quarta-feira, abril 20, 2005

O Farnel do Ervilha

A musse do Ervilha

Em Maio com o aproximar do final do ano lectivo começavam as excursões. No inicio doa anos 90 estavam em voga os parques aquáticos com piscinas e escorregas. O ex-libris na margem sul era o Onda-Parque na Costa da Caparica .... A excursão em causa foi organizada pela associação de estudantes. Só estudantes. Os professores em Maio já conheciam demasiado bem os alunos para nos acompanharem. Recusavam-se a atravessar a estrada connosco, quanto mais fazer uma viagem – mesmo de uns escassos vinte quilómetros entre o Barreiro e a Costa da Caparica.
Sem perceber muito bem como, o que é certo é a que a organização funcionou. Mais ao menos à hora marcada lá apareceram os dois autocarros da câmara para onde o pessoal foi entrando.
Garotos na idade mais selvagem. Adolescentes de subúrbio. Rapazes em calções e raparigas excitadas dentro dos seus biquinis debaixo da roupa leve. Entre os 14 e os 17 anos. Sacos com farnéis e gravadores com cassetes. Charros e cerveja.
Como em todo o lado a há uns mais espertos e outros mais parvos. Como em todo o lado os mais parvos são aqueles que se consideram espertos. É o caso do Ervilha. Musculado e grande para os seus 16 anos, tinha a alcunha de Ervilha por comparação do volume do seu cérebro com o tamanho de uma ervilha. O Ervilha era estúpido todos os dias. Estúpido como um contentor verde a abarrotar de lixo depois de um fim-de-semana grande ou de uma greve de três dias. Estúpido e parvo como todos aqueles que se armam em mais espertos que os outros.. O Ervilha era grandalhão mas não era grande coisa, e dentro do autocarro teve logo de abaixar a bolinha. Na hierarquia da rua e da escola não valia nada. Ao pé dos pequenos vândalos --- bandidos em botão --- devia mostrar-se mais reservado. Ainda a excursão não tinha saído do Barreiro já tinham acendido os charros e aberto as garrafas de cerveja... O Ervilha ainda começou a armar-se a dizer que comia este mundo e o outro... mas alguém lhe disse que talvez tivesse que partilhar o lanche à força. O Ervilha finanmente percebeu quem mandava, perdeu o piu e foi calado o resto da viagem. Melhor assim.
Quando chegaram ao Onda-Parque perceberam porque é que os tipos da organização tinham feito um preço tão barato para entradas.... Das três piscinas só estava em funcionamento uma. Por ser dia de semana, estavam fechados ao publico e só abertos para escolas. Só escolas – isso já sabiam... o que não sabíamos era quem era a outra escola. As fantasias sonhadas com as meninas do liceu de Oeiras caíram por terra ao perceberemos que a outra escola presente era o instituto de reinserção social de Setúbal... Mistura explosiva.
Felizmente que o haxixe e a cerveja são grandes agentes de integração. Meia hora depois dos barreirenses terem chegado já éramos uma família com os vandalozinhos de Setúbal. Fizeram-se parcerias para futuros negocios e abriram-se mais cervejas. Depois, todos juntos alegremente brincaram ao empurra para a agua. Primeiro uns aos outros. Depois aos que não queriam ir. Depois às técnicas de reinserção social que acompanhavam os meninos de Setúbal. Depois aos funcionários do Onda-Parque. As brincadeirinhas elegantes com agua cansaram e fartaram a malta. Acenderam-se novos charros e abriram-se mais garrafas de cerveja. Nisto o Predador sugere: “Bute catar os armazéns” ... porta a dentro e os armazéns de arrumos do Onda-Parque completamente devassados. Tintas, tijolos, ferramentas encaixadas depressa espalhadas pelo chão ou escondidas sob as t-shirts. O Cavernas informa: pessoal vou amandar uma cagáda dentro deste balde de tinta!!! Claro que houve vozes discordantes pela escolha do sitio e com novas e criativas sugestões: Faz nos sapatos dos totós. Faz dentro da caixa de ferramentas. Faz na piscina, na piscina. O Pinguinhas que é gago ( a alcunha completa é Mijáspinguinhas) que naquele dia estava mais pedrado que o costume e por isso mais engenhoso sugere: Fá fá faz mazé pra dê dê dê dentro da musse do Ervilha!! O gajo na na não estava a dizer que que que cu cu comia a tijela toda sozinho???
As ideias quando são realmente brilhantes têm execução rápida. E mais rápido do que o tempo que demorei a contar a estoria. A taparuéra da musse do Ervilha foi subtraída do seu saco e metida debaixo do Cavernas que já ia avisando que não podia esperar muito mais porque estava com uma cólica.... E era verdade. A diarreia liquida e amarelada acompanhada de gazes mal cheirosos, desapareceu na musse de chocolate escura da mãe do Ervilha. Taparuére de novo fechada e metida dentro do saco do Ervilha que sem se aperceber de nada fazia musculo e desafiava os mais fraquitos para jogar braço-de-ferro.
Acção executada , expectativa criada.
Uma hora depois, todos abrigados numa das poucas sombras que podiam proteger do sol às duas da tarde. Deu a fome. Começaram-se a desembrulhar as sandes. O Ervilha na sua boçalidade grita para o geral: eu cá como primeiro a musse e só depois é que despacho as minhas 5 sandes!!!
À volta do Ervilha e da musse juntamo-nos a meia dúzia que sabia do aditivo biológico. O imbecil abre a taparuére e armado de uma colher de sopa começa por mexer a musse toda. Depois mete a primeira colher à boca e delicia-se. Mete a segunda colherada e não acontece nada. Mete a terceira e nessa altura torce a ponta do nariz e examina atentamente a sola dos dois sapatos enquanto comenta:
-- foda-se devem vir para aqui passear cães à noite... um de nós já pisou um cagalhão, cheira-me a merda!!!

