sexta-feira, agosto 12, 2005

O juiz molhado em Kenitra (com abraços para os "marroquinos")

Trinta km a norte de Rabat fica Kenitra. Esta é uma daquelas cidades da costa atlântica de Marrocos onde tudo nos é familiar e simultaneamente desconhecido. Muitas coisas funcionam como em Portugal outras nem por isso.
No tempo do Rei Hassan II era assim em Kenitra: industria conserveira e toda a vida da vila girava à volta do peixe. Pequeno comercio. Turismo incipiente. Pequena burguesia provinciana a sonhar com Paris. Inlectuais da oposição a tomar café com os notáveis e vigiados de perto pela policia politica. Divertimentos? O jokey club com corridas de cavalos e o bordel. Toda a gente se conhece. Entre as pessoas importantes da terra contam-se o juiz, o medico e presidente da câmara.
Aconteceu-me que por obra e graça deste meu fado retorcido, quando estive em Kenitra fui como convidado do Sr. Veterinário lá do sitio.
Marrocos conseguiu durante a guerra fria, por artes magicas da negociação magrebina manter-se de boas relações com os dois mundos. Assim enquanto reprimia a frente Polisário na Mauritânia com o apoio dos americanos, continuava a enviar jovens para se formarem nas escolas soviéticas.
Entre estes estudantes marroquinos estava um tipo de Kenitra chamado Rami que estudou na união soviética com uma portuguesa. A portuguesa de que vos falo foi minha companheira de viagem e também se formou nas escola da medicina veterinária onde se juntavam os estudantes "internacionalistas".
Mal chegamos a Kenitra procuramos pelo Rami que fomos encontrar às voltas com o parto de uma égua de competição. Depois dos apertos profissionais e do stress e da magia do parto, o Rami recebeu-nos de braços abertos e mostrou-nos que a hospitalidade dos árabes não é tanga de filme americano.
Logo nessa noite levou-nos para jantar. Fomos ter com o juiz lá do sitio que também tinha estudado na URSS. No jantar falava-se russo e francês, português entre os portugueses e árabe entre os marroquinos. Comemos peixe frito empurrado por um tinto marroquino. Vinho completamente clandestino amadurecido em talhas de barro. (Próximo do vinho alentejano de areia. Próximo do vinho produzido na prisão de Pinheiro da Cruz.)
O Juiz pedia em segredo ao empregado o vinho que sendo de venda ilegal naquele restaurante nos era trazido em garrafas plásticas da coca-cola.
Depois do jantar e de termos bebido uma duas garrafas de litro e meio da coca-cola marroquina, foi-nos comunicado primeiro em russo e depois em francês:
-- Agora vamos às putas!!!
A minha companheira de viagem protestou, mas o Rami esclareceu logo.
-- Vamos ao cabaret Moskva, é o único sitio que esta aberto a esta hora... O dono é um velhote argelino completamente comunista que se desentendeu lá com os camaradas da Argélia e viva aqui desde os anos 70.
-- Vamos embora que o gajo serve cerveja, whisky e pode ser que tenha haxixe para vocês provarem o que é o verdadeiro haxixe... na Europa só se fuma esterco de camelo!!!
A argumentação do Juiz convenceu-me. E como não restavam alternativas lá fomos.
A contrastar com o resto da cidade silenciosa e apagada, no fundo da praia estava um barracão enorme que se podia confundir com a lota não fosse a animação do parque de estacionamento. Vários Mercedes velhinhos, alguns renaults e um jipe branco da policia. O projector que iluminava um letreiro escrito em árabe e em francês: Bien Venu au Cabaret Maskvá!!
À porta um porteiro enorme ria em cavaqueira com três policias fardados de castanho. Quando chegamos os bófias pararam com os risos e em sentido como na parada fizeram continência ao nosso amigo juiz. O porteiro abriu-nos a porta interessado na gorja que o Rami lhe enfiou nas unhas.
Lá dentro fomos recebidos pelo “Patron”. Um velho magrinho com mais de setenta anos. Olhos pequeninos e vermelhos e aperto de mão demasiado forte para um velho daquela idade. O Rami apresentou-nos como uns camaradas em transito que não queriam deixar de o vir cumprimentar. Usou o termo russo para camarada, tavarich .
