sexta-feira, maio 13, 2005

A lua cheia do Bolinha

Nos anos 80 e inicio dos anos 90 não apareciam muitos acidos no Barreiro. De vez em quando lá havia alguém que arranjava LSD, cogumelos alucinogénicos ou mescalina . Quando isso acontecia havia festa. O pessoal juntava-se em grupo e viajávamos no barulho das luzes. Talvez já se tivessem inventado as rave partis, mas classificávamos como idiotas os tipos que iam tomar extasy e dançar. Nós éramos diferentes. Entre nós havia os idiotas racionais simples que tomam ácidos para ficarem pedrados. Havia os idiotas oportunistas que tomavam ácidos para comerem gajas alucinadas . E havia os idiotas místicos que tomavam ácidos para comunicarem com outros mundos. Eu estava claramente neste grupo. Havia também os sub-idiotas que tomavam ácidos para mimetizarem os comportamentos dos outros idiotas mas esse não interessam para a historia.
A verdade é que houve um tempo em que era suficientemente parvo e ingénuo para procurar Deus. Em vez de ir à catequese tomava ácidos. Era o acto procurar Deus com bengalas químicas. Felizmente que das vezes que caí nunca me magoei seriamente... e guardo recordações engraçadas dessa altura. Falo-vos da pré-história dos ácidos.
Este vosso Riky Martin e mais alguns eleitos jurávamo-nos e seguíamos para o “vente da mãe natureza”, longe de estímulos que classificávamos como negativos e íamos curtir a nossa esquizofrenia tentando aumentar a consciência cósmica.
Fugia para a serra da Arrábida que era já quase a minha casa de fim de semana. Ia para Porto-Covo e para a Ilha do Pessegueiro. Para a Serra de Sintra. Algumas vezes quando o orçamento era mais curto procurávamos o “ventre da mãe natureza” na praia do Barreiro ou na Mata da Machada. Ficávamos a desvairar sobre as cores do por do sol sobre o rio com os barcos da CP a passarem-nos ao largo. Era bonito.
Ainda hoje e herança desses tempos, gosto ficar deitado no chão olhar para o céu estrelado e deixar-me cair no vazio. E gosto de fechar os olhos no campo e ficar a ouvir o canto dos pássaros e imaginar cores a acompanhar os sons. Talvez também seja herança de viagens de ácidos, mas há duas luas por ano que eu não gosto de perder: Alua cheia de Janeiro e a lua cheia de Agosto. A primeira branca e a segunda amarela. À mais dez anos sem ácidos continuo a planificar a noites de lua cheia de Agosto e Janeiro. Com ou sem companhia. Com ou sem copos. No campo, na praia, na montanha ou no deserto. Gosto de ficar assim uma hora ou duas a olhar para a lua e a pensar na vida que é a mesma coisa que dizer sem pensar em nada...
Uma dessas noites magicas de luar inesquecível foi a Lua cheia de Agosto de 1993. Portinho da Arrábida de quarta para quinta. De um grupo de uns seis, dois tomamos acido. Eu e outro místico. Tivemos o químico guardado à espera da lua cheia durante mais de três semanas. Preparativos organizados com a precisão de uma cerimonia religiosa. Lavamos no saco a nossa Bíblia que era o livrinho do Dr.Timothy Larry sobre a experiência psicadélica, versão inglesa fotocopiada da biblioteca publica de Amesterdão. Levamos fruta chocolates, sumos e não tocamos nem em álcool nem em charros.
