracia económica, social e cultural: o poder económico tem que ser subordinado ao poder político - à cidadania -, tem que haver justiça social e igualdade de oportunidades, tem que ser para todos o direito ao emprego, à habitação, à educação, à saúde, à informação, e muitos mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JMF coloca uma questão incontornável: «porque é que mesmo homens inteligentes, cultos e sensíveis se negaram a ver, durante décadas, os crimes cometidos em nome do comunismo?». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora coloco outra: porque é que tantas pessoas, inteligentes, cultas e sensíveis, se negam a ver há décadas a colossal diferença entre as «práticas terríveis» em nome do comunismo e o comunismo propriamente dito, enquanto ideal, projecto e vontade de uma sociedade mais justas, onde, nos termos de Marx e Engels, «o livre desenvolvimento de cada um» seja «a condição para o livre desenvolvimento de todos»? (4) Bem como a variedade de concepções e práticas entre os movimentos políticos de algum modo identificados com o comunismo, desde a tirania estalinista ao comunismo libertário anarquista? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que para isso contribuiu o contraste, e simultaneamente a confusão, entre o comunismo e a sua suposta realização prática no chamado «socialismo real». Confusão que muitos adeptos do comunismo ainda hoje alimentam, nomeadamente com nostalgias em relação à União Soviética brejneviana ou acritismo em relação ao regime de Fidel Castro em Cuba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida também que os comunistas têm de insistir no sentido de tornar claro que não é no dogmatismo, em concepções sectárias ou num projecto autoritário e de limitações das liberdades que se situa a essência das suas concepções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à questão levantada por JMF: foi de facto um erro grave, e até chocante, mas que poderá ser compreensível, se tivermos em conta toda a história, se não a deturparmos, se não a reduzirmos a apenas alguns aspectos ignorando outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será possível então entender como se confudiram desejos com realidades, como muita coisa não se sabia, como muita coisa não se quis saber ou não se quis acreditar (e como muita coisa se aceitou e se fez), por sectarismo, no meio de muitas propagandas e de lutas difíceis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de sublinhar que a falta de objectividade ou mesmo a incapacidade de compreender a realidade do «socialismo real» de modo algum foi exclusivo dos comunistas - o que ficou bem espelhado na generalizada surpresa perante o seu desmoronamento tão rápido e relativamente pacífico. E posteriormente pela recuperação de popularidade e influência de antigos partidos ditos comunistas, profundamento renovados é certo. Muitos no sentido da social-democracia, outros nem por isso, como é, por exemplo, o caso do Partido Comunista da República Checa, que nas últimas eleições quase duplicou a sua votação, passando de 10% para 18,5% dos votos, ou do Partido Comunista da Moldávia, que regressou ao poder com maioria absoluta em 2001, maioria que renovou nas últimas eleições, no corrente ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atente-se por exemplo, na chamada "escola do totalitarismo", que dominou a "sovietologia" anglo-americana entre as décadas de 1940 e 60. Esta corrente científica, muito conveniente (e apoiada) entre a classe dominante no mundo ocidental, foi formada por historiadores, cientistas... pessoas certamente muito inteligentes, cultas e sensíveis. E que, com a sua visão deturpada e preconceituosa, influenciaram bastante a opinião pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um historiador norte-americano, Stephen Cohen, que a denuncia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- «obscureceu mais do que revelou» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- «reduziu a análise histórica à tese de uma inevitável continuidade do regime soviético, desprezando aspectos essenciais da história real - como confrontos entre tradições, alternativas, pontos de viragem e uma multiplicidade de contigências, causas e influências». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- «fixou a análise histórica na tese de um regime que impunha a sua natureza intrinsecamente totalitária a uma sociedade impotente e vitimizada, desvalorizando aspectos essenciais da política real - como a interacção de factores governamentais, históricos, sociais, culturais e económicos; como o confronto entre classes, instituições, grupos, gerações ideias e personalidades». (5) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JMF referiu ainda de modo caricatural, a confiança dos comunistas na História. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é certo é que a História mostra a humanidade em constante movimento e transformação; que muita coisa que parecia eterna - como agora poderá parecer o capitalismo ou a hegemonia dos Estados Unidos da América - deixou de existir; que muita coisa que aprecia impossível afinal aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é também certo que, como dizia o saudoso Luís Sá, «tudo está em aberto enquanto a solução dos problemas essenciais de um povo, dos povos europeus, da humanidade, estiverem em aberto. Há momentos em que a fase ascendente do ciclo capitalista e outros factores parecem deixar a maioria passiva, mesmo quando as desigualdades, os problemas ambientais e tantos outros, continuam escaldantes» , mas «os povos acabam sempre por explodir em luta nas ruas, nas empresas, nas escolas, um pouco por toda a parte». (6) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva a Revolução de Outubro, até hoje o maior abalo ao poder dominante no mundo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva Lenine&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(artigo roubado, copiado e pastado do Pravda!!!!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113161507970681515?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113161507970681515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113161507970681515' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113161507970681515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113161507970681515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/11/88-anos-da-revoluo-de-outubro-que-se.html' title='88 anos da revolução de Outubro que se comemora em Novembro'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113110660043591821</id><published>2005-11-04T12:14:00.000Z</published><updated>2005-11-04T12:16:40.466Z</updated><title type='text'>N'Zinga de Lisboa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/Catarina.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/Catarina.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apesar do nome do registo vir a ser outro, a minha filha já se chamava Ginga ainda antes de ser feita.&lt;br /&gt;Nasceu ontem dia 3 de Novembro de 2005 com 3,5 quilos. Mãe e filha estão bem.&lt;br /&gt;Eu também estou.&lt;br /&gt;A vitoria é certa!!!&lt;br /&gt;................................................................................................................................................................................................(Ginga é a versão aportuguesada de N'Zinga -- a grande  Rainha do Congo)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113110660043591821?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113110660043591821/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113110660043591821' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113110660043591821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113110660043591821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/11/nzinga-de-lisboa.html' title='N&apos;Zinga de Lisboa'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-113023205276607992</id><published>2005-10-25T10:18:00.000+01:00</published><updated>2005-10-25T17:15:47.530+01:00</updated><title type='text'>Rosa negra do Alabama</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/rosa%20parks2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/rosa%20parks2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje morreu a mais bela Rosa que alguma vez desabrochou no Alabama.&lt;br /&gt;Rosa Parks tornou-se conhecida em 1955 quando se recusou a ceder o seu lugar num autocarro a um homem branco.  Rosa vivia em Montgomery, no estado sulista do Alabama, e com a sua atitude de resistência despoletou um boicote aos transportes públicos por parte da comunidade negra. O movimento de resistência foi organizado pelo então desconhecido reverendo Martin Luther King Jr. O boicote aos transportes públicos durou 381 dias. Com a sua acção a Rosa conseguiu que um tribunal acabasse por decretar o fim da política segregacionista nos transportes públicos. Primeiro, em Montgmery, e posteriormente, com a adopção da Acta dos Direitos Civis, em 1964, no resto do país.&lt;br /&gt;Devido à sua atitude, Rosa Parks foi detida pela polícia e acabou por perder o emprego, obrigando-a a mudar-se, em 1957, para Detroit. Mas a semente estava lançada. Nunca mais os negros nos estados unidos viriam a ficar calados!!!&lt;br /&gt;Interessante também é contactar que uma sociedade onde o apartheid estava completamente institucionalizado se declarava “Mundo Livre” e se assumia, e assume defensora da liberdade..........................&lt;br /&gt;Outra lição a retirar da historia da Rosa é o papel da religião na coisa...&lt;br /&gt;Os estados unidos dos anos 50 eram uma sociedade completamente fechada. A esquerda era ilegal porque os partidos comunistas e socialistas  eram  ilegais e os seus militantes eram perseguidos e condenados. os trabalhadores estava completamente amordaçados por sindicatos controlados pelas máfias.  Os media propagandeavam paranóia anti-comunista. O FBI, persegui todos os intelectuais que optassem por pensar pela sua própria cabeça... Contudo, quando muitos querem nada se consegue opor à vontade colectiva... A arvora da liberdade haveria de despontar... e foram as congregações religiosas o génese da revolta e a emergência dos movimentos de luta e combate ao sistema.&lt;br /&gt;Interessante lembrar este papel da igreja protestante e lembrar que talvez não tenha sido só por acaso que grande parte dos lideres africanos tiveram uma formação religiosa da igreja protestante... Assim de rajada lembro-me já do Kenneth Kaunda na Zâmbia, do Nelson Mandela na Africa do Sul e do meu saudoso camarada do peito António Agostinho Neto de Angola... &lt;br /&gt;Nestes dias de furacões e tempestades que um vento benigno leve esta Rosa negra para junto do outros grandes homens e mulheres que em vida contribuíram na nossa luta contra a exploração do homem pelo homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-113023205276607992?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/113023205276607992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=113023205276607992' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113023205276607992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/113023205276607992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/10/rosa-negra-do-alabama.html' title='Rosa negra do Alabama'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112990967467684510</id><published>2005-10-21T16:44:00.000+01:00</published><updated>2005-10-21T20:19:32.030+01:00</updated><title type='text'>Conversa com o fantasma do Zé</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/foto%20do%20z.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/foto%20do%20z.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caro Camarada Zé&lt;br /&gt;Prometo que nos próximos tempos não volto a falar de politica.&lt;br /&gt;Mas tinha que desabafar com alguém. È esta puta desta sensação de vazio que me lixa...&lt;br /&gt;Vou tentar explicar.&lt;br /&gt;Quando o Lenine fez a revolução aí na Rússia, havíamos nós, os vermelhos, os bons, e haviam os outros, eles, os brancos os filhos da puta.&lt;br /&gt;Quando foi a guerra civil de Espanha, estávamos nós, os vermelhos, os bons, acompanhados de alguns amigos democráticos e haviam os outros, os franquistas, os fascistas os filhos da puta.&lt;br /&gt;Na segunda guerra mundial, idem, tu sabes, foste tu pai dos povos que venceste a guerra... &lt;br /&gt;Depois da segunda guerra a coisa ainda se tornou mais simples: haviamos nós os comunistas que tinhamos como missão preparar a sovietização do mundo. Era um trabalho titanico mas simples.&lt;br /&gt;Muito do que nós éramos, fomos em oposição ao que os outros eram e representaram. O corpo ideológico dos marxismos manteve-se cristalizado. A referencia para os comunistas do mundo era a união soviética. Este foi sempre o nosso lado.&lt;br /&gt;......... Eu sei Zé, que hoje temos Cuba. Mas Cuba é uma bandeira para nós… não é a referencia. &lt;br /&gt;Durante o século XX, a nossa luta politica, mesmo feita nas piores condições, e falo em ditaduras, perseguições, injustiças e clandestinidades, essa luta que produzia heróis, era no fundo uma luta simples orque justa. Éramos nós contra eles. Não púnhamos em duvida a nossa convicção nem as nossas ideias porque em tempo de guerra não se oleiam as espingardas… &lt;br /&gt;:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::&lt;br /&gt;E agora Zé? será que é altura de olear as espingardas? Os outros partidos comunista na europa bem se lixaram quando quiseram redefinir o marxismo europeu..... Achas camarada Zé que agora que voltamos a ter um lider forte  e carismático devemos olear as armas??? Será que nos falha a pontaria?..........&lt;br /&gt;Antes de disparar quero saber quem são e onde estão os outros. Achas que estou a se pequeno-burgues? &lt;br /&gt;Onde é que esta o inimigo?&lt;br /&gt;Em termos ideológicos não tenho duvidas. O inimigo é o capital onde quer que ele esteja. Ponto. Pronto. &lt;br /&gt;Na vida pratica é que me surgem as duvidas.&lt;br /&gt;O inimigo é o Pinto Balsemão e é o Vasco de Mello? E quem trabalha para eles? A secretária do Balsemão é minha inimiga? E o assessor de imagem do Cavaco Silva é caramente um inimigo? E o gajo que desenrolou a passadeira vermelha para o Cavaco passar?&lt;br /&gt;O meu inimigo é o Marques Mendes? e o Valentim Loureiroque não o suporta? &lt;br /&gt;Quem são os adversários dos comunistas portugueses? É o PS ou o PSD? &lt;br /&gt;E o bloco de esquerda?  Apesar de tudo o que dizem o bloco esta do lado de lá!!! Foi o bloco que nos roubou eleitorado... mas se calhar concordo mais com a analise histórica daquele que traiu o meu partido, o  Fernando Rosas do que com o Vasco Polido Valente. &lt;br /&gt;E o Sócrates?? É esse o meu inimigo?  &lt;br /&gt;O meu inimigo é o sistema. Então a Fátima Felgueiras está a fazer-nos um trabalho util na desconstrução do sistema... A Fátima Felgueiras é um inimiga do povo ou afinal é só uma gaja que anda a gamar?&lt;br /&gt;Será que o nosso adversário é a comunicação social? Também é... Será que o inimigo e a Manuela Moura Guedes?? E o Sousa Tavares???&lt;br /&gt;Onde é que se esconde o inimigo?&lt;br /&gt;Será que o inimigo se esconde nos andares de cima dos prédios dos bancos? "O nosso inimigo é o administrador" não te soa a slogan de esquerdalho???&lt;br /&gt;O nosso inimigo é a bolsa de valores? São os yupies correctores que andam engravatados a passearem fatos à medida? &lt;br /&gt;Serão os chineses e a sua super produção de tudo e mais alguma coisa a preços de arrazar com a industria europeia... são estes os nossos inimigos? (desculpa vir-te falar nos chineses!!!!)&lt;br /&gt;Serão nossos inimigos os trabalhadores chineses que bulem 10 horas por dia em troca de um pires de arroz? Ou os empresários vietnamitas que vivem numa pequena oficina e metem a família toda a produzir tampas para as garrafas de coca-cola que o Chile importa?&lt;br /&gt;O inimigo dos comunistas são os proprietários rurais argentinos? Ou é o Mac Donald’s? A miúda que trabalho no Mac Donald’s para poder comprar roupa de marca é minha inimiga?&lt;br /&gt;Onde é que se escondem os outros?&lt;br /&gt;Para os meus camaradas de Angola nos quase últimos 30 anos de guerra o inimigo escondia-se na  mata e estava ao serviço do Aparthaid da Afirca do Sul e dos Estados Unidos.... era a Unita, os kuatchas, os bandido. E agora? Quem é o inimigo? São os estados unidos que compram petróleo a Angola ou é a Zâmbia (país irmão do camarada Kaunda que) que lucra com os diamantes ilegais?&lt;br /&gt;O inimigo são os judeus de wall street e os judeus que ocupam a palestina. E os pilotos da força aérea de Israel que se recusaram a fazer bombardeamentos, também são o nosso inimigo? &lt;br /&gt;::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::&lt;br /&gt;O inimigo é esta gripe dos papo-secos que nos prende o cu ao sofá e os cornos aos sonhos do ter. O inimigo é esta vontade de acumular como se a vida fosse coisa que dure muito tempo. O inimigo é fazer planos individuais em vez de viver o presente como individuo e planificar o futuro como espécie. O inimigo é não sermos como as formigas !!!!&lt;br /&gt;O verdadeiro inimigo é o marasmo que toma conta da gente. O inimigo é esta preguiça mental que nos faz ficar imbecis de comando na mão a fazer zaping. O inimigo é o Castelo Branco e a Teresa Guilherme. O inimigo é o comando da televisão. O inimigo é a preguiça clínica que nos prende os movimentos e o raciocínio. O inimigo é a babilónia onde vivemos. O inimigo é escolher de dois males o mal menor. O inimigo é a democracia. È ter de optar entre o traidor ao partido Manuel Alegre ou o traidor ao povo português Mario Soares. O inimigo é a propriedade privada e o dinheiro. &lt;br /&gt;Por falar em dinheiro,  ainda bem que recebo na segunda porque já tenho o Mercedes a entrar na reserva...&lt;br /&gt;::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::&lt;br /&gt;até ja camarada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112990967467684510?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112990967467684510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112990967467684510' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112990967467684510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112990967467684510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/10/conversa-com-o-fantasma-do-z.html' title='Conversa com o fantasma do Zé'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112930951951089138</id><published>2005-10-14T18:04:00.000+01:00</published><updated>2005-10-14T18:10:07.176+01:00</updated><title type='text'>Venezuela si!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/Hugo%20Chavez.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/Hugo%20Chavez.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao longo destes últimos anos a luta que o povo venezuelano tem feito à ordem estabelecida  na exploração do petróleo pelos americanos tem sido sistematicamente calada. A propósito da Venezuela muitas mentiras e inverdades têm sido ditas. Os media falam pouco da Venezuela e muito do pouco que falam é mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há varias razões para esta incompetência mediática:&lt;br /&gt;A primeira e principal razão da má informação é porque em Portugal compramos as noticias em segunda mão aos gigantes mediáticos americanos, que vendem a verdade parcial passada pelo crivo de uma censura oficiosa.&lt;br /&gt;Outra forma de fazer noticias sobre a Venezuela é copiar o que os órgãos de informação local divulgam. Acontece que os órgãos de informação locais são controlados pela oligarquia do petróleo, a classe dominante nos últimos 50 anos...logo t~em uma verdade muito parcial.&lt;br /&gt;Há ainda as organizações de comunicação mais ricas e bem intencionados que se dão ao trabalho de enviar alguem a Caracas... e qual é a primeira coisa que um jornalista português faz nos estrangeiro? – vai procurar a comunidade portuguesa, neste caso é uma péssima ideia porque a comunidade portuguesa na Venezuela é dos sectores mais conservadores e reaccionários que conta ainda com alguns dos empresários fugidos ao 25 de Abril. (lembram-se dos portugueses que na africa do sul defendiam o aprtaid?? – estão ao mesmo nível , salvo raríssimas e honrosas excepções!!!) Toda esta gente critica o Hugo Chavez e acusam o homem que saiu da prisão para ser eleito presidente da republica de ser um ditador.&lt;br /&gt;Por todas estas razão estamos mal informados.&lt;br /&gt;A comunicação social em Portugal, ignora ou faz por ignorar que o presidente Hugo Chavez nos últimos cinco anos, ganhou nas urnas oito eleições democráticas, duas destas eleições com a presença de observadores internacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a historia da incompetência dos nossos jornalistas em relação ao que acontece na Venezuela e ao “caso Hugo Chavez”&lt;br /&gt;Mas a coisa não fica por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Publico e o Diário de Noticias estão há duas semanas numa campanha de desinformação onde o unico governo do mundo democraticamente eleito oito vezes em cinco anos é de novo e consecutivamente achincalhado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste vez é a propósito de um português que foi apanhado com algumas centenas de quilos de cocaína e que tentava sair do país num avião privado.&lt;br /&gt;O que é que aconteceu ? Prendeu-se preventivamente o traficante e apreendeu-se o avião. Tal como em qualquer outro país civilizado.&lt;br /&gt;Acontece que o individuo detido pertence a um lobie poderoso em Portugal. O inocente traficante é do lobie dos pilotos e os senhores aviadores começaram a mexer os cordelinhos.... Devem ter pago uns jantares a alguns directores de jornais e a coisa lá se arranjou...&lt;br /&gt;Como os senhores que trabalham nos jornais às vezes também fazem uns biscastes como assessores nos ministérios tudo se foi arranjando. Deve ter aparecido um tipo que se fez voluntário e conseguiu meter começou a cunha no Negócios Estrangeiros...&lt;br /&gt;Mas não chegou...&lt;br /&gt;Os aviadores pensarem: ainda temos o Sampaio... quem é que conhecemos na Casa da Presidência da Republica, não há ninguém da Força Aérea, gente do nosso tempo??? E lá se encontrou um marechal com recordações de recruta partilhadas com um dos pilotos que conhece alguém que é amigo do outro que...&lt;br /&gt;Todos sabemos que é assim que em Portugal as coisas funcionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Embaixador da Venezuela já se manifestou e já disse quem em Portugal há cerca de 50 venezuelanos em prisão preventiva por trafico de droga e mais 300 a cumprir pena pelo mesmo crime... Os senhores jornalistas não percebem a mensagem e continuam a apontar para a casa dos outros quando o nosso rei anda sempre nu. &lt;br /&gt;Lamentável não termos uma atitude digna... já nem falo numa atitude solidária com o governo da Venezuela... gostava só que Portugal tivesse uma atitude digna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos ver como é que o Sr. Presidente da Republica se comporta na conferencia de Salamanca... esperemos que (só) desta vez o Jorge Sampaio se lembre de quem o elegeu e não de quem lhe mete as cunhas... Pode ser que o Presidente Sampaio tenha uma posição firme em relação ao final do embargo a Cuba e que fique caladinho e assobie disfarçando quando se falar de extradições de detidos Haja esperança&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112930951951089138?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112930951951089138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112930951951089138' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112930951951089138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112930951951089138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/10/venezuela-si.html' title='Venezuela si!!!'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112895267268071498</id><published>2005-10-10T14:48:00.000+01:00</published><updated>2005-10-10T15:19:30.416+01:00</updated><title type='text'>Sobre a vitória da CDU no Barreiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/tres%20camaradas1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/tres%20camaradas1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem o Carlos Humberto dedicou a vitoria da CDU no Barreiro aos comunistas que caíram nas nossas fileiras nos ultimatos 4 anos. Especificou:&lt;br /&gt;“à minha mulher (Lurdes), ao Luís de Carvalho e ao Virgílio.”&lt;br /&gt;Da Lurdes, lembro-me de vê-la na câmara do Barreiro e de ser a companheira do Carlos Humberto. As referencias que tenho dela são por isso através de outros. Comunistas e não comunistas todos ressaltam a sua honestidade e integridade total de quem era a responsável financeira da Barrinde e que sabia quanto tinha custado cada prego e quantas lâmpadas tinha sobrado do ano passado. Acompanhei de longe a esclerose múltipla que a levou. Vi a força do carácter dos filhos e do marido a assistir a tudo sem nada poderem fazer a não ser dar  amor. Depois da dor vi o Carlos Humberto ainda mais convicto e ainda mais empenhado na luta. Nestes últimos tempo em que convivi com o Carlos Humberto quase diariamente, nunca o ouvi falar na mulher até ontem à noite quando no discurso eufórico para os milhares de comunistas presentes lhe dedicou esta vitoria........................................................&lt;br /&gt;Do Luís de Carvalho lembro-me melhor.  Comunista convicto elemento destacado da elite intelectual do Barreiro. Era presença constante em todos os eventos culturais do Barreiro.  Recordo-me também do Luís de Carvalho porque era amigo do meu pai ( era do mesmo ano) e de como me chamou uma tarde num encontro da JCP tinha eu uns 16 anos e me disse: -- olhá lá pá tu não és filho do .... és tal e qual a cara dele... lembro-me de ter ficado intimidado e orgulhoso do meu pai e de mim porque de um camarada daquele destaque ter vindo falar comigo.... Mais tarde na sede distrital do PCP em Setúbal e com uma dos comunicados que eu tinha escrevinhado na mão lembro de me ter vindo felicitar -- fiquei tão vaidoso que ainda tenho la em casa o papel. Recordo ainda as  conversas tecnicista sobre judo que o Luís de Carvalho tinha com o meu mestre, é que o Luís foi um judoca excelente e um dos primeiros cintos negros do Barreiro. No ano em que o cancro o assassinou fui ao funeral do Luís e do seu filho João também meu amigo e camarada que uns meses depois se despistou na estrada no Meco na pressa de ir ter com o pai..................................................&lt;br /&gt;Do Virgílio  foi aquele de quem fui mais próximo. O Virgílio era uma camarada também da geração do Luís de Carvalho e do Carlos Humberto e que sempre foi funcionário do PCP. Foi da geração de jovens comunistas que fizeram o 25 de Abril, militante ainda no fascismo mas com um trabalho desenvolvido sobretudo em democracia. Conheci-o quando eu era repórter do Avante, no final dos anos 80 inicio dos anos 90. O trabalhamos juntos em Setúbal. Morreu no ano passado e eu só tive conhecimento disso há três semanas.  &lt;br /&gt;O Virgílio era gago e por isso nas reuniões falava muito pouco. Mas quando falava todos nós nos calávamos para ouvir a sua analise sempre pertinente e apurada. Era  de uma inteligência de gelo e diamante e as suas intervenções cortavam como um bisturi a direito todas as meias verdades. Quando o Virgílio começava a gaguejar para intervir todos nós, camarada mais novos e mais velhos ficamos em expectativa porque sabíamos que o Virgílio não era homem para falar por falar. Profundo conhecedor do materialismo dialéctico tinha a capacidade e a inteligência de adaptar o marxismo às questões mais simples do dia-a-dia. Sempre afável e delicado conseguia pôr-nos o dedo na ferida com uma frontalidade tal que todos ficávamos desarmados perante tal acuidade intelectual.&lt;br /&gt;Quando no inicio deste ano o Carlos Humberto me disse que era o candidato da CDU à câmara do Barreiro e me chamou para trabalhar, claro que fiquei orgulhoso contente e motivado. Quando já em plena campanha a minha camarada P me disse que o Virgílio tinha morrido fiquei chocado. Fiquei triste de ja não podermos contar com o Virgílio. Acima de tudo fiquei decepcionado comigo mesmo por não ter ido ao funeral daquele homem e senti-me em divida com a sua memoria.  Porque sou convictamente comunista fiquei ainda mais empenhado na nossa luta e por ele procurei com trabalho, dedicação e empenho esta vitoria.&lt;br /&gt;O povo do Barreiro votou e todos os comunistas ficamos contentes. Vivos e mortos. &lt;br /&gt;Tenho a certeza que o Virgílio lá onde ele estiver com o seu eterno cigarro na mão, está muito calado a analisar os resultados das eleições.  Na célula lá do céu dos comunistas do Barreiro, que ele tratou de organizar, quando a euforia dos camaradas acalmar, o Virgílio vai falar e vai demonstrar a toda a gente que afinal a vitoria não foi assim tão grande como isso e que ainda há muita coisa para fazer, que o nosso maior inimigo são os nossos próprios defeitos e que a nossa luta é permanente e sem descanso. Depois vão-se distribuir tarefas e o Virgílio vai escolher ficar com aqueles que dão mais trabalho e menos protagonismo... e vai cumprir com o planificado. ....................................................................&lt;br /&gt;Eu que não pertenço à cepa do Virgílio, cá por baixo faço a festa com o meu camadas vivos e acho que o mais difícil já foi...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112895267268071498?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112895267268071498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112895267268071498' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112895267268071498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112895267268071498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/10/sobre-vitria-da-cdu-no-barreiro.html' title='Sobre a vitória da CDU no Barreiro'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112868068809412600</id><published>2005-10-07T11:23:00.000+01:00</published><updated>2005-10-07T17:46:39.526+01:00</updated><title type='text'>O Sá da Bandeira, a Preta Fernanda e um Milagre no Cais do Sodré</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/Preta%20Fernanda1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/Preta%20Fernanda1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao lado do mercado da ribeira está um jardim quadrado chamado Praça D luís I. É um espaço relvado com algumas palmeiras e onde os pombos cagam num homem de pedra fardado de General. Quem se der ao trabalho de ler a placa percebe que o bacano é nem mais nem menos que o Marques de Sá da Bandeira. Com a sua perna de pau e um estandarte na mão ali fica o dia todo a olhar para o sul e ver partir os comboios para Cascais. Aos pés do marques está um leão adormecido e a figura da Liberdade meio despida com um bebé ao colo. Mais ao sul, passando o Tejo, o Alentejo, o mar Atalntico e o Equador, está outra estatua  do mesmo gajo. Desta outra estátua do mesmo Marquês de Sá da Bandeira resta apenas um corpo decapitado (e muito bem). Na febre nacionalista de 1975 o marquês perdeu a cabeça mas o corpo mutilado continua  no jardim Hodji Aohuenda no Lubango, cidadezinha do interior cujo o nome colonial foi Sá da Bandeira. Em Angola, mais mutilado menos mutilado, não faz diferença.