Os olhos do velho brilharam ainda mais.
O Rami esclareceu que éramos comunistas portugueses que vinham numa viagem oficiosa a Marrocos e que não podíamos falar mais dos nossos objectivos.
O velho abriu os braços e no seu russo “à preto” pediu:
--- Dêem-me a honra de serem meus convidados esta noite. Venho já a seguir.
Quando o Patron virou as costas ficamos plantados no meio do salão. Cheirava a fumo e a suor. Nas mesas baixas havia garrafas de cerveja americana e coca-cola. Num pequeno palco no canto oposto à porta uma orquestra de metais e cordas tocava aquela musica hipnótica magrebina a que vulgarmente chamamos árabe. Iluminadas pelos projectores quatro mulheres dançavam com muitos véus e pouca roupa. Abanavam os rabos e as cabeças fazendo esvoaçar os cabelos negros. A assistência batia palmas e delirava.
Segundos depois de nos ter abandonado o Patron voltou a surgir atrás das cortinas do palco. A um gesto seu a orquestra calou-se e as bailarinas pararam. Silencio na sala. Lá de cima do palco o velho discursou em árabe para a assistência de cavalheiros. Protestos generalizados. Mais palavras em árabe. Todas as cabeças voltadas para nós. Silencio. Mais protestos. Os nossos amigos marroquinos sorriem à volta. Todas as luzes da sala se acenderam e os clientes lá se vão levantando e saindo.
Só quando a sala ficou vazio, o Rami explicou:
-- O Patron mandou sair toda a gente para fazer uma festa só para nós.
Claro que ficamos estupefactos... que não que não valia a pena. O velho não deu hipoteses a discussões.
-- Que comece a festa!!! as bailarinas voltaram asubir ao palco e os musicos voltaram ao sue xinfrim. Festa é festa... Podem ter a certeza que o velho não deixou os créditos por mãos alheias.
O Patron foi um dos primeiros argelinos a estudar na escola Lenin em Moscovo. Ainda antes da guerra. Durante a ocupação alemã participou na resistência e assim que a guerra acabou começou logo a trabalhar na causa anti-colonialista. Soube isto tudo da boca do próprio. Estava radiante o homem por ter alguém com quem falar de politica e internacionalismo.
Em cima da mesa apareceram garrafas geladinhas de asti. Em geral não bebo espumosos mas naquela noite quente souberam-me bem. Havia whisky e gelo.
Mais politica. Indochina francesa e Ho Chi Min. Mas espumante italiano. Um dos empregados trouxe uma caixa de lata de onde tirou uma conjunto de peças que montadas resultaram num cachimbo de agua.
Patrice Lumunba e a traição e o homicídio. El Che no Congo. Do francês passamos para o espanhol, também ele língua franca, agora com sotaque com caribenho. A situação na Nicarágua. Os padres e a revolução na Guatemala.
Alguém “carrega” o cachimbo com um haxixe que cheira intenso a feno e a flores. “Do caso argelino, prefiro não falar camarada” dito isto aplica-se à boquilha do cachimbo e nem parece ter setenta e seis anos. À volta da cabeça do velho há uma nuvem de fumo. A seguir sou eu.
O Velho está contente por ter com quem falar sobre o papel do PC na resistência francesa. Eu estou completamente bêbado e pedrado. Levanto-me para ir mijar e o labirinto das mesinhas baixas junto ao chão parece-me interminável. Finalmente consigo chegar à porta da casa de banho.
Retretes turcas. Abro a porta e vomito. Nem sequer tive tempo de olhar lá para dentro. A minha boca escancarada vomitou todos os peixinhos fritos que nadavam num mar de álcoois variados.
Dessa noite recordo ainda o ar espantado do juiz que estava de cocaras a cagar e levou com o meu banho de detritos semi-digeridos.
No dia seguinte segui viagem. Só voltei a Kenitra uns anos depois da roupa branca do Juiz ter secado. Não procurei o velho camarada do Maskvá. Não insisti na dieta do peixe frito, tintol, asti e ganza. Nessa ultima vez fiquei-me por uma dourada grelhada também ela memorável

