sexta-feira, julho 01, 2005

Primeiro Salão Erotico de Lisboa


Pois é. Para poder partilhar convosco momentos elevados de cultura, fiz o sacrifício e fui à FIL. Esteve calor e o espaço foi apertadinho para tamanha vontade de conhecer. Aos milhares enchemos o espaço.


Cinco palcos com espectáculos permanentes de strip e peepshows. Dezenas de stands tentavam captar a atenção dos presentes. Muito profissionalismo e pouca inovação. Muito silicone e pouca espontaneidade.
As actrizes e os actores presentes eram o refugo do cinema porno mundial. Corpos estereotipados segundo os padrões americanos. Gestos mimetizados do erotismo francês dos anos setenta.
As senhoras actrizes presentes eram sobretudo do leste europeu, algumas checas e muitas russas. Europeias a assumirem o mito da rapariga Califórnia. Louras. Completamente louras. Silicone com fartura e por todo o lado. Aquela firmeza de plástico nos seios e aquele ar bovino no rosto. Pouco rabo e muita mama. Pintelhos rapados e pircings clitorianos. Vaginas reconstruidas a bisturi.
Os actores, são homens grandes. Maioritariamente espanhóis ou negros francófonos. Também eles assumem posturas padronizadas. O estereotipo do porteiro de discoteca com peitorais e bicípites de asteróides. Cuequinha fio dental preta enfiada no cu e tatuagem com motivos orientais a ocupar a largura das costas.
Nos palcos o strip foi o corriqueiro feito com a qualidade e a frieza das atletas de alta-competição. Algumas senhoras fora do prazo de validade, nos palcos secundários, fizeram números conhecidos do universo showlesbico. A assinalar uma bailarina holandesa que nos seus movimentos e formas mostrou inovação baseada – sem duvida – numa aprendizagem do ballet clássico.


Estavam alguns stands orientados para o lobie dos gay que aparentemente não respondeu à chamada. O publico era composto por muitos machos. Latinos português. A espécie conhecida vulgarmente como “homus unhaca” esteve presente com os seus bigodes farfalhudos e o crucifico de ouro entre os pelos do peito. Alguns casais. Alguns grupos de analistas como aquele onde este vosso amigo estava inserido. Algumas putas que rentabilizaram a publicidade. Grupos de amigas – poucos mas presentes. Grupos de amigos mistos. Tarados isolados. Velhos xulos a apreciarem ao que isto chegou.


Como primeiro salão erótico de Lisboa, valeu pelo pioneirismo. Como salão ibérico falhou pela sua postura de subserviência aos padrões consumistas gerais.
Foi uma pena a organização não ter apostado na divulgação dos produtos internos... ou externos mas relacionados.
Para quem espera ir ver o melhor das latinidades lusófonas e castelhanas esqueça. Ao contrario das minhas expectativas não encontrei nenhuma área regional. Esperava haver stands com minhotas despidas a exibirem os seios fartos e as ancas delgadas e peludas enquanto serviriam vinho verde à pressão e mostravam o sorriso espontâneo debaixo do buço.
Não vi exemplares da mulher portuguesa clássica mamas pequenas rabo redondo e bastante pintelho. Do Brasil não vieram as mulatas. Nem de cuba vi enroladoras de puros despidas a esfregarem as folhas de tabaco nas coxas castanhas. Das negras nigerianas que animam as noites de Madrid e de Lisboa nem sinal. As xolas da américa central também faltaram. Nada de indias...Que é feito da espanhola de Sevilha, onde para a mula cavalona com cabeleira preta e lábios carnudos? Estava com o período???
Pois é... em vez de promoverem o rabo nas suas milhentas varieções ibéricas-américo-africanas promoveram o silicone nas maminhas checas.


Valeu pelo combibio. Pela cerveja e pelo divertido que foi gritar “olha o Bíbí “ enquanto o Herman José dava um entrevista e exibia o seu novo riquismo, os seus seguranças e a sua completa panasquice.

Lamentável a minha Blimunda não ter podido acompanhar-me nesta árdua jornada. Felizmente recrutei uma equipe técnica da Damaia para me ajudar a fazer analise deste evento. Estiveram à altura.
Flatulências a partir de 28/01/2006