&lt;br /&gt;A cidade de Lubango teve o nome do gajo que ainda hoje tem estátua em Lisboa porque o senhor Sá da Bandeira foi um acérrimo defensor da causa colonial. Na opinião deste militar tornado marquês, o caminho do desenvolvimento português passava por Africa. O homem conheceu Angola e Moçambique e ficou impressionado com o potencial. Mas fez as contas e percebeu que faltava mão de obra...no inicio do século XIX Angola estava despovoada por três séculos sucessivos de raptos como negocio. Depois de muito pensar e de se comparar com o ingleses  o Sá da Bandeira achou que se devia proibir o trafico de escravos. Mais por razões económicas do que por razões humanitárias, o marques foi um abolicionista convicto. Uns tempos depois deste gajo ter baicado, quando o Brasil era já independente e não interessava à coroa continuar com o comercio de escravos, aprovaram a lei que acabava com a escravatura oficial e fizeram um estatua ao homem.&lt;br /&gt;E o que é que esta conversa de José Hermano Saraiva de subúrbio tem haver com o milagre.&lt;br /&gt;Já lá vamos....................................................................................&lt;br /&gt;Antes vou falar-vos da Preta Fernanda.&lt;br /&gt;Chama-se Fernanda e foi prostituta em Lisboa no inicio do Século XX. Digo “chama-se” e não “chamava-se” porque ainda hoje passo por ela todos os dias. Todos os dias, duas vezes por dia levanto minha cabeça para lhe tirar as medidas.&lt;br /&gt;Esta Fernanda do Vale, nasceu em Cabo-verde em 1862 e morreu já na republica. Negra, muito bela e instruída, foi amante de metade da Lisboa intelectual do virar do século. Parece que ficou viúva muito cedo, ainda com menos de vinte anos. Sozinha e sem recursos numa cidade longínqua pôs o corpinho a render. E que corpinho. Viveu com artistas e fez a cama com ministros. Vestiu-se de oudalisca e dançou para principes. A cavalo lidou touros em Cascais. O Eça levava a Preta Fernanda para os camarotes do Teatro Trindade para provocar a má lingua das damas de sociedade e dos jornalistas do bairro alto. Dizem que cantava o fado ao piano e que com uma navalha na mão ninguém se chegava ao pé dela. Num País que era paisagem e numa Lisboa que era o Chiado ficaram famosos os escândalos da Preta Fernanda. &lt;br /&gt;Depois do ultimato ingles e da captura do Gongonhana o nacionalismo colonialista estava em alta e decidiram fazer uma estátua ao marques de Sá da Bandeira mesmo ao lado do recem inaugorado Mercado da Ribeira. O escultor designado pelo ministério para fazer a obra, um  artista efemero -- como todos os autores de regime, andava enamorado pela Preta Fernanda e muito naturalmente escolheu a escultural negra como modelo para a figura da Liberdade. Com grilhões nos pés e um criança nos braços esta Liberdade de bronze mostra um peito perfeito e uma boca com uns lábios carnudos que marcam bem a sua origem africana. Sempre que passo à frente da Preta Fernanda dou por mim a admirar-lhe o mamalhal........................................................................&lt;br /&gt;E agora o  Milagre:&lt;br /&gt;O Cais do Sodré já não é o que era. Eu que ando por aqui e  bem vejo como as coisas mudaram.&lt;br /&gt;As tabernas estão fechadas ou transformadas em pastelarias. As casas de penhores desaparecerem e deram lugar aos Cash converters. O Xangerilá tem as portas entaipadas. O Jamaica esta cheio de intelectuais do bloco de esquerda. O Texas já foi tomado pelas ucranianas. As putas toxicodependentes morreram todas. Os chineses abriram bazares. Onde havia lojas de aparelhagem marítima agora estão bares para gente séria. Enfim ... isto está uma desolação.&lt;br /&gt;Mas os milagres acontecem.&lt;br /&gt;Hoje, cedinho de manhã, enquanto caminhava apressado ainda meio etilizado de cerveja e emoções do comício da noite, cruzei-me com uma senhora grande que nos seus 50 anos e com hálito de grogue me disse:&lt;br /&gt;-- anda cá fofinho que eu faço-te tudo....&lt;br /&gt;Não sou pessoa de ligar a putas bebedas mas através do reflexo da montra da mercearia percebi quem era.  Voltei-me e encarei a mulher de frente. Nos seus quarenta e muitos, negra de seios grandes e mini-saia de lantejoulas, tinha os olhos amarelos daqueles que ainda não dormiram. Na mão uma garrafa de agua das pequenas  com aguardente de cana la dentro. Ali ficamos uns segundos olhos nos olhos: eu e a Preta Fernanda. Foi ela quem quebrou o silencio:&lt;br /&gt;-- então filho, vamos para a pensão?&lt;br /&gt;Como estava atrasado para o escritório recusei o convite dizendo que tinha uma espera de touros lá para o campo grande. Ela deitou a cabeça para trás numa gargalhada e eu segui o meu caminho desviando-me das tipoias e das cavalgaduras.&lt;br /&gt;Agora digam lá que os milagres não acontecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112868068809412600?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112868068809412600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112868068809412600' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112868068809412600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112868068809412600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/10/o-s-da-bandeira-preta-fernanda-e-um.html' title='O Sá da Bandeira, a Preta Fernanda e um Milagre no Cais do Sodré'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112784078517490129</id><published>2005-09-27T18:06:00.000+01:00</published><updated>2005-09-27T18:12:48.150+01:00</updated><title type='text'>Foi há 62 anos e aconteceu na minha terra</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/greves%20de%20431.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/greves%20de%20431.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)A agitação tende a agravar-se num crescendo. 1941, 1942 e, finalmente, 1943, o Verão quente de 1943. As carências agravam-se, não apenas no âmbito das subsistências mas também no que concerne às matérias primas necessárias ao desenvolvimento da indústria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do congelamento de salários, dos preços extravagantes praticados no mercado negro, do açambarcamento, do favoritismo nas filas de racionamento, observa-se agora o despedimento de muitos trabalhadores ou, a redução do horário laboral destes, motivado pela falta de matérias primas, o que irá agudizar ainda mais a questão salarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, e após reorganização levada a cabo a partir de 1940/41, o &lt;strong&gt;Partido Comunista Português&lt;/strong&gt; torna-se a unica força da oposição, ganhando cada vez uma maior influência entre os trabalhadores, em parte também justificada pelo papel desempenhado pela Rússia no desenrolar do conflito.&lt;br /&gt;Aliada a estes factores, a destituição de Mussolini pelo Rei a 25 de Julho de 1943.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o início do fim do regime fascista em Itália e nasce a esperança da destituição dos regimes totalitários vigentes na Europa, complementada com a inversão da iniciativa bélica na Frente Leste, com clamorosas derrotas para as forças do Eixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, e embora toda uma série de contestações anteriores, das paragens pontuais no trabalho, das greves de Novembro em 1941 e de Outubro/Novembro de 1942, só em Julho/Agosto de 1943 estarão implantadas as condições para que o movimento grevista ganhe uma maior amplitude, sobretudo em Lisboa e na margem sul do Tejo, com particular destaque para a vila do Barreiro, importante centro fabril nacional que, embora já anteriormente palco da contestação ao regime de Salazar, só a partir de 1943 conquistará um papel fundamental na história da resistência ao fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, e desde 27 de Julho de 1943, dia em que as fábricas da CUF aderiram à greve iniciada no dia anterior em Lisboa, a repressão sobre os habitantes da Vila seria uma constantes, o medo a sua própria sombra, mas a capacidade de resistência uma verdade inquestionável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112784078517490129?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112784078517490129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112784078517490129' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112784078517490129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112784078517490129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/09/foi-h-62-anos-e-aconteceu-na-minha.html' title='Foi há 62 anos e aconteceu na minha terra'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112722716244862507</id><published>2005-09-20T15:35:00.000+01:00</published><updated>2005-09-21T13:58:50.513+01:00</updated><title type='text'>Em Alburrica</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/machos%20l%3F%3F%20de%20casa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/machos%20l%3F%3F%20de%20casa.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No moinho de Alburrica estão os tres gajos lá de casa.&lt;br /&gt;Da esquerda para a direita: o puto, eu e o Mandela.&lt;br /&gt;( a qualidade da imagem está uma merda mas digam lá que a fotografa não fez um excelente trabalho com um telemóvel!!!)&lt;br /&gt;Obrigado R.Granel!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112722716244862507?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112722716244862507/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112722716244862507' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112722716244862507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112722716244862507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/09/em-alburrica.html' title='Em Alburrica'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112722671382870390</id><published>2005-09-20T15:28:00.000+01:00</published><updated>2005-09-21T14:00:49.430+01:00</updated><title type='text'>No tejo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/o%20c%3F%3Fo%20eu%20e%20o%20o%20caracol.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/o%20c%3F%3Fo%20eu%20e%20o%20o%20caracol.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Barreiro “perdeu” cerca de 30 mil habitantes nos últimos 10 anos. &lt;br /&gt;Muitas das fábricas fecharam. &lt;br /&gt;Cada vez menos pessoas trabalham no Barreiro. Cada vez menos pessoas vivem no Barreiro.&lt;br /&gt;Neste cenário de desolação uma única vantagem sobressai.. o Tejo vai menos poluído agora do que há vinte anos atrás. Quando eu era criança e fazia provas de natação até às bóias dos barcos da CP havia muito mais descargas poluentes e muito mais merda no rio...&lt;br /&gt;Agora o rio vai mais lavado. Há mais e melhor peixe: robalos e corvinas gigantes, chocos, alforrecas, safios e dizem que de vez em quando vão aparecendo golfinhos...&lt;br /&gt;No domingo estava sol e por isso o meu filho levou-me a passear com o cão para que a Blimunda pudesse dormir a sesta. &lt;br /&gt;Junto ao rio, encontramos o Tórelato e a R Granel. Como a maré estava cheia eu e o Tó não resistimos e lembrando as infâncias acabamos  por ir ao banho. &lt;br /&gt;Ali mesmo junto aos barcos que fazem a travessia para Lisboa.&lt;br /&gt;Foi bom.&lt;br /&gt;O meu filho cortou-se ao mergulho porque para ele a agua estava suja e não queria ter de dar explicações pormenorizadas à mãe quando chegasse a casa...(quem sou eu para o criticar... ainda me lembro do mau génio presistente da mãe dele... porra!!!)&lt;br /&gt;A R Granel, tentou convencer o marido a desistir... quando viu que era escusado limitou-se a tirar-nos fotografias...&lt;br /&gt;A Blimunda na inocência do repouso da grávida,  ignorava as aventuras deste naufrago e a única coisa que exigiu foi um duche assim que cheguei a casa.&lt;br /&gt;O meu fiel Mandela acompanhou-nos corajosamente.&lt;br /&gt;Ficou a vontade de na próxima trazermos as pranchas  para apanhar as ondas dos barcos da Transtejo!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112722671382870390?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112722671382870390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112722671382870390' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112722671382870390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112722671382870390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/09/no-tejo.html' title='No tejo'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112662998927466255</id><published>2005-09-13T17:45:00.000+01:00</published><updated>2005-09-13T18:33:22.556+01:00</updated><title type='text'>As Guerras Mentem</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/coltan.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/coltan.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Galeano, um inteligente escritor do Uruguai escreveu este texto que não quero deixar de partilhar convosco: ................................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As guerras dizem que ocorrem por nobres razões: a segurança internacional, a dignidade nacional, a democracia, a liberdade, a ordem, o mandato da civilização ou a vontade de Deus. &lt;br /&gt;Nenhuma tem a honestidade de confessar: "Eu mato para roubar".&lt;br /&gt;___________&lt;br /&gt;Não menos de três milhões de civis morreram no Congo ao longo da guerra de quatro anos que está em suspenso desde fins de 2002. &lt;br /&gt;Morreram pelo coltan, mas nem eles sabiam disso. O coltan é um mineral raro, e o seu nome estranho designa a mistura de dois minerais raros chamados columbita e tantalita. Pouco ou nada valia o coltan, até que se descobriu que era imprescindível para a fabricação de telefones celulares, naves espaciais, computadores e mísseis; passou então a ser mais caro que o ouro. &lt;br /&gt;Quase todas as reservas conhecidas de coltan estão nas areias do Congo. Há mais de quarenta anos, Patrício Lumumba foi sacrificado num altar de ouro e diamantes. Seu país torna a matá-lo a cada dia. O Congo, país paupérrimo, é riquíssimo em minerais, e esse presente da natureza continua a converter-se em maldição da história.&lt;br /&gt;___________&lt;br /&gt;Os africanos chamam o petróleo de "merda do Diabo". &lt;br /&gt;Em 1978 descobriu-se petróleo no sul do Sudão. Sete anos depois, sabe-se que as reservas chegam a mais do dobro, e a maior quantidade jaz no oeste do país, na região de Darfur. &lt;br /&gt;Ali ocorreu recentemente, e continua a ocorrer, outra matança. Muitos camponeses negros, dois milhões segundo algumas estimativas, fugiram ou sucumbiram, a bala, a facão ou a fome, com a passagem das milícias árabes que o governo apoia com tanques e helicópteros. &lt;br /&gt;Esta guerra disfarça-se de conflito étnico e religioso entre os pastores árabes, islâmicos, e os labregos negros, cristãos e animistas. Mas acontece que as aldeias incendiadas e os cultivos arrasados estavam onde começam a estar agora as torres petroleiras que perfuram a terra.&lt;br /&gt;___________&lt;br /&gt;A negação da evidência, injustamente atribuída aos bêbados, é o mais notório costume do presidente do planeta, que graças a Deus não bebe nem uma gota. &lt;br /&gt;Ele continua a afirmar, um dia sim e outro também, que a sua guerra do Iraque nada tem a ver com o petróleo. &lt;br /&gt;"Enganaram-nos ocultando informação sistematicamente", escrevia a partir do Iraque, por volta de 1920, um tal Lawrence da Arábia: "O povo da Inglaterra foi levado à Mesopotâmia para cair numa armadilha da qual será difícil sair com dignidade e com honra". &lt;br /&gt;Sei que a história não se repete; mas às vezes duvido.&lt;br /&gt;____________&lt;br /&gt;E a obsessão contra Chávez? Nada tem a ver com o petróleo da Venezuela esta frenética campanha que ameaça matar, em nome da democracia, o ditador que ganhou nove eleições limpas? &lt;br /&gt;E os contínuos gritos de alarma com o perigo nuclear iraniano, nada têm a ver com o facto de o Irão conter uma das reservas de gás mais ricas do mundo? E se não é assim, como se explica isso do perigo nuclear? Foi o Irão o país que despejou as bombas nucleares sobre a população civil de Hiroshima e Nagasaki?&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;A empresa Bechtel, com sede na Califórnia, havia recebido em concessão, por 40 anos, as águas de Cochabamba. Toda a água, incluindo a água das chuvas. Nem bem se instalou, triplicou as tarifas. Explodiu um motim, e a empresa teve de ir embora da Bolívia. &lt;br /&gt;O presidente Bush apiedou-se da expulsada, e consolou-a concedendo-lhe a água do Iraque. &lt;br /&gt;Muito generoso da sua parte. O Iraque não só é digno de aniquilação pela sua fabulosa riqueza petrolífera: este país, regado por o Tegre e pelo Eufrates, também merece o pior porque é a mais rica fonte de água doce de todo o Médio Oriente.&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;O mundo está sedento. Os venenos químicos apodrecem os rios e as secas exterminam-nos, a sociedade de consumo consume cada vez más agua, a água é cada vez menos potável e cada vez mais escassa. Todos dizem isso, todos sabem: as guerras do petróleo serão, amanhã, guerras da água. &lt;br /&gt;Na realidade, as guerras da água já estão a verificar-se. &lt;br /&gt;São guerras de conquista, mas os invasores não lançam bombas nem desembarcam tropas. Viajam vestidos como civis estes tecnocratas internacionais que submetem os países pobres a estado de sitio e exigem privatização ou morte. Suas armas, mortíferos instrumentos de extorsão e de castigo, não fazem volume nem provocam ruído. &lt;br /&gt;O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, dois dentes da mesma pinça, impuseram, nestes últimos anos, a privatização da água em 16 países pobres. Entre eles, alguns dos mais pobres do mundo, como Benim, Níger, Moçambique, Ruanda, Yemen, Tanzania, Camerúm, Honduras, Nicarágua… O argumento era irrefutável: ou entregam a água ou não haverá clemência com a dívida nem empréstimos novos. &lt;br /&gt;Os peritos também tiveram a paciência de explicar que não faziam isso para desmantelar soberanias e sim para ajudar a modernização dos países afundados no atraso pela ineficiência do Estado. E se as contas dá água privatizada tornavam-se impagáveis para a maioria da população, tanto melhor: para ver se assim finalmente despertava sua vontade adormecida de trabalho e de superação pessoal.&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;Na democracia, quem manda? Os funcionários internacionais das altas finanças, votados por ninguém? &lt;br /&gt;Em fins de Outubro do ano passado, um plebiscito decidiu o destino da água no Uruguai. A grande maioria da população votou, por esmagadora maioria, confirmando que a água é um serviço público e um direito de todos. &lt;br /&gt;Foi uma vitória da democracia contra a tradição de impotência, que nos ensina sermos incapazes de administrar, nem a água nem nada; e contra a má fama da propriedade pública, desprestigiada pelos políticos que a utilizaram e maltrataram como se o que é de todos fosse de ninguém. &lt;br /&gt;O plebiscito do Uruguai não teve nenhuma repercussão internacional. Os grandes meios de comunicação não se inteiraram desta batalha da guerra da água  , perdida pelos que sempre ganham; e o exemplo não contagiou nenhum país do mundo. Este foi o primeiro plebiscito da água e até agora, que se saiba, foi também o último.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112662998927466255?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112662998927466255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112662998927466255' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112662998927466255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112662998927466255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/09/as-guerras-mentem.html' title='As Guerras Mentem'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112619399593911185</id><published>2005-09-08T16:38:00.000+01:00</published><updated>2005-09-09T09:44:13.936+01:00</updated><title type='text'>O pai dos filhos do Mobutu</title><content type='html'>A tasca continua sebosa e com serradura no chão. Foi há oito anos mas lembro-me bem. Estava calor lá fora  e na sombra fresca do interior sabia-me bem estar a beber cerveja e pensar na vida. Frequentava o bairro por razões pessoais que agora não interessam. Branco e sozinho era chamariz para as putas e para todos os tipos artistas da banhada. Um bêbedo mais persistente puxou da cadeira e preparava-se para se sentar na minha mesa. Era um homem enorme e velho mas não tinha maldade nos olhos. Achei-o inofensivo.&lt;br /&gt;-- Tu sabe quem é o Mobuto Sese Seko? Eu conhece bem ele. Se quer que lhe conte a verdade mesmo, paga uma cerveja.&lt;br /&gt;O velho bêbado prosseguiu entre as gargalhadas  do patrão da tasca que gozava o prato do “este-ja-enganou-outro”... fingi que não ouvia o velho.&lt;br /&gt;-- Eu não sou o Mobutu.. Mais sou o pai de todos os filhos do presidente Mobuto. (pausa e soluço cambaleado para a frente) come que pode? Pode porque pode e é verdade. Eu vai lhe contar só já logo logo.&lt;br /&gt;Se há coisas a que tenho dificuldade em resistir, uma boa conversa de bar é uma delas... como tinha ainda algum guito no bolso pedi mais duas cervejas:&lt;br /&gt;-- Dá mais uma para mim e outra aqui para este mais-velho!!&lt;br /&gt;A cerveja chegou à mesa e em silencio pegamos nas garrafas geladas. Quando olhei o velho pela primeira vez pareceu-me sujo e esfomeado. Erro no diagnóstico... afinal o homem tinha era sede. Percebi isso pela forma como emborcou a média inteira num só golo. Uma verdadeira goela de pato.&lt;br /&gt;Como não sou gajo de me ficar atrás , também eu emborquei a minha cerveja. Já meio grogue do calor das duas da tarde, disparei:&lt;br /&gt;--- Então tu és o soba Mobuto? Deves estar disfarçado de bêbado... muito prazer, eu sou o Patrice Lumumba disfarçado de branco e ali o cantanhó atrás do balcão é o Techombé disfarçado de taberneiro.&lt;br /&gt;--- O quê?? Você não me acreditas? Pois podes acreditar mesmo. O pai dos filhos do presidente Mobuto é o mesmo pai do meus filhos que é eu mesmo na minha pessoa!!! Feitinhos todo por mim Diamantino da Purificação, nome de casa Gigantiau. Filho negro de pai branco em mãe preta. Pai português merceeiro e mãe preta terceira esposa. Nascido em Lisala. (soluço)&lt;br /&gt;Tu sabe onde é Lisala? É a terra mesmo do presidente Mobuto terra do Congo. Sou mais novo que o Mobotu sete anos e conheço ele desde que conheço eu mesmo.&lt;br /&gt;Percebi que a conversa podia ser ainda mais interessante se fosse mais molhada. Mandei vir mais duas. Ao mais-velho e dei-lhe corda para falar:&lt;br /&gt;-- Pronto está bem. Você é da terra do Mobuto mas isso não faz de si pai dos filhos dele.. como é que a coisa aconteceu?&lt;br /&gt;-- então?? Tu não sabe que o Mobuto tem doença no pilão? Falta força nele para cobrir mulher e por isso não pode faz filhos. Ele com trinta anos já força não tinha mesmo. Quando percebeu doença que tinha os bruxo disseram que não tinha cura. Se quer filho vai procurar quem conhece que fode forte. Só assim pode para engravidar as esposa dele... Como o Mobuto conhecia eu desde que nasci e sabe que eu desde canuquinho tem saúde e força muita para fudê mandou chamar eu.  Eu foi e nós fez trabalho com bruxo.&lt;br /&gt;Eu vai dizer-te: eu e Mobuto fizemos segredo juramento com terra dos mortos mais velhos. Teve de jurar que não falava nem eu nem ele pra ninguém mesmo.  Então fiquei viver no palácio dele.  Tinha falta de mais nada porque o Presidente dava tudo pra mim.&lt;br /&gt;-- E agora ficaste bêbado e sem tesão e o gajo pôs-te a andar... – cortei eu , para ter um bocadinho de descanso nos ouvidos.&lt;br /&gt;-- Negativo Camarada. Negativo. O Presidente Mobutu só rompeu o trato porque arranjou amante do Catanga cheia de maldade dentro do peito e também bruxa.&lt;br /&gt;O silencio voltou a cair dentro do tasco. Na rua passavam camiões levantando poeira. Ficamos calados a ouvir as moscas a fritar na resistência azul durante uns segundos. Pedi mais duas ao cabo-verdiano.&lt;br /&gt;-- Eu conta-te tudo porque presidente desfez a jura. Eu sempre cobri as duas esposa e as três amantes dele com força certo. Todos os anos enchia elas cinco com filhos feito por eu. Filho homem crescido tem 18 e mulher crescida tem 12. Não conta os que morreram pequeno nem os netos porque é muitos. &lt;br /&gt;Então presidente Mobutu arranjou amante para fazer politica.  Arranjou amante parente de falecido Tchombén e queria que eu engravidasse ela para reforçar a aliança com a gente do Catanga. Só que a mulher amante do presidente tinha doença forte dentro do barriga e criança que eu punho lá dentro não agarra!!! Então presidente levou mulher nos médicos brancos e nada. Levou na magia e nada. Todos disseram-lhe o mesmo:  que a doença é na barriga do mulher. Então eu disse nele: Querido presidente, porque você não mata essa mulher que barriga não cresce  e faz desaparecer ela no tanque de acido que ferve sem fogo? &lt;br /&gt;O presidente não gostou que eu falasse no tanque do acido que ferve sem fogo e mandou os segurança baterem em eu.  Como Gigantiau não gosta de apanhar vim embora nesse dia e tenho andado sempre sempre só no mundo.&lt;br /&gt;O taberneiro, ja também ele interessado na conversa, perguntou:&lt;br /&gt;-- Olhe lá mais-velho, depois o Mobutu não mandou dar-te caça e apanhar?&lt;br /&gt;-- Não porque ele sabe que fica doente e morre se eu morre. Nós dois  está ligado por magia muito forte. Magia da Nigéria.&lt;br /&gt;Pedi mais duas , meti uns trocos nas mãos do velho e saí para o calor e para a minha vida. Não liguei mais para o pai dos filhos do Mobuto. &lt;br /&gt;Semanas mais tarde estava reunida uma multidão à porta da tasca do cabo-verdiano. Um camião parado e um corpo com farrapos imóvel no chão. Está morto. Assim deitado no chão ainda parecia maior. O motorista do camião disse que não teve hipóteses de parar. Os populares concordaram. Estava completamente bêbado, diziam.&lt;br /&gt;Fiz o que tinha a fazer no bairro, fui para casa e não pensei mais no velho. &lt;br /&gt;No dia seguinte de manhã a RDP Africa anunciava que o Mobutu Sese Seko tinha morrido nessa noite vitima de cancro na prostata.&lt;br /&gt;Isto aconteceu em Setembro de 1997 e estava um calor do caraças. Assim como hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112619399593911185?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112619399593911185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112619399593911185' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112619399593911185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112619399593911185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/09/o-pai-dos-filhos-do-mobutu.html' title='O pai dos filhos do Mobutu'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112608320879273566</id><published>2005-09-07T09:52:00.000+01:00</published><updated>2005-09-07T11:07:00.966+01:00</updated><title type='text'>Grande Verão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/surfista%20blog.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/surfista%20blog.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ser puto e fugir de casa pela hora do calor enquanto os meus avós dormiam a sesta. Abria cuidadosamente a porta que dava para o beco e com os outros rapazes lá da rua íamos para a lota . Completamente vazia aquela hora a sacar a agua do mar e o sangue do peixe sobre o sol das duas da tarde... Roubávamos caixas enormes de esferovite ainda sujas de escamas e com as nossas navalhas de crianças –lobos-do-mar  recortávamos pranchas de surf. Já pela tarde dentro quando finalmente tínhamos ordem de correr para a praia  montávamos o esferovite nas ondas do levante. Só saía dentro de agua para ver chegar os barcos da pesca. À noite comíamos farturas. Foi a idade do ouro.&lt;br /&gt;Depois veio a adolescência e os verões nunca mais souberam ao mesmo. Com a vida adulta o problema agravou-se: um gajo vai de féria e volta sempre mais cansado do que quando as férias começam...&lt;br /&gt;Este verão foi diferente.&lt;br /&gt;Para ser honesto não fiz nada de especial. O trabalho obrigava-me a ter férias em Agosto. A gravidez da minha companheira impôs-nos algumas limitação.  Nada de grandes viagens de carro nem viagens de avião. Tivemos de optar por coisas simples: praia/mar família, amigos e peixinho!!!&lt;br /&gt;(Longe vão os tempos de sexo drogas e rock e role no litoral alentejano...)&lt;br /&gt;Neste verão voltei a tentar fazer surf. Acampei com o meu filho de 9 anos que me permitiu dormir num mar de champô derramado dentro da tenda. Alguns amigos vestiram um o fato de surf ao puto e meteram-lhe uma long board nas unhas... para compensar ensinaram-lhe tudo quanto é caralhada rebuscada e a cuspir entre os dentes da frente. &lt;br /&gt;Tive jantares a dois apaixonados ao luar da Andaluzia.&lt;br /&gt;Fiz almoços e jantares com a família.&lt;br /&gt;Fiz o que de melhor um homem pode fazer na vida. Fui apanhar conquilhas com Fala-grosso com a Ana e mais o cão Elias. &lt;br /&gt;Voltei a comer no Primo Xico com amigos do peito.  Estive nas Musicas do Mundo. Nadei em piscinas e no Tejo.&lt;br /&gt;Nadei no mar da  Costa, da Fonte da Telha, do Meco, da Caldeira, de Tróia, da Comporta, do Carvalhal, de Melides, de Porto-Covo, do Malhão, de Vila Nova, da Zambujeira, da Meia-Praia, do Alvor, da ilha de Tavira e da Manta-Routa. Comi bifanas ao pequeno almoço na praça de Setúbal e depois fui apanhar lingueirão com o Tórelato. Matei mosquitos com o  Krinas na ilha. À distancia acompanhei a viagem da minha irmã e do meu cunhado para lá do Atlas. Partilhei discursos políticos e receitas de marisco com a R Granel. Voltei a mergulhar na luta do partido desta vez nas autárquicas.  &lt;br /&gt;Fui à Beira Baixa  bebi e opinei sobre vinhos e bagaceiras caseiras.