terça-feira, agosto 09, 2005

A propósito dos fogos

De volta ao meu bairro de subúrbio nos anos 80. No inicio da adolescência, na minha rua fazia-se uma espécie de triagem dos putos da minha geração. Uns ficavam fechados em casa e decidiam ser para o resto das suas vidas meninos da mama. Outros faziam vida na rua e decidiram na inconsistência dos seus 12 anos tornarem-se bandidos. Uma terceira via foi a dos bombeiros.
Alguns entre nós apreciando as emoções fortes e não tendo feito para roubar ou andar de comboio à boleia pendurados nas carruagens, decidiram alistar-se nos bombeiros. Assim de memoria nuns 20 putos que deviam haver lá na minha rua consigo apontar pelo menos meia dúzia que foram para os bombeiros: os 2 Gemeos, o Inaciossauro, o Periquito, o Terror do Broche e claro o inevitável Incececendiário.
Lembro-me de vê-los contentes nas suas fardas azuis de trabalho com botas da tropa calçadas e a contar historias de bombeiros. Acidentes, muito sangue, mortos, incêndios, exercícios e salvamentos. Originalmente foram todos para os Bombeiros Voluntários do Barreiro, depois houve alguns que se profissionalizaram.
Para mim falar em bombeiros e na adolescência é preciso falar no Incececendiário. O Incececendiário é um gajo lá da minha rua precisamente da minha idade – do meu ano e do meu mes duas semanas mais novo. Foi dos primeiros a alistar-se nos bombeiros. Incececendiário sempre foi um gajo grandalhão e gago. Com treze anos já tinha quase dois metros e as maiores fardas que haviam nos bombeiros ficavam-lhe apertadas. Nessa altura ainda lhe chamávamos o Gaivota ( pela envergadura e por andar nas alturas) porque ainda não tinha ganho a alcunha de Incececendiário. Pois o Gaivota apesar do seu tamanho nunca brilhou nem pela sua inteligência, nem pela sua coragem, nem pela sua liderança. Na verdade não era mau tipo, mas era dquelas putos que só faziam depois dos outros fazerem.
Quando depois dos primeiros meses nos bombeiros voluntários os tipos que tinham sido incorporados ao mesmo tempo que ele começaram a ter tarefas de alguma responsabilidade, o Gaivota começou a revoltar-se.... Os Gémeos já andavam a ajudar nas ambulâncias e o Gaivota só servia para carregar as mangueiras. O Terror do Broche ficava a atender os telefonemas e o Gaivota continuava a carregar mangueiras...
Descontente com a situação que considerava uma injustiça o Gaivota decidiu modificar a situação. A seu pedido, a mãe fez-lhe uma farda de gala por medida e o rapaz executou o plano.
Numa tarde de verão, debaixo do tapete da vizinha da frente meteu uns trapos embebidos em gasolina e molhou a porta com combustível. Vestiu a farda nova com machado à cintura e tudo, preparou um balde de agua, acendeu um fosforoso, e fechou a porta de casa à espera da sua oportunidade para brilhar. Dois minutos depois a velha começa a gritar:
-- há fogo!!! Acudam que é fogo!!!
O Gaivota (que mudou de alcunha nessa tarde) não deu tempo a mais alarmes, abriu a porta de casa e descansou a senhora:
-- Nananananão se preocuupe vizinha que eu sosososou bombeiro!!!!
Claro que a alcunha Incececendiário pegou. A coisa ficou feia com policia metida ao barulho e tudo. Mas tudo acabou por se resolver em bem:
O pai do Incececendiário deu uma carga de porrada ao filho e pagou uma porta nova à vizinha na condição da velha não apresentar queixa. O filho da vizinha deu porrada ao Incececendiário e ao pai do Incececendiário. A vizinha vitimada envenenou o caniche da mae do Incececendiário que para se vingar passou a borrifar com lexivia a roupa que a velha estendia. A policia retirou-se de cena e o Incececendiário foi corrido dos bombeiros voluntários. Mas o gosto pela vida de soldado da paz estava ja embrenhado no valoroso jovem... Passado uns dois meses já estava na corporação dos bombeiros profissionais do Barreiro. Com esta mudança o Incececendiário foi o primeiro gajo a trabalhar e receber salário lá na minha rua... Aos catorze anos comprou uma mota a prestações que entre as suas pernas compridas parecia um triciclo. Nos anais da rua ficarão para sempre as acrobacias do Incececendiário na sua Casal Boss.
Como não podia deixar de ser o Incececendiário fez a tropa nos comandos. Infelizmente acabou por ser expulso porque o apanharam a roubar garrafas de whisky no bar. Depois da tropa o Incececendiário mudou de terra e não o vi durante anos.
A ultima vez que tive com ele bebemos umas imperiais e jogamos snoker... continuava gago, grande e gordo. Na altura era guarda costas na embaixada de Marrocos. Quando despiu o casaco ficou com o coldre do sovaco à mostra a exibir a fusca a todos os que paravam no café. Depois do jogo que perdi, ficamos a beber e lembrar a malta que morreu ou que foi presa. Acabamos a noite num baldio a fazer pontaria com a pistola a latas de cerveja. Nessa madrugada o Incececendiário acabou por vomitar pela janela do carro mesmo à porta de casa – sempre teve o estômago fraco – e a gaguejar-me uma paixão eterna pela Belinha la da rua que é puta na Holanda há já quase vinte anos.
Não voltei a encontrar o Incececendiário. Esta semana um amigo comum falou-me nele e disse-me que o gajo que abriu um negocio por conta própria. Tem uma empresa que fornece material aos bombeiros, extintores, mangueiras, fardas, capacetes e merdas que tais...
Agora quando vejo noticias de fogos florestais penso que afinal nem tudo é mau: sempre há gajos que estão a facturar com a coisa. Ao menos isso!!!

