quinta-feira, abril 07, 2005

Aroma da natureza

Tinha prometido que não falava neste assunto... O decoro social que se impõem sobre tema tão delicado calou-me a boca. A minha esmerada educação. As boas maneiras que me caracterizam. O meu natural pudor. E por ultimo o pacto de silencio da promessa que fiz junto à igreja da Nossa Senhora do Rosário. Todas estas razões mantiveram o meu silencio e os meus lábios ficaram serrados para tal segredo. Mas agora basta. Vou ter de vos contar porque ontem voltei a vê-la. Vai-se casar!!!
Tudo começou à uns cinco ou seis anos atrás numa noite fria e sem lua num dos Novembros mais chuvosos que há memoria no Barreiro. Eu tinha estado a beber uns copitos para ver se aquecia os pés, agasalhava a alma e esquecia um desgosto de amor daqueles profundos que duram três semanas ou mais...
Um noite normal para um divorciado adultero como eu era na altura. Lá estava encostadinho ao balcão do bar a ver se a menina que vendia gelo com wiskie consentia em me adoptar para uma noite de amor no banco de trás do carro. O ar cheirava e tabaco a bebidas e a chuva. A menina era nova na terra e por isso ainda não a conhecia no sentido bíblico do termo...O processo estava ja adiantado e a bacan já se esta a recusar a servir mais bebidas aos três ou quatro gatos pingados que ainda por ali paravam para poder fechar a caixa e ter um pouco de conchego cá com este vosso amigo.
A rapariga, não era feia. Meio barbie, meio intelectual. Macrobiótica e bailarina tinha uns olhos escuros com alguma graça. Branca, magra com as pernas compridas e maminhas pequenas tinha o encanto do cabelo de cor extravagante, do visual garrido, e principalmente ter um aparelho reprodutor feminino. Naquela altura as gajas usavam sais curtas e botas da tropa, a menina (cujo nome não vou revelar) usava uns colants amarelos esburacados por baixo de um cinto largo a que com algum esforço chama saia. E bota grossa, claro.
Quando o bar finalmente fechou, saímos e sob a chuva-molha-parvos entramos no carro dela, uma carrinha renault 4 L amarela que cheirava a borracha, e cigarros misturados com perfume. Acima de todos estes odores cheirava-me a alho. Já no bar me tinha cheira a alho mas não liguei ao aroma...
Estava sentado no lugar do morto e reparei que em cima do tabelier havia uma cabeça de alhos. Meio a brincar perguntei-lhe: -- então, tens aqui estes alhinhos apra aromatizar o carro? – Não, respondeu, é para tomar. Tomo sempre duas cabeças de alho antes das refeições, é um antioxidante natural fortíssimo e excelente tónico em geral. Nunca me constipo e sou super saudável!!!!
Ai és super saudavel??? Pensei cá comigo -- tá bem Alhinhos. Porque há mínimos ou talvez porque não estivesse tão necessitado como isso, abreviei a conversa, disse-lhe que estava cansado e pedi-lhe que me levasse a casa. A Menina ficou visivelmente desiludida – não é todas as noites que as gajas tem cá o Ricky Martin no carro -- mas sempre na boa deixou-me à porta de casa. Beijinhos na cara, amigos como dantes.
Passado uns dois ou três dias, volto ao mesmo bar e reparo que um dos meus melhores amigos faz manobras de aproximação à mesma Alhihos. Porque sou um gajo porreiro, levei-o para um lugar discreto e avisei:
-- olha la pá, sabes que essa gaja farta-se de comer alho e manda um bafo a alhum cate os cães se afastam quando ela passa...
-- nem quero saber disso, macho é macho, cheirando a alho ou a cebola se dá pra comer come-se!!! de hoje não passa, vou levar a gaja ao castigo. Naquela casa vai cheirar tanto a sexo que nem se nota o cheiro a alho!!!
Percebi que estava necessitado. Era uma emergência. Deixei correr o flirt e preparei-me depois para passar o resto da minha vida a chamar-lhe Pápalhos....
Sai do bar e deixei-o entretido. No dia seguinte falaríamos. Ainda íamos rir do caso.
Passaram dois ou três dias e encontro o meu amigo com ar de caso... Então o que é que aconteceu?
-- Aconteceu que a tua amiga Alhinhos é um caso clínico. Depois da outra noite acordei com a pila toda em ferida... tive que ir ao medico e tudo...Nunca mais!!!
O caso foi complicado...Na realidade, o rapaz foi ao dermatologista que o mandou fazer analises porque achou que era alergia a uma determinada marca de preservativos, depois de fazerem analises percebeu-se que com os preservativos não havia problema... aquilo era alergia ao alho.... Há pois foi, a Alhinhos só de dar-lhe uns beijinhos mais íntimos deixou o pobre rapaz com o equipamento inflamado, tal era a concentração de alho na saliva da senhora!!!!
Pensei . Olhem do que eu me livrei...
O meu amigo, pediu-me segredo sobre esta historia, para ouvir bocas foleiras bastavam as minhas...eu cumpri o prometido.
Até hoje.
Ontem encontrei a Alhinhos ao final da tarde numa saída do metro aqui em Lisboa. Continua a cheirar a alho e vai-se casar.
Claro que assim que cheguie ao trabalho, hoje de manhã, passei a informação para o meu amigo que vive na lá pra as Europas. Depois da sua admiração pelo infeliz do noivo, saiu-se com esta que tenho de partilhar convosco: “De vez em quando lembro-me dela, quando peço uma piza e oferecem pãezinhos de alho, inconscientemente, dou por mim a levar a mão à braguilha para garantir que está fechada!!!!“