Chegamos ao Portinho ao final da tarde. Algumas famílias resistentes recolhiam os chapéus de sol. Subimos ao monte branco e deixamo-nos ficar a tocar guitarra e a bater em tambores. Tomamos a cena ao por do sol e foi um delírio. As cores do céu sobre o mar comoveram tanto o outro tipo que ia comigo que o fez chorar de alegria. Eu encarnei uma gaivota. Enquanto o pássaro se afastava na direcção do cabo espichel cheguei a sentir o vento a bater-me nas penas. Recordo a forma como o som da areia a ser pisada fazia sair luz da linha do horizonte. Depois a noite de luar magnifico que fazia uma estrada sobre o mar na direcção da Anixa. Na praia alem de nos um ou outro pescador que respeitavam a distancia de segurança e privacidade. Noite quente com uma brisa morna a lembrar-nos que Africa é já ali. Tudo perfeito. Se não éramos deuses pelo menos sentíamo-nos como tal. Tudo nos foi revelado nessa noite. Infelizmente, depois do acido descer todo voltou a ser oculto outra vez. A luz branca da lua era Deus que comunicava connosco através da onditas calmas da baia do Portinho. Ao nascer do dia um tronco a boiar transformou-se no crocodilo primordial que traz o mundo às costas. O sol ao levantar-se por trás da serra era Deus feito luz a encandear-nos e assumir todo a potencia da verdade que cega.
Entretanto das outras pessoas que estavam connosco, uns estavam mais ou menos bêbados e outros mais ou menos ressacados. O sono deu-lhes com força por volta das sete da manhã e decidiram montar uma tenda canadiana para dormirem na sombra hiper-aquecida.
Nem eu nem o Feijone pretendíamos dormir. Estávamos na fase do baptismo purificador no mar Mãe Universal de vida, quero dizer com isto que fomos dar um mergulho. Por isso não ligamos à tenda.
Nós não ligamos mas houve alguém que ligou. Nem dez minutos passaram desde que a tenda foi montada até aparecerem dois guardas florestais e um cabo-do-mar.
-- Vamos a acordar e a levantar a tenda. Estão num parque natural e é proibido acampar.
Entre os mais sóbrio vozes razoáveis tentaram argumentar
-- Mas nos não estamos a acampar, chegamos à pouco e só queremos descansar umas horas.
O Cabo do Mar, cortou autoritário:
-- Chegaram ontem à noite que nós vimos muito bem.
Eu e o Feijone, assistíamos à discussão à distancia suficiente para ouvi-los, mas suficientemente longe para não lhe dar importância. Nisto, num repente o meu amigo abandona-me no êxtase místico e decide-se por interromper a discussão dos mortais. Para isso, avança directamente sobre o cabo-do-mar, dá-lhe um valente caldo e grita:
-- Bolinha pá, assim vestido de almirante não te reconhecia!!! Tas bom?
Silencio de todos os presentes excepto do cabo do mar que começa logo por esclarecer que não é o Bolinha.
-- Não és o bolinha o quê, pá!!! Este gajo sempre foi um granda gozão!!! É um fixolas. Tas a fingir para quê Bolinha????
Felizmente que nesta altura os mais sóbrios já estavam a desmontar a tenda e por isso o guardas florestais (convencidíssimos que o cabo do mar é o Bolinha) decidiram-se ir embora. O Almirante, ainda negou mais duas vezes que não era o Bolinha, que há pessoas muito parecidas... ninguém acreditou nele e por isso aproveitou a boleia dos guardas florestais.
Afastado o perigo, todos perguntamos ao Feijone:
-- mas olha lá, tu conhecias o gajo?
-- eu não!!!! mas assim que olhei para achei-o parecido com um gajo lá da minha rua que é o Bolinha....
O resto do dia foi fantástico e claro que o cabo-do-mar não voltou a incomodar, de qualquer modo partir desse dia, toda a gente o conhece pelo Bolinha.

