sexta-feira, março 11, 2005

O mergulho do Jacaré

Melides – Alentejo litoral Agosto de 1989
No Pinhal entre a lagoa e o mar mais de 1000 jovens comunistas de todo o pais partilhavam uma mesma latrina masculina do acampamento da JCP. Acampamento de fim de semana a preparar equipas para o trabalho na festa do avante.
1500 tipos a produzirem uma média de três quilos de fezes por dia. A latrina, que originalmente era uma funda fossa aberta na areia do pinhal por uma escavadora, no domingo à tarde era ja um enorme rio de merda para o qual todos cagavamos de coçaras sobre duas tábuas.
Ao final do dia de domingo o irmão de um do Sardinha, um dos camaradas do Barreiro, chegou no seu opel corsa acalorado e pedindo cerveja. Viera de propósito buscar o mano e fazia o favor de dar boleia a mais três galfarros. Chegou bebeu a cerveja e preparou-se para arrancar.
Já estávamos no opel corsa com as mochilas ao colo e prontos para seguir viagem até ao Barreiro, quando ao Sardinha-mais-velho deu a vontade de ir defecar.
-- onde é que um gajo pode amandar uma cagada?
Lá indicamos a latrina/rio. Também não era difícil dar com o sitio... qualquer um chegava la de olhos fechados...
Cinco minutos depois aparece o Sardinha-mais-velho
-- é pá arranjem la ai uma cana com um gancho porque cai-me a carteira na merda. Tenho lá o dinheiro prá gasolina, a carta e as eps que comprei mesmo agora...
Não havia cana.
Como é que se faz, como é que não se faz...
Entretanto vinha a passar o camarada Jacaré que era um tipo magrinho e pequenino com os dentes grandes que logo de disponibilizou para ajudar a procurar uma cana.
O Sardinha-mais-novo rapaz possante na flor dos seus 18 anos, tirou as medidas ao jacaré e disse:
-- é pá, agente não precisa de cana nenhuma, eu seguro numa perna do jacaré , o meu mano segura na outra e tu apanhas a carteira. Tá já ao cimo a boiar na merda...nem chega a um metro de distancia das tábuas...
Claro que quem não gostou muito da ideia foi o Jacaré, mas porque se estava a fazer à boleia e porque , de qualquer maneira já os Sardinhas o tinham agarrado... deixou-se ir.
Assim, ficou o Sardinha-mais-velho a segurar nas canela direita, e o Sardinha-mais-novo a segurar na canela esquerda do Jacaré. Os três sobres as tábuas de pinho que eram as pontes sobre a latrina cheia.

Uma das tábuas deu de si.

E a tragédia aconteceu.

O Jacaré mergulhou de cabeça. Veio ao de cima a cuspir merda agarrado a uma das tábuas com a carteira do Sardinha-mais-velho na mão, e a gritar que não sabia nadar...
O Sardinha-mais-novo ficou com merda pelo queixo
O Sardinha-mais-velho ainta se tentou agarrar ás raízes de um pinheiro mas acabou também por cair na “piscina”.

Tomaram 3 banhos cada um. Primeiro de mangueira, depois nas ondas do mar e depois outra vez de mangueira.
Lavaram-se com sabão, detergente para aloiça e gel de banho.
Puseram perfume after-shave a aguda de colónia.

Nada resultou. Ainda hoje, mal entro num de opel corsa vem-me logo ao nariz um cheira a merda....

Macau

Terras do oriente. Sitio onde sobreviveu o Camões e por onde “planou” o Camilo Pessanha.
Parece que se come bem. Acho que é dos poucos sítios do oriente onde se pode beber vinho tinto bom a um preço razoável.
Os casinos são famosos.
Contaram-me que em Macau as pessoas ganharam os hábitos culturais dos chineses e dos portugueses: muitas pessoas escarram para o chão enquanto coçam os tomates por cima das calcas. Faz-se aguardente de bagaço de uva e espetam-lhe lá dentro um sardão.
Ouvi dizer que se fuma em toda a parte e que ainda não se sofre a histeria do ostracismo aos fumadores.
Li historias sobre casas de ópio.
Segundo dizem foi nos cabarets de Macau que nos anos 30 se introduziu o salutar habito de beber um copo enquanto uma senhora dança e tira a roupa.

Por enquanto o pouco que sei sobre esta cidade perdida nos Mares das China é tudo na base das incertezas e do que ouvi dizer.
Conto nos próximos poder postar algo num plano mais concreto.

Declaração de princípios

O Principio de que a merda dá sorte aqui é levado muito a sério

Este é um blogo de profundo humanismo. Todos os seres humanos, fazem cocó, todos os seres humanos têm ranhetas e pelo menos uma vez na vida já todos os seres humanos usaram uma faca.

E por agora já chega porque tenho de ir à casa de banho.

(PS – Se me vierem com argumentação de escatologia, mando-vos logo bardamerda com as vossas palavras caras -- neste blog não há escatologia , aqui a base é a javardeira)
Flatulências a partir de 28/01/2006