quinta-feira, abril 14, 2005

Uma casa de banho revolucionária em Pinar del Rio

Entre Havana e Pinar del Rio há uma estrada comprida e poeirenta. À saída de Havana segue-se entre plantações de cana. Quilómetros e quilómetros de canaviais arrumadinhos. Depois, abruptamente entramos na região do tabaco. Aqui a estrada segue a direito entre campos de tabaco, porventura o melhor do mundo. Até Pinar, a capital do tabaco. Pinar del Rio é uma cidadezinha essencialmente agrícola com alguma industria tabaqueira. Tem ruas largas com casas de primeiro andar. Paredes caiadas forradas de janelas que deixam sair para a rua o som das casas das pessoas. Come-se barato nas cantinas dos trabalhadores das tabaqueiras. Há putas e traficantes de charutos como no resto da ilha. Por trás das janelas as pessoas criam porcos e galinhas dentro de casa. Rádios antigos gritam velhas musicas com novas orquestrações. Em silencio contam-se dólares de Miami e procura-se fazer negocio.
Em Cuba, por simpatia e solidariedade com o regime, desenvolvi o complexo do civicamente correcto. Por causa deste sindroma do “civicamente correcto” dei por mim a fazer coisas que não faço na minha terra, tipo não atirar o lixo para o chão, apagar bem os cigarros antes de mandar fora, e claro não mijar atrás da primeira arvore disponível e procurar sempre uma casa de banho. Fui assim que a encontrei. Precisamente porque não quis mijar para o chão sujo e ressequido de Pinar del Rio. Depois de almoço deu-me a vontade de mijar -- as bucaneros começavam a fazer efeito -- e procurei um orinol. Fui perguntando e lá me indicaram uma portinha escura. Abri a porta e o cheiro bateu-me na cara como uma chapada. Merda amoníaco esgoto tabaco preto de charuto barato e maré vazia. Brutal. Armei-me em resistente e desci o lance das escadas que faziam chegar à cave onde era a retrete propriamente dita. Sem luz e em contraste com sol incandescente das três da tarde no Caribe. Ceguei momentaneamente mas o tacto não me enganou. Os últimos dois degraus da escada já estava dentro de agua. Supostamente. Supostamente agua. Na realidade tinha liquido até meio da canela. Ingenuamente no escuro quis acreditar que era agua... como já lá estava tirei o equipamento para fora e fiz o que tinha a fazer. Sacudi as duas vezes da praxe e resignei-me a subir as escadas a fazer tecnhápe em cada degrau. À luz da tarde tudo se revelou pior. A agua não era agúe mas sim merda e em cima do sapato direito trazia como recuerdo um cagalhão mole ... uma linha acastanhada um palmo abaixo do joelho marcava o nível de submersão.
Descalcei-me mesmo ali. Mandei as meias da raquete fora e amaldiçoando a minha vida fui batendo com os ténis um no outros que iam fazendo chover merda na poeira do passeio. Entretanto passam por mim um grupo de miúdos da escola que param para me gozar. Um deles, um lourinho a que os outros chamavam Yuri, empurrou com o pé de criança a portinha de ferro do urinol e dali mesmo mijou em repuxo fazendo os outros rir e escandalizando duas turistas espanholas... Olha ca porra pensei eu cá com os meus botões – porque é que eu não aprendo. Resignado lá segui com os ténis fedorentos na mão ate uma cantina onde por um dólar me deixaram lavar os pés e os sapatos à mangueirada. Em Pinar del Rio aprendi uma grande lição: mesmo revolucionaria, a merda é sempre merda... e continua a cheirar mal!!!!

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Finalmente, um novo post!! :P

Pois, em Portugal és capaz de "fazer chichi" na porta duma Igreja, mas em em Cuba, tinhas medo que te roubassem a "pilinha", foste encavar-te na merda!
Já pensaste que podes ter tocado na merda do Fidel?? Não achas que é um motivo de orgulho?

20:58  
Blogger R. said...

O Fidel não cagava num sitio daqueles mas... tenho cá em mim que a merda dele também não deve cheirar a rosas!
E, para além de tudo, tu és um ser suspeito... o que é que terão pensado aqueles turistas que foram à estação de serviço de Marrocos, perto de Midelt?!?

23:21  
Anonymous Anónimo said...

Quem é um ser suspeito? Eu ou o autor do post? É que eu nunca fui a Marrocos, pelo menos o do Norte d'África!

08:58  
Blogger Unknown said...

Essa da estação de Midelt, com ares de enclave Suiço, em que as casas de banho eram ocidentalmente limpas e os preços tabelados, sem direito a regateio, dava uma bela história, pois o Riki fez tal obra que os marrocans pensaram em chamar-lhe Monte Atlas II.

12:22  
Anonymous Anónimo said...

Realmente já não de pode tentar ser civilizado, nem que seja uma só vez na vida.

16:03  
Blogger Piriquito Almiscarado said...

Acho que a única comparação possível serão as antigas casas de banho do barco Barreiro-Lisboa...um gajo até tinha medo de por a sarda de fora não fosse o bicharoco ser atacado pelos vermes...sem falar que quase sempre tava lá um pandulas pra mirar o tamanho da lança! Continuei sem perceber se só cagaste os sapatos ou se ficaste cheio de merda até ao joelho!!

12:49  
Blogger Companhia do calypso said...

GOSTEI DO SEU BLOGGER, ATE QUE EM FIM ALGUEM MUITO DOIDO QUE ESTAVA FALTANDO NO MEU MUNDO VIRTUAL APARESEU E É ISO AÍ IRMÃO, CONTINUE PUBLICANDO O QUE REALMENTE NOS ENTERESA E QUE SE LASQUE ESES MANOS CORUPITOS E SEM VERGONHA QUE ANDÃO MASCARADOS POR TODOS OS CANTOS COM A MASCARA DA ILUSÃO ( sÓ PENSÃO EN ILUDIR O POVO) ESPERO ME TORNAR SEU NOVO AMIGO NO MUNDO DO BLOGGER. FUI E ATÉ BREVI...

19:10  

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