terça-feira, abril 05, 2005

Em agosto a chuva é dourada

Encostado ao rio está o Clube Naval Barreirense. Para alem dos armazéns onde dormem os barcos do remo e mais o barracão onde se amontoam os barris dos betos da vela, há a praia privativa do clube e há um bar com esplanada no rés-do-chão e no terraço. Uma casa de banho exígua e uma cozinha aberta atrás do balcão de madeira. Nas noites de verão a esplanada do Naval enche, quando o calor do dia coze o subúrbio é preciso aproveitar o fresco da noite. E pergunto, existe melhor forma de aproveitar o fresco de uma noite quente do que sentado à volta de uma mesa entre amigos e garrafas de cerveja gelada??? Claro que não. Pois era justamente isso que estávamos a fazer.
O problema com as cervejas é que se bebemos uma temos que urinar três. Pois nós éramos
Três o que quer dizer que por cada rodada que vinha pra mesa tínhamos nove cervejas para mijar...
A esplanada estava cheia a única casa de banho existente estava sempre ocupada e com fila permanente de mais de dez gajas. Cada vez que um tipo queria mijar tinha de esperar 15 minutos... por isso e por rebeldia natural dos nossos vinte e poucos, começamos a encher um jarro de vidro apanhamos numa mesa que ficou vaga ao lado da nossa.
A esplanada foi ficando vazia, a casa-de-banho ja estava mais disponível... nós porque já estávamos bebidos e por preguiça natural, continuamos a mijar para dentro do jarro. Por volta meia-noite e meia já só havia duas mesas ocupadas... uma na esplanada do rés-do-chão e a nossa mesa no terraço. Os empregados estavam com pressa de se irem embora e começaram a pressionar-nos... Por isso, sem dar nas vistas, pegamos no jarro dos despejos colectivos e pusemos discreto em cima do muro do terraço e fomos pedindo a conta.
O empregado que nos estava a atender era um pouco arrogante. Estupido e mal educado. A querer aproveita-se das bebedeiras para sacar mais uns trocos. As nossas contas não batiam certo com as contas dele. Estava a querer cobrar-nos mais três canecas do que as que tínhamos bebido. Discussão alterada. Vem o patrão e pede com maus modos para pagarmos. Descemos para pagar a conta ao balcão.
Eu desde que fiz remo nunca fui com a cara do dono da espelunca armada em bar fino... o gajo não nos servia se entrássemos descalços ou em tronco nu, detesto snobismos!!! Por isso fiquei à porta a acender um cigarro. Percebi que os tipos da mesa cá de baixo também não estavam satisfeitos com o empregado. Parece que com eles, o engraçadinho estava também a querer roubar na conta... Envenenei. Estavamos a comentar, qualquer coisa do estilo, tem a mania que é esperto e quer fazer os outros de parvo...Enquanto isto o individuo mal humorado ia levantando a loiça das meses do terraço. Foi nesta altura que aconteceu. Como nos filmes em câmara lenta, vejo cair o jarro cheio de mijo que bateu no tampo da mesa de plástico e provocou uma chuva dourada sobre os 4 manos que sentados e que concordavam comigo sobre o empregado. Os tipos não perceberam que era mijo, mesmo imaginando que era agua, foi suficiente para se levantarem os quatro para baterem no culpado, que se começou logo a desculpa a dizer que tínhamos sido nós que deixamos um jarro com cerveja morta no parapeito de propósito. Os meus amigos que ainda não tinham pago a conta ficaram ofendidos com o empregado... chamaram-lhe mentiroso de merda. O tipo cresceu e pos-se a fazer peito. Um dos tipos da mesa de baixo enfiou-lhe uma galheta. Granel total. Vem o dono para defender o empregado com um pau na mão. A esse dei-lhe eu. A mulher vem lá de dentro a gritar calma calma. O tipo mais calado da mesa de baixo -- que ainda estava sentado, levanta-se e grita com a patroa: tá calada puta!! O outro empregado, um tipo enfezado com cara de fuinha saiu da casa de banho com as mãos no ar dizer não vale a pena. Alguém lhe enfia um lacheta para não subestimar a situação. Sentou-se no chão agarrado à cara a choramingar. O empregado parvalhão entretanto entrou e foi-se agarrar ao telefone. Alguem atirou o patrão contra uma pilha de cadeiras que foram cair ao rio. A montra partiu-se.
Antes que viesse a policia saímos os sete. Ninguem pagou. Nós os três mais os quatro da mesa de baixo que depois viemos a saber eram membros do grupo de forcados amadores da Moita. Rapaziada animada...Mais copos em todos os tascos que encontramos abertos. Passou uma rusga da policia e ninguem nos incomodou. Mais copos para celebrar.
Quando a madrugada rompeu éramos ja todos amigos para a vida.
Os forcados nunca souberam que tomaram banho de mijo... mas ao pequeno almoço ja cheiravam a casa-de-banho de estação de comboio.
Só passadas duas gerências, uma dúzia de diferentes empregados e 10 anos voltei a por os pés no bar do Clube Naval Barreirense. Os tipos da Moita de vez em quando vejo um ou outro. O antigo proprietário abriu uma casa de alterne onde nunca fui. O empregado fuinha trabalha num restaurante. O empregado mal educado nunca mais o vi.

