quinta-feira, março 17, 2005

A memoria do Camilo Pessanha

Rios de dinheiro a traduzir tudo para portugues que e tambem lingua oficial de macau.
Montes de massa gasta em livros de arquitectura portuguesa. Reconstrucao de monumentos. Bustos do Joao de Deus. Nomes das ruas todos em portugues. Mapas, guias, revistas. Mostras de video. Semana das Artes. Semana da Lusofonia.
Tudo pago pelo governo regional que tem dinheiro para tudo isto e que nao fica a dever nada.
Do Camoes, que merece todas as homenagens que se lhe facam, parece que nem sequer esteve por aqui... uns dizem que sim outros dizem que nao , mas nao ha certezas... Apesar disso, em Macau temos o parque camoes, temos as estatuas e referencias por tudo quanto e lado.
Do Camilo Pessanha, nao ha nada ou o que ha e muito pouco. Nem casa museu, nem estatuas, nem referencias, nada. Ontem fui a livraria portuguesa, falei no Camilo Pessanha e mostraram-me tres livros que foram publicados pelo Instituto da Cultura (correspondete ao Ministerio no Governo Regional) mais por carolice de um tipo que vive ca do que por homenagear a memoria. Fui hoje ao cemiterio de Macau e andei a procura da campa do poeta. Esta enterrado com a mulher e com o filho, uma campa comum no meio do labirinto das outras tumbas. O Instituto de cultura nao tem dinheiro para por flores na campa do homem???
Ca eu debaixo da capa de toda a minha igorancia acho que se ha alguem que fez uma fusao de culturas e que marca bem o orientalismo luso, esse alguem e o Camilo Pessanha.
Nasceu em Portugal, estudou em Coimbra, e estudou direito como todos os outros intlectuais da viragem do seculo XX. Colecionava porcelanas e pinturas chinesas, fumava opio e apaixonou-se por uma chinesa, como os outros orientalistas europeus. Compoes poemas sem os escrever, passeava com os caes, teve filhos chineses e gostava de jardins como os outros Macaenses....
Quem melhor que o Camilo Pessanha pode ser o simbolo da lusitaneadade no oriente???
Parece que o Dr. Pessanha fez alguns inimigos aqui na colonia de Macau. Em particular advogados, que nao gostaram de ver o Sr. Professor Pessanha, passar a ser Dr. Pessenha ( o Camilo tambem era advogado -- e dos bons) e defender interesses dos chineses... Ninguem lhe perdou essa ousadia, nem essa nem as outras que chocaram a sociedade colonial e conservadora do principio do seculo XX. Camilo Pessanha, vestia-se a chines, vivia com uma chinesa e sobretudo trazia o genese de ideias republicanas que difundia no liceu. Os defensores dos bons costumes nao lhe perdoaram. Nem ontem nem hoje.

2 Comments:

Blogger CM said...

Uma das minhas figuras históricas favoritas, esquecida pelos portugueses e constantemente invocada pelos chineses. Admiro este homem, por várias razões, mas acima de tudo, pela capacidade que teve de compreender e adaptar-se a uma cultura radicalmente distinta, numa época em que o único prisma de visão do "encontro de culturas" era o racismo, em que reinava o primado da superioridade cultural europeia.

09:47  
Blogger Unknown said...

Aquí no Brasil, Camilo Pessanha começa a ser descoberto, graças ao Professor Franchetti, que viabilizou uma edição de bolso a preços módicos e muito bem cuidada.
Particularmente adoro o poema abaixo:

___________________________________

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
___________________________________

Abraços do Brasil
Augusto Cézar

23:31  

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