quarta-feira, maio 11, 2005

O Xiri e a Peixeira Brites

O Dr. Resende voltou a meter os cornos na palha. Isto é, o Resende voltou a adormecer com a cabeça em cima da secretaria. Aqui em Stª Maria não é problemático. Esta merda é tão grande que mais medico menos médico ninguém nota a
diferença. A verdade é que o Dr. Resende é bastante mal tratado pelos colegas que lhe chamam bêbado seboso e dizem que o gajo alem de panilas é porco. Talvez seja verdade ... o que é certo é que é o Dr. Resende que apanha com todo quanto é caso bicudo. Todos trabalhos que os outros não querem aqui na unidade de obstetrícia de Stª Maria vão parar ao pobre Resende. E ás vezes é com cada trabalho....
Hoje foi complicado. O Resende chegou cedinho às 11 e já viu 4 senhoras. A primeira paciente foi uma rapariga toxicodependente com 17 anos com uma mata de pelos mais habitada que a Reboleira. Veio cá para lhe receitarem pílulas e para papar o almoço que as auxiliares servem a quem espera. Teve pouco tempo de consulta.
Dez minutos depois da drogada ter entrado chegou de emergência uma estudante de gestão. Dezanove aninhos bem medidos, militante da JSD cujo pai é presidente da junta de Sendim do Douro. Não tomava a pílula porque é católica. Entrou
directamente para as urgências. Vinha com uma hemorragia interna de um desmancho mal feito por uma parteira da praça do Chile. Pintelhos crespos mas limpos e cuequinhas cor de rosa com a imagem da nossa senhora de Fátima à frente. O namorado
veio com ela de traje académico e a rezar o terço. Lá se safou.
A seguir vieram duas senhoras brasileiras que sendo putas pretendem fazer a revisão do aparelho produtivo. Boazonas e bem tratadas exageram nitidamente na higiene. Ambas traziam a púbis rapada o que para mim é um deserto sem vida!!!Devia ser proíbido.
À uma menos 15 almoçar com um delegado de propaganda medica que embebedou o Resende e o convenceu a começar a receitar Aspirona – aspirina genital a todas as doentes.
Depois de almoço chegamos ao esses porque Dr. Resende veio atravesado e cambaleava pelos corredores.
Mas o pior estava para vir. Neste dia complicado o caso da jornada, comodizem os comentadores desportivos, foi a Dona Brites. A Brites pesa 103 quilos e é peixeira no mercado do Rego. Nascida em Vila do Conde e moradora em Chelas vivem em Lisboa à mais de 30 anos mas nunca perdeu o seu sotaque do norte carago.
Chegou às 6 e meia da manhã e foi atendida à três e vinte da tarde. O costume no Serviço Nacional de Saúde.
Veio até cá porque andava a sentir umas irritações cutaneas e odores corporais, que é o que os médicos chamam ao cheirinho a bacalhau. Devo dizer-vos que andava a senhora a sentir odores e andava o bairro inteiro de Chelas a apertar o nariz!! Toda
a ala sul do hospital de Stª Maria está empestada. A dona brites entrou com a enfermeira e automaticamente os calou os poucos pardais que ficaram na arvore em frente à janela porque a maioria levantou voo. Foi impressionate. A
senhora sentou-se na marquesa, levantou as saias e abriu as pernas. Eu que de kricas e partes baixas já tive a minha dose, devo dizer-vos que nunca tinha visto nada assim!!! Pobre senhora...até tinha bolor à volta !!! Tudo quanto era bicheza da minha espécie já tinha fugido. Nem piolhos nem lendias. Solitárias e perigosas passeavam-se algumas aranhas predadoras caçando pulgas na floresta entre o umbigo e o cu. Aterrorizado agarrei-me mais às sobrancelhas onde faço casa e rezei ao meu Cristo ortodoxo para que nenhuma aranha me atacasse!!!
A Dona Brites num suspiro disse:
-- Ai doutor benha cá ber-me a passarinha porque eu ando cuma comichom nas partes que num se pode carago!!!! também debe andar a deitar um cheiro esquisito...
( pela maneira como tresanda a passarinha já morreu dentro da gaiola à três semanas...)
O Dr. Resende, cheio de tacto e paciência confirmou:
-- à pois é... tem aqui um certo odor corporal.... Sr. Enfermeira , por favor abra a
porta para fazer corrente de ar...
-- Pois é cheira um bocadinho... como eu sou peixeira de profissão num noto os cheiros mas nos últimos meses tem-me bindo um certo cheirito...Mas pior que o pibete é a comichom... ainda pensei que fosse alguma camada de chatos oferta do meu marido...mas o gajo não me toca bai para mais de três anos.... Também lhe digo
doutor, o meu marido do cheiro nunca se queixou, mas bêbado como anda sempre nunca o vi queixar-se de nada... Bim ca por causa do meu amante o Lourenço que é um moço indiano e tem uma mercearia lá no mercado do rego... Ele é que se queixa mais com o cheiro... O Lourenço queixa-se e as minhas bizinhas lá do prédio também se queixam. Dizem que quando eu passo murcham as flores das escadas. Lá em Chelas estabam a
organizar uma colecta para me comprarem um bidé, eu é que num quis, tinha um la im casa que tirei e meti na baranda cumas coubezinhas. O que se passa é que eu ando farinha das oubir falar nas minhas costas...caramba uma mulher também tem a sua dignidade num é doutor?
-- Olhe vou receitar-lhe este desinfectante Distron Extra Forte e mais umas Aspirinas Genital para tomar duas antes das refeições. Senhora vai ter que se lavar três vezes ao dia com agua corrente.
A Dona Brites reencheu-se na sua seminudez o que libertou ainda mais aroma. Eu cá de cima da sobrancelha esquerda do Dr. Resende, só não vomitei porque os piolhos não vomitam!!! À volta do buraco os pelos faziam rasta -- era uma krica regie!!!
Nisto o Dr. Resende comenta:
-- Sr. Enfermeira, noto aqui junto aos grandes lábios e agarrada aos pelos púbicos uma massa não identificada. Importa-se de recolher uma amostra para fazer-mos a analise laboratorial?
-- Ai só doutor num bale a pena... isso sou eu que limpo o cu de trás para a frente e bem-me sempre parar uns rebolhoezitos de merda à entrada da paxaxa!!!!
O Dr. Resende perdeu o piu. Entristecido escondeu a cara entre as mãos e fechou os olhos. A enfermeira levou para fora a Dona Brites e eu limitei-me a esperar que o Resende adormecesse.
Não demorou 5 minutos que o medico começasse no seu ronco ritmado que me permite ter a paz suficiente para poder vos escrever.
Amanhã conto-vos mais.
Este vosso Xiri.