13 Comments:

Blogger Dina Almeida said...

Não perrrca os prroximos episodios dé: "Como é atribulada a vida num subúrbio de cidadxe grande"

13:48  
Anonymous Anónimo said...

Tomemo cuidado em ir beber copos com esse pessoal, ainda acabam por comer "mousse de chocolate" ou "tarte de natas". Tenho dito ;)

14:51  
Anonymous Anónimo said...

EM GRANDE:)


Sf

14:52  
Anonymous Anónimo said...

Até o desgraçado que estava descansadinho no wc, e que saiu cá para fora todo acagaçado, levou na tromba?!? Que gajos maus estes...

:))))

14:53  
Blogger Unknown said...

Tanto rio à volta e tinham que ir mijar ao jarro?!!!

15:08  
Anonymous Anónimo said...

e por falar em jarro....
ou os jarros na margem sul (aka as alentejo do norte) são estilo barris ou então e usando a formula mundialmente aceite "1 cerveja => 3 x o mijo" os tão propalados bebedores de litrosas atras de litrosas n devem ter bubido mais que uma reles imperialzita cada um :)

Sf

15:49  
Blogger Riky Martin said...

Krinas não percebi se andas a contar a serveja que eu bebeo se o mijo que o eu mijo.
De qualquer maneira para poderes fazer uma boa contabilidade tens de me vir por a mijar mais vezes...

15:56  
Anonymous Anónimo said...

o que ja se percebeu foi que andas prai a gabares-te mas que nao bebes mais do que uma reles imperialzita

tb n seria de mau tom propores um qq tipo de ajuntamento para buber umas jecas em vez desses eventos panascoides por ti tão apreciados mas dos quais não partilho a mesma apreciação:P

16:36  
Anonymous Anónimo said...

já no outro dia vi esse caramelo(Rico Martinho) a beber agua... ou pior: sumo! agora vem dizer que mija muito...

Fortes

16:41  
Anonymous Anónimo said...

sobre eventos:
marquem que eu apareço.Caro Krinas devo dizer-te que desde que foste em lua de mel para a america tas completamente desconcentrado...
sobre suminhos:
cala-te minha grandessíssima puta Macaca Chineza que a ultima vez que vi vossa exelencia foi no Bairro alto e estava compeltamente sobrio e sentado à mesa com gaijos....
RM

17:52  
Anonymous Anónimo said...

O Fortes foi apanhado a comer no cu do SF.....e mais não digo.

20:10  
Anonymous Anónimo said...

o' anonimo...podes ir ver a resposta que foi dada a um outro (se n for o mm lambe rabos) pelo Rico Martinho...
aplica-se a ti como uma luva!
e nao nao falo das luvas que tanto aprecias qd te fazem um toque rectal...

21:10  
Anonymous Anónimo said...

E tenho a dizer que os jarros do Barreiro são grandes qué pra quando é necessário dar com eles nos cornos do pessoal de fora.

09:57  

Enviar um comentário

<< Home

Flatulências a partir de 28/01/2006