&lt;br /&gt;Estive na festa do avante,&lt;br /&gt;Em fins de tarde eternos acendi o lume e cozinhei caldeiradas partilhadas em tribo. Puxei as redes e comi o peixe.&lt;br /&gt;Comprei um carro com 20 anos. Comprei uma edição rara do Opus Pistorum do Henri Miller por mil paus.&lt;br /&gt;Este verão é dos que ficam.&lt;br /&gt;Desde os tempos remotos da minha infância que não tinha um verão tão feliz. &lt;br /&gt;Parece que o país ardeu entretanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112608320879273566?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112608320879273566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112608320879273566' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112608320879273566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112608320879273566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/09/grande-vero.html' title='Grande Verão'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112446057609871819</id><published>2005-08-19T15:09:00.000+01:00</published><updated>2005-08-19T15:12:50.256+01:00</updated><title type='text'>tá bonito tá!!!</title><content type='html'>Mau!!!&lt;br /&gt;Arrependido da javardeira que ia neste nosso espaço blogueiro, decidi fazer uma posta assim a dar para o sério. Sem cocó, nem ranheta nem facada. Sem historias de vomito, de merda de bebedeira e de ganza.&lt;br /&gt;Sem ofensas a intrusos nem fotografias de merda.&lt;br /&gt;Puxei pelos poucos neurónios que me restam. Motivado pelas postas da CM e da Miss Caipira e falei do machismo. A coisa aparentemente funcionou. &lt;br /&gt;Começou um dialogo onde por momentos aconteceu uma troca de opiniões. Funcionou por pouco tempo.&lt;br /&gt;Pela primeira e única vez que o dialogo nesta casa virtual  aqui estava a dignificar o espaço; pimba catrapus, aparece logo alguém a trazer a conversação para os seus padrões habituais... &lt;br /&gt;Caraças deve ser sina.&lt;br /&gt;O que mais me espantou foi a natureza do comentador...Falo-vos da ultima pessoa que se podia esperar... Quem haveria de dizer!! que ia imaginar que fosse a própria Balzakiana que tão educados e eruditos comentários tem feito neste blog, fosse a primeira a fazer descambar o paleio ...&lt;br /&gt;Logo a Balzakiana...  &lt;br /&gt;Quando contabilizo as caralhadas que me saem em chorrilho e me imponho uma auto- censura... penso na Balzakiana. &lt;br /&gt;Se por vezes decido controlar o vernáculo e fazer subir o nível. Digo para mim mesmo: “atenção ao autorrino que a Balzakiana às vezes também lê isto!!!! Coitada da senhora... parece ser tão educada e não tem culpa do teu português de docas e balcão de taberna....&lt;br /&gt;Pois imaginem a minha surpresa e decepção!!!!&lt;br /&gt;Como vai ser agora????&lt;br /&gt;Se é a própria Balzakiana a vir falar em rabetagem e em tampões metidos no parreco das bichonas....Se é a própria senhora a levantar estes temas tão vis e ultrajantes uma pergunta surge:&lt;br /&gt;O que vai ser deste blog!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só falta o Zé da Penalva vir dizer que os erro de hórtográfia não tem puto de importância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112446057609871819?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112446057609871819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112446057609871819' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112446057609871819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112446057609871819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/t-bonito-t_19.html' title='tá bonito tá!!!'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112444314845617471</id><published>2005-08-19T10:17:00.000+01:00</published><updated>2005-08-19T10:19:08.473+01:00</updated><title type='text'>O machismo</title><content type='html'>A PROPOSITO DE DUAS POSTAS QUE LI &lt;br /&gt;http://www.poucosozinho.blogspot.com/&lt;br /&gt;http://penahavaiana.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O machismo não é só culpa das mãezinhas. O machismo esta perfeitamente marcado na pressão social e na socialização a que os bebes que nascem com pila estão sujeitos.&lt;br /&gt;Aos meninos oferecem-se automóveis em ponto pequeno e às meninas oferecem-se bonecas.&lt;br /&gt;Eu tenho um filho. Dentro de uns dois meses tenho também uma filha e não sei como hei-de fazer...&lt;br /&gt;Isto de nascer homem não é fácil. Ao meninos é-lhes sempre exigido tanta coisa que os homens têm tendência a tornarem-se inseguros. Os homens por serem naturalmente inseguros precisam de muito amor. Precisamos de amor das mães, das mulheres, das amantes, das colegas, das amigas, das desconhecidas. Um homem inseguro é uma esponja de amor e todos os homens são mais ou menos inseguros.&lt;br /&gt;Ontem quando jantava com uma velha amiga de adolescência comparávamos o despertar sexual e ela falava-me em masturbações secretas, subtis e privadas em frente aos Duranduran e doutros que vinham na Bravo. Eu que sou da mesma idade recordo as masturbações “à vez” ou colectivas com revistas porno em que uma mesma gaja vestida de cabedal aviava três manos de bigode todos com marsapos tipo bracinhos de bebé!!!! Que diferença... e somos da mesma idade, do mesmo bairro e da mesma condição social.... &lt;br /&gt;Talvez as coisas tenham mudado na forma. Mas não acredito que tenham mudado no conteúdo.&lt;br /&gt;Aos meninos é-lhes ensinado a serem competitivos. Os meninos comparam sempre os tamanhos. O tamanho do pai. O tamanho do brinquedo. O tamanho dos pêlos das pernas. O tamanho do pirilau. O tamanho da mota. O tamanho do charro. O tamanho da guitarra. O tamanho do carro. O tamanho da conta bancária. O tamanho das mamas da amante. A lista continua interminável.&lt;br /&gt;Os meninos aprendem a ser agressivos uns com outros. Em tempos dei aulas de judo e a primeira coisa que os putos queriam aprender assim que subiam ao tatami era a espetarem com os outros putos no chão. Os pais inscrevem os meninos no judo porque ouviram dizer que as artes marciais fazem bem aos putos... os putos vão para as artes marciais para aprenderem a malhar nos outros!&lt;br /&gt;Outro problema que ser homem tem é termos de aprender a lidar com a sensibilidade. Ao meninos ensinam que não os homens não choram. A sensibilidade é para gajas. Por isso os meninos têm dificuldade me lidar com as emoções. Quando  ficam tristes embebedam-se e armam porrada na tasca ou (os mais covardes) batem nas mulheres... mas não choram. &lt;br /&gt;Ligado ao factor competição está o sucesso. Aos meninos ensinam que é sucesso ter muito qualquer coisa. Ter muitos brinquedos. Ter muitas cicatrizes nas pernas. Ter muitos golos marcados. Ter muitos valores nas pautas. Ter muitas namoradas. Outra vez a lista é interminável. Os ídolos para muitos meninos são os futebolistas que têm muito dinheiro e namoram com gajas sempre boas e pouco vestidas. Os meninos crescem a pensar que o sucesso se mede em gajas e dinheiro. Como os meninos são competitivos comparam o volume de dinheiro e o numero de gajas.&lt;br /&gt;Aos meninos é-lhe sempre exigido muito. È preciso serem os melhores no desporto e na escola. No salão de jogos e ao volante do carro. É preciso ser o melhor na briga da rua e em performance sexual. &lt;br /&gt;Os meninos crescem mas muitos continuam a ser meninos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui entram as meninas. Só aqui entram as meninas.  Nas relações com as meninas os meninos também têm um papel muito definido . Ao meninos é-lhes exigido que sejam simultaneamente sedutores, protectores e gestores de conflitos. É suposto amar, respeitar e tratar de igual para igual.... tratar de igual para igual é a parte mais complicada.&lt;br /&gt;Como a socialização e o sistema de ensino continua a ser sexista, os meninos não vêm as meninas como iguais a si: “Com as mulheres é diferente” – ensinam-nos isso desde pequenos. Agora temos de aprender o contrário??? É complicado aprender novos modelos de comportamento... principalmente aos meninos a quem é exigido uma forma tão rígida de comportamento e transgressão.&lt;br /&gt;As meninas também são culpadas. São educadas como meninas e quando se dá a inevitável  emancipação do estigma de serem meninas querem (legitimamente) passar à categoria de seres humanos. O drama é que as meninas não querem perder o privilégio de continuar a serem meninas. As meninas também querem ter sucesso mesurável em cifrões e promoções mas acreditam que uma ida ao cabeleireiro vai mudar a sua vida. Pretendem ser administradoras de empresas, aprendem a ser agressivas como os piores meninos e ficam à espera que se lhes abra a porta para passarem.  Querem ter tomates de aço nas mesa de negociações mas são coquetes e acham natural que fiquemos à espera enquanto vão retocar a maquilhagem. São directas e praticas e frontais como os homens devem ser e de repente desfazem-se em lágrimas por causa da tensão pré menstrual. Exigem serem tratadas como seres humanos de iguais direitos e depois esperma serem seduzidas à luz da lua. Querem poder discutir de igual para igual a escolha do mecânico e ficam ofendida se um tipo dá um peido sonoro!!!!&lt;br /&gt;Claro que os meninos ficam confundidos... e quando os meninos ficam confundidos naturalmente falam das suas vantagens: o meu pirilau é grande, ganho muito dinheiro, tenho muitas namoradas, bato nos outros todos, peido-me mais alto... Tudo isto por insegurança.&lt;br /&gt;As meninas quando são inteligentes detestam a exibição da boçalidade. Como são seres humanos compreendem a fragilidade do outro. Como são mulheres amuam. &lt;br /&gt;É o drama do desencontro.&lt;br /&gt;Como dizia o Vinicius. “ a vida é  arte do encontro” e como todas as artes também esta deve ser feita com criatividade engenho e amor. Às vezes é difícil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112444314845617471?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112444314845617471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112444314845617471' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112444314845617471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112444314845617471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/o-machismo.html' title='O machismo'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112414523625507213</id><published>2005-08-15T23:31:00.000+01:00</published><updated>2005-08-15T23:33:56.266+01:00</updated><title type='text'>Ezequiel, Luisa, Liliana e todos os outros intrusos...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/merda.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/merda.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;VÃO COMENTAR A PUTA QUE VOS PARIU.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112414523625507213?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112414523625507213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112414523625507213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/ezequiel-luisa-liliana-e-todos-os.html' title='Ezequiel, Luisa, Liliana e todos os outros intrusos...'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112384859510888036</id><published>2005-08-12T13:09:00.000+01:00</published><updated>2005-08-13T00:51:09.120+01:00</updated><title type='text'>O juiz molhado em Kenitra (com abraços para os "marroquinos")</title><content type='html'>Trinta km a norte de Rabat fica Kenitra. Esta é uma daquelas cidades da costa atlântica de Marrocos onde tudo nos é familiar e simultaneamente desconhecido. Muitas coisas funcionam como em Portugal outras nem por isso. &lt;br /&gt;No tempo do  Rei Hassan II era assim em Kenitra: industria conserveira e toda a vida da vila girava à volta do peixe. Pequeno comercio. Turismo incipiente. Pequena burguesia provinciana a sonhar com Paris. Inlectuais da oposição a tomar café com os notáveis e vigiados de perto pela policia politica.  Divertimentos? O jokey club com corridas de cavalos e o bordel. Toda a gente se conhece. Entre as pessoas importantes da terra contam-se o juiz, o medico e presidente da câmara.  &lt;br /&gt;Aconteceu-me que por obra e graça deste meu fado retorcido, quando estive em Kenitra fui como convidado do  Sr. Veterinário lá do sitio.&lt;br /&gt;Marrocos conseguiu durante a guerra fria, por artes magicas da negociação magrebina manter-se de boas relações com os dois mundos. Assim enquanto reprimia a frente Polisário na Mauritânia com o apoio dos americanos, continuava a enviar jovens para se formarem nas escolas soviéticas.  &lt;br /&gt;Entre estes estudantes marroquinos estava um tipo de Kenitra chamado Rami que estudou na união soviética com uma portuguesa.  A portuguesa de que vos falo foi minha companheira de viagem e também se formou nas escola da medicina veterinária onde se juntavam os estudantes "internacionalistas". &lt;br /&gt;Mal chegamos a Kenitra procuramos pelo Rami que fomos encontrar às voltas com o parto de uma égua de competição. Depois dos apertos profissionais e do stress e da magia do parto, o  Rami recebeu-nos de braços abertos e mostrou-nos que a hospitalidade dos árabes não é tanga de filme americano.&lt;br /&gt;Logo nessa noite levou-nos para  jantar. Fomos ter com o juiz lá do sitio que também tinha estudado na URSS. No jantar falava-se russo e francês, português entre os portugueses e árabe entre os marroquinos. Comemos peixe frito empurrado por um tinto marroquino. Vinho completamente clandestino amadurecido em talhas de barro. (Próximo do vinho alentejano de areia. Próximo do vinho produzido na prisão de Pinheiro da Cruz.) &lt;br /&gt;O Juiz pedia em segredo ao empregado o vinho que sendo de venda ilegal naquele restaurante nos era trazido em garrafas plásticas da coca-cola. &lt;br /&gt;Depois do jantar e de termos bebido uma duas garrafas de litro e meio da coca-cola marroquina, foi-nos comunicado primeiro em russo e depois em francês: &lt;br /&gt;-- Agora vamos às putas!!!&lt;br /&gt;A minha companheira de viagem protestou, mas o Rami esclareceu logo.&lt;br /&gt;-- Vamos ao cabaret Moskva, é o único sitio que esta aberto a esta hora... O dono é um velhote argelino completamente comunista que se desentendeu lá com os camaradas da Argélia e viva aqui desde os anos 70.&lt;br /&gt;-- Vamos embora que o gajo serve cerveja, whisky e pode ser que tenha haxixe para vocês provarem o que é o verdadeiro haxixe... na Europa só se fuma esterco de camelo!!!&lt;br /&gt;A argumentação do Juiz convenceu-me. E como não restavam alternativas lá fomos.&lt;br /&gt;A contrastar com o resto da cidade silenciosa e apagada, no fundo da praia estava um barracão enorme que se podia confundir com a lota não fosse a animação do parque de estacionamento. Vários Mercedes velhinhos, alguns renaults e um jipe branco da policia. O projector que iluminava um letreiro escrito em árabe e em francês: Bien Venu au Cabaret Maskvá!!&lt;br /&gt;À porta um porteiro enorme ria em cavaqueira com três policias fardados de castanho. Quando chegamos os bófias pararam com os risos e em sentido como na parada fizeram continência ao nosso amigo juiz. O porteiro abriu-nos a porta interessado na gorja que o Rami lhe enfiou nas unhas.&lt;br /&gt;Lá dentro fomos recebidos pelo “Patron”. Um velho magrinho com mais de setenta anos.  Olhos pequeninos e vermelhos e aperto de mão demasiado forte para um velho daquela idade. O Rami apresentou-nos como uns camaradas em  transito que não queriam deixar de o vir cumprimentar. Usou o termo russo para camarada, tavarich .&lt;br /&gt;Os olhos do velho brilharam ainda mais.&lt;br /&gt;O Rami esclareceu que éramos comunistas portugueses que vinham numa viagem oficiosa a Marrocos e que não podíamos falar mais dos nossos objectivos.&lt;br /&gt;O velho abriu os braços e no seu russo “à preto” pediu:&lt;br /&gt;--- Dêem-me a honra de serem meus convidados esta noite.  Venho já a seguir.&lt;br /&gt;Quando o Patron virou as costas ficamos plantados no meio do salão. Cheirava a fumo e a suor. Nas mesas baixas havia garrafas de cerveja americana e coca-cola. Num pequeno palco no canto oposto à porta uma orquestra de metais e cordas tocava aquela musica hipnótica magrebina a que vulgarmente chamamos árabe. Iluminadas pelos projectores quatro mulheres dançavam com muitos véus e pouca roupa. Abanavam os rabos e as cabeças fazendo esvoaçar os cabelos negros. A assistência batia palmas e delirava. &lt;br /&gt;Segundos depois de nos ter abandonado o Patron voltou a surgir atrás das cortinas do palco. A um gesto seu a orquestra calou-se e as bailarinas pararam. Silencio na sala. Lá de cima do palco o velho discursou em árabe para a assistência de cavalheiros.  Protestos generalizados. Mais palavras em árabe. Todas as cabeças voltadas para nós. Silencio. Mais protestos. Os nossos amigos marroquinos sorriem à volta. Todas as luzes da sala se acenderam e os clientes lá se vão levantando e saindo. &lt;br /&gt;Só quando a sala ficou vazio, o Rami explicou:&lt;br /&gt;-- O Patron mandou sair toda a gente para fazer uma festa só para nós.&lt;br /&gt;Claro que ficamos estupefactos... que não que não valia a pena. O velho não deu hipoteses a discussões. &lt;br /&gt;-- Que comece a festa!!! as bailarinas voltaram asubir ao palco e os musicos voltaram ao sue xinfrim. Festa é festa... Podem ter a certeza que o velho não deixou os créditos por mãos alheias.&lt;br /&gt;O Patron foi um dos primeiros argelinos a estudar na escola Lenin em Moscovo. Ainda antes da guerra. Durante a ocupação alemã participou na resistência e assim que a guerra acabou começou logo a trabalhar na causa anti-colonialista. Soube isto tudo da boca do próprio. Estava radiante o homem por ter alguém com quem falar de politica e internacionalismo.  &lt;br /&gt;Em cima da mesa apareceram garrafas geladinhas de asti. Em geral não bebo espumosos mas naquela noite quente souberam-me bem. Havia whisky e gelo.&lt;br /&gt;Mais politica.  Indochina francesa e Ho Chi Min. Mas espumante italiano.  Um dos empregados trouxe uma caixa de lata de onde tirou uma conjunto de peças que montadas resultaram num cachimbo de agua.&lt;br /&gt;Patrice Lumunba e a traição e o homicídio. El Che no Congo. Do francês passamos para o espanhol, também ele língua franca, agora com sotaque com caribenho. A situação na Nicarágua. Os padres e a revolução na Guatemala.&lt;br /&gt;Alguém “carrega” o cachimbo com um haxixe que cheira intenso a feno e a flores.  “Do caso argelino, prefiro não falar camarada” dito isto aplica-se à boquilha do cachimbo e nem parece ter setenta e seis anos.  À volta da cabeça do velho há uma nuvem de fumo. A seguir sou eu. &lt;br /&gt;O Velho está contente por ter com quem falar sobre o papel do PC na resistência francesa. Eu estou completamente bêbado e pedrado. Levanto-me para ir mijar e o labirinto das mesinhas baixas junto ao chão parece-me interminável. Finalmente consigo chegar à porta da casa de banho. &lt;br /&gt;Retretes turcas. Abro a porta e vomito. Nem sequer tive tempo de olhar lá para dentro. A minha boca escancarada vomitou todos os peixinhos fritos que nadavam num mar de álcoois variados. &lt;br /&gt;Dessa noite recordo ainda o ar espantado do juiz que estava  de cocaras a cagar e levou com o meu banho de detritos semi-digeridos.&lt;br /&gt;No dia seguinte segui viagem. Só voltei a Kenitra uns anos depois da roupa branca do Juiz ter secado. Não procurei o velho camarada do Maskvá. Não insisti na dieta do peixe frito, tintol,  asti e ganza. Nessa ultima vez fiquei-me por uma dourada grelhada também ela memorável&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112384859510888036?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112384859510888036/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112384859510888036' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112384859510888036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112384859510888036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/o-juiz-molhado-em-kenitra-com-abraos.html' title='O juiz molhado em Kenitra (com abraços para os &quot;marroquinos&quot;)'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112358154786966016</id><published>2005-08-09T10:57:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T11:22:08.196+01:00</updated><title type='text'>A propósito dos fogos</title><content type='html'>De volta ao meu bairro de subúrbio nos anos 80. No inicio da adolescência, na minha rua fazia-se uma espécie de triagem dos putos da minha geração. Uns ficavam fechados em casa e decidiam ser para o resto das suas vidas meninos da mama. Outros faziam  vida na rua e decidiram na inconsistência dos seus 12 anos tornarem-se bandidos. Uma terceira via foi a dos bombeiros.  &lt;br /&gt;Alguns entre nós apreciando as emoções fortes e não tendo feito para roubar ou andar de comboio à boleia pendurados nas carruagens, decidiram alistar-se nos bombeiros.  Assim de memoria nuns 20 putos que deviam haver lá na minha rua consigo apontar pelo menos meia dúzia que foram para os bombeiros:  os 2 Gemeos, o Inaciossauro, o Periquito, o Terror do Broche e claro o inevitável Incececendiário.  &lt;br /&gt;Lembro-me de vê-los contentes nas suas fardas azuis de trabalho com botas da tropa calçadas e a contar historias de bombeiros. Acidentes, muito sangue, mortos, incêndios, exercícios e salvamentos. Originalmente foram todos para os Bombeiros Voluntários do Barreiro, depois houve alguns que se profissionalizaram.&lt;br /&gt;Para mim falar em bombeiros e na adolescência é preciso falar no  Incececendiário. O Incececendiário é um gajo lá da minha rua precisamente da minha idade – do meu ano e do meu mes duas semanas mais novo. Foi dos primeiros a alistar-se nos bombeiros.  Incececendiário sempre foi um gajo grandalhão e gago. Com treze anos já tinha quase dois metros e as  maiores fardas que haviam nos bombeiros ficavam-lhe apertadas. Nessa altura ainda lhe chamávamos o Gaivota ( pela envergadura e por andar nas alturas) porque ainda não tinha ganho a alcunha de Incececendiário. Pois o Gaivota apesar do seu tamanho nunca brilhou nem pela sua inteligência, nem pela sua coragem, nem pela sua liderança. Na verdade não era mau tipo, mas era dquelas putos que só faziam depois dos outros fazerem. &lt;br /&gt;Quando depois dos primeiros meses nos bombeiros voluntários os tipos que tinham sido incorporados ao mesmo tempo que ele começaram a ter tarefas de alguma responsabilidade, o Gaivota começou a revoltar-se.... Os Gémeos já andavam a ajudar nas ambulâncias e o Gaivota só servia para carregar as mangueiras. O Terror do Broche ficava a atender os telefonemas e o Gaivota continuava a carregar mangueiras...&lt;br /&gt;Descontente com a situação que considerava uma injustiça o Gaivota decidiu modificar a  situação. A seu pedido, a mãe fez-lhe uma farda de gala por medida e o rapaz executou o plano.&lt;br /&gt;Numa tarde de verão, debaixo do tapete da vizinha da frente meteu uns trapos embebidos em gasolina e molhou a porta com combustível. Vestiu a farda nova com machado à cintura e tudo, preparou um balde de agua, acendeu um fosforoso, e fechou a porta de casa à espera da sua oportunidade para brilhar. Dois minutos depois a velha começa a gritar:&lt;br /&gt;-- há fogo!!! Acudam que é fogo!!!&lt;br /&gt;O Gaivota (que mudou de alcunha nessa tarde) não deu tempo a mais alarmes, abriu a porta de casa e descansou a senhora:&lt;br /&gt;-- Nananananão se preocuupe vizinha que eu sosososou bombeiro!!!! &lt;br /&gt;Claro que a alcunha Incececendiário pegou. A coisa  ficou feia com policia metida ao barulho e tudo. Mas tudo acabou por se resolver em bem:&lt;br /&gt;O pai do Incececendiário deu uma carga de porrada ao filho e pagou uma porta nova à vizinha na condição da velha não apresentar queixa. O filho da vizinha deu porrada ao Incececendiário e ao pai do Incececendiário. A vizinha vitimada envenenou o caniche da mae do Incececendiário que para se vingar passou a borrifar com lexivia a roupa que a velha estendia. A policia retirou-se de cena e o Incececendiário foi corrido dos bombeiros voluntários.  Mas o gosto pela vida de soldado da paz estava ja embrenhado no valoroso jovem... Passado uns dois meses já estava na corporação dos bombeiros profissionais do Barreiro.  Com esta mudança o Incececendiário foi o primeiro gajo a trabalhar e receber salário lá na minha rua... Aos catorze anos comprou uma mota a prestações que entre as suas pernas compridas  parecia um triciclo. Nos anais da rua ficarão para sempre as acrobacias do Incececendiário na sua Casal Boss.&lt;br /&gt;Como não podia deixar de ser o Incececendiário fez a tropa nos comandos. Infelizmente acabou por ser expulso porque o apanharam a roubar garrafas de whisky no bar. Depois da tropa o Incececendiário mudou de terra e não o vi durante anos.&lt;br /&gt;A ultima vez que tive com ele bebemos umas imperiais e jogamos snoker... continuava gago, grande e gordo. Na altura era guarda costas na embaixada de Marrocos.  Quando despiu o casaco ficou com o coldre do sovaco à mostra a exibir a fusca a todos os que paravam no café. Depois do jogo que perdi, ficamos a beber e  lembrar a malta que morreu ou que foi presa.  Acabamos a noite num baldio a fazer pontaria com a pistola a latas de cerveja. Nessa madrugada o Incececendiário acabou por vomitar pela janela do carro mesmo à porta de casa – sempre teve o estômago fraco – e a gaguejar-me uma paixão eterna pela Belinha la da rua que é puta na Holanda há já quase vinte anos.&lt;br /&gt;Não voltei a encontrar o Incececendiário. Esta semana um amigo comum falou-me nele e  disse-me que o gajo que abriu um negocio por conta própria. Tem uma empresa que fornece material aos bombeiros, extintores, mangueiras, fardas, capacetes e merdas que tais... &lt;br /&gt;Agora quando vejo noticias de fogos florestais penso que afinal nem tudo é mau: sempre há gajos que estão a facturar com a coisa. Ao menos isso!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112358154786966016?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112358154786966016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112358154786966016' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112358154786966016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112358154786966016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/propsito-dos-fogos.html' title='A propósito dos fogos'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112350086184015664</id><published>2005-08-08T12:31:00.000+01:00</published><updated>2005-08-08T23:06:26.726+01:00</updated><title type='text'>60 anos de justiça adiada</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/Nuclear3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/Nuclear3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez no sábado 60 anos que os Estados Unidos da América iniciaram uma nova era. &lt;br /&gt;Pela primeira vez utilizaram a tecnologia nuclear para a guerra. Bombardearam Hiroshima e Nagasáqui.&lt;br /&gt;A bomba atómica não marca o fim da segunda guerra mundial. O Japão estava derrotado e já tinha iniciado as conversações de rendição. A bomba atómica marca o inico da politica externa norte americana como hoje a conhecemos.&lt;br /&gt;Hiroshima e Nagasáqui  não influenciaram o curso da guerra no Pacifico que já estava decidida. Ambas as cidades bombardeadas não tinham instalações militares e morreram quase exclusivamente de civis. Quinhentos mil.&lt;br /&gt;Esta infâmia foi só o começo. Em nome de uma ordem mundial que só interessa a uma ínfima minoria, os Estados Unidos da América tem feito pelo mundo uma politica de massacre e de agressão.&lt;br /&gt;Os Estados Unidos, com intervenções directas ou indirectas, espalharam ontem e espalham hoje a morte e a opressão pelo mundo inteiro. Inventaram esquadrões da morte na Colômbia, formaram contras em Salvador, apoiaram a Unita em Angola e o Apartheid na Africa do sul. Nos últimos 60 anos eles não pararam. A politica externa norte americana sempre se orientou pela repressão directa da liberdade dos povos. &lt;br /&gt;Os canalhas de Washington têm feito o seu trabalho sujo. Ao maquilharem o fantoche assassino do Pinochet,  ao  inventarem empresas fantasma a negociarem os diamantes do Sabimbi ou  assessorando políticos “democratas” na Europa os Carluccis têm feito o seu trabalho nos últimos 60 anos.&lt;br /&gt;Agentes secretos, militares, consultores e assassinos contratados. Homicídio, fraude e terror têm sido o método. &lt;br /&gt;Chico Mendes na Amazónia. &lt;br /&gt;Monsenhor Romero em Salvador.&lt;br /&gt;Anteontem no Japão. Ontem no Chile. Hoje no Iraque. &lt;br /&gt;Amanhã onde será? Na Venezuela? no Irão?&lt;br /&gt;Cá em casa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112350086184015664?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112350086184015664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112350086184015664' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112350086184015664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112350086184015664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/60-anos-de-justia-adiada.html' title='60 anos de justiça adiada'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112349474612058508</id><published>2005-08-08T10:51:00.000+01:00</published><updated>2005-08-08T12:27:27.536+01:00</updated><title type='text'>As férias e a Datcha</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/campo%20das%20cebolas1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/campo%20das%20cebolas1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aqui há umas duas semanas tive uma reunião de trabalho num daqueles edifícios antigos e remodelados  da Graça. Fantástica vista sobre o rio e  margem sul. Mesmo por cima da estação de Stª. Apolónia.&lt;br /&gt;Porque cada vez me chateia mais trazer o carro para Lisboa, atravessei o rio cedinho e decidi-me por andar até à estação de comboios ponto de encontro marcado. O sol de finais de Julho por volta das oito da manhã ainda não queima e Lisboa a despertar convida ao passeio.&lt;br /&gt;Saindo do barco, cruzei o Jardim do Campo das cebolas na direcção à casa dos bicos. Entre duas palmeiras crescidas e protegida pelos contentores do lixo ficou organizada a instalação – arte pós moderna: Um carro de supermercado cheio de garrafas vazias. A estrutura que resta do que foi um aparador de sala. Uma mesa de esplanada da em plástico branco com uma perna partida. Caixotes de papelão dobrados a fazer de enxerga e um saco cama imundo em cima. Sentado sobre uma lata de tinta vazia estava um eslavo enorme e alcoolizado. &lt;br /&gt;Descontente com a organização do mobiliário urbano, empertigava-se um policia. Indiferente  e à espera de uma oportunidade para trabalhar, uma equipe de limpeza de jardins da câmara de Lisboa. Pressionado pelos taxistas e na insegurança dos seus vinte anos e estatura media mediterrânea o policiazinho tentava impor respeito ao gigante russo:&lt;br /&gt;-- Bamos lá  a dejocupar a bia que as funchionarias camarárias querem bajer o trabalhinho delas!!!