segunda-feira, agosto 08, 2005

60 anos de justiça adiada



Fez no sábado 60 anos que os Estados Unidos da América iniciaram uma nova era.
Pela primeira vez utilizaram a tecnologia nuclear para a guerra. Bombardearam Hiroshima e Nagasáqui.
A bomba atómica não marca o fim da segunda guerra mundial. O Japão estava derrotado e já tinha iniciado as conversações de rendição. A bomba atómica marca o inico da politica externa norte americana como hoje a conhecemos.
Hiroshima e Nagasáqui não influenciaram o curso da guerra no Pacifico que já estava decidida. Ambas as cidades bombardeadas não tinham instalações militares e morreram quase exclusivamente de civis. Quinhentos mil.
Esta infâmia foi só o começo. Em nome de uma ordem mundial que só interessa a uma ínfima minoria, os Estados Unidos da América tem feito pelo mundo uma politica de massacre e de agressão.
Os Estados Unidos, com intervenções directas ou indirectas, espalharam ontem e espalham hoje a morte e a opressão pelo mundo inteiro. Inventaram esquadrões da morte na Colômbia, formaram contras em Salvador, apoiaram a Unita em Angola e o Apartheid na Africa do sul. Nos últimos 60 anos eles não pararam. A politica externa norte americana sempre se orientou pela repressão directa da liberdade dos povos.
Os canalhas de Washington têm feito o seu trabalho sujo. Ao maquilharem o fantoche assassino do Pinochet, ao inventarem empresas fantasma a negociarem os diamantes do Sabimbi ou assessorando políticos “democratas” na Europa os Carluccis têm feito o seu trabalho nos últimos 60 anos.
Agentes secretos, militares, consultores e assassinos contratados. Homicídio, fraude e terror têm sido o método.
Chico Mendes na Amazónia.
Monsenhor Romero em Salvador.
Anteontem no Japão. Ontem no Chile. Hoje no