terça-feira, maio 10, 2005

O Esclarecimento que se impunha

Caros leitores do blog.
Cambada de vagos.
Serve esta comunicação para esclarecer o como e o porquê da minha relação e da forma como conheci o Xiri.
Sei que não sou um ser perfeito.
Sei que ao longo da minha vida cometi muitos erros e por vezes fui menos cuidadoso na escolha das minhas companhias... Mas não deixo de me sentir profundamente ofendido por porem em causa a higiene das minhas partes baixas.
Mesmo nos sítios mais remotos e inacessíveis a higiene pessoal sempre foi para mim uma constante. Lavei os tomates com agua do mar, dos rios, da torneira e com agua engarrafada. Lavei os tomates no mar, no ar , dentro de carros , em comboios, em tendas e em pinhais. Já lavei os tomates com agua gelada nos Himalaias. Em regatos tépidos na floresta tropical. Lavei os tomates coma agua do luso poupando um garrafão nos tórridos desertos das africas. Lavei os tomates nos desertos da Índias. Já lavei os tomates e o resto das partes baixas em hotéis de 5 estrelas e em retretes imundas. Já lavei os tomates em casas de banho de bombas de gasolina. Já lavei os tomates em retretes de taberna e em casa de amigos. Mas sempre, sempre, lavei os meus tomates diariamente.
Ao lado do amor, da amizade e das minhas convicções politicas, a higiene pessoal é um valor que cultivo, cultivei e cultivarei. Por isso fiquei sentido e triste por de uma forma tão vil e ultrajante aparecerem vozes a sugerir que eu conheci o Xiri numas cuecas usadas. É Falso.
Conheci o Xiri no chat da Internet sobre acções de cidadania. Eu pretendia a proibição dos fabrico e do uso de aspiradores e o Xiri estava envolvido lutando pela proibição o fabrico do Quitoso genital!!! Falamos e tornamo-nos amigos. E porque me pareceram interessantes as analises e as crónicas que o Xiri escreve, optei por partilhar com ele este espaço. Só isso.
É lamentável que certas bocas foleiras possam por em causa décadas de higiene!!!
Mas a vida continua.
E em breve talvez possa publicar mais e novas historias.
Riky