&lt;br /&gt;( as três senhoras fardadas de verde da CML falavam entre si em crioulo e assistiam à cena como se fosse uma telenovela)&lt;br /&gt;O russo fingia que não ouvia o bófia e ia-se rindo... Por insistencia dos taxistas,  lá abandonou o seu posto permitindo às empregadas da limpeza armadas de ancinhos arrancarem a merda de pombo à relva do jardim!!!&lt;br /&gt;O policia impressionado com a insolência do russo que se foi sentar num dos bancos do jardim a despejar um pacote de vinho pôs-se na conversa com os taxistas. Um fogareiro dos mais velhos, desabituado de ter a autoridade tão próxima sem ser para passar multas,  ia comentando:&lt;br /&gt;-- Olhem para isto, até tem limpeza ao domicilio de borla!!!  Casa com jardim , vista para o Tejo, um policia a fazer segurança e três pretas para lhe limparem o jardim. Parece um ministro!!! É para isto é que eu ando a pagar impostos!!!&lt;br /&gt;Solidário com a gargalhada geral dos taxistas e do bófia, o russo respondeu;&lt;br /&gt;-- Eta maia datcha bled, eta maia datacha!!!&lt;br /&gt;Como nem o policia nem os taxistas percebem russo continuaram com as gargalhadas de sarcasmo.&lt;br /&gt;Cá o je que até é um rapaz poliglota de tasco e balcão de taberna apanhou o sentido. Falo uma palavritas do chamado russo de praia e por isso aqui deixo  a minha traduçãozinha da conversa do vagabundo:&lt;br /&gt;-- “ É a minha casa de campo, pá, é a minha casa de campo!!!!&lt;br /&gt;Com esta ideia de casa de campo do mendigo eslavo segui para o  meu trabalho deixando os taxistas mais o policia e as jardineiras a rirem ao sol...&lt;br /&gt;À medida que o dia foi aquecendo a gravata foi progressivamente sufocando. À minha memória voltou váiras vezes o russo bebado e sorridente.  Com a subida da temperatura desenvolvi uma inveja furiosa do russo: Um gajo levanta-se cedo para ir bulir, e passa o dia inteiro a bombar e o cabrão do  russo acorda e embebeda-se!!! Privilegiado!!!&lt;br /&gt;Com esta ideia politicamente incorrecta e com ganas de auto agressões hepáticas trabalhei a ultima semana de Julho.&lt;br /&gt;Na primeira semana de Agosto fui de ferias para o sul como era costume fazer toda a gente.  Tive na praia com a minha mulher. Passei os dias ao sol e a nadar no imenso atlântico e as noites com petiscos e copos entre velhos amigos. &lt;br /&gt;Confesso durante as ferias não voltei a lembrar-me do russo.&lt;br /&gt;Mas agora que voltei para o trabalho há uma vozinha dentro de mim que me manda correr para a datcha do campo das cebolas. Sinto uma vontade persistente  de ficar a embebedar-me com vinho ordinário. Despir a camisa  e ir respondendo em russo aos sarcasmos dos bófia e dos fogareiros enquanto fico deitado num banco de jardim a  desfrutar do sol de Lisboa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112349474612058508?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112349474612058508/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112349474612058508' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112349474612058508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112349474612058508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/08/as-frias-e-datcha.html' title='As férias e a Datcha'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112205164477828930</id><published>2005-07-22T17:58:00.000+01:00</published><updated>2005-07-22T18:00:44.780+01:00</updated><title type='text'>Nicaraguita</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/nicaragua.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/nicaragua.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ay Nicaragua, Nicaraguita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La flor mas linda de mi querer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abonada con la bendita, Nicaraguita,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangre de Diriangen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ay Nicaragua sos mas dulcita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que la mielita de Tamagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero ahora que ya sos libre, Nicaraguita,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo te quiero mucho mas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero ahora que ya sos libre, Nicaraguita,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo te quiero mucho mas,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112205164477828930?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112205164477828930/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112205164477828930' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112205164477828930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112205164477828930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/nicaraguita.html' title='Nicaraguita'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112205144961394544</id><published>2005-07-22T17:56:00.000+01:00</published><updated>2005-07-22T18:17:53.923+01:00</updated><title type='text'>NICARAGUA Foi à 26 anos.</title><content type='html'>Em 19 de julho de 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) derrotava a ditadura somozista, por 40 anos encravada no poder, e abria uma página tão inovadora quanto original da história contemporânea latino-americana. A original cosmovisão sandinista baseava-se em um programa simples e humanista de quatro pilares: economia mista; pluralismo político; não alinhamento internacional e transbordante participação popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase "A solidariedade é a ternura dos povos" indicava um novo sistema de valores – internacionalista para uns, fraterno-universalista para outros. Um quarto de século depois, duas perguntas essenciais nos interpelam: Onde foi parar a Nicarágua? Ainda há lugar para a solidariedade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112205144961394544?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112205144961394544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112205144961394544' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112205144961394544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112205144961394544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/nicaragua-foi-26-anos.html' title='NICARAGUA Foi à 26 anos.'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112194275255991012</id><published>2005-07-21T11:45:00.000+01:00</published><updated>2005-07-21T17:06:21.140+01:00</updated><title type='text'>Uma gasosa para dois custa dez contos</title><content type='html'>Deixamos o chaço a uns 200m do casarão onde  fizeram a festa. Ruas largas com arvores crescidas. Praticamente sem transito e muitos carros do corpo diplomático. A embaixada é um palácio num bairro de palácios. Casas ricas encalhadas numa colina da grande  cidade de gente pobre. Seguimos a pé nos smoking desviados para o efeito.&lt;br /&gt;Na porta da garagem da embaixada estavam três bisontes de fato azul mais um tipo fardado de almirante que ia abrindo os portões para os espadas entrarem.&lt;br /&gt;Os jardins com a relva molhada gritavam verde e convidavam à sesta. Pássaros a piarem nas arvores e musica cubana a tocar ao longe. O final da tarde ia quente e os bisontes bebiam cerveja escondida.  &lt;br /&gt;Eu e o meu amigo Mikas fomos directos para a entrada sem ligar aos seguranças. Ao bisonte que se aproximou o meu companheiro ordenou:&lt;br /&gt;-- Vai chamar o Presença.&lt;br /&gt;Assim mesmo sem “por favor” nem “boa tarde”.&lt;br /&gt;-- E quem que lhe falar ao sargento?&lt;br /&gt;-- Assunto confidencial&lt;br /&gt;A cara fechada do meu amigo, a cor clara da minha pele e os nossos smokings convenceram o bisonte que virou as costas e desceu pela garagem adentro. Os outros dois seguranças pararam com as conversas e com os sorrisos.&lt;br /&gt;Não passaram nem três minutos. Do buraco da garagem reapareceu o bisonte acompanhando um outro homem enorme. Negro, gordo e velho subiu a rampa da garagem com um vigor inesperado num corpo tão grande. Tinha mais de 120 quilos e aparentava 60 anos. Cheirava a whisky,  a old spice e suor. Todos os conheciam como o “Presença” e era o chefe da segurança. Foi o guarda costas do embaixador desde os tempo da luta de libertação. Dizem que é quem manda na embaixada. A mim pareceu-me um pugilista reformado.&lt;br /&gt;Quando viu o meu amigo escancarou uma gargalhada  gigante e abraçou o Mikas dando grandes palmadas nas costas do casaco do smoking.&lt;br /&gt;-- Comé  qué  Mikas? Tas bem?? Lá em casa a tua família tá bem? &lt;br /&gt;Mais tossindo com as porradas que levava nas costas do que falando o Mikas ia respondendo. O gigante Presença proseguiu com espancamento carinhoso:&lt;br /&gt;-- O teu pai tá bem? A tua mãe bem? O teu irmão  ta bem? E o teu avô como vai o kota? A tua tia Bernice continua com a bunda grande?&lt;br /&gt;Depois dos cumprimentos todos, virou-se para assistência que eram os outros bisontes da segurança, o porteiro e eu:&lt;br /&gt;-- Andei com este menino ao colo desde canukinho!!! Só não mudei as fraldas porque nunca gostei de mexer na merda!!! Sou  primo de criação do pai dele que ainda é meu parente afastado, no tempo do colono apanhamos porrada juntos....&lt;br /&gt;E de novo para o Mikas:&lt;br /&gt;-- Xii não via-te à bué!!! Tas crescido mesmo rapaz!!!&lt;br /&gt;O meu companheiro riu acanhado nos seus 20 e muitos com o seu corpo franzino a nadar dentro do smoking.&lt;br /&gt;O Presença focou a atenção em mim:&lt;br /&gt;-- És amigo do Mikas?? pois então tas em casa. --Espreu-me a mão direita no torno enquanto me abanava o corpo todo sacudindo o meu braço -- E que querem vocês aqui do kota Presença?&lt;br /&gt;-- Queremos falar contigo assunto confidencial  tiozinho — respondeu o Mikas&lt;br /&gt;-- Então venham no meu gabinete.&lt;br /&gt;Atrás do Presença descemos pela rampa e atravessamos a grande cave que era a garagem da embaixada. Tamanho de ginásio com o tecto baixo escurecido pelos escapes. Estavam pelo menos uma dúzia de carros estacionados entre Mercedes e Audis... o Presença abriu uma porta de metal a um canto que nos fez entrar por um corredor Ao fundo umas escadas, à direita cacifos, à esquerda bancos corridos. Depois dos bancos outra porta de madeira. Entramos no gabinete.&lt;br /&gt;Estava frio e escuro. O ar condicionado mantinha a temperatura próxima dos 8 graus. A penumbra escondia os cantos da divisão. Em cima da secretaria uma garrafa de JB e dois copos arrumadas dentro da bandeja.  Na parede a bandeira do seu país e uma fotografia  mostrava o Presença mais o embaixador. Os dois mal fardados de guerrilheiros de AK ao ombro e ósculos escuros no rosto. Sorrisos cançados e satisfeitos, na fotografia uma data marcava 27-4-1974. Cada um deles com menos 30 quilos. Nas costas da porta fechada do gabinete uma qualquer miss playboy 85 mostrava as mamas.&lt;br /&gt;O Presença sentou-se atrás da secretaria recostou-se na cadeira com um suspiro. Olhou-nos directo nos olhos.&lt;br /&gt;-- Então o que é que querem de mim?&lt;br /&gt;-- Queremos ir nesta festa hoje.&lt;br /&gt;-- Tá complicado. Meter penetra na ultima hora é difícil... hoje não tem muita gente oficial e penetra pode dar nas vistas. &lt;br /&gt;O Mikas argumentou:&lt;br /&gt;-- Mas nós viemos de smoking e ele é branco.&lt;br /&gt;-- Bem,  atendendo a quem és pode arranjar-se a entrada.&lt;br /&gt;(Eu nem acreditava no que ouvia. Nunca pensei que fosse possível passar sequer pelos portões da embaixada... quanto mais ir para a festa oferecida ao corpo diplomático dos outros palops.  A musica chegava através de uma janela de vidro martelado que junto ao teto deixava entrar a luz escassa do final da tarde.&lt;br /&gt;O Mikas tinha-me falado na cena três dias antes. “Só precisamos de arranjar um smoking e pagar a entrada....lá dentro tens comida, bebida  musica cubana ao vivo e gajas ... tudo à espera que te sirvas!!!!” &lt;br /&gt;Achei difícil mas claro que lhe disse que sim.)&lt;br /&gt;No gabinete do Presença a voz do Mikas soou directa:&lt;br /&gt;-- e quanto é para a gasosa?&lt;br /&gt;-- são 20 dólares tu que conheço e 30 dólares o pula que é teu amigo.&lt;br /&gt;O Mikas indignou-se:&lt;br /&gt;-- O quê??  50 americanos para entrar numa festa? Isso dá direito a quê??? A comer a filha do embaixador???&lt;br /&gt;À minha memoria vieram as fotografias da rapariga...Fiz as contas e até achei barato, Comer a filha do embaixador por 10 contos.&lt;br /&gt;-- Olha Mikas vou falar directo que não sou homem de rodeios: Na realidade eu até nem posso fazer isto... Mas por seres quem és e filho de quem és eu faço este favor de olhar para o lado enquanto tu passas... Nesta festa quase toda metade é penetra de bilhete pago para os funcionários que fazem os convites. A outra metade são raparigas a trabalhar para fazer companhia. Os poucos que são convidados mesmo dos convites ofericidos não comprados. Se eles nota os penetras depois há queixas. Cinquenta  dólares para a gasosa já nem uso mais... desde que estou aqui na embaixada que  eu faço as minhas gasosa por 100 americanos.  Se queres entrar, entra logo. Se não tens dinheiro agora ficas a dever e depois pagas... mas não dá para fazer desconto.&lt;br /&gt;Percebemos a mensagem. Pagamos logo porque o Presença não é o tipo de homem que um gajo goste de ficar a dever dinheiro. Pagamos a conta e seguimos desiludidos de não sermos convidados para o whisky . &lt;br /&gt;O Presença levantou-se e acompanhou-nos à porta do gabinete.&lt;br /&gt;-- Já sabem se alguém perguntar quem são vocês respondem que é confidencial. Se por azar o embaixador vier falar convosco vocês dizem que são convidados do Sargento Presença. Mas isso é impossível porque o camarada embaixador não vai fazer perguntas...&lt;br /&gt;Voltamos para o corredor e subimos a escada que dava para o jardim. A banda tocava boleros. Alguns casais dançavam abraçados. Mesas dispersas pelo jardim e grupos a conversar e a rir. Gente preta, branca e mulata. Os criados vestidos a rigor passeavam com bandejas com caviar e champanhe.&lt;br /&gt;-- Não tens wiskie? -- Perguntou o Mikas &lt;br /&gt;-- Os senhores convidados têm que ir ao bar buscar. – Respondeu o mordomo&lt;br /&gt;-- Então traz para nós uma garrafa de JB com um balde de gelo. E queremos uma mesa aqui no jardim virada para o palco. Anda rápido. &lt;br /&gt;-- E quem pede? Tenho de falar com o meu chefe...&lt;br /&gt;-- Segurança do estado. &lt;br /&gt;Um minuto e 26 segundos contados no cronometro do Mikas durou a espera. Perdi a a aposta dos tres minutos que apontei como tempo mínimo para trazerem a mesa. Uma equipa de cinco empregados fardados trouxe a mesa  de ferro branco e mais duas cadeiras. Um balde de gelo. Uma garrafa  de JB e camarões grelhados.&lt;br /&gt;A noite caiu sem darmos por isso. A musica convidou a dança. Muitas mulheres jovens e bem vestidas. Algumas traziam o rotulo PUTA que se lia à transparência dos vestidos caros. Noutras mulheres a função não era tão evidente.&lt;br /&gt;Depois da primeira garrafa vieram outras. À nossa mesa juntou-se o maestro cubano da banda. Mandamos vir uma cadeira para o homem e ficamos a recordar havana. Acenderam-se puros para afastar os mosquitos.&lt;br /&gt;Lá  mais em baixo as luzes dos barcos de pesca reflectiam pequenos pontinhos sobre a agua. Uma duvida etilizada surgiu em forma de barco e por momentos pairou sobre a nossa mesa: Atentando nas lanternas reflectidas nas aguas lá em baixo, não conseguíamos dizer se eram  pescadores da Costa da Caparica  ou da Ilha do Mussolo.  &lt;br /&gt;Embriagado pela salsa, cansado e satisfeito pelo whisky desisti de tentar reconhecer a cidade onde estava: Lisboa ou Luanda? Que se lixe!!! Quando um gajo tem às costas os interesses da segurança do estado, que importância tem a geografia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112194275255991012?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112194275255991012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112194275255991012' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112194275255991012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112194275255991012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/uma-gasosa-para-dois-custa-dez-contos.html' title='Uma gasosa para dois custa dez contos'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112168547459214160</id><published>2005-07-18T12:16:00.000+01:00</published><updated>2005-07-18T12:17:54.593+01:00</updated><title type='text'>O Mandela deitado no chão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/mandela%20deitado%20no%20ch%3F%3Fo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/mandela%20deitado%20no%20ch%3F%3Fo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112168547459214160?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112168547459214160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112168547459214160' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112168547459214160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112168547459214160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/o-mandela-deitado-no-cho.html' title='O Mandela deitado no chão'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112168370913196286</id><published>2005-07-18T11:47:00.000+01:00</published><updated>2005-07-18T12:58:44.106+01:00</updated><title type='text'>Sobre o amor desmedido</title><content type='html'>Tenho 33 anos e sempre quis ter um cão. Só em 2004 consegui atingir esse objectivo. O Mandela é o meu primeiro cão. &lt;br /&gt;Fui buscar o gajo quando era cachorro de quinze dias. Cambaleava com as patas curtas e a barriga roçava-lhe o chão. Levei-o para casa numa viagem de duas horas. Foi ao colo da Blimunda durante o caminho todo. A minha companheira tinha dito que não gostava de cães, depois dessa viagem não consegue olhar para um cachorro sem ir a correr fazer-lhe festas.&lt;br /&gt;Pensamos em dar-lhe o nome de alguém que ambos admirávamos. Eu quis chamar ao cão Kadafi. A bacana queria chamar-lhe Gandi. Quando vimos o cão, e porque é preto decidimos chamar-lhe Mandela. &lt;br /&gt;Quando chegou a casa era tão pequeno e desajeitado que não conseguia subir o degrau que separa a cozinha da sala. &lt;br /&gt;Andou de diarreia a plantar minas anti-pessoais de merda no chão da cozinha... um gajo levantava-se de manhã e com a luz difusa da madrugada tinha de avançar devagar a escolher bem os sítios onde pisava, não fosse o pezinho descalço derrapar na trampa... Antes do duche e do pequeno almoço era preciso limpar a trampa. Com xaropes, comprimidos, trabalhos, carinho e persistência conseguimos tratar o cão. &lt;br /&gt;O Mandela tornou-se um cachorro grande e desajeitado que saltava efusivamente para cima de todas as pessoas.&lt;br /&gt;Aprendeu a cagar e a mijar na terra do quintal. Aprendeu a pedir com a pata esquerda no ar, porque a direita é dos fascistas.&lt;br /&gt;No ano passado na praia vivemos cenas dramáticas e hilariantes. O Mandela a trespassar o Expresso de  um desgraçado que tentava ler o jornal curtindo a praia do Carvalhal sábado de manhã. O bacano sentado com o caderno internacional todo escancarado em frente ao focinho besuntado de creme e o  cabelinho puxado para trás como o Santana Floopes. O cabrão do cão a fazer o numero dos leões do circo: Taruz – através do jornal a dentro como se fosse um arco de fogo. Claro que não me pude rir na altura e tive de pedir desculpas e armar-me em duro com o cão.&lt;br /&gt;No mesmo dia percebi aquela historia da sintonia de pensamento entre o cão e o sue dono... Por cinco ou seis vezes consecutivas, sempre que se conseguia soltar, o Mandela voava como uma seta direito para as mamainhas de uma inglesa que a uns escassos metros de nós assava os seios brancos ao sol alentejano.&lt;br /&gt;Ainda cachorro percebemos que praia com o cão só no Inverno. &lt;br /&gt;Nas primeiras vezes ladrava para as ondas e escondia-se atrás de mim. Obrigava-o a vir ao banho comigo assim que passávamos a zona da rebentação soltava o Mandela que navegava para terra como uma traineira carregada de sardinhas... depois chega-se ao chapéus  de sol e sacudia-se molhando metade da praia...&lt;br /&gt;O Mandela continuou a crescer. Nas praias do Barreiro habitou-se a entrar pelo rio a dentro para tentar apanhar gaivotas. Chegava ao pé de mim sujo de lodo e encharcado e demonstrava o seu afecto tentando derrubar-me com as patas da frente. Eu que não sou propriamente um gajo enfezado e em tempos dei aulas de judo, mas houve situações  em que  tive de fixar bem os calcanhares no chão para que o cabrão do cão não me derrubasse.&lt;br /&gt;No quintal desenvolveu o instinto de guarda. A correr atrás  dos gatos mandou a baixo um vedação de madeira que teve de ser reconstruída com cavilhas de navio.&lt;br /&gt;Em casa comeu um pufe que eu tinha trazido de Marrocos. Cheguei a casa à noite e encontrei o que sobrava do pufe desfeito no chão e o cão escondido de baixo do sofá. Passei-me e bati-lhe a sério. Como se batesse noutro gajo, levantei-o com a esquerda e dei-lhe socos com a direita. &lt;br /&gt;A Blimunda chorava e o cão gania.&lt;br /&gt;Noutra noite em que ficou sozinho, por rebeldia arrancou as costas ao sofá da sala.&lt;br /&gt;Outra vez que lhe bati feio foi quando o cão, fez cair a minha avó para poder lamber-lhe a cara.&lt;br /&gt;No Inverno íamos juntos correr para a mata.  O cão parava para cagar e eu escondia-me para ver a reacção dele. O parvalhão em vez de me procurar ficava a ganir com seu tamanhão de burro porque tinha deixado de me ver. Quando eu assobiava voltava a correr para mim a abanar o rabo de contente.&lt;br /&gt;No Meco, se o meu filho de 8 anos se afasta do chapéu de sol, o Mandela vai logo atrás dele para tomar conta do puto.&lt;br /&gt;Quando algum de nós vai tomar banho o cão fica a vigiar não vá ser preciso vir salvar-nos de morrer afogados. Seja no mar ou na banheira lá em casa.&lt;br /&gt;Se eu estou sentado no sofá, o Mandela deita-se aos meus pés.&lt;br /&gt;Se eu digo: “Onde é que anda o fascista??” O Mandela levanta-se a ladrar e a rosnar e faz a ronda à casa à procura do inimigo...&lt;br /&gt;Se eu digo: “Faz de puta!!”, o Mandela deita-se no chão e abre as pernas.&lt;br /&gt;Quando alguém entra lá em casa o Mandela salta em cima dos convidados e quase derruba as pessoas na sua alegria de ver gente.&lt;br /&gt;Quando alguém sai lá de casa o Mandela leva os convidados à porta e fica a ganir por ver as pessoas saírem.&lt;br /&gt;Sobre amor:&lt;br /&gt;Tenho uma família grande que me ama e que amo muito. A Blimunda minha companheira amada. O meu filho tem 9 anos e quer ser vocalista de uma banda de hip hop. A Ginga Catarina que ainda não nasceu mas já vem a caminho. O meu pai e minha mãe que muito me aturaram sempre. Tenho  duas avós que moram no meu bairro que competem para me agradar. Tive um avó que me contava historias ao colo enquanto  andávamos de comboio. Tenho um avô que adora passear comigo para poder mandar bocas às gajas que passam na rua. &lt;br /&gt;Tenho bons e velhos amigos.&lt;br /&gt;Fui casado. Fui ajuntado. Fui adultero e voltei a adulterar. Tive namoradas e amantes. &lt;br /&gt;Considero-me um tipo bem amado, mas nunca, nunca ninguém me demonstrou um amor tão incondicional como o  Mandela.&lt;br /&gt;Que me desculpem os amigos e a família. Que me desculpe a mulher e os filhos. Que me desculpem as minhas avós, o meu avô e o meu pai. Não vos esqueço nem vos amo menos &lt;br /&gt;Que me desculpem a cambada de leitores vagos deste blog de merda, ranho e chinada.&lt;br /&gt;Não deixo pensar em todos vós e nem deixo de estar atento às historias javardas que possam acontecer...&lt;br /&gt;Infelizmente  neste momento estou completamente preocupado com o cabrão do cão que tem de ser operado para lhe tirarem um filha-da-puta de um osso que está entalado no intestino. Vamos ver se o gajo se safa para poder continuar a ir comigo no Inverno correr a trás das gaivotas nas praias do Tejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112168370913196286?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112168370913196286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112168370913196286' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112168370913196286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112168370913196286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/sobre-o-amor-desmedido.html' title='Sobre o amor desmedido'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112133069914632001</id><published>2005-07-14T09:38:00.000+01:00</published><updated>2005-07-14T09:44:59.146+01:00</updated><title type='text'>LA PRISE</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/LA%20PRISE.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/LA%20PRISE.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112133069914632001?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112133069914632001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112133069914632001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112133069914632001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112133069914632001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/la-prise.html' title='LA PRISE'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112133006959196443</id><published>2005-07-14T09:22:00.000+01:00</published><updated>2005-07-14T09:34:29.596+01:00</updated><title type='text'>La prise de la Bastille</title><content type='html'>A tomada da Bastilha é o símbolo máximo do mais importante evento histórico do milénio anterior: A revolução francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;« On ne oublie jamais la bastille  »&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nos primeiros meses da Revolução Francesa, reinava uma grande agitação em Paris. Na primavera de 1789, os Estados Gerais recusaram-se a se dissolver e transformaram-se em Assembléia Nacional Constituinte. Em julho, o rei Luís XVI manda vir novas tropas e demite Necker, ministro popular. Na manhã de 14 de julho, o povo de Paris saqueia o Hôtel des Invalides (dependências militares destinadas a abrigar soldados feridos em combate) apreendendo armas e dirigindo-se em seguida a uma velha fortaleza real, a Bastilha. Depois de um sangrento tiroteio, ele ocupa a fortaleza e liberta alguns prisioneiros que ali se encontravam. &lt;br /&gt;A tomada da Bastilha é uma primeira vitória do povo de Paris contra um símbolo do Antigo Regime. O edifício, aliás, foi totalmente demolido nos meses seguintes. &lt;br /&gt;Liberdade, Igualdade, Fraternidade&lt;br /&gt;Herança do século das Luzes, o lema "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" é invocado pela primeira vez durante a Revolução Francesa. Muitas vezes questionado, ele acaba se impondo na IIIª República. Ele está inscrito na constituição de 1958 e hoje faz parte de nosso patrimônio nacional. &lt;br /&gt;Associadas por Fénelon ao final do século XVII, as noções de liberdade, igualdade e fraternidade são amplamente difundidas no século das Luzes. &lt;br /&gt;Durante a Revolução Francesa, "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" faz parte dos inúmeros lemas invocados. No discurso sobre a organização das guardas nacionais, Robespierre preconiza, em dezembro de 1790, que as palavras "O Povo Francês" e "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" sejam inscritos nos uniformes e nas bandeiras, porém seu projeto não é adotado. &lt;br /&gt;A partir de 1793, os parisienses, rapidamente imitados pelos habitantes das outras cidades, pintam nas fachadas de suas casas as seguinte palavras: "unidade, indivisibilidade da República; liberdade, igualdade ou a morte". Mas logo são convidados a apagar a última parte da fórmula, demasiadamente associada ao "Terror"… &lt;br /&gt;Como muitos dos símbolos revolucionários, o lema cai em desuso durante o Império. Ele ressurge durante a Revolução de 1848, marcado por uma dimensão religiosa, quando os padres celebram o Cristo-Fraternidade e abençoam as árvores da liberdade que são plantadas nessa ocasião. Quando é redigida a constituição de 1848, o lema "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", é definido como um "princípio" da República. &lt;br /&gt;Desprezado pelo Segundo Império, ele acaba se impondo na IIIª República. Ainda são observadas, no entanto, algumas resistências, inclusive entre os partidários da República: algumas vezes dá-se preferência à solidariedade ao invés da igualdade, que pressupõe um nivelamento social, e a conotação cristã de fraternidade não é aceita por unanimidade. &lt;br /&gt;O lema volta a ser inscrito no alto das fachadas dos edifícios públicos durante a celebração do 14 de julho de 1880. Ele consta das constituições de 1946 e de 1958 e hoje é parte integrante de nosso patrimônio nacional. Ele é encontrado nos objetos de grande circulação como as moedas e os selos. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o que somos hoje. Tudo o que seremos amanhã teve origem na demolição da fortaleza prisão. &lt;br /&gt;Que fique escrito!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112133006959196443?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112133006959196443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112133006959196443' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112133006959196443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112133006959196443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/la-prise-de-la-bastille.html' title='La prise de la Bastille'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112124502483706733</id><published>2005-07-13T09:55:00.000+01:00</published><updated>2005-07-13T09:57:04.846+01:00</updated><title type='text'>Provas cuspidas do sabor da cereja (versão Coina / Casal do Marco)</title><content type='html'>Com a merda da greve dos mestres dos barcos da soflusa (estou solidário convosco camaradas!!!) sou obrigado a voltar a cruzar o Tejo por via aérea. Quero com isto dizer que passo bem por cima das aguas através das alturas da Ponte 25 de Abril. &lt;br /&gt;Não gosto de vir trabalhar de carro. É mais caro e menos confrontável ter de vir a conduzir para o trabalho. Ter de levantar cedo, o transito e as filas. Para mim o pior em ter de vir de carro, são os outros milhares de gajos e gajas que também vêm de carro. Entopem a via até à fluidez da ponte. Têm caras antipáticas e são mal humorados. Apitam e querem meter-se à frente. Ainda por cima enchem a auto-estrada  com os carros (quase todos melhores que o meu) e ficam com focinhos de sono a rosnar para quem vai à frente....