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Acho que este teu blog devia mesmo mudar o nome para cócó, fezes e muco instestinal. É muito mais apropriado do que Cócó, Ranheta e Facada. Isto porque é realmente impressionante mas o tema que domina cada uma das tuas histórias é sempre o mesmo: a merda. As histórias no fundo são sempre iguais: ou alguém faz merda ou alguém come merda. O estilo literário, as personagens e os ambientes é que vão mudando, mas a merda, essa, é sempre a mesma.

Eh eh eh, continua porque de qualquer forma estes contos escatológicos fazem-me rir à brava.

Bjs,Claudia, amiga dos cães.

14:57  
Blogger Riky Martin said...

Estás a ser injusta.

Tenho também histórias de urina, vómito e expectoração.

Mas vou ter em conta a tua critica em relação a novas postas.

Até lá me despeço:
Boas evacuações.

15:07  
Anonymous Anónimo said...

apenas um pequeno preciosismo...o parque aquatico onde morreram as duas crianças foi o do Restelo e não o da Costa...dos nomes já não me lembro...


Sf

17:05  
Blogger Riky Martin said...

Obrigado pela correção amigo Krinas. Vou ja modificar a cena.

abraços

17:09  
Anonymous Anónimo said...

Mais uma pérola do jornalismo urbano! Acho que não teria aguentado de tanto rir ao ver tal cena...

17:21  
Blogger Dina Almeida said...

F...-se! O personagem ervilha fez-me lembrar um outro sobre o qual tb deves ter umas histórias interessantes : O pedrado do ar!!!!
Ãh? Diz lá que não sou amiga até te dou temas e tudo!

17:47  
Blogger Jingas said...

Acabei de comer mousse de chocolate... acho que vou vomitar...

14:27  
Anonymous Anónimo said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

00:47  
Anonymous Anónimo said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

00:48  

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