Primeira comunicação do Xiri

Vou tentar ser rápido não vá o Dr. Resende acordar.
O meu nome é Xieribietz. Mas todos me conhecem como o Xiri. Eu sou um chato. Sou um chato não por chatear o indígena ou por ser melga. Sou chato por que é esta a minha natureza e espécie. Sim é isso, sou um chato mesmo chato. Sou um pequeno piolho desses que vivem nos pintelhos mal lavados. Sobrevivo de sugar o sangue que irriga as raízes dos pelos púbicos. Mas atenção, não me confundam sou um chato especial.
Nasci de um óvulo modificado geneticamente na explosão nuclear de Chernobil. Na catástrofe que marcou o início do fim da união dos sovietes muitas aberrações foram produzidas. Peixes peludos nos rios radioactivos. Crianças telepáticas. Passarinhos com voz de bode. Anões a calçarem o 45. Mulheres de barba. Sapos que jogam xadrez. Moscas que vomitam luz verde e outras esquisitices. Em Chernobil um pequeno erro humano desregulou o intestino grosso da mãe natureza que para se vingar as ofensas cagou um sem número de raridades biológicas. Somos centenas de criaturas catalogáveis num monstroario secreto que os russos esconderam e os ucranianos herdaram.
A minha história pessoal apesar de secreta é bastante simples. Eu que agora sou um chato. E antes de Xernobil já era chato. Simplesmente não estava consciente da minha condição de parasita venéreo.
No momento 0, o momento da explosão já eu era chato e andava a passear-me nos pelos púbicos do empregado da limpeza do reactor 127, o Sacha que foi meu primeiro hospedeiro. Quando o chão começou a tremer e um cheiro a urânio mal queimado empestou o ar senti um grande calor e vi tudo branco à minha volta. Devo ter desmaiado porque não me lembro de mais nada. Acordei dois dias depois no hospital de campanha improvisado pelas autoridades soviéticas. Quando acordei já era o que sou hoje. Um ser inteligente e sensível, um observador e um líder nato aprisionado neste corpo de insecto nojento.
Não sei explicar-vos o ocorrido cientificamente, sei que acordei na tenda hospital com a capacidade de observar, agir e pensar. O tipo me hospedava nos tomates é que deve ter ficado meio tolinho pois não disse mais nada. Morreu passados três dias e devem tê-lo enterrado mesmo ali. Assim que vi o que era e tive a consciência da minha vil condição decidi mudar de vida. Depois de ter feio o reconhecimento à tomatada do meu hospedeiro, percebi que tinha de me pirar. Farto de tomates enregelados elo frio e dos encontrões esporádicos com as pilosidades púbicas da patroa do hospedeiro andava eu. Para ser sincero aquilo já tinha dado o que tinha a dar. Olhei à volta, saltei e deixei-me ficar nos lençóis sebosos do hospital à espera que aparecesse alguém que me levasse entre as pernas.
Não esperei muito. A enfermeira Marika que não trazia cuecas levou-me. A enfermeira abeirou-se da cama destapou o doente que foi a minha casa. Olhou à volta e como não estava mais ninguém apalpou-lhe o material. Tomates e pila murcha sem reacção à mãozinha brincalhona – diagnóstico reservado. Vendo que o paciente não dava sinais, virou as costas e fez-se à sua vidinha que havia mais doentes para diagnosticar… Felizmente para mim nessa altura já eu ia bem agasalhadinho nos cabelos encaracolados das suas virilhas louras.
Bons tempos aqueles. Todas as tardes havia festa. Com a Marika é que eu soube o que era animação. No hospital aviava tudo quanto era macho. Em casa ainda chegava para o marido e para mais três vizinhos dos apartamentos do lado. À mulher incansável.
Foi a Marika que me trouxe para Portugal. Quando soube quanto se podia ganhar com os empresários de calçado do Minho, fez a mala e pôs-se a caminho. Chegamos em 2001 e fomos viver para Freixo de Espada à Cinta onde a Marika veio trabalhar como alternadeira e competir em mestria, cu e mamas com as trabalhadoras brasileiras.
A vida com a Marika era animada mas muito pouco estável. No verão então sempre com a mania das higienes impunha-me dois banhos semanais… Aproveitei uma visita da minha alteradeira ao ginecologista e dei um salto.
Posso dizer que subi na vida. Em todos os sentidos e inclusive literalmente também. Nesse mesmo dia vim para Lisboa nas sobrancelhas do Dr. Resende que me trouxe ai para o hospital de santa Maria de onde agora vos escrevo.
O Dr. Resende é ginecologista em Freixo de Espada à Cinta às quartas e sextas. O resto da semana esta colocado aqui em Stª Maria. Vive em Santarém, tem uma mulher e um amante que é advogado em Tomar. O pobre Dr. Resende anda tão estoirado que adormece em todo o lado. Neste momento deixou-se dormir com a cabeça em cima da secretaria. Tem o computador ligado. Por isso aproveitei para vos escrever. Com o apoio do Riky Martin e a vossa benevolência vou escrevendo e contado minha vida com as minhas aventuras e desventuras neste blogue de tão elevado gosto.
Por hoje a chega que já estou cansado. Talvez não se dêem conta disso, mas para mim é uma maratona ter de saltar de tecla em tecla para poder ir formando palavras. Para uma simples frase como esta tenho que dar mais de 50 saltos sobre o teclado. É obra!!! Mas vale a pena o esforço só para poder partilhar convosco as historias secretas que a que eu tenho acesso aqui nas sobrancelhas do Dr. Resende.
Prometo voltar em breve.
Assina: este vosso Xiri
Flatulências a partir de 28/01/2006