16 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Isto é que se chama serviço publico para as massas!!!
Decorem ousados e garbosos machos sedentos de experiencias com femeas!!!

Hálito a alho não só serve de disuasor e dá vontade de vomitar como convém impedir a todo o custo as chuchas:P

Sf

ps: eu cá para mim esse amigo foi inventado e o encavado foste tu:)

14:24  
Blogger CM said...

Sf - duvido...conhecendo a maltesaria até dá pra calcular quem foi o encavado.
Este ataque de riso tem que me passar que eu tenho uma reunião importante daqui a 5m. Tou a ver que nao posso vir ao teu blog as horas de serviço...

15:00  
Anonymous Anónimo said...

Eu próprio senti-me um pouco retraído ao ler esta bela história, tendo imaginado o sofrimento pelo qual o desgraçado terá passado. Ela merecia era que o dito cujo lho tivesse metido na nalga, bem recheado de alho, para ela provar um pouco do sofrimento causado.

15:12  
Blogger Dina Almeida said...

Ó cum caraças!

16:02  
Blogger Unknown said...

Acho que conheço o noivo, sim senhor. A malta chama-lhe Vinhas.

D'alho, concerteza.

16:22  
Anonymous Anónimo said...

Ena pá, esta arrepia!
No principio ainda pensei que os alhitos fossem para afastar a vampirada geral, mas depois até fiquei maldisposta!

Beijinhos, Cláudia amiga dos cães

17:07  
Anonymous Anónimo said...

Pois...ó Ricky, acontece aos melhores...

E quando acontece não vale a pena experienciar a prescrutação exaustiva e vexatória de um médico ... Na minha humilde opinião, penso que basta aplicar um remédio muito antigo e simples... um bom banho.

E este preâmbulo serve apenas de mote para deixar um pequeno contributo cultural a este reputado fórum, nomeadamente um poema aludindo a esse bem tão vital e cada vez mais escasso que é a água...



"A Água"

Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da raspa
tira o cheiro a bacalhau rasca
que bebe o homem, que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho

Meus senhores aqui está a água
que rega rosas e manjericos
que lava o bidé, que lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber ás fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.

("A Água", de Manuel Maria Barbosa du Bocage.)


Ass: Valet-Udo

18:45  
Blogger Dina Almeida said...

Bem me parecia que isto ainda ia ser um blogue cóltural. Podias era proteger mais a identidade dos personagens das tuas histórias... Isso preocupa-me imenso, porque deve estar aí a sair a do "molotov"!!!!

19:04  
Blogger Ze da Penalva said...

Finalmente uma história legível!
Começa muito bem, seduz o leitor e acaba com um remate hilariante.
Parabéns

19:42  
Blogger Unknown said...

O Zé da penalva está a ser injusto. As estorias do Riky são bastante legíveis e salvo um lapso ou outro, até têm surpreendido com a sua correcção ortográfica.
A apontar apenas um excesso de hulmildade que o impede de se assumir como personagem principal...

11:17  
Blogger Piriquito Almiscarado said...

Quando vi o título pensei que fosses falar em merda. Pelos vistos conseguiste ficar muito aquém daquilo que és capaz. Vê isto como um incentivo e não como uma crítica. Quanto aos alarves que só sabem pensar em empurrar o cócó, contenham-se porque a audiência deste blog é maior do que a que imaginam. Mas o alho não faz bem ao sangue?
E nem sei como é que resististe à tentação da 4L...e agora percebo a aquisição da Kangoo, eh,eh!
Vou-te devolver o Cunnus que daqui a pouco a piriquita vai aprender a ler e lá vou eu ter de começar a responder a perguntas incómodas:-)

Beijocas

12:06  
Anonymous Anónimo said...

estica-te estica-te...
nem vale a pena assinar

14:38  
Blogger Riky Martin said...

Como podem ver pelo comentário acima, ando a sofrer pressões e ameaças...
Pelo simples facto de contar uma historiazinha que implica meninas recebo logo ameaças das forças repressoras. Estou formalmente proibido de contar historias que envolvam gajas.
Por isso meus amigos vou ter de ter tento na língua e não posso contar as verdades que me dão na gana.
Peço a vossa compreensão e solidariedade.
Bem hajam
RM

15:15  
Anonymous Anónimo said...

Azar !

17:22  
Blogger BILBAO said...

q

01:31  
Blogger BILBAO said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

01:32  

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