&lt;br /&gt;Para voltar para a margem sul é outra tragedia. Outra vez a mesma tortura até chegar à ponte. Filas e apitadelas.&lt;br /&gt;Como detesto as auto-estradas e todas as formas de sentido único, assim que posso fujo para a estrada nacional numero dez.  Apanho as camionetas e os cruzamentos mas sempre vai havendo mais animação.&lt;br /&gt;Já na semana passada ao rodar pela nacional dez me tinha apetecido comer cerejas. Na estrada poeirenta entre o que resta do pinhal vendem-se mulheres, melões e batatas. Entre o Casal do Marco e Coina são por volta de 8 quilómetros com semáforos controlo de velocidade e cruzamentos. Muito transito a 50. Motorizadas, autocarros e pões.&lt;br /&gt;No inicio da semana passada reparei que no meio de todo este caos de vendilhões havia uma banca onde uma mulher bonita vendia cerejas. Apaixonado como sou pela minha mulher, borrifei-me para as cerejas e segui o meu caminho o mais rápido possível para ir jantar a casa. &lt;br /&gt;Continuei a ir de carro e voltei a passar diariamente na nacional dez. Na estrada entre Coina e o Casal do marco sempre vi prostituição de senhoras velhas  disformes. Também já há muitos anos que me habituei a ver camponeses empobrecidos a vendar batatas e cebolas às sacas. Camionetas de melão do porto alto. Cerejas nunca tinha visto. Confesso  que as cerejas despertaram a minha atenção.&lt;br /&gt;Os dias tem sido quentes. Os finais de tarde no caos do transito da nacional dez têm-me obrigado a seguir devagar perto das cerejas. Todos os dias as cerejas têm estado lá.&lt;br /&gt;Todos os dias mulher das cerejas tem sorrido para mim. Exclusivamente com os olhos faz um convite apontando para as cerejas. Mulher bonita e eventualmente séria em zona de putas. Boca fechada na sugestão do sorriso para que não confundam a sua simpatia com profissionalismo da queca. Pensava eu na minha ingenuidade.&lt;br /&gt;Ao sol do final das tardes de verão as cerejas têm vindo a amadurecer de dia para dia.&lt;br /&gt;Ontem fiquei parado na fila mesmo ao lado da banca das cerejas e decidi-me por trazer umas 200 gramas para casa. Afinal  a minha mulher também gosta de cerejas.&lt;br /&gt;Fiz pisca para a direita, saí da estrada, encolhi a barriga, tentei pentear o que resta de cabelo e fui-me às cerejas.&lt;br /&gt;-- As cerejas são boas?&lt;br /&gt;-- Provi provi seu dotô. Tão muito doci.&lt;br /&gt;Brasileira -- confirmei o palpite. Fui provar mas faltou-me a vontade de comer o que quer que seja. A linda mulher das cerejas, na sua pele cor de cobre de mulata clara mostrou-me porque sorria só com os olhos.&lt;br /&gt;Nas gengivas verdes dois dentes faziam companhia um ao outro. Um incisivo podre em cima tomava conta de um canino castanho em baixo.&lt;br /&gt;Paguei o preço pedido pela caixinha e meti-me dentro do carro.&lt;br /&gt;As cerejas eram grandes mas não sabiam a nada. Vim a cuspir caroços pelo caminho a tentar acertar dentro dos outros carros que passavam com os vidro abertos. Falhai todos mas fiz lindas tabelas. Dez quilómetros à frente já só tinha a caixa de papelão que mandei fora para que não sobrassem, provas da minha paragem.&lt;br /&gt;Umas horas mais tarde, depois de jantar  enquanto aproveitava a brisa da noite sentado no quintal alguém me ofereceu um uma cereja.&lt;br /&gt;-- Não quero. Gosto mas não me apetece.&lt;br /&gt;Na altura não disse mas pensei: fazem mal aos dentes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112124502483706733?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112124502483706733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112124502483706733' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112124502483706733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112124502483706733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/provas-cuspidas-do-sabor-da-cereja.html' title='Provas cuspidas do sabor da cereja (versão Coina / Casal do Marco)'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112058753637265863</id><published>2005-07-05T19:18:00.000+01:00</published><updated>2005-07-05T19:18:56.380+01:00</updated><title type='text'>Sexo-ó-poste</title><content type='html'>Bem, eu não devia contar esta historia.. afinal de contas é um assunto intimo... &lt;br /&gt;De qualquer maneira com tanta conversa à volta do défice, dos impostos e das multas, fiquei com vontade de vos contar tudo. Para que se saiba que mecanismos repressivos o estado encontra para encher os bolsos. Se aconteceu comigo também pode acontecer com qualquer um de vocês – salvo seja!!!!&lt;br /&gt;A cena foi no tempo da Manuela Ferreira Leite, mas podia ter acontecido com estes que nãos seria diferente.&lt;br /&gt;È verdade que a culpa foi minha e que se eu tivesse outros hábitos de higiene, nada disto tinha acontecido. Também neste aspecto higienista assumo toda a minha culpa que os meus pais bem tentaram dar-me uma boa educação, eu é que descambei...&lt;br /&gt;Já chega de preliminares e vou contar-vos a historia como ela aconteceu que eu cá não sou de dar tangas às pessoas.&lt;br /&gt;Isto tudo vem a propósito das multas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava uma daquelas noites quentes em que não há cerveja no munda capaz de matar a sede de um homem. Pois seriam umas duas da manhã e as ruas do subúrbio estavam desertas. A Gloria depois de muito esforço consegui fechar o tasco e por os mais resistentes na rua. Ficamos ainda à porta da taberna a acabar as médias e a fumar o ultimo cigarro enquanto a vizinhança dos prédios da praceta nos mandava calar com chiuuuus que cortavam a noite. Orgulhosamente,  fui dos últimos a seguir para casa. Toda a minha roupa eram um par de calções velhos uma t-shit sebosa e aquelas chinelas de enfiar no dedo que se chamam havaianas. Devagarinho e meio cambaleante entrei na minha rua iluminada pelo único e isolado candeeiro publico. &lt;br /&gt;Para mim, sempre foi um prazer mijar ao ar livre. Se puder escolher entre urinar para a sanita imaculada lá de casa, para as bolas de naftalina dos urinóis das tascas ou para uma parede ou candeeiro prefiro sempre a liberdade do céu aberto.  È uma questão de preferências.&lt;br /&gt;Sempre soube que existia uma multa para quem fosse apanhado a urinar na rua.. mas nunca pensei que tivesse o azar de ser apanhado...&lt;br /&gt;A vontade apertava e a solidão da viela convida às liberdades mais intimas. Appoie-me no poste, abri a braguilha, tirei para fora o equipamento e cá vai disto. Mas o imprevisto aconteceu: Enquanto despejava a bexiga contra o candeeiro ouvi o ruído manso de um carro a gasóleo aproximar-se. Quando me virei percebo que é a Policia numa rotineira rusga de patrulhamento de subúrbio. Atrapalhado, ainda tentei de para de fazer a minha descarga liquida... infelizmente não fui a tempo acabei por bater com o pirilau no poste  de cimento que serve de suporte ao candeeiro.&lt;br /&gt;-- Ò senhor policia desculpe lá mas estava mesmo aflitinho...&lt;br /&gt;O policia não foi em cantigas e eu não me escapei da multa e da reprimenda.&lt;br /&gt;Foram 530 euros. O facto de eu morar naquela rua só serviu para agravar o meu caso. Quinhentos e trinta euros ( por extenso ainda parecem mais!!!). Cento e seis contos.&lt;br /&gt;Trinta euros da multa por urinar na via publica.&lt;br /&gt;Mais 500 euros do arranjo do poste. Ao virar-me bati com o pirilau no cimento e sem querer parti o poste.&lt;br /&gt;È preciso ter azar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112058753637265863?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112058753637265863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112058753637265863' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112058753637265863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112058753637265863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/sexo-poste.html' title='Sexo-ó-poste'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-112020968587079061</id><published>2005-07-01T10:18:00.000+01:00</published><updated>2005-07-01T17:33:51.116+01:00</updated><title type='text'>Primeiro Salão Erotico de Lisboa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/1600/rikieenfermeira1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2126/920/320/rikieenfermeira1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Para poder partilhar convosco momentos elevados de cultura, fiz o sacrifício e fui à FIL. Esteve calor e o espaço foi apertadinho para tamanha vontade de conhecer. Aos milhares enchemos o espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco  palcos com espectáculos permanentes de strip e peepshows. Dezenas de stands tentavam captar a atenção dos presentes. Muito profissionalismo e pouca inovação. Muito silicone e pouca espontaneidade.&lt;br /&gt;As actrizes e os actores presentes eram o refugo do cinema porno mundial.  Corpos estereotipados segundo os padrões americanos. Gestos mimetizados do erotismo francês dos anos setenta.&lt;br /&gt;As senhoras actrizes presentes eram sobretudo do leste europeu, algumas checas e muitas russas. Europeias a assumirem o mito da rapariga Califórnia. Louras. Completamente louras. Silicone com fartura e por todo o lado. Aquela firmeza de plástico nos seios e aquele ar bovino no rosto.  Pouco rabo e muita mama. Pintelhos rapados e pircings clitorianos. Vaginas reconstruidas a bisturi.&lt;br /&gt;Os actores, são homens grandes. Maioritariamente espanhóis ou negros francófonos. Também eles assumem posturas padronizadas. O estereotipo do porteiro de discoteca  com peitorais e bicípites de asteróides. Cuequinha fio dental preta enfiada no cu e tatuagem com motivos orientais a ocupar a largura das costas.&lt;br /&gt;Nos palcos o strip foi o corriqueiro feito com a qualidade e a frieza das atletas de alta-competição. Algumas senhoras fora do prazo de validade, nos palcos secundários, fizeram números conhecidos do universo showlesbico. A assinalar uma bailarina holandesa que nos seus movimentos e formas mostrou inovação baseada – sem duvida – numa aprendizagem do ballet clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam alguns stands orientados para o lobie dos gay que aparentemente não respondeu à chamada. O publico era composto por muitos machos. Latinos português. A espécie conhecida vulgarmente como “homus unhaca” esteve presente com os seus bigodes farfalhudos e o crucifico de ouro entre os pelos do peito. Alguns casais. Alguns grupos de analistas como aquele onde este vosso amigo estava inserido. Algumas putas que rentabilizaram a publicidade. Grupos de amigas – poucos mas presentes. Grupos de amigos mistos. Tarados isolados. Velhos xulos a apreciarem ao que isto chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como primeiro salão erótico de Lisboa, valeu pelo pioneirismo. Como salão ibérico falhou pela sua postura de subserviência aos padrões consumistas gerais. &lt;br /&gt;Foi uma pena a organização não ter apostado na divulgação dos produtos internos... ou externos mas relacionados.&lt;br /&gt;Para quem espera ir ver o melhor das latinidades lusófonas e castelhanas esqueça. Ao contrario das minhas expectativas não encontrei nenhuma área regional. Esperava  haver stands com minhotas despidas  a exibirem os seios fartos e as ancas delgadas e peludas enquanto serviriam vinho verde à pressão e mostravam o sorriso espontâneo debaixo do buço.&lt;br /&gt;Não vi exemplares da mulher portuguesa clássica mamas pequenas rabo redondo e bastante pintelho. Do Brasil não vieram as mulatas. Nem de cuba vi enroladoras de puros despidas a esfregarem as folhas de tabaco nas coxas castanhas. Das negras nigerianas que animam as noites de Madrid e de Lisboa nem sinal. As xolas da américa central também faltaram. Nada de indias...Que é feito da espanhola de Sevilha, onde para a mula cavalona com cabeleira preta e lábios carnudos? Estava com o período???&lt;br /&gt;Pois é... em vez de promoverem o rabo nas suas milhentas varieções ibéricas-américo-africanas promoveram o silicone nas maminhas checas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu pelo combibio. Pela cerveja e pelo divertido que foi gritar “olha o Bíbí “ enquanto o Herman José dava um entrevista e exibia o seu novo riquismo, os seus seguranças e a sua completa panasquice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável a minha Blimunda não ter podido acompanhar-me nesta árdua jornada. Felizmente recrutei uma equipe técnica da Damaia para me ajudar  a fazer analise deste evento. Estiveram à altura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-112020968587079061?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/112020968587079061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=112020968587079061' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112020968587079061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/112020968587079061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/07/primeiro-salo-erotico-de-lisboa.html' title='Primeiro Salão Erotico de Lisboa'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111962307462757436</id><published>2005-06-24T15:23:00.000+01:00</published><updated>2005-06-24T18:18:03.340+01:00</updated><title type='text'>A Roda-da-Morte</title><content type='html'>Passaram mais de 20 anos mas a cena continua presente na memoria de todos os presentes. Na altura ainda não tinha aparecido a série dos Ficheiros Secretos mas ja se falavam em objectos voadores e fenómenos estranhos. Mesmo no Portugal atrasado dos anos 80 (pré comunidade europeia)  já havia curiosos a estudar o paranormal e o inexplicável. Todos acorreram ao local. Nas semanas seguintes à noite fatídica  alguns estudiosos da universidade de Coimbra analisaram a estranha chuva, perceberam o que era mas nunca compreenderam a explicação. &lt;br /&gt;A coisa aconteceu em Pombal e mais precisamente na semana do Bodo. A festa do Bodo  é no verão e a vila enche-se de emigrantes que vêm de França e da Suiça para passar o Bodo em Pombal e poder exibir o sucesso e a riqueza que na sua terra não conseguiram alcançar. No bodo há concertos de musica popular, há a feira de gado, há o mercado de rua, há carrosséis e carrinhos de choque, barracas do tirinho e 500 mil tabernas improvisadas na rua que rivalizam com as tascas e cafés permanentes&lt;br /&gt;Há 20 anos era uma grande festa. Hoje continua a ser. A grande diferença é que na altura não  se chamavam pimba aos cantores pimba e as cervejas pagavam-se em escudos. Para termos uma referencia de época devo dizer-vos que uma imperial custava 15 paus. Pois foi num verão desses, uns vinte anos atrás que tudo aconteceu. &lt;br /&gt;Fui para Pombal com os meus avós mas tinha ja a farra toda combinada com o meu primo. As minhas expectativas eram elevadas. Lembro-me perfeitamente que depois da minha mãe me preparar a mala meti por iniciativa própria uma gillete para rapar o buço junto com a minha escova de dentes. &lt;br /&gt;Logo no dia da minha chegada, ao final da tarde saí junto com o meu primo para irmos à festa. Estava calor e paramos na primeira tasca  para beber uma imperial. Tinha bebido umas duas ou três vezes cerveja na vida e a imperial sabia-me amarga e custou a beber. Depois de conseguir empurrar aquele liquido amarelo e gelado para baixo, pedi outra. O meu primo que é uns anos mais velhos recomendou moderação, mas como ele próprio estava decidiu a abusar... não conseguiu ser muito convincente. &lt;br /&gt;Pelo caminho alguém acendeu um cigarro fininho que não era SG Gigante. Também fumei. Nos cafés que iam ficando pelo caminho fomos parando para beber cervejas que me iam parecendo menos amargas e mais rápidas de engolir à medida que o tempo passava.&lt;br /&gt;De casa ao recinto da festa bebemos umas dez imperiais cada. Eu tinha catorze anos e já tínhamos jantado à quase uma hora, o passeio abriu-me o apetite, e o haxixe deu-me fome...&lt;br /&gt;O meu primo também tinha fome. Ambos tínhamos dinheiro e por isso decidimos comprar uma dúzia de farturas – à dúzia era mais barato. As farturas duraram nem 10 minutos. O meu primo comeu quatro e eu consegui enfardar as outras oito. Empurramos tudo para baixo com três canecas de meio litro cada um.&lt;br /&gt;No largo do carrosséis a festa estava em hora de ponta.  Mesmo no centro estava a Roda-da-Morte. Mais de 50 cadeirinhas penduradas por correntes desafiavam os presentes com a gravidade. Com a maquina parada, todos sentados ao nível do chão. Com a máquina a rodar, as cadeiras ficam ao nível de um terceiro andar e é como andar de mota a duzentos. A força centrifuga fazia voar as cadeiras e os seus ocupantes até as alturas e depois progressivamente iam abrandando a rotação até trazer toda a gente de volta à terra. Dois minutos de viagem espacial. As gajas davam gritinhos e os cavalheiros paravam as famel na área dos carrinhos de choque e ficavam a ver as pernas penduradas. A Madona comparava-se às virgens em colunas presas aos postes dos candeiros. &lt;br /&gt;Depois de acabadas as farturas, decidimos pelas cadeirinhas.&lt;br /&gt;A roda-da-morte rodou e nós levantamos voo.&lt;br /&gt;O meu primo ficou mais próximo do centro, eu fiquei do lado de fora. À segunda volta a agonia subiu-me à boca e despejei o estômago. Voou o  restava do coelho do jantar, mais uns 4 litros de cerveja mais as 8 farturas. Depois no anonimato do ruído da roda-da-morte,  escarrei, cuspi e fiquei melhor. Assoei-me aos dedos, limpei as mãos aos bolsos das calças de ganga e quando a roda parou estava recuperado. &lt;br /&gt;À volta toda a gente olhava para o céu estrelado de finais de Julho. Algumas pessoas estavam abrigadas, outras inspeccionavam a roupa molhada. Alguns levavam o indicador à boca provando e comentando: parece cerveja... Os mais religiosos já se tinha ajoelhado e começado a rezar – Fátima é ali ao lado!!&lt;br /&gt;Nem eu nem o meu primo percebemos o que tinha acontecido... mas,  pelo sim pelo não,  afastamo-nos da roda-da-morte  e seguimos como pudemos para os carrinhos de choque. Foi ai que nos falaram do estranho fenómeno da chuva de cerveja.&lt;br /&gt;Bebemos mais. &lt;br /&gt;À noite vomitei na sala. Como não estava em casa e para não sujar os tapetes enchi as duas botas de cano alto de cerveja e ainda e sempre as farturas.Acordei com a rádio local a dar a noticia que tinha chovido cerveja e farturas sobre as pessoas  na noite anterior. &lt;br /&gt;A policia tomou conta da ocorrência. A GNR fez a investigação e prendeu o gajo dos carrinhos de choque porque tinha uma matricula falsa na carinha. O governador civil telefonou a perguntar o que raio se andava a passar. Apareceram o Tal-e-Qual, o Correio-da-manhã e o Voz do Arunca. Muitos fotografaram as sobras do fenómeno.  Ao inicio da tarde chegaram cientistas da universidade e Coimbra que empacotaram os restos da gosma em saquinhos de laboratório e foram analisar o fenómeno da chuva de detritos biológicos. Perceberam que era composto por farturas cerveja e coelho... mas nunca conseguiram explicar a razão de tão estranha chuvada... &lt;br /&gt;O presidente da câmara disse que a chuva amarela era manobra da oposição para estragar as festas. A oposição disse que tudo não passava de propaganda. Dois médiuns de Vilar de Perdizes falaram em incorporação e ectoplasma. Veio um Ovniologista que disse que o que choveu não era cerveja mas combustível de uma nave espacial. O Sr. Padre da Mata Mourisca disse que aquela chuva era um aviso sobre o pecado da luxúria. As beatas na igreja matriz ficaram ainda mais beatas com medo do diabo.&lt;br /&gt;Claro que eu escondi o segredo. Até agora nunca tinha contado a ninguém o volume da tosga.&lt;br /&gt;A única pessoa que teve capacidade para abranger toda a dimensão do fenómeno foi a minha avó que sempre disse:&lt;br /&gt;“ eles fritam as farturas sempre com o mesmo óleo e as pessoas ficam doentes. O rapaz sentiu-se mal disposto, é natural... Felizmente vomitou tudo, coitadinho!!!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111962307462757436?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111962307462757436/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111962307462757436' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111962307462757436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111962307462757436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/06/roda-da-morte.html' title='A Roda-da-Morte'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111926519787648008</id><published>2005-06-20T11:58:00.000+01:00</published><updated>2005-06-20T17:58:05.740+01:00</updated><title type='text'>O Elias Canibal</title><content type='html'>Estava calor e humidade.  O ar cheirava a gasóleo, a mar, a estufa,  a lixo e a fruta podre. As baratas voavam à volta do candeeiro da rua que iluminava e o grelhador com a sua luz amarela. Na cozinha que dava directamente para a rua, a Sicia, mulher  do meu amigo preparava o funge e  uma salada de tomate picado com cebola e gindungo. Eu e o  Luie vigiávamos a galinha no churrasco e emborcávamos minis  tiradas de uma geleira cheia de gelo.&lt;br /&gt;Éramos os dois convidados da Paty que era a dona da casa.. A Paty é uma mulata gorda que é a irmã mais velha que a Sicia. Desde quinze anos quinze anos que tomou conta dos irmãos. Nos seus trinta e pouco tem já a postura das matriarcas africanas. Fala calmo e severa e toda a gente à volta naturalmente lhe obedece. &lt;br /&gt;Antes de sair e tinha sido clara:&lt;br /&gt;-- Vou no aeroporto buscar o Elias. Não deixem chegar o fogo na galinha nem fiquem bêbados logo antes de chegar o Elias.&lt;br /&gt;O Luie respondeu com a descentração de quem é especialista em churrascos:&lt;br /&gt;--- Vai na boa que eu mantenho debaixo de olho os dois inimigos: não deixo o fogo chegar à galinha nem o branco chegar às cervejas...&lt;br /&gt;A Paty partiu com uma gargalhada inesperada na sua expressão sempre severa e nós abrimos mais duas minis.&lt;br /&gt; --- Mas quem é o Elias? Perguntei na minha ingenuidade&lt;br /&gt;--- É o namorado da Paty. Namoraram na adolescência lá e não se viram durante uns 12 anos. Continuaram sempre a namorar-se por cartas que foram chegando pelos padres durante a guerra. O ano passado o Paty foi ter com ele à Lunda Norte e o gajo agora vem viver para aqui. É um dos milhões de deslocados...&lt;br /&gt;O Luie foi explicando a historia enquanto despejamos  mais umas minis. O Elias foi recrutado pelas FAPLA quando tinha 17 e foi directamente para o Leste. A unita atacou  a zona. Por sorte, o Elias, não estava no quartel, mas sim a jogar à bola na aldeia. Por isso os Cuatcha não o mataram logo.  Levaram-no para a mata e fizeram-no bandido à força.  Durante décadas o recrutamento dos soldados do Sabimbi eram assim... Parece que este Elias passou um bocado...acho que teve de andar a matar à catanada os antigos companheiros de armas...  A unita não gasta munição com prisioneiro... Depois ficou com eles mais 7 anos até poder voltar para as Fapla.&lt;br /&gt;-- Foda-se!!!! &lt;br /&gt;--- Então e como é que os gajos do MPLA souberam que o tipo está a dizer a verdade e não era um provocador, um infiltrado??? Um gajo que trai uma vez...&lt;br /&gt;O Luie foi mijar atrás de um carro só para não se dar ao trabalho de ir a casa à retrete imaculada. Com a mini metida no bolso de trás dos calções e de costas para mim gritou:&lt;br /&gt;---Não sei... mas o gajo deve estar ai a chegar e depois perguntas...&lt;br /&gt;Metemos a terceira galinha no sobre as brasas e bebemos mais três minis cada um. &lt;br /&gt;A Quatro L da Paty não tardou.&lt;br /&gt;Ao contrario do Rambo que eu esperava o Elias não tinha físico para apanhar duas estaladas. Era um tipo negro retinto e muito magrinho, enfezado até dizer chega, com uns 55 quilos no máximo. Saiu do carro um pouco dobrado para a frente e trazia com um bigodinho ralo e um olhar triste.  Uns ténis nike brancos imaculados a contrastar com as suas calcas de sarja um pouco cocadas. Vinha a dançar dentro de uma camisola do Futebol Clube do Porto tres numeros acima. &lt;br /&gt;A Paty ordenou e o Elias cumpriu:&lt;br /&gt;-- Fica aí com esses dois a beber uma cerveja. O cantanhó é o Luie que vive com a minha irmã mais nova, o outro,  o pula é o Riki e esta de passagem. Eles são fixes mas muito abusados com a bebida. Vê se não começas ja a ganhar maus habitos.&lt;br /&gt;Rimo-nos os tres uns para os outros.&lt;br /&gt;O Luie abriu mais uma mini e passou ao Elias&lt;br /&gt;-- Xii dói o dente do frio da cerveja... não tem ai menos fria?? Desabituei de beber cerveja gelada... No mato não tinha agua quase nunca e não tinha cerveja quase sempre...&lt;br /&gt;Fui à cozinha e tirei uma mini da ultima grade que metemos no frigorifico. Estava praticamente morna. Voltei ao quintal com a garrafa na mão. Abri e dei-lha. Como sou um descarado, perguntei-lhe.&lt;br /&gt;-- Olha lá Elias, ouvi dizer que estiveste na  mata com a unita e depois voltaste para as Fapla. Como é que  convenceste os tipos do MPLA que não eras um provocador nem um espião infiltrado?&lt;br /&gt;O ex-militar olhou para mim e sorriu o sorriso tímido que mostrava os dentes imaculados:&lt;br /&gt;-- Pois camarada, não foi fácil. Mas eu fiquei firme durante os 7 anos até ter a confiança dos chefes Cuatcha. Quando eles já confiavam todo em mim, eu trouxe 12 deles para perto de um quartel dos nossos capturei eles. Foi com a ajuda do feiticeiro deles que pôs todos para dormir. Depois nós dois foi só amarrar eles. &lt;br /&gt;O bruxo ficou a tomar conta dos inimigo e eu fui chamar as Fapla. &lt;br /&gt;As Fapla mandou eu mais o bruxo matar todos os Cuatcha para mostrar que não éramos traidor. E nós fez logo a matança, obrigamos eles a fazer um buraco grande grande e sentar lá dentro e com a granada de mão matamos eles todos e tapamos o buraco no mesmo tempo.&lt;br /&gt;-- E esse feiticeiro que estava contigo? Agora também foi deslocado? Perguntou o Luie&lt;br /&gt;-- Não.&lt;br /&gt;-- Então o que é que aconteceu ao feiticeiro que te ajudou?&lt;br /&gt;-- eu matei ele. Assim que chegamos no quartel, eu matei ele logo mesmo. Com a faca do bruxo cortei o pescoço dele e abri todo ele para tirar o fígado. Era um bruxo mau mesmo porque tinha no fígado muito amargo muito amargo muito amargo. Teve que por uma mão cheia de tempero de gindungo... &lt;br /&gt;Vocês já sabe, quando é uma pessoa boa o fígado não sabe amargo. Quando é uma pessoa má o fígado é muito amargo amargo mesmo.&lt;br /&gt;Nisto a Paty interrompe para nos mandar seguir para mesa. Na sua autoridade de metro e meio, avisa logo que não quer conversas nem de guerra, nem de politica ao jantar. O Elias obediente ainda antes de se sentar pergunta entusiasmado:&lt;br /&gt;---  e o Engenheiro Pinta da Costa continua sendo o presidente do Porto, verdade? ( sem pausas e com o mesmo sorriso tímido prossegue) Carne de galinha é boa, carne de palanca é melhor, mas diz quem sabe que carne boa mesmo é carne humana....&lt;br /&gt;Pela priemira vez vi a sua gargalhada escancarada que passaria a povoar pesadelos.&lt;br /&gt;As mulheres riram da piada que interpretaram como brejeirice de quem tem fome de amor de namorada à décadas.&lt;br /&gt;O jantar continuou animado e não voltamos a falar de guerra nem de politica. &lt;br /&gt;Depois desse jantar passei a evitar comer iscas. &lt;br /&gt;Pessoalmente mantive-me vegetariano durante quase uma semana.&lt;br /&gt;Quando hoje, penso em certos tipos que eu cá sei, até me arrepiam os cabelinhos do cu só de lhes imaginar o sabor do fígado.  Nem com um camião de malaguetas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111926519787648008?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111926519787648008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111926519787648008' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111926519787648008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111926519787648008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/06/o-elias-canibal.html' title='O Elias Canibal'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111755717841210969</id><published>2005-05-31T17:31:00.000+01:00</published><updated>2005-05-31T17:32:58.420+01:00</updated><title type='text'>"Se os tubarões fossem homens" por Bertold Brecht</title><content type='html'>Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, respondeu o Sr. K. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adoptariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direcção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111755717841210969?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111755717841210969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111755717841210969' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111755717841210969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111755717841210969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/se-os-tubares-fossem-homens-por.html' title='&quot;Se os tubarões fossem homens&quot; por Bertold Brecht'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111693906541751600</id><published>2005-05-24T13:48:00.000+01:00</published><updated>2005-05-24T14:53:46.000+01:00</updated><title type='text'>A caçada do Manaças (ou porque não voltarei ao Cravo Azul)</title><content type='html'>Em Setúbal havia uma casa de putas chamada Cravo Azul. Era um sitio interessante sob o ponto de vista humano. As senhoras que lá trabalhavam não tinham encanto especial... a maior parte eram mulheres na pré-reforma a fazer dinheiro pra bucha. Encanto tinha a clientela do bordel. Uma verdadeira coleção de cromos. Mestres de embarcação e pescadores em dias de pagamento. Gansters  velhos do bairro da Camarinha. Homens das obras e empreiteiros de mão de obra ilegal. Soldados e caçadores. Velhos traficantes a festejarem uma saída precária. Novos traficantes a ganahr status de mau. De vez em quando um ou outro noctívago desviado que vinha ali dar no final da noite. Um sitio bastante recomendável.&lt;br /&gt;Numa das raras vezes que entrei no Cravo Azul, aproximei-me de um tipo chamado Manaças que pertence à interessante e populosa tribo dos caçadores. Eu já conhecia de vista  o Manaças no Barreiro à anos.. conhecíamo-nos de nos cruzarmo-nos mas nem sequer nos falavamos.  &lt;br /&gt;Foi na noite em que conheci bem o Manaças que tive a minha primeira experiência de caça. Nessa noite entrei no Cravo Azul com meu  amigo Luie. Também apreciador de ballet, o Luie e eu fomos encostarmo-nos ao balcão para ver o espectáculo de dança.  A loura toxicodependente ainda não se tinha acabado de despir por isso  ainda íamos na primeira cerveja quando rebenta a guerra. Uma zaragata mesmo ao nosso lado – porra é preciso ter azar... Quatro pescadores queriam esmurrar o um desgraçado que pedia desculpa desesperado. Achamos mal. Três contra um. Achamos ainda pior gajo que estava prestes a levar ser o Manaças. È certo que nem eu nem o Luie tínhamos grande confiança com o tipo... mas caramba é  um gajo do Barreiro... Conferenciamos e  fizemos uma votação aprovada por unanimidade por dois votos a favor e zero votos contra. Decidimos intervir.&lt;br /&gt;O gajo que ia comigo tinha sido campeão de kick boxin e na altura era capaz de fazer rotativos que pareciam monumentos à  Grande Deusa da Biquirada. O Luie era  tipo van-dame mas mais baixo e versão em preto. Truz Truz, dois pescas no chão. Os outros até ficaram de boca aberta. A loura escanzelada do strip tease parou de dançar e foi a correr aos guinchos tapando as mamas descaidas com as mãos e abanando o cu em equilibrio precario em cima das chinelas doradas de salto alto. O cinzeiro grande de loiça que eu estava a usar saltou e foi bater mesmo na cara do outro pescador que estava à minha frente. Boca fechada tromba no chão e dois dentes na serradura. O quarto elemento que ainda estava a segurar nos colarinhos do Manaças, levantou os braços para dizer já chega já chega. O Manaças encolheu-se disse-lhe está bem. Lamentavelmente, não concordei com o Manaças e por isso dei-lhe um pontapé nos tomates que o fez saltar como uma tainha do Sado nos dias de calor. O pescador-agressivo levantou os dois pes no ar e enrolou-se no chão aos nossos pés com os olhos revirados e a vomitar espuma. Não tenho vaidade nenhuma nisso, mas que foi uma linda arrochada lá isso foi!!!&lt;br /&gt;Ainda não tinham varrido os pescas do chão já estávamos na rua das traseiras com três armários deste tamanho cada um com um bastão na mão. Passei do balcão para as traseiras do bordel sem tocar com os pés no chão. Um gajo geneticamente fundido com um empilhadora agarrou-me por trás pelos cotovelos e nem tive hipóteses de meter a cabeçada... comecei a ver a minha vida a andar para trás... Porque sou um homem de paz, preferi o diálogo em vez da violencia. Escolhi a conversa e regeitei a hipotese da lhes bater... perceberam isso. O facto de também serem cabo-verdianos como o Luie ajudou. Os dois contos que cada um dos tres porteiros recebeu,  gentilmente doados pelo Manaças, acalmou definitivamente a coisa.&lt;br /&gt;Ja na segurança da rua principal, o Manaças estava verde de medo e peidava-se em voz alta do susto. Não sabia como havia de agradecer. Rapaz calado e tímido, nem sabia o que dizer. Eu lembrava-me dele no liceu como um daqueles marrões que andam sempre a lamber o cu aos professores... O Luie também o conhecia de vista... Explicava que não era hábito ir ali... estava à espera do pai e de outros caçadores que deviam chegar. Não se metia em brigas. &lt;br /&gt;Nós também não nos metíamos em brigas... e por isso era melhor despistar uma eventual perseguição dos pescadores...Decidimos mudar o carrinha do Manaças para a outra ponta da Av. Luisa Todi. Na descrição do golf do Luie esperamos com o motor ligado e luzes apagadas. Os outros caçadores vinham ter com o Manaças à porta do Cravo Azul. O rapaz continuava a agradecer e a fazer conversa para nos agradar. Porque sabia que eu estava ligado ao PC,  assumia-se como um convicto comunista. Ao meu amigo Luie, como o tipo é preto, o Manaças dizia que não era racista, e que gostava muito do Bob Marley. &lt;br /&gt;O rapaz desfazia-se em gratidão. &lt;br /&gt;Percebemos que tinha ido parar aquele antro por acaso e queria poder armar-se em duro ao pé do pai e dos outros caçadores a dizer que tinha ido para o Cravo Azul sozinho. A coisa correu-lhe mal. A cena de pancadaria com os pescas foi a maior aventura que teve na vida. Para ele nós éramos assim uma espécie de deuses selvagens a quem era preciso agradar. Se lhe pedisse-nos levava-nos ao colo para a cama da mulher...&lt;br /&gt;Nós percebemos a subserviência o Manaças e se não lhe pedimos a mulher, mal chegaram os outros caçadores na FordTransit  perguntamos se também podíamos ir.&lt;br /&gt;Seguimos em excursão. No carro do Luie seguimos o Manaças eu e o próprio Luie. Na FordTransit iam os outros caçadores. A FordTransit  rebocava um atrelado enorme com mais 5 perdigueiros.&lt;br /&gt;Quando o sol nasceu estávamos eu e o Luie algures entre Coruche e Aguas de Moura a tomar o pequeno almoço entre 5 caçadores. Quatro cinquentões veteranos da guerra colonial entusiasmados como adolescentes. O Manaças que era filho de um deles. Eu  e o Luie destoávamos pela roupa à civil ... os cães fazia a festa à nossa volta e a conversa invariavelmente incidiu sobre a briga. O Manaças fez de nós os dois rambos do Vietname e dos outros mitras vilões gigantescos e armados até aos dentes. Deixamos a historia correr e é sempre fixe quando nos tratam como heróis. Abriu-se mais vinho.&lt;br /&gt;A impaciência dos cães e a minha tesão de experimentar  a caçar acelerou o pequeno almoço de chouriço e vinho que provavelmente iria durar ainda mais uma hora. &lt;br /&gt;Os carros ficaram junto a um sobreiro enorme numa estrada de terra batida. Os caçadores mais velhos explicaram a estratégia com riscos no chão e setas desenhadas na terra da estrada. Entramos pela mata e dividimo-nos . Seguimos todos separados excepto os não caçadores. O Luie foi com o Manaças, eu fui com o pai do Manaças. Os outros três foram à nossa direita. Afastados ai um 100 metros uns dos outros formávamos um linha pelo montado a dentro. Por nós não passaria coelho ou perdiz. Os cães corriam e saltavam à nossa volta.  Estava frio e humidade. Os campos aquela hora tem sempre uma beleza mística de catedral gótica. Principalmente no Inverno. Orvalho e pássaros a cantarem o despertar. De vez em quando o vislumbrar momentâneo de uma lebre ou de um coelho.  Tiros. Devagar íamos prosseguindo em silencio. &lt;br /&gt;O passeio acabou por se tornar monótono para mim que não levava espingarda. Uma hora daquilo chega. Limitava-me a seguir pelos campos um gajo que não conhecia de lado nenhum e com quem não podia falar. O pai do Manaças desde que saiu do carro a única coisa que me respondia era pxiuuu com o indicador cruzado sobre o nariz e a boca.&lt;br /&gt;Quando finalmente chegamos a uma outra estrada de terra batida, juntamo-nos todos outra vez. O tipo que ia na ponta da linha de 5 tinha abatido dois coelhos. O Manaças foi quem disparou mais vezes mas não tinha abatido nada. O Pai do Manaças tinha visto uma  três coelhos  mas não fez fogo porque não tinha a certeza que matava. Bebemos agua. Eu brinquei com os cães e repreenderam-me pelo barulho. Proibiram-nos de  fumar e preparamo-nos para outra sessão de perseguição silenciosa...&lt;br /&gt;Percebi que o Luie estava tão enfastiado como eu... Eram quase nove e meia da manhã e a ressaca começava a pesar...&lt;br /&gt;Antes de retomarmos a nobre arte da caça, o Manaças informou que se ia agachar. Levou a espingarda e afastou-se uns metros entre os arbustos procurando a parte de trás de um sobreiro. &lt;br /&gt;Não tinham passado dois minutos, no silencio da mata soou um tiro vindo dos lados da casa de banho do Manaças. &lt;br /&gt;Fomos ver. O Manaças estava de calças em baixo deitado em cima de um monte de merda a sangrar da sobrancelha. &lt;br /&gt;--- Era uma raposa. Era uma raposa. Não assentei bem a arma no ombro e caí.&lt;br /&gt;Caiu ele na própria bosta mas a raposa não caiu... &lt;br /&gt;Quando percebeu que estava deitado na própria merda mandou-nos embora humilhado.  Nós evitamos rir muito muito. &lt;br /&gt;O rapaz voltou passados dez minutos, já com o olho a ficar negro, depois de se limpar como pode, decidiu-se por vir para casa.&lt;br /&gt;Nós não lhe agradecemos. Nem nos importamos muito com o cheiro a merda dentro do carro... eu dormi no banco de traz enquanto o Luie ressonava no lugar do morto do seu próprio carro. O Manaças veio calado o caminho todo e pelo retrovisor ia confirmando que os pescadores de Setúbal  não vinham atrás dele.&lt;br /&gt;Cheguei a casa ao meio dia tomei um duche. À uma compareci como pude num almoço de família.  Nunca mais voltei à caça. &lt;br /&gt;O Manaças continua a morar no Barreiro, é bancário e de vez em quando cruzo-me com ele. Parece que deixou a caça e se dedicou à pesca. Mas duvido que tenha alguma vez tenha voltado a por os pés no Cravo Azul. Tal como ele eu tambem nunca mais entrei em tão vil casa de putas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111693906541751600?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111693906541751600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111693906541751600' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111693906541751600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111693906541751600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/caada-do-manaas-ou-porque-no-voltarei.html' title='A caçada do Manaças (ou porque não voltarei ao Cravo Azul)'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111649680460998075</id><published>2005-05-19T10:58:00.000+01:00</published><updated>2005-05-19T15:01:00.746+01:00</updated><title type='text'>Xiri em Fátima</title><content type='html'>Já não moro nas sobrancelhas do Dr. Resende. Fartei-me do ginecologista e da sua vida suja. &lt;br /&gt;Na sexta-feira passada, aproveitei a viagem do Resende para Freixo de Espada a Cinta e despedi-me do medico. Agora estou noutra!!! O Resende parou na área de serviço de Pombal para meter gasolina, mijar e esfregar írudoide no hemorroidal. Na box do urinol dos homens demorou-se mais um bocadinho que o normal e eu mudei de casa. &lt;br /&gt;Nem tive de saltar. Mudei-me directamente da sobrancelha esquerda do Dr. Resende para os pelos púbicos do Cónego Vieira. È por isso que agora estou aqui em Fátima a saltar em cima de teclado HP no gabinete de impressa do episcopado de Leiria.  &lt;br /&gt;Larguei eu um ginecologista de Santa-Maria porque estava farto de javardeiras e vim parar a um sitio onde a promiscuidade é muito pior!!! Ou então tenho azar com os meus hospedeiros… &lt;br /&gt;Então é assim, como dizem as vedetas do big brother. O Cónego Vieira saiu-me ainda mais putanheiro que os amigos do Riky Martin… O cabrão do padre nos seus quarenta e cinco anos pesados e gastos é um candidato ao premio Nobel da devassidão... Quem diria...dispara sobre tudo o que mexe: &lt;br /&gt;Mal saiu da auto-estrada parou para ir às putas comeu uma toxicodependente desdentada que depois de muito regatear lhe fez o serviço por  5 euros. Ainda antes de vir para a residência episcopal onde tem o seu humilde quarto de viúvo como gosta de dizer,  foi buscar a roupa lavada à casa da Dona Genoveva que é a governanta externa. A mulherzinha mora à entrada de Fátima, o Cónegos passou por lá  e não deixou de montar a pobre senhora que nos seus setenta e dois continua operacional e sem conseguir dizer que não a uma batina. Chegado à residência,  pediu ao Frei Domingues que se penitenciasse,  o pobre franciscano marrequinho e semi atrasado mental, lá teve que se ajoelhar para chupar a pila ao Cónego. &lt;br /&gt;O Domingues acabou mesmo a tempo do banho do Cónego. Eu assim que ouvi a palavra banho assustei-me. Quando a roupa do Cónego Vieira foi despida e empilhada  no chão da casa de banho agarrei-me mais ao cabelo encaracolado onde estava. Fiz casa, precisamente na parte de baixo do testículo direito do cónego e preparei-me para o pior Esperei para a invasão de agua quente e sabão. Afinal não foi tão mau quanto isso. O banho foi ligeiro, em vez de quente a agua era morna e em vez de sabão o Cónego esfregou-me mal e porcamente com um gel de banho espanhol que a Dona Genoveva compra na loja dos trezentos. Depois do banho o cónego mudou de cuecas e de meias e foi directinho para a missa. Rezou, comungou, cantou e abençoou os ignorantes que encheram a capelinha das aparições.. &lt;br /&gt;No sábado depois de ver o Benfica, foi jogar às cartas. O Cónego Vieira juntou-se com mais quatro amigos todos padres e ficaram a jogar à lerpa até às sete da manhã. Beberam duas garrafas de whisky. Já o dia ia alto quando o Cónego voltou para a residência, chegou e foi cagar uma diarreia que empestou os corredores. Tomou duche de agua fria para lhe passar a ressaca.  Nem sequer usou o gel de banho – para mim foi um descanso. Fez a barba no duche e cortou-se no queixo, gritou foda-se e urinou para a o lavatório só para chatear o Frei Domingues que faz a limpeza. Lavou os sovacos com oldspice e correu para a igreja. Pelo caminho e acelerando o seu onda civic bebeu uma coca-cola que o fez arrotar como um sapinho de 5 quilos. Por mais que mantivesse a boca fechada os seus arrotos ácidos ressoavam como trovoada ao longe e ensombram a missa das nove.&lt;br /&gt;Quando chegou da missa por voltas das onze vinha a precisar de descanço. Chamou o Frei Domingos para que o chupasse  e deitou-se logo a seguir. Dormiu até serem perto das 8 da noite.  &lt;br /&gt;Quem não sabe fica a saber, mas sair em Fátima num domingo à noite é lixado. O altar do mundo parece o Algarve à chuva de Inverno --  completamente desolado... Por isso o Cónego Vieira decidiu ir até Vila Nova de Ourem. Comeu um bitoque solitário no café central e bebeu 4 canecas de cerveja.  Na televisão comentadores desportivos engravatados a diziam a mesma coisa pelo direito e pelo avesso.  Pediu um whisky para acompanhar a conversa. Depois outro. A sua veia benfiquista veio ao de cima. O café fechou depois da uma e meia e o Cónego foi o ultimo cliente a sair. O empregado que é do Sporting até fez o favor de lhe dizer que o golo do Benfica afinal não era roubado. Satisfeito e bem bebido, foi tocar à campainha do nº26 da Rua Professor Cavaco Silva. Uma vivendazinha discreta que funciona como bordel quase exclusivo para os religiosos de Fátima... como já passava das duas não lhe abriram a porta. O Cónego ficou tão furioso com a desfeita que deu duas voltas pequena vilazinha à procura de um cão ou de um gato para atropelar. Como não conseguiu matar que mexesse a sua frustração aumentou. Por isso quand chegou à residência em Fátima, sodomizou com brutalidade o pobre Frei Domingues  e no fim deu-lhe um pontapé no rabo e um murro na marreca do frade que se quixou com um ai surdo e desapareceu no corredor... Adormeceu já próximo das 4 da manhã.&lt;br /&gt;Na manhã de segunda às 9 horas já aqui estávamos no gabinete de imprensa.  Estava marcada uma reunião para as dez que começou ao meio-dia. Os jornalistas do costume vieram próximo da hora de almoço para comerem à conta do episcopado. Às 4 da tarde o Cónego voltou com uma senhora da Rádio Renascença que pretende fazer uma reportagem sobre “o que significa estar casado com Deus no século XXI”.  Mal entraram na sala de reuniões percebi o que ia acontecer... Quando o cónego se despiu aproveitei e vim para aqui para o teclado.&lt;br /&gt;---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente só hoje, que é quinta feira é que pude mandar este mail... &lt;br /&gt;A razão deste meu atraso é que o cónego passou os últimos três dias  na praia de vieira da Tocha com a jornalista da Renascença. Ele explicou ao bispo que ia para Lisboa ajudar na documentação da reportagem. Ela disse la para a Redacção que tinha de ficar mais dois dias em Fátima... &lt;br /&gt;Alugaram um quarto na praia da Tocha e passam três dias a fornicar. Deu direito a tudo quanto é perversão. A Jornalista da renascença deixa a anos luz todas as profissionais que conheci e vi trabalhar!!! Quais brasileiras, quais ucranianas... se os tipos das casa de alterne transmontanas soubessem iam recrutar a mão de obra toda à renascença!!! Até velas da missa foram usadas. Para não falar da chuva dourada sobre a batina... Um mimo. Alguns dos momentos mais significativos ficaram guardados para a posteridade na câmara digital que o episcopado comprou e que o cónego Vieira levou.&lt;br /&gt;A festa durou até ontem à tarde quando a senhora teve que voltar para Lisboa porque o marido que é jornalista na TVI ameaçou em vir ter com ela a Fátima se a gaja não voltasse para casa nessa mesmo dia... &lt;br /&gt;Foi um Cónego Vieira  cansado e solitário que voltou da Tocha. Nem sequer parou nas putas da estrada nacional. Deitou-se cedo e levantou-se cedo para vir para aqui para este diminuto gabinete de imprensa... &lt;br /&gt;Está desde as 9 da manhã a passar as fotografias dos últimos três dias para o computador. Há uma em que a gaja da Renascença está de gatas e despida e o cónego quer partilhar o monumento que é aquele cu com alguns amigos. Também vai mandar para os antigos colegas do seminário uma outra em que aparece a senhora de corpo inteiro --- para que aqueles rotos vejam o que é bom!!!!  Como algumas das fotografias estão realmente  escaldantes o Cónego não resistiu a abriu a braguilha para sujar-se a si próprio com o pecado da masturbação... &lt;br /&gt;Aproveitei a oportunidade para saltar para a secretária...escondi-me no teclado e esperei. Agora que o Cónego foi cagar envio para o Riky este textozinho, que vai publica-lo logo já a seguir. &lt;br /&gt;O tipo puxou o autoclismo. Tenho de me esconder.&lt;br /&gt;Xiri.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111649680460998075?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111649680460998075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111649680460998075' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111649680460998075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111649680460998075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/xiri-em-ftima.html' title='Xiri em Fátima'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111598492356383715</id><published>2005-05-13T12:47:00.000+01:00</published><updated>2005-05-18T13:47:49.680+01:00</updated><title type='text'>A lua cheia do Bolinha</title><content type='html'>Nos anos 80 e inicio  dos anos 90 não apareciam muitos acidos no Barreiro. De vez em quando lá havia alguém que arranjava LSD, cogumelos alucinogénicos ou mescalina . Quando isso acontecia havia festa. O pessoal juntava-se em grupo e viajávamos no barulho das luzes. Talvez já se tivessem inventado as rave partis, mas classificávamos como idiotas os tipos que iam tomar extasy e dançar. Nós éramos diferentes. Entre nós havia os idiotas racionais simples que tomam ácidos para ficarem pedrados. Havia os idiotas oportunistas que  tomavam ácidos para comerem gajas alucinadas . E havia os idiotas  místicos que tomavam ácidos para comunicarem com outros mundos. Eu estava claramente neste grupo. Havia também os  sub-idiotas que tomavam ácidos para mimetizarem os comportamentos dos outros idiotas mas esse não interessam para a historia. &lt;br /&gt;A verdade é que  houve um tempo em que era suficientemente parvo e ingénuo para procurar Deus. Em vez de ir à catequese tomava ácidos. Era o acto procurar Deus com bengalas químicas. Felizmente que das vezes que caí nunca me magoei seriamente... e guardo recordações engraçadas dessa altura. Falo-vos da pré-história dos ácidos. &lt;br /&gt;Este vosso Riky Martin e mais alguns eleitos jurávamo-nos e seguíamos para o “vente da mãe natureza”, longe de estímulos que classificávamos como negativos e íamos curtir a nossa esquizofrenia tentando aumentar a consciência cósmica. &lt;br /&gt;Fugia para a serra da Arrábida que era já quase a minha casa de fim de semana. Ia para Porto-Covo e para a Ilha do Pessegueiro. Para a Serra de Sintra. Algumas vezes quando o orçamento era mais curto procurávamos o “ventre da mãe natureza” na praia do Barreiro ou na Mata da Machada. Ficávamos a desvairar sobre as cores do por do sol sobre o rio com os barcos da CP a passarem-nos ao largo. Era bonito.&lt;br /&gt;Ainda hoje e herança desses tempos, gosto ficar deitado no chão olhar para o céu estrelado e deixar-me cair no vazio. E gosto de fechar os olhos no campo e ficar a ouvir o canto dos pássaros e imaginar cores a acompanhar os sons. Talvez também seja herança de viagens de ácidos, mas há duas luas por ano que eu não gosto de perder: Alua cheia de Janeiro e a lua cheia de Agosto. A primeira branca e a segunda amarela. À mais dez anos sem ácidos continuo a planificar a noites de lua cheia de Agosto e Janeiro. Com ou sem companhia. Com ou sem copos. No campo, na praia, na montanha ou no deserto. Gosto de ficar assim uma hora ou duas a olhar para a lua e a pensar na vida que é a mesma coisa que dizer sem pensar em nada... &lt;br /&gt;Uma dessas noites magicas de luar inesquecível foi a Lua cheia de Agosto de 1993. Portinho da Arrábida de quarta para quinta. De um grupo de uns seis, dois tomamos acido. Eu e outro místico. Tivemos o químico guardado à espera da lua cheia durante mais de três semanas. Preparativos organizados com a precisão de uma cerimonia religiosa.  Lavamos no saco a nossa Bíblia que era o livrinho do Dr.Timothy Larry sobre a experiência psicadélica, versão inglesa fotocopiada da biblioteca publica de Amesterdão. Levamos fruta chocolates, sumos e não tocamos nem em álcool nem em charros.&lt;br /&gt;Chegamos ao Portinho ao final da tarde. Algumas famílias resistentes recolhiam os chapéus de sol. Subimos ao monte branco e deixamo-nos ficar a tocar guitarra e a bater em tambores. Tomamos a cena ao por do sol e foi um delírio. As cores do céu sobre o mar comoveram tanto o outro tipo que ia comigo que o fez chorar de alegria. Eu encarnei uma gaivota. Enquanto o pássaro se afastava na direcção do cabo espichel cheguei a sentir o vento a bater-me nas penas. Recordo a forma como o som da areia a ser pisada fazia sair luz da linha do horizonte. Depois a noite de luar magnifico que fazia uma estrada sobre o mar na direcção da Anixa. Na praia alem de nos um ou outro pescador que respeitavam a distancia de segurança e privacidade. Noite quente com uma brisa morna a lembrar-nos que Africa é já ali. Tudo perfeito. Se não éramos deuses pelo menos sentíamo-nos como tal. Tudo nos foi revelado nessa noite. Infelizmente, depois do acido descer todo voltou a ser oculto outra vez. A luz branca da lua era Deus que comunicava connosco através da onditas calmas da baia do Portinho. Ao nascer do dia um tronco a boiar transformou-se no crocodilo primordial que traz o mundo às costas. O sol ao levantar-se por trás da serra era Deus feito luz a encandear-nos e assumir todo a potencia da verdade que cega. &lt;br /&gt;Entretanto das outras pessoas que estavam connosco, uns estavam mais ou menos bêbados e outros mais ou menos ressacados. O sono deu-lhes com força por volta das sete da manhã e decidiram montar uma tenda canadiana para dormirem na sombra hiper-aquecida.  &lt;br /&gt;Nem eu nem o Feijone pretendíamos dormir. Estávamos na fase do baptismo purificador no mar Mãe Universal de vida, quero dizer com isto que fomos dar um mergulho. Por isso não ligamos à tenda. &lt;br /&gt;Nós não ligamos mas houve alguém que ligou. Nem dez minutos passaram desde que a tenda foi montada até aparecerem  dois guardas florestais e um cabo-do-mar.&lt;br /&gt;-- Vamos a acordar e a levantar a tenda. Estão num parque natural e é proibido acampar. &lt;br /&gt;Entre os mais sóbrio vozes razoáveis tentaram argumentar&lt;br /&gt;-- Mas nos não estamos a acampar, chegamos à pouco e só queremos descansar umas horas. &lt;br /&gt;O Cabo do Mar, cortou autoritário:&lt;br /&gt;-- Chegaram ontem à noite que nós vimos muito bem.&lt;br /&gt;Eu e o Feijone, assistíamos à discussão à distancia suficiente para ouvi-los, mas suficientemente longe para não lhe dar importância. Nisto, num repente o meu amigo abandona-me no êxtase místico e decide-se por interromper a discussão dos mortais. Para isso, avança directamente sobre o cabo-do-mar, dá-lhe um valente caldo e grita:&lt;br /&gt;-- Bolinha pá, assim vestido de almirante não te reconhecia!!! Tas bom?&lt;br /&gt;Silencio de todos os presentes excepto do cabo do mar que começa logo por esclarecer que não é o Bolinha.&lt;br /&gt;-- Não és o bolinha o quê, pá!!! Este gajo sempre foi um granda gozão!!! É  um fixolas. Tas a fingir para quê Bolinha????&lt;br /&gt;Felizmente que nesta altura os mais sóbrios já estavam a desmontar a tenda e por isso o guardas florestais (convencidíssimos que o cabo do mar é o Bolinha) decidiram-se ir embora. O Almirante, ainda negou mais duas vezes que não era o Bolinha, que há pessoas muito parecidas... ninguém acreditou nele e por isso aproveitou a boleia dos guardas florestais.&lt;br /&gt;Afastado o perigo, todos perguntamos ao Feijone:&lt;br /&gt;-- mas olha lá, tu conhecias o gajo?&lt;br /&gt;-- eu não!!!! mas assim que olhei para achei-o parecido com um gajo lá da minha rua que é o Bolinha....&lt;br /&gt;O resto do dia foi fantástico e claro que o cabo-do-mar não voltou a incomodar, de qualquer modo partir desse dia, toda a gente o conhece pelo Bolinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111598492356383715?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111598492356383715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111598492356383715' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111598492356383715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111598492356383715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/lua-cheia-do-bolinha.html' title='A lua cheia do Bolinha'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111580961857846092</id><published>2005-05-11T11:51:00.000+01:00</published><updated>2005-05-11T18:27:36.123+01:00</updated><title type='text'>O Xiri e a Peixeira Brites</title><content type='html'>O Dr. Resende voltou a meter os cornos na palha. Isto é, o Resende voltou a adormecer com a cabeça em cima da secretaria. Aqui em Stª Maria não é problemático. Esta merda é tão grande que mais medico menos médico ninguém nota a&lt;br /&gt;diferença. A verdade é que o Dr. Resende é bastante mal tratado pelos colegas que lhe chamam bêbado seboso e dizem que o gajo alem de panilas é porco. Talvez seja verdade ... o que é certo é que é o Dr. Resende que apanha com todo quanto é caso bicudo. Todos trabalhos que os outros não querem aqui na unidade de obstetrícia de Stª Maria vão parar ao pobre Resende. E ás vezes é com cada trabalho.... &lt;br /&gt;Hoje foi complicado. O Resende chegou cedinho às 11 e já viu 4 senhoras. A primeira paciente foi uma rapariga toxicodependente com 17 anos com uma mata de pelos mais habitada que a Reboleira. Veio cá para lhe receitarem pílulas e para papar o almoço que as auxiliares servem a quem espera. Teve pouco tempo de consulta. &lt;br /&gt;Dez minutos depois da drogada ter entrado chegou de emergência uma estudante de gestão. Dezanove aninhos bem medidos,  militante da JSD cujo pai é presidente da junta de Sendim do Douro. Não tomava a pílula porque é católica. Entrou&lt;br /&gt;directamente para as urgências. Vinha com uma hemorragia interna de um desmancho mal feito por uma parteira da praça do Chile. Pintelhos crespos mas limpos e cuequinhas cor de rosa com a imagem da nossa senhora de Fátima à frente. O namorado&lt;br /&gt;veio com ela de traje académico e a rezar o terço. Lá se safou.&lt;br /&gt;A seguir vieram duas senhoras brasileiras que sendo putas pretendem fazer a revisão do aparelho produtivo. Boazonas e bem tratadas exageram nitidamente na higiene. Ambas traziam a  púbis rapada o que para mim é um deserto sem vida!!!Devia ser proíbido.&lt;br /&gt;À uma menos 15 almoçar com um delegado de propaganda medica que embebedou o Resende e o convenceu a começar a receitar Aspirona – aspirina genital a todas as doentes. &lt;br /&gt;Depois de almoço chegamos ao esses porque  Dr. Resende veio atravesado e cambaleava pelos corredores. &lt;br /&gt;Mas o pior estava para vir. Neste dia complicado o caso da jornada, comodizem os comentadores desportivos,  foi a Dona Brites. A Brites pesa 103 quilos e é peixeira no mercado do Rego. Nascida em Vila do Conde e moradora em Chelas vivem em Lisboa à mais de 30 anos mas nunca perdeu o seu sotaque do norte carago.&lt;br /&gt;Chegou às 6 e meia da manhã e foi atendida à três e vinte da tarde. O costume no Serviço Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;Veio até cá porque andava a sentir umas irritações cutaneas e odores corporais, que é o que os médicos chamam ao cheirinho a bacalhau. Devo dizer-vos que andava a senhora a sentir odores e andava o bairro inteiro de Chelas a apertar o nariz!! Toda&lt;br /&gt;a ala sul do hospital de Stª Maria está empestada. A dona brites entrou com a enfermeira e automaticamente os calou os poucos pardais que ficaram na arvore em frente à janela porque a maioria levantou voo. Foi impressionate. A&lt;br /&gt;senhora sentou-se na marquesa, levantou as saias e abriu as pernas. Eu que de kricas e partes baixas já tive a minha dose, devo dizer-vos que nunca tinha visto nada assim!!! Pobre senhora...até tinha bolor à volta !!! Tudo quanto era bicheza da minha espécie já tinha fugido. Nem piolhos nem lendias. Solitárias e perigosas passeavam-se algumas aranhas predadoras caçando pulgas na floresta entre o umbigo e o cu. Aterrorizado agarrei-me mais às sobrancelhas onde faço casa e rezei ao meu Cristo ortodoxo para que nenhuma aranha me atacasse!!!&lt;br /&gt;A Dona Brites num suspiro disse:&lt;br /&gt;-- Ai doutor benha cá ber-me a passarinha porque eu ando cuma comichom nas partes que num se pode carago!!!! também debe andar a deitar um cheiro esquisito...&lt;br /&gt;( pela maneira como tresanda  a passarinha já morreu dentro da gaiola à três semanas...) &lt;br /&gt;O Dr. Resende, cheio de tacto e paciência confirmou: &lt;br /&gt;-- à pois é... tem aqui um certo odor corporal.... Sr. Enfermeira , por favor abra a&lt;br /&gt;porta para fazer corrente de ar...&lt;br /&gt;-- Pois é cheira um bocadinho...  como eu sou peixeira de profissão num noto os cheiros mas nos últimos meses tem-me bindo um certo cheirito...Mas pior que o pibete é a comichom... ainda pensei que fosse alguma camada de chatos oferta do meu marido...mas o gajo não me toca bai para mais de três anos.... Também lhe digo&lt;br /&gt;doutor, o meu marido do cheiro nunca se queixou, mas bêbado como anda sempre  nunca o vi queixar-se de nada... Bim ca por causa do meu amante o Lourenço que é um moço indiano e tem uma mercearia lá no mercado do rego... Ele é que se queixa mais com o cheiro... O Lourenço queixa-se  e as minhas bizinhas lá do prédio também se queixam. Dizem que  quando eu passo murcham as flores das escadas. Lá em Chelas estabam a&lt;br /&gt;organizar uma colecta para me comprarem um bidé, eu é que num quis, tinha um la im casa que tirei e meti na baranda cumas coubezinhas. O que se passa é que eu ando farinha das oubir falar nas minhas costas...caramba uma mulher também tem a sua dignidade num é doutor?&lt;br /&gt;-- Olhe vou receitar-lhe este desinfectante Distron Extra Forte e mais umas Aspirinas Genital para tomar duas antes das refeições. Senhora vai ter que se lavar três vezes ao dia com agua corrente.&lt;br /&gt;A Dona Brites reencheu-se na sua seminudez o que libertou ainda mais aroma. Eu cá de cima da sobrancelha esquerda do Dr. Resende, só não vomitei porque os piolhos não vomitam!!!  À volta do buraco os pelos faziam rasta -- era uma krica regie!!! &lt;br /&gt;Nisto o Dr. Resende comenta:&lt;br /&gt;-- Sr. Enfermeira, noto aqui junto aos grandes lábios e agarrada aos pelos púbicos uma massa não identificada. Importa-se de recolher uma amostra para fazer-mos a analise laboratorial? &lt;br /&gt;-- Ai só doutor num bale a pena... isso sou eu que limpo o cu de trás para a frente e bem-me sempre parar uns rebolhoezitos de merda à entrada da paxaxa!!!!&lt;br /&gt;O Dr. Resende perdeu o piu. Entristecido escondeu a cara entre as mãos e fechou os olhos. A enfermeira levou para fora a Dona Brites e eu limitei-me a esperar que o Resende adormecesse. &lt;br /&gt;Não demorou 5 minutos que o medico começasse no seu ronco ritmado que me permite ter a paz suficiente para poder vos escrever. &lt;br /&gt;Amanhã conto-vos mais.&lt;br /&gt;Este vosso Xiri.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111580961857846092?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111580961857846092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111580961857846092' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111580961857846092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111580961857846092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/o-xiri-e-peixeira-brites.html' title='O Xiri e a Peixeira Brites'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111572943612487532</id><published>2005-05-10T13:49:00.000+01:00</published><updated>2005-05-10T13:50:36.130+01:00</updated><title type='text'>O Esclarecimento que se impunha</title><content type='html'>Caros leitores do blog. &lt;br /&gt;Cambada de vagos. &lt;br /&gt;Serve esta comunicação para esclarecer o como e o porquê da minha relação e da forma como conheci o Xiri.&lt;br /&gt;Sei que não sou um ser perfeito.&lt;br /&gt;Sei que ao longo da minha vida cometi  muitos erros e por vezes fui menos cuidadoso na escolha das minhas companhias... Mas não deixo de me sentir profundamente ofendido por porem em causa a higiene das minhas partes baixas. &lt;br /&gt;Mesmo nos sítios  mais remotos e inacessíveis a higiene pessoal sempre foi para mim uma constante. Lavei os tomates com agua do mar, dos rios, da torneira e com agua engarrafada. Lavei os tomates  no mar, no ar , dentro de carros , em comboios, em tendas e em pinhais. Já lavei os tomates com agua gelada nos Himalaias. Em regatos tépidos na floresta tropical. Lavei os tomates coma agua do luso poupando um garrafão nos tórridos desertos das africas. Lavei os tomates nos desertos da Índias. Já lavei os tomates e o resto das partes baixas em hotéis de 5 estrelas e em retretes imundas. Já lavei os tomates em casas de banho de bombas de gasolina. Já lavei os tomates em retretes de taberna e em casa de amigos. Mas sempre, sempre, lavei os meus tomates diariamente.&lt;br /&gt;Ao lado do amor, da amizade e das minhas convicções politicas, a higiene pessoal é um valor que cultivo, cultivei e cultivarei. Por isso fiquei sentido e triste por de uma forma tão vil e ultrajante aparecerem vozes a sugerir que eu conheci o Xiri numas cuecas usadas. É Falso.&lt;br /&gt;Conheci o Xiri no chat da Internet sobre acções de cidadania. Eu pretendia a proibição dos fabrico e do uso de aspiradores e o Xiri estava envolvido lutando pela  proibição o fabrico do Quitoso genital!!!  Falamos e tornamo-nos amigos. E porque me pareceram interessantes  as analises e as crónicas que o Xiri escreve, optei por partilhar com ele este espaço. Só isso.&lt;br /&gt;É lamentável que certas bocas foleiras possam por em causa décadas de higiene!!! &lt;br /&gt;Mas a vida continua.&lt;br /&gt;E em breve talvez possa publicar mais e novas historias.&lt;br /&gt;Riky&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111572943612487532?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111572943612487532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111572943612487532' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111572943612487532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111572943612487532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/o-esclarecimento-que-se-impunha.html' title='O Esclarecimento que se impunha'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111568640400720883</id><published>2005-05-10T01:51:00.000+01:00</published><updated>2005-05-10T01:53:24.013+01:00</updated><title type='text'>Primeira comunicação do Xiri</title><content type='html'>Vou tentar ser rápido não vá o Dr. Resende acordar.&lt;br /&gt;O meu nome é Xieribietz. Mas todos me conhecem como o Xiri. Eu sou um chato. Sou um chato não por chatear o indígena ou por ser melga. Sou chato por que é esta a minha natureza e espécie. Sim é isso, sou um chato mesmo chato. Sou um pequeno piolho desses que vivem nos pintelhos mal lavados. Sobrevivo de sugar o sangue que irriga as raízes dos pelos púbicos. Mas atenção, não me confundam sou um chato especial. &lt;br /&gt;Nasci de um óvulo modificado geneticamente na explosão nuclear de Chernobil. Na catástrofe que marcou o início do fim da união dos sovietes muitas aberrações foram produzidas. Peixes peludos nos rios radioactivos. Crianças telepáticas. Passarinhos com voz de bode. Anões a calçarem o 45. Mulheres de barba. Sapos que jogam xadrez. Moscas que vomitam luz verde e outras esquisitices. Em Chernobil um pequeno erro humano desregulou o intestino grosso da mãe natureza que para se vingar as ofensas cagou um sem número de raridades biológicas. Somos centenas de criaturas catalogáveis num monstroario secreto que os russos esconderam e os ucranianos herdaram. &lt;br /&gt;A minha história pessoal apesar de secreta é bastante simples. Eu que agora sou um chato. E antes de Xernobil já era chato. Simplesmente não estava consciente da minha condição de parasita venéreo. &lt;br /&gt;No momento 0, o momento da explosão já eu era chato e andava a passear-me nos pelos púbicos do empregado da limpeza do reactor 127, o Sacha que foi meu primeiro hospedeiro. Quando o chão começou a tremer e um cheiro a urânio mal queimado empestou o ar senti um grande calor e vi tudo branco à minha volta. Devo ter desmaiado porque não me lembro de mais nada. Acordei dois dias depois no hospital de campanha improvisado pelas autoridades soviéticas. Quando acordei já era o que sou hoje. Um ser inteligente e sensível, um observador e um líder nato aprisionado neste corpo de insecto nojento. &lt;br /&gt;Não sei explicar-vos o ocorrido cientificamente, sei que acordei na tenda hospital com a capacidade de observar, agir e pensar. O tipo me hospedava nos tomates é que deve ter ficado meio tolinho pois não disse mais nada. Morreu passados três dias e devem tê-lo enterrado mesmo ali. Assim que vi o que era e tive a consciência da minha vil condição decidi mudar de vida. Depois de ter feio o reconhecimento à tomatada do meu hospedeiro, percebi que tinha de me pirar. Farto de tomates enregelados elo frio e dos encontrões esporádicos com as pilosidades púbicas da patroa do hospedeiro andava eu. Para ser sincero aquilo já tinha dado o que tinha a dar. Olhei à volta, saltei e deixei-me ficar nos lençóis sebosos do hospital à espera que aparecesse alguém que me levasse entre as pernas. &lt;br /&gt;Não esperei muito. A enfermeira Marika que não trazia cuecas levou-me. A enfermeira abeirou-se da cama destapou o doente que foi a minha casa. Olhou à volta e como não estava mais ninguém apalpou-lhe o material. Tomates e pila murcha sem reacção à mãozinha brincalhona – diagnóstico reservado. Vendo que o paciente não dava sinais, virou as costas e fez-se à sua vidinha que havia mais doentes para diagnosticar… Felizmente para mim nessa altura já eu ia bem agasalhadinho nos cabelos encaracolados das suas virilhas louras.&lt;br /&gt;Bons tempos aqueles. Todas as tardes havia festa. Com a Marika é que eu soube o que era animação. No hospital aviava tudo quanto era macho. Em casa ainda chegava para o marido e para mais três vizinhos dos apartamentos do lado. À mulher incansável. &lt;br /&gt;Foi a Marika que me trouxe para Portugal. Quando soube quanto se podia ganhar com os empresários de calçado do Minho, fez a mala e pôs-se a caminho. Chegamos em 2001 e fomos viver para Freixo de Espada à Cinta onde a Marika veio trabalhar como alternadeira e competir em mestria, cu e mamas com as trabalhadoras brasileiras.  &lt;br /&gt;A vida com a Marika era animada mas muito pouco estável. No verão então sempre com a mania das higienes impunha-me dois banhos semanais… Aproveitei uma visita da minha alteradeira ao ginecologista e dei um salto. &lt;br /&gt;Posso dizer que subi na vida. Em todos os sentidos e inclusive literalmente também. Nesse mesmo dia vim para Lisboa nas sobrancelhas do Dr. Resende que me trouxe ai para o hospital de santa Maria de onde agora vos escrevo.&lt;br /&gt;O Dr. Resende é ginecologista em Freixo de Espada à Cinta às quartas e sextas. O resto da semana esta colocado aqui em Stª Maria. Vive em Santarém, tem uma mulher e um amante que é advogado em Tomar. O pobre Dr. Resende anda tão estoirado que adormece em todo o lado. Neste momento deixou-se dormir com a cabeça em cima da secretaria. Tem o computador ligado. Por isso aproveitei para vos escrever. Com o apoio do Riky Martin e a vossa benevolência vou escrevendo e contado minha vida com as minhas aventuras e desventuras neste blogue de tão elevado gosto.&lt;br /&gt;Por hoje a chega que já estou cansado. Talvez não se dêem conta disso, mas para mim é uma maratona ter de saltar de tecla em tecla para poder ir formando palavras. Para uma simples frase como esta tenho que dar mais de 50 saltos sobre o teclado. É obra!!! Mas vale a pena o esforço só para poder partilhar convosco as historias secretas que a que eu tenho acesso aqui nas sobrancelhas do Dr. Resende.&lt;br /&gt;Prometo voltar em breve.&lt;br /&gt;Assina: este vosso Xiri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111568640400720883?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111568640400720883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111568640400720883' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111568640400720883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111568640400720883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/primeira-comunicao-do-xiri.html' title='Primeira comunicação do Xiri'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111522483628534011</id><published>2005-05-04T17:39:00.000+01:00</published><updated>2005-05-04T18:02:28.276+01:00</updated><title type='text'>Fui à consulta e fiz o tratamento</title><content type='html'>Entre o asfalto e a terra-batida os contentores de lixo marcam a fronteira. Nas traseiras da taberna-mercearia onde se vende fuba e caporoto está um quintal na sobra onde os homens observam os estranhos.  A viela serpenteia encosta a baixo. À sombra dos muros cães sonolentos e sarnosos afastam as moscas das três da tarde. Mães sentadas à porta catam os filhos de colo. Gritos e risos escancarados de crianças que observam desconfiadas a minha pele clara e o meu cabelo liso.  Mulheres jovens batem com pilões o milho que se transforma em farinha dentro de latas de tinta recicladas. Os seus seios esptam-se como antenas debaixo dos panos que prendem os bebés às costas. Os mais velhos falam baixo e decidem sobre o mundo.&lt;br /&gt;No meio de todo o musseque, perdido no emaranhado das casa e quintais consigo dar com a casa do feiticeiro. È um kimbanda Zairense. Fala com as almas dos mortos e com os espíritos dos antepassados e da natureza. Tem magia muito forte, avisaram-me. Três virgens catorzinhas fazem a lida da casa e servem de recepcionistas. Há um cabinde enorme sentado numa cadeira inclinada sobre o muro. Segurança. Entrei pelo quintal onde à sombra do zinco uma fila de uma quinze pessoas espera de coçaras.  Costas  encostadas à parede e muita conversa enquanto se espera. Como sou branco não cheguei a esperar cinco minutos. Uma das catorzinhas veio chamar-me com um gesto silencioso. Levantei-me da posição incomoda e entrei.&lt;br /&gt;Lá dentro esta escuro e tão fresco que cheguei a pensar em ter frio. Cheira a comida, a ervas queimadas e a limpo. Sentado sobre almofadas, vestido com roupas largas e brancas está o feiticeiro. Um corpo franzino sem idade. Negro retinto e um sorriso enigmático à minha espera.&lt;br /&gt;Fala-me numa língua cheia de floreados incompressíveis com palavras familiares que identifico como francês. De um canto escuro soa  uma voz em português. Não tinha reparado nela. Uma senhora ja com idade e gorda, sorridente,  serve de tradutora. Para o Papa Kumbo se poder fazer entender pelos seus clientes que não falam a língua dos Congos.&lt;br /&gt;-- Senta-te ai no chão na frente do Papa Kumbo, com os perna descruzada. O patrãozinho vem ao quê?&lt;br /&gt;-- Vim cá porque me andam a fazer feitiço para as coisas me correrem mal. E também quero fechar o corpo.&lt;br /&gt;Aparentemente o Kimbanda percebeu o meu português do Barreiro. Sem esperar a tradução começou logo a responder-me. A tradutora fazia o eco em português. &lt;br /&gt;-- Feitiço feito Papa Kumbo desfaz logo logo já. Para fechar corpo Papa Kumbo só pode fechar o cropo para três mal. E tem quatro. &lt;br /&gt;O Feiticeiro continuava na sua algaraviada e contava pelos dedos à boa maneira africana. &lt;br /&gt;Fechar o corpo para bala. Um. Fechar o corpo para faca, espada, machado e navalha e tudo quanto é ferro de espetar. Dois. Fechar o corpo para pau, moca sarrafo ou tábua. Três. Fechar o corpo para vidro, garrafa ou copo. Quatro. &lt;br /&gt;-- Agora patrãozinho escolhe só. &lt;br /&gt;-- E não posso fechar para tudo? &lt;br /&gt;-- sim. Patrãozinho não pode fechar para tudo. Só pode fecha para três. Exibia o dedo máximo acompanhado pelo indicador e pelo anelar como se esta trilogia bastasse para eu optar. Agora você tens de escolher.&lt;br /&gt;Estava numa fase complicada da minha vida. Na altura estava sujeito a vários perigos reais e imaginários. Influencias maléficas e pressões. Sentia-me acossado e procurei ajuda. Vim até aqui num misto de necessidade, desespero e curiosidade. Agora tinha decidir-me pelos níveis de protecção. Pensei por segundo no silencio fresco da sala. Escolhi do mais perigoso para aquilo que me parecia mais inofensivo. Decidi-me.&lt;br /&gt;-- Quero fechar para bala, fechar para faca e fechar para pau.&lt;br /&gt;A ideia de vir a ser magoado com vidros pareceu-me a mais remota.&lt;br /&gt;O feiticeiro percebeu a minha escolha e começou o tratamento.&lt;br /&gt;Entre as pernas tinha um cesto grande para onde ia atirando coisas. O homem falava sozinho com os olhos entreabertos revirados para cima e mostrando exclusivamente o branco que contrastava com a sua pela negra. Búzios , contas e raízes. Pozinhos e umas gotas de uma bebida transparente que cheirava a aguardente de cana. Meteu um golo na boca bochechou e cuspiu para o cesto. Acendeu um isqueiro e uma labareda amarela iluminou por momentos a penumbra. Mais rezas. &lt;br /&gt;-- o que é que ela esta a fazer? Perguntei num murmúrio à tradutora?&lt;br /&gt;-- chuiu , não barulhes!!! Está a falar com os espíritos e a queimar o feitiço que fizeram para ti.&lt;br /&gt;Neste momento começou a trovoada nas almofadas do Kimbanda.  Mesmo debaixo do rabo do feiticeiro ouviam-se óbvios foguetes. O feiticeiro cagava-se alto e estrondosamente. Confesso que tive dificuldades em conter uma gargalhada nervosa que não passou despercebida à ajudante.&lt;br /&gt;-- Não rias-te!! Então você não sabes que o kimbanda quanto está a peidar são os almas a falar com ele??? Fica calado só. Cortou numa ordem abrupta enquanto ouvia com atenção os flatos e cheirava o ar.&lt;br /&gt;-- Você vês? não cheira mal. Isto só prova que o patrãozinho tem bom coração lá dentro mesmo e que és boa pessoa.&lt;br /&gt;O feiticeiro acabou com a peidorreira e recomeçou a falar. A kota traduziu:&lt;br /&gt;-- O tratamento tá feito. Vais descansado que não vais ser ferido nem de bala nem de pau nem de faca. Patrãozinho tens que ter cuidado com os murro de mão ou de pé que podem-lhe atingir. Faz também muita atenção que tem uma mulher que lhe quer prender o vida toda. Despensa mais nela. Leva muito cuidado com os vidro de todos os espécie. Todos os copos e todas qualquer garrafa podem-lhe cortar... Agora patrãozinho paga, levanta e vai embora para casa e vais tomar banho de agua com sal. Não olha para trás nunca no caminho para casa.&lt;br /&gt;-- quanto é o preço da consulta e do tratamento?&lt;br /&gt;-- então, não tas lembrado? É o que o patrãozinho combinaste com o meu parente: cinco conto de reis e mais uma garrafa de jóni uálequer com os rotulo preto.&lt;br /&gt;Tentei regatear directamente com o feiticeiro mas a kota foi peremptória: &lt;br /&gt;-- Paga só e não resgateies. Você já sabes que o fecho de corpo para brancos é sempre mais caro !!!??? o Papa Kumbo só fez-te neste preço porque tu és boa pessoa e tavas precisando mesmo!!!&lt;br /&gt;Paguei o combinado. Sai para o sol quente e senti-me meio tonto com a força da luz. Voltei para casa sem olhar para traz. Tomei banho de sal e  nunca mais voltei a ver o Papa Kumbo. &lt;br /&gt;Depois daquela tarde não voltei à Damaia. &lt;br /&gt;Passaram-se alguns anos, mas uma coisa vos garanto, a partir daquela tarde até hoje tenho sempre muito cuidado com os vidros. Não me meto em brigas, mas quando elas acontecem fixo sempre muito atento ás garrafas. Até na casa da minha mãezinha,  não bebo sem olhar bem para o copo não vá estar algum ligeiramente falhado e eu magoar-me na boca.  Infelizmente, sempre que se parte um copo ou uma garrafa lá em casa, já sei que acabo sempre com um caco espetado nas mãos ou na sola dos pés... Não é de estranhar... sei que não tenho o corpo fechado para vidro... o Papa Kumbo bem que me avisou!!!!&lt;br /&gt;Um outro aspecto que também me marcou muito na consulta do Papa Kumbo foi a flatulência. O esoterismo do peido. O facto dos flatos que não cheiram serem provocados por espíritos bons, deixa-me estasiado e confuso simultaneamente.... Esta verdade esotérica permitiu-me chegar a uma conclusão: sempre que como feijão de óleo de palma ou assim um caril bem jindungado fico com a sensação que nem todos os espíritos que por mim passam são de bom coração!!!! Alguns dos espíritos falam com um hálito que tresanda tanto que até o meu pobre cão foje!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111522483628534011?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111522483628534011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111522483628534011' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111522483628534011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111522483628534011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/fui-consulta-e-fiz-o-tratamento.html' title='Fui à consulta e fiz o tratamento'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111503361518166449</id><published>2005-05-02T12:33:00.000+01:00</published><updated>2005-05-02T22:15:47.436+01:00</updated><title type='text'>Reforma de esquinanço</title><content type='html'>O Carlos Lopes foi um grande corredor. Assim como o Carlos Lopes está para  maratona, está o Toino Bandido para o esquinanço. Esquinanço para quem não sabe é um desporto muito praticado no meu bairro que consiste em ficar encostado à esquina. No esquinanço podemos ir dizendo larachas,  mandar bocas às gajas boas e a ver o mundo passar.&lt;br /&gt;Lá no bairro temos muitos praticantes de esquinanço. Há atletas de esquinaço de todas as idades e de todos os tamanhos. Há os profissionais e há os amadores. Falo-vos de uma modalidade que se pode praticar cinco minutos por mes ou varias horas por dia, sem perder a performance... Se houvesse campeonatos de esquinanço tenho a certeza que estavamos entre os melhores do mundo. Se houvesse campeonatos o Toino Bandido seria o campeão do universo.&lt;br /&gt;Não confundir o Toino Bandido, com o Toinozé. O Toinozé é alcoólico e meio variado dos cornos mas inofensivo – a minha avó costumava dar-lhe sandes acompanhadas de sermões do “porque é que tu bebes, se sabes que te faz mal...” O Toino Bandido também é bêbado, mas não é tão alcoólico. Só se embebeda quando arranja dinheiro e não se vai por a trabalhar de propósito para se embebedar... Já o Toinozé dá serventia a pedreiros sem escrúpulos que lhe pagam em vinho. Alem disso, e para que conste, é preciso dizer o Toinozé não é muito de esquinanço...mas o Toino Bandido, esse sim faz do esquinanço modo de vida.&lt;br /&gt;Bem, a conversa é sobre o Toino Bandido e deixemos o Toinozé para outra altura. Falo dele quando vos falar no Pédecarimbo e na sua orquestra de flatos.&lt;br /&gt;O Toino Bandido não é assim tão bandido. Pelo menos nos últimos 15 anos, não tem feito mal a ninguém. Brigas só as tem com o irmão que é traficante de heroína. Parece que antigamente é que era mesmo bandido de assaltos à mão armada. Bombas de gazolina e cafés. Chegou mesmo a gamar aqui na rua -- coisa que não se faz... Bem o que é certo é que teve uma data de anos à sombra e não ganhou a alcunha na farinha Amparo. Prisão, prisão maior e presídio. Passou pelos tres niveis. Enfim o percurso do costume. Corriculo de gangster mas a modos que domesticado. Apesar de bandido e bêbado é um tipo educado prás velhinhas e a vizinhança toda o tolera porque alem de prestável é um indigena. Isto é, o Toino Bandido é mesmo do bairro, ali nascido e criado, o que só por si é bastante abonatório naquelas bandas.&lt;br /&gt;Desde que saiu a ultima vez da prisão, à mais de dez anos,  mantém os seus cinquenta e muitos mais ou menos em forma com uma dieta de sandes de torresmo que lhe dá o gajo do talho e copos de tinto que vai cravando a quem passa. Não se pode dizer que seja um exemplo de sucesso e de recuperação social.... mas já se tornou parte do mobiliário urbano. Dorme na varanda da mãe – desde que espetou uma faca no irmão que é passador que a mãe o proibiu  de entrar em casa. Toma banho nos balneários da junta de freguesia e vai-se desenrascando. Os dias passa-os inteirinhos no esquinanço. Encosta-se à montra do talho às sete da manhã e só abandona o seu posto depois das 10 da noite. Não sou bruxo mas posso dizer-vos que , neste preciso momento, enquanto estou aqui com este ar convicto a fingir que trabalho, está o Toino Bandido em pleno esquinanço. Faz pequenos recados aos comerciantes da área tipo ajudar a descarregar uma carrinha ou ir comprar tabaco. Vai ficando por ali a vigiar a rua principal que como um rio atravessa o bairro com um cortejo de desconhecidos. O Toino bandido esta sempre atento. Se ha um tipo mais atrevido que não é do bairro e estaciona em cima do passeio é logo convidado a por-se a milhas. Se algum chico-esperto atropela algum cão da vizinhança o Toino Bandido é o primeiro a chegar-se ao animal e a chamar nomes ao condutor. Se lhe respondem o Toino ameaça desgraçar-se, diz que desenterra a pistola e benze-se enquanto se junta pessoal à volta do desconhecido que não tem outro remédio se não pirar-se... Três em três dias embebeda-se.  Só de vez em quando é que apanha aquelas  bebedeiras monumentais em que ameaça suicidar-se:  -- Desenterro a pistola ( benze-se) e acabo comigo (benze-se). A bebedeira dá-lhe pró gritos e pró choro. A bebedeira passa-lhe e volta ao esquinanço calmo e solicito.&lt;br /&gt;Aqui à uns tempos correu a noticia que o Toino Bandido tinha uma namorada. Fiquei curioso.... uma senhora nos seus 40 e poucos anos que em comum com o Toino teve uma vida amarga e problemas com a lei num passado remoto. Tal como ele uma bocado bêbada. Casada, parece que o marido fugiu dela e o Toino Bandido teve finalmente a chance por que esperava.  &lt;br /&gt;Aqui à umas semanas ia eu a passar vejo o Toino Bandido metido num discussão violentíssima com uma mulher. Caso único. O Toino Bandido sempre foi respeitador com as mulheres.... Não conhecia a senhora em causa. Depressa percebi que era a tão falada namorada cujo romance etilizado andava a escandalizar uns e a divertir outros lá no bairro. A senhora esbraceja e com uma voz esganiçada ameaçava: -- Olha que eu grito. Olha que eu grito. O Toino ia tentando manter a discussão controlada mas teve um dos seus já celebres repentes, deu-lhe uma estalada e virou-lhe as costas. A senhora ficou sentada no passeio meio aparvalhada a choramingar...&lt;br /&gt;Passaram uns dias e eu nunca tive oportunidade de lhe perguntar o que é que aconteceu... hoje encontrei-o às sete e cinco da manhã e enquanto ele me cravava vinte cêntimos aproveitei para o interrogar sobre o romance.&lt;br /&gt;-- Pus a gaja a andar. Por acaso tive pena. Aquilo era mesmo amor...Gostava dela e nem me importava que ela fosse bêbada e não se lavasse por baixo, que eu cá também gosto da minha pinguita... Fiz muito por ela. O marido foi lá a casa para ir buscar-lhe a televisão e eu parti-lhe os cornos e mais duas costelas... tudo por amor!!!! &lt;br /&gt;Então porque é que se chatearam, perguntei na minha ingenuidade. – Então, imagina tu que a puta queria que eu trabalhasse para ela...eu que nem para  mim posso trabalhar, ia mesmo trabalhar para uma gaja... nem que ela fosse a Brígida Bradou.&lt;br /&gt;-- Mas olha lá estas doente Toino? &lt;br /&gt;O Toino Bandido olhou à volta e do seu posto de esquinanço, fez-me a revelação:&lt;br /&gt;-- Não pá!!! Ando a ver se a junta de freguesia me arranja uma reforma por invalidez!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111503361518166449?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111503361518166449/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111503361518166449' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111503361518166449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111503361518166449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/05/reforma-de-esquinano.html' title='Reforma de esquinanço'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111418980148457647</id><published>2005-04-22T18:04:00.000+01:00</published><updated>2005-04-22T22:21:52.166+01:00</updated><title type='text'>Amesterdão</title><content type='html'>Vou para lá amanhã.&lt;br /&gt;Depois conto-vos tudo.&lt;br /&gt;A bacana que dorme la em casa quer ir ver os museus, acho que vou  ter de ir com ela ver as pinturas.... As outras atrações de Amesterdão  tambem tenho no Barreiro: putas e charros nunca faltam na minha terra!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111418980148457647?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111418980148457647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111418980148457647' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111418980148457647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111418980148457647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/amesterdo.html' title='Amesterdão'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111416736802791559</id><published>2005-04-22T11:50:00.000+01:00</published><updated>2005-04-27T17:11:06.243+01:00</updated><title type='text'>O meu primeiro chefe</title><content type='html'>O primeiro sitio onde trabalhei a sério foi num escritório em Stº Amaro de Oeiras. Pela primeira vez fui obrigado a andar barbeado e engravatado todos os dias. Tinha uma chefe máximo que era o fundador da empresa. Tinha chefes menores que eram os cães de fila do patronato. Tinha colegas imbecis e lambe botas. Tinha tarefas repetitivas e monótonas . Nunca tinha dinheiro. Pagavam-me uma miséria. O costume, portanto.&lt;br /&gt;Foi nesta empresa onde trabalhei que pela primeira vez percebi que a minha aversão à autoridade não tem uma origem ideológica. Não é produto da minha adolescência no subúrbio. Não é trauma. É genético. Está-me inscrito no núcleo de todas as células do meu corpo: não me dou com mandões!!!!&lt;br /&gt;No trabalho, claro que fazia o mínimo possível. Escrevi um livro em folhinhas a5 que reciclava das folhas de trabalho que me passavam. Nem as lia, dobrava-as ao meio e escrevia nelas “as aventuras do passarinho sardão na gaiola dourada” o meu primeiro livro. Completamente impublicável por todas e mais algumas razões.&lt;br /&gt;Outras vezes sentava-me ao computador e escrevia cartas ao meu amigo Feijone. O Feijone nessa altura vivia, estudava e pintava em Amesterdão. Escrevia as cartas no Word, imprimia e envelopava e mandava pela correspondência da empresa que pagava os selos. Eram longas cartas a relatar a vida nocturna do Barreiro, quem é que comia quem , que bares abriam, quem é que foi preso, o que é que se andava a beber e as mulas novas que apareciam. O Feijone ia respondendo com cartas meio desenhadas meio escritas onde me ia contando tudo sobre Amesterdão.&lt;br /&gt;Estávamos na primeira metade dos anos 90. E os chefes dessa altura ainda estavam fortemente influenciados pelos yuipies dos 80. O parvalhão que coordenava a equipa onde eu trabalhava, não me largava os calcanhares. Queria acumular prestigio e riqueza e não olhava a meios. Era um homem de carreira. Eu tinha de ser criativo para me poder baldar. Até me dava bem com o administrador. O big boss -- fundador da empresa era um gajo informado e uma das poucas pessoas ali dentro com quem conseguia conversar sem ser de computadores, carros ou viagens “all include”. Para o meu chefe directo que pretendia ser amigo do administrador essas conversas eram ofensas pessoais..... Odiava-me cada vez mais de dia para dia. Vivia obcecado em apanhar-me na balda para poder provar a minha obvia incompetência. Vendo a coisa dez anos depois, devo dizer que não devia ser muito difícil... mas o tipo também não era muito inteligente. Eu também exagerava. Gozava com o gajo. Não perdia uma oportunidade para mostrar ao senhor que a sua ignorância era enorme. A coisa foi ficando feia. O meu chefe chegou ao ponto de marcar uma reunião com um cliente a uma determinada hora e marcar comigo meia hora mais só para me entalar... (Essa não lhe perdoei e no dia em que sai da empresa, tive uma conversa com o tipo na garagem que tenho a certeza não se vai esquecer... tem um incisivo postiço para recorda-lo... mas isso é outra historia)&lt;br /&gt;A questão é que nos dávamos muito mal. O tipo tinha à volta de trinta nãos e era daqueles parvalhões sempre tão bem lavadinhos, tão bem penteadinhos e tão bem vestidinhos que até dão nojo.... Tinha defeitos imperdoáveis: era arrogante com os mais fracos e subserviente com os superiores. E era vaidoso. O meu chefe era muito vaidoso. Completamente vaidoso. Ates de sair do escritório para ir a uma reunião enfiava-se na casa de banho para retocar o penteado. Tinha uma bolsinha onde trazia uma embalagem de gel, a agua de colónia e a escova e pasta de dentes.&lt;br /&gt;Quando eu descobri um chave que abria a gaveta da secretaria do cabrão, a minha vida profissional teve outro alento. Até comecei a ir trabalhar mais cedo...&lt;br /&gt;Fazia tudo para ser o primeiro a chegar ao escritório. Chegava antes de todos os outros. Pela surra ia até à secretaria do bicho chefe. Abria a gaveta e sacava a bolsinha pierre cardin e penteava os cabelinhos à volta do ânus com a escova de dentes do gajo. Os pelos que eventualmente viessem agarrados à escova, tinha o cuidado de os meter dentro da caixa do gel. Depois deixava tudo arrumadinho com a perfeição de um ladrão de jóias.&lt;br /&gt;Era minha humilde vingança à perseguição daquele merdas. E digo-vos desde já uma das coisas que mais gostava de ver naquela época era o meu chefe ir lavar os dentes depois de almoço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111416736802791559?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111416736802791559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111416736802791559' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111416736802791559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111416736802791559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/o-meu-primeiro-chefe.html' title='O meu primeiro chefe'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111409865338733361</id><published>2005-04-21T16:49:00.000+01:00</published><updated>2005-05-02T17:18:14.113+01:00</updated><title type='text'>Os Piratas de Alcácer do Sal</title><content type='html'>Farto da pasmaceira campestre da ilha do pessegueiro, decidi curtir o verão urbano de Vila Nova de Mil Fontes. Era sexta-feira e tinha algum dinheiro no bolso mas decidi por poupar nos transportes. Mochila às costas, pé na estrada e dedo polegar no ar. À lá maior sensação de liberdade do que esta???&lt;br /&gt;Na Pouca Farinha apanhei boleia na parte de trás de uma camioneta que me deixou mesmo na margem do rio Mira, junto à ponte nova. Eram três da tarde e estava aquele calor de Agosto que no Alentejo pode matar. Tinha combinado encontrar-me com uns amigos que viriam nessa noite do Barreiro. Ainda faltavam umas horas... estava demasiado calor para a praia mas estava a temperatura certa para beber uma caneca de cerveja.&lt;br /&gt;Em Vila Nova no inicio doa anos 90 a tasca inevitável era a Manjedoura. Entrei sozinho com a minha mochila e sentei-me numa das mesas corridas. Depois de habituar os olhos à fresca penumbra interior percebi que no cantinho da mesa onde estava sentado estava uma rapariguinha loura a chorar.&lt;br /&gt;Eu nunca fui de me meter assim com desconhecidas.... mas a moça estava a chorar e cheguei-me mais para ela e perguntei-lhe porque chorava. Não tive tempo de saber a resposta. Vindo não sei de onde surgiu um atrasado mental grandalhão. Blusão de ganga sem mangas e botas da tropa. No braço duas tibias cruzadas desdenhavam da arte da tatuagem. Tás a falar com esta chavala?? Vai mazé falar com a puta que te pariu.&lt;br /&gt;Eu não conhecia o anormal... Duvido que a minha mãe o conhecesse... Como não gosto que falem assim de uma senhora tão gentil, séria e educada como a minha mãezinha, decidi nem lhe dar resposta. Nessa altura a caneca de cerveja que tinha na mão, já praticamente vazia partiu-se. Infelizmente cortei-me ligeiramente junto ao punho. O energúmeno mal educado também se deve ter magoado porque se atirou para o chão com os olhos revirados, agarrado à cabeça que despejava sangue misturado com cerveja. Sangrava para o chão ensopando a serradura sem mexer -- assim é que estás bem, pensei. A rapariguita que antes chorava abraçou-se ao parvalhão e começou gritar histérica. Assassino assassino, mataste-o mataste-o. E dava guinchos. Como eu já estava farto de ser maltratado decidi mudar de poiso. Aproveitei a confusão gerada pela loura para me pirar sem pagar nem a caneca que parti nem a cerveja. Vim para a rua, trazendo a mão embrulhada na toalha turca que costumava estar à porta da casa de banho.&lt;br /&gt;As pessoas começavam a descer para a praia e eu caminhei contra a corrente na direcção do parque de campismo. Dois dias antes, em Porto Covo, um tipo que tinha vindo de Vila Nova, tinham-me oferecido um cartão do parque de campismo. O gajo trouxe acidentalmente do bolso o cartão do parque quando se esqueceu de pagar. Como o cartão ainda estava bom decidi-me por utiliza-lo e passei achamar-me Rui Nunes.&lt;br /&gt;Nos balneários do parque de campismo limpei e fiz o penso à mão. Afinal o golpe não era tão profundo como isso. Já nem sangrava. Como tinha tempo fiz a barba, tomei banho e mudei de roupa. As calça de ganga e a túnica com franjas à índio estava tudo cagado de sangue. Tirei as botas alentejanas. Vesti uns calções de banho, uma t-shit e calcei as chinelas. Passou uma hora desde que a caneca se partiu. Eu parecia outro.&lt;br /&gt;A adrenalina tinha dasaparecido e eu sentia fome. Decidi sentar-me no bar do parque de campismo e comer qualquer coisa. A GNR apareceu e ficou estacionada do lado de lá da recepção do parque. Falavam com o porteiro. Não percebi o que diziam mas a noticia correu depressa. Parece que tinham espancado alguém num bar da Vila. Um gajo já não está seguro em lado nenhum...Diziam que o ferido tinha ido em coma para o hospital. Eles andavam a ver se alguém se tinha registado no parque de campismo naquela tarde. Ainda bem que o meu cartão provava que eu me tinha registado uma semana antes....&lt;br /&gt;Mais por preguiça do que por medo fui ficando no bar do parque. As noticias iam chegando contraditórias e em crescendo. Tinha havido um tiroteio. Estava um tipo morto dentro da Manjedoura. Ao final da tarde já eram dois mortos e era um gang de negros que andava a bater nas pessoas.&lt;br /&gt;Os meus amigos chegaram antes de anoitecer e contaram que a Vila esta a ferro e fogo. Pelas ruas apertadas andavam os veraneantes do costume mais um grupo de uns 20 motoqueiros. Caçavam um cigano que bateu num amigo. Andavam em zundapes e fameles alteradas numa premonição do tuning: até costas de cadeiras de café tinham integradas nas motas. Exibiam correntes e bastões na rua e a GNR não lhes dizia nada. Todos usavam blusões de ganga sem mangas com um dorsal  que dizia “Os Piratas de Alcácer do Sal”. Parece que o motoqueiro espancado tinha ida parar ao Hospital de Setúbal com um traumatismo craniano. Fizeram da tasca onde ocorreu a cena o seu quartel general e estava a embebedar-se com litros de sagres.&lt;br /&gt;Depois contar aos meu amigos o que tinha acontecido, decidimos tomar providencias. Como éramos só quatro tínhamos de ser mais espertos que os Piratas de Alcácer do Sal. Depois de comermos, o Tiercy e o Bebé foram até à Manjedoura perceber como estavam as hostes inimigas. Eu e o Cavernas ficamos pelo parque a beber cerveja. Bebemos e fumamos cigarros nervosos. O Tercy e o Bebé nunca mais apareciam. Nós começamos a ficar preocupados. Por volta da uma da manhã ouvimos o ronco característico de uma famel a aproximar-se em aceleração continua. Ficamos atentos e vemos o Tiercy e o Bebé sem capacete pararem uma mota à porta do parque de campismo. Largaram a mota comprometidos e avançaram com ar de caso. O que é que aconteceu perguntamos nós?&lt;br /&gt;Temos noticias. Uma boa e outra má. A boa é que o parvalhão que deu a cabeçada na tua caneca está livre de perigo. A má é que eles já sabem que estas aqui no parque de campismo.&lt;br /&gt;Mas como? Ai o Bebé nos seus cinquenta quilos mal pesados começa a esbracejar para contar a historia. Decidiram sabotar os Piratas de Alcácer do Sal, e o Tiercy ficou cá fora , à porta do bar a sabotar as maquinas todas dos piratas. Arrancou o cachimbo de todas as famel menos daquela onde viemos. Eu fui lá para dentro para os distrair. Como estavam todos bêbedos e não me ligavam... olha tive de arranjar maneira de lhes chamar a atenção.&lt;br /&gt;Pois, interrompe o Tercy, a melhor maneira que o Bebé arranjou de lhes chamar a atenção foi-se dizer-lhe que estavas aqui no parque de campismo e que os mandavas a todos para o hospital!!! Mas fez melhor: para provar que não tínhamos medo roubou um capacete e pôs-se a mijar lá para dentro!!!&lt;br /&gt;Viemos para o Barreiro nessa mesma madrugada escondidos na camioneta do padeiro. Por sorte o gajo que fazia a distribuição do pão era um tipo que vivia no Barreiro....já em casa ainda passei algumas noites sem dormir a adivinhar o rugir de uma famel a acelar ao longe. Dos Piratas de Alcácer do Sal guardo a recordação dessas noites de insónia e uma pequena cicatriz na mão direita causada pelos vidros de uma certa caneca de cerveja que bebi mas nunca paguei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111409865338733361?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111409865338733361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111409865338733361' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111409865338733361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111409865338733361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/os-piratas-de-alccer-do-sal.html' title='Os Piratas de Alcácer do Sal'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111400246849472046</id><published>2005-04-20T14:07:00.000+01:00</published><updated>2005-04-20T17:11:05.533+01:00</updated><title type='text'>O Farnel do Ervilha</title><content type='html'>A musse do Ervilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Maio com o aproximar do final do ano lectivo começavam as excursões. No inicio doa anos 90 estavam em voga os parques aquáticos com piscinas e escorregas. O ex-libris na margem sul era o Onda-Parque na Costa da Caparica .... A excursão em causa foi organizada pela associação de estudantes. Só estudantes. Os professores em Maio já conheciam demasiado bem os alunos para nos acompanharem. Recusavam-se a atravessar a estrada connosco, quanto mais fazer uma viagem – mesmo de uns escassos vinte quilómetros entre o Barreiro e a Costa da Caparica.&lt;br /&gt;Sem perceber muito bem como, o que é certo é a que a organização funcionou. Mais ao menos à hora marcada lá apareceram os dois autocarros da câmara para onde o pessoal foi entrando.&lt;br /&gt;Garotos na idade mais selvagem. Adolescentes de subúrbio. Rapazes em calções e raparigas excitadas dentro dos seus biquinis debaixo da roupa leve. Entre os 14 e os 17 anos. Sacos com farnéis e gravadores com cassetes. Charros e cerveja.&lt;br /&gt;Como em todo o lado a há uns mais espertos e outros mais parvos. Como em todo o lado os mais parvos são aqueles que se consideram espertos. É o caso do Ervilha. Musculado e grande para os seus 16 anos, tinha a alcunha de Ervilha por comparação do volume do seu cérebro com o tamanho de uma ervilha. O Ervilha era estúpido todos os dias. Estúpido como um contentor verde a abarrotar de lixo depois de um fim-de-semana grande ou de uma greve de três dias. Estúpido e parvo como todos aqueles que se armam em mais espertos que os outros.. O Ervilha era grandalhão mas não era grande coisa, e dentro do autocarro teve logo de abaixar a bolinha. Na hierarquia da rua e da escola não valia nada. Ao pé dos pequenos vândalos --- bandidos em botão --- devia mostrar-se mais reservado. Ainda a excursão não tinha saído do Barreiro já tinham acendido os charros e aberto as garrafas de cerveja... O Ervilha ainda começou a armar-se a dizer que comia este mundo e o outro... mas alguém lhe disse que talvez tivesse que partilhar o lanche à força. O Ervilha finanmente percebeu quem mandava, perdeu o piu e foi calado o resto da viagem. Melhor assim.&lt;br /&gt;Quando chegaram ao Onda-Parque perceberam porque é que os tipos da organização tinham feito um preço tão barato para entradas.... Das três piscinas só estava em funcionamento uma. Por ser dia de semana, estavam fechados ao publico e só abertos para escolas. Só escolas – isso já sabiam... o que não sabíamos era quem era a outra escola. As fantasias sonhadas com as meninas do liceu de Oeiras caíram por terra ao perceberemos que a outra escola presente era o instituto de reinserção social de Setúbal... Mistura explosiva.&lt;br /&gt;Felizmente que o haxixe e a cerveja são grandes agentes de integração. Meia hora depois dos barreirenses terem chegado já éramos uma família com os vandalozinhos de Setúbal. Fizeram-se parcerias para futuros negocios e abriram-se mais cervejas. Depois, todos juntos alegremente brincaram ao empurra para a agua. Primeiro uns aos outros. Depois aos que não queriam ir. Depois às técnicas de reinserção social que acompanhavam os meninos de Setúbal. Depois aos funcionários do Onda-Parque. As brincadeirinhas elegantes com agua cansaram e fartaram a malta. Acenderam-se novos charros e abriram-se mais garrafas de cerveja. Nisto o Predador sugere: “Bute catar os armazéns” ... porta a dentro e os armazéns de arrumos do Onda-Parque completamente devassados. Tintas, tijolos, ferramentas encaixadas depressa espalhadas pelo chão ou escondidas sob as t-shirts. O Cavernas informa: pessoal vou amandar uma cagáda dentro deste balde de tinta!!! Claro que houve vozes discordantes pela escolha do sitio e com novas e criativas sugestões: Faz nos sapatos dos totós. Faz dentro da caixa de ferramentas. Faz na piscina, na piscina. O Pinguinhas que é gago ( a alcunha completa é Mijáspinguinhas) que naquele dia estava mais pedrado que o costume e por isso mais engenhoso sugere: Fá fá faz mazé pra dê dê dê dentro da musse do Ervilha!! O gajo na na não estava a dizer que que que cu cu comia a tijela toda sozinho???&lt;br /&gt;As ideias quando são realmente brilhantes têm execução rápida. E mais rápido do que o tempo que demorei a contar a estoria. A taparuéra da musse do Ervilha foi subtraída do seu saco e metida debaixo do Cavernas que já ia avisando que não podia esperar muito mais porque estava com uma cólica.... E era verdade. A diarreia liquida e amarelada acompanhada de gazes mal cheirosos, desapareceu na musse de chocolate escura da mãe do Ervilha. Taparuére de novo fechada e metida dentro do saco do Ervilha que sem se aperceber de nada fazia musculo e desafiava os mais fraquitos para jogar braço-de-ferro.&lt;br /&gt;Acção executada , expectativa criada.&lt;br /&gt;Uma hora depois, todos abrigados numa das poucas sombras que podiam proteger do sol às duas da tarde. Deu a fome. Começaram-se a desembrulhar as sandes. O Ervilha na sua boçalidade grita para o geral: eu cá como primeiro a musse e só depois é que despacho as minhas 5 sandes!!!&lt;br /&gt;À volta do Ervilha e da musse juntamo-nos a meia dúzia que sabia do aditivo biológico. O imbecil abre a taparuére e armado de uma colher de sopa começa por mexer a musse toda. Depois mete a primeira colher à boca e delicia-se. Mete a segunda colherada e não acontece nada. Mete a terceira e nessa altura torce a ponta do nariz e examina atentamente a sola dos dois sapatos enquanto comenta:&lt;br /&gt;-- foda-se devem vir para aqui passear cães à noite... um de nós já pisou um cagalhão, cheira-me a merda!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111400246849472046?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111400246849472046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111400246849472046' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111400246849472046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111400246849472046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/o-farnel-do-ervilha.html' title='O Farnel do Ervilha'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111366874077007188</id><published>2005-04-16T17:24:00.000+01:00</published><updated>2005-04-16T18:04:49.860+01:00</updated><title type='text'>Homus Arrábidus</title><content type='html'>A caverna é enorme. O mar da Arrábida bate uns três metros abaixo de uma varanda natural que permite a entrada de luz e de ar fresco. Nós viemos pela serra e descemos a escada íngreme pela mata até à caverna. Lá dentro há uma capela construída no século XVII e tem espaço suficiente para fazer um capo de basquetebol... Nos éramos uns 10 e chegamos ao final da tarde. Trouxemos guitarras, tambores, carne e vinho. Para nos dar luz acendemos uma fogueira onde assámos a carne. Cantamos com o vinho e tocamos guitarras pela noite dentro aproveitando a ressonância natural das pedras. Já noite cerrada, acenderam-se cigarros de erva e a festa continuou selvagem e louca. Pela madrugada alguns já dormiam... outros espremiam as garrafas para ver se ainda pingava alguma coisa. Meio ébrio, saí para ver nascer o sol sobre a serra. Saltei pela varanda de rocha e subi a um penhasco mesmo em frente. Pequena ilha na maré cheia embalado pelas ondas suaves do Portinho.&lt;br /&gt;O sol ainda não tinha nascido. A cor do céu entre o azul e o vermelho anunciava para os lados de Setúbal um dia de Agosto daqueles que fazem fritar os alcatrão das estradas e dá febre aos cães.&lt;br /&gt;Apanhei o cabelo que na altura ainda tinha e usava comprido e despi-me. Fiquei nu virado para sol a ganhar coragem para o mergulho higiénico. Não há como um banho de mar gelado para fazer passar a bebedeira e evitar a ressaca. Pensei assim que o sol me der nos olhos salto para a agua. Entretanto o intestino começou a dar sinais de vida e decidi ali mesmo fazer a descarga matinal. Saquei das minhas calças de ganga o pacote dos lencinhos de papel, de cócoras me aliviei virado para a metade do disco solar que ia aparecendo por de traz da serra. O tinto de má qualidade sempre teve em mim um efeito laxante... essa manhã não foi excepção. Deixei um monte em forma de piramide mole que ficou a escorrer sobre a pedra. Acabei com os lenços para me limpar e saltei.&lt;br /&gt;A diferença de temperatura dissipou os vapores etílicos e erbacios. Decidi dar umas braçadas para aquecer. Não me afastei muito, só o suficente para deixar de ver as rochas do chão de pedra. Quando me virei percebi a presença na varanda da caverna de pessoas estranhas ao grupo. O meu amigo Vladimir argumentava com os desconhecidos que depois vim a saber serem biólogos. Eram um professor francês, duas assistentes tambem francesas mais um professor da faculdade de biologia do Porto. Vieram para a Arrabida à seis da manhã para observarem a fauna.&lt;br /&gt;Ouvia as vozes mas não percebia o que diziam&lt;br /&gt;Da varanda da Caverna o Vladimir fazia comentários e esbracejava na minha direcção.&lt;br /&gt;Ainda esperei uns momentos para ter privacidade para me vestir... mas a agua gelada começava a doer-me nos ossos. O frio aumentou a descaração e decidi por ir-me secar assim mesmo. Quando subi ao penhasco em frente à caverna para recuperar a roupa, claro que estava completamente nu.&lt;br /&gt;Foi ai que percebi a conversa do Vladimir para os professores de biologia e para as duas assistentes que curiosos olhavam para mim...&lt;br /&gt;--- Pois como vos disse chegaram atrasados... por minutos perderam a brutal cagáda matinal do &lt;em&gt;homus arrabidus&lt;/em&gt; que como podem ver que ainda está fresca... Mas eis que aqui o temos, fotografem-no, fotografem-no, creio que não atacara ... um dos últimos elos perdido na evolução entre o macaco e o homem... este exemplar é um jovem macho a escalar o rochedo na direcção da caverna onde pernoitou.&lt;br /&gt;Claro que não me restava mais nada a fazer...&lt;br /&gt;Em vez de me vestir, peguei num enorme calhau cocei as axilas, as partes e grunhi...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111366874077007188?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111366874077007188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111366874077007188' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111366874077007188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111366874077007188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/homus-arrbidus.html' title='Homus Arrábidus'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111350212425331006</id><published>2005-04-14T19:07:00.000+01:00</published><updated>2005-04-14T19:11:54.786+01:00</updated><title type='text'>Uma casa de banho revolucionária em Pinar del Rio</title><content type='html'>Entre Havana e Pinar del Rio há uma estrada comprida e poeirenta. À saída de Havana segue-se entre plantações de cana. Quilómetros e quilómetros de canaviais arrumadinhos. Depois, abruptamente entramos na região do tabaco. Aqui a estrada segue a direito entre campos de tabaco, porventura o melhor do mundo. Até Pinar, a capital do tabaco. Pinar del Rio é uma cidadezinha essencialmente agrícola com alguma industria tabaqueira. Tem ruas largas com casas de primeiro andar. Paredes caiadas forradas de janelas que deixam sair para a rua o som das casas das pessoas. Come-se barato nas cantinas dos trabalhadores das tabaqueiras. Há putas e traficantes de charutos como no resto da ilha. Por trás das janelas as pessoas criam porcos e galinhas dentro de casa. Rádios antigos gritam velhas musicas com novas orquestrações. Em silencio contam-se dólares de Miami e procura-se fazer negocio.&lt;br /&gt;Em Cuba, por simpatia e solidariedade com o regime, desenvolvi o complexo do civicamente correcto. Por causa deste sindroma do “civicamente correcto” dei por mim a fazer coisas que não faço na minha terra, tipo não atirar o lixo para o chão, apagar bem os cigarros antes de mandar fora, e claro não mijar atrás da primeira arvore disponível e procurar sempre uma casa de banho. Fui assim que a encontrei. Precisamente porque não quis mijar para o chão sujo e ressequido de Pinar del Rio. Depois de almoço deu-me a vontade de mijar -- as bucaneros começavam a fazer efeito -- e procurei um orinol. Fui perguntando e lá me indicaram uma portinha escura. Abri a porta e o cheiro bateu-me na cara como uma chapada. Merda amoníaco esgoto tabaco preto de charuto barato e maré vazia. Brutal. Armei-me em resistente e desci o lance das escadas que faziam chegar à cave onde era a retrete propriamente dita. Sem luz e em contraste com sol incandescente das três da tarde no Caribe. Ceguei momentaneamente mas o tacto não me enganou. Os últimos dois degraus da escada já estava dentro de agua. Supostamente. Supostamente agua. Na realidade tinha liquido até meio da canela. Ingenuamente no escuro quis acreditar que era agua... como já lá estava tirei o equipamento para fora e fiz o que tinha a fazer. Sacudi as duas vezes da praxe e resignei-me a subir as escadas a fazer tecnhápe em cada degrau. À luz da tarde tudo se revelou pior. A agua não era agúe mas sim merda e em cima do sapato direito trazia como recuerdo um cagalhão mole ... uma linha acastanhada um palmo abaixo do joelho marcava o nível de submersão.&lt;br /&gt;Descalcei-me mesmo ali. Mandei as meias da raquete fora e amaldiçoando a minha vida fui batendo com os ténis um no outros que iam fazendo chover merda na poeira do passeio. Entretanto passam por mim um grupo de miúdos da escola que param para me gozar. Um deles, um lourinho a que os outros chamavam Yuri, empurrou com o pé de criança a portinha de ferro do urinol e dali mesmo mijou em repuxo fazendo os outros rir e escandalizando duas turistas espanholas... Olha ca porra pensei eu cá com os meus botões – porque é que eu não aprendo. Resignado lá segui com os ténis fedorentos na mão ate uma cantina onde por um dólar me deixaram lavar os pés e os sapatos à mangueirada. Em Pinar del Rio aprendi uma grande lição: mesmo revolucionaria, a merda é sempre merda... e continua a cheirar mal!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111350212425331006?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111350212425331006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111350212425331006' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111350212425331006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111350212425331006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/uma-casa-de-banho-revolucionria-em.html' title='Uma casa de banho revolucionária em Pinar del Rio'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111297373959326632</id><published>2005-04-08T16:18:00.000+01:00</published><updated>2005-04-08T16:31:25.130+01:00</updated><title type='text'>Quando eu (censurado censurado)</title><content type='html'>Censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado censurado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11373083-111297373959326632?l=fezesmucoenaifada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/feeds/111297373959326632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11373083&amp;postID=111297373959326632' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111297373959326632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11373083/posts/default/111297373959326632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fezesmucoenaifada.blogspot.com/2005/04/quando-eu-censurado-censurado.html' title='Quando eu (censurado censurado)'/><author><name>Riky Martin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05458273403385373142</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11373083.post-111287626987678285</id><published>2005-04-07T13:16:00.000+01:00</published><updated>2005-04-07T13:31:10.503+01:00</updated><title type='text'>Aroma da natureza</title><content type='html'>Tinha prometido que não falava neste assunto... O decoro social que se impõem sobre tema tão delicado calou-me a boca. A minha esmerada educação. As boas maneiras que me caracterizam. O meu natural pudor. E por ultimo o pacto de silencio da promessa que fiz junto à igreja da Nossa Senhora do Rosário. Todas estas razões mantiveram o meu silencio e os meus lábios ficaram serrados para tal segredo. Mas agora basta. Vou ter de vos contar porque ontem voltei a vê-la. Vai-se casar!!!&lt;br /&gt;Tudo começou à uns cinco ou seis anos atrás numa noite fria e sem lua num dos Novembros mais chuvosos que há memoria no Barreiro. Eu tinha estado a beber uns copitos para ver se aquecia os pés, agasalhava a alma e esquecia um desgosto de amor daqueles profundos que duram três semanas ou mais...&lt;br /&gt;Um noite normal para um divorciado adultero como eu era na altura. Lá estava encostadinho ao balcão do bar a ver se a menina que vendia gelo com wiskie consentia em me adoptar para uma noite de amor no banco de trás do carro. O ar cheirava e tabaco a bebidas e a chuva. A menina era nova na terra e por isso ainda não a conhecia no sentido bíblico do termo...O processo estava ja adiantado e a bacan já se esta a recusar a servir mais bebidas aos três ou quatro gatos pingados que ainda por ali paravam para poder fechar a caixa e ter um pouco de conchego cá com este vosso amigo.&lt;br /&gt;A rapariga, não era feia. Meio barbie, meio intelectual. Macrobiótica e bailarina tinha uns olhos escuros com alguma graça. Branca, magra com as pernas compridas e maminhas pequenas tinha o encanto do cabelo de cor extravagante, do visual garrido, e principalmente ter um aparelho reprodutor feminino. Naquela altura as gajas usavam sais curtas e botas da tropa, a menina (cujo nome não vou revelar) usava uns colants amarelos esburacados por baixo de um cinto largo a que com algum esforço chama saia. E bota grossa, claro.&lt;br /&gt;Quando o bar finalmente fechou, saímos e sob a chuva-molha-parvos entramos no carro dela, uma carrinha renault 4 L amarela que cheirava a borracha, e cigarros misturados com perfume. Acima de todos estes odores cheirava-me a alho. Já no bar me tinha cheira a alho mas não liguei ao aroma...&lt;br /&gt;Estava sentado no lugar do morto e reparei que em cima do tabelier havia uma cabeça de alhos. Meio a brincar perguntei-lhe: -- então, tens aqui estes alhinhos apra aromatizar o carro? – Não, respondeu, é para tomar. Tomo sempre duas cabeças de alho antes das refeições, é um antioxidante natural fortíssimo e excelente tónico em geral. Nunca me constipo e sou super saudável!!!!&lt;br /&gt;Ai és super saudavel??? Pensei cá comigo -- tá bem Alhinhos. Porque há mínimos ou talvez porque não estivesse tão necessitado como isso, abreviei a conversa, disse-lhe que estava cansado e pedi-lhe que me levasse a casa. A Menina ficou visivelmente desiludida – não é todas as noites que as gajas tem cá o Ricky Martin no carro -- mas sempre na boa deixou-me à porta de casa. Beijinhos na cara, amigos como dantes.&lt;br /&gt;Passado uns dois ou três dias, volto ao mesmo bar e reparo que um dos meus melhores amigos faz manobras de aproximação à mesma Alhihos. Porque sou um gajo porreiro, levei-o para um lugar discreto e avisei:&lt;br /&gt;-- olha la pá, sabes que essa gaja farta-se de comer alho e manda um bafo a alhum cate os cães se afastam quando ela passa...&lt;br /&gt;-- nem quero saber disso, macho é macho, cheirando a alho ou a cebola se dá pra comer come-se!!! de hoje não passa, vou levar a gaja ao castigo. Naquela casa vai cheirar tanto a sexo que nem se nota o cheiro a alho!!!&lt;br /&gt;Percebi que estava necessitado. Era uma emergência. Deixei correr o flirt e preparei-me depois para passar o resto da minha vida a chamar-lhe Pápalhos....&lt;br /&gt;Sai do bar e deixei-o entretido. No dia seguinte falaríamos. Ainda íamos rir do caso.&lt;br /&gt;Passaram dois ou três dias e encontro o meu amigo com ar de caso... Então o que é que aconteceu?&lt;br /&gt;-- Aconteceu que a tua amiga Alhinhos é um caso clínico. Depois da outra noite acordei com a pila toda em ferida... tive que ir ao medico e tudo...Nunca mais!!!&lt;br /&gt;O caso foi complicado...Na realidade, o rapaz foi ao dermatologista que o mandou fazer analises porque achou que era alergia a uma determinada marca de preservativos, depois de fazerem analises percebeu-se que com os preservativos não havia problema... aquilo era alergia ao alho.... Há pois foi, a Alhinhos só de dar-lhe uns beijinhos mais íntimos deixou o pobre rapaz com o equipamento inflamado, tal era a concentração de alho na saliva da senhora!!!!&lt;br /&gt;Pensei . Olhem do que eu me livrei...&lt;br /&gt;O meu amigo, pediu-me segredo sobre esta historia, para ouvir bocas foleiras bastavam as minhas...eu cumpri o prometido.&lt;br /&gt;Até hoje.&lt;br /&gt;Ontem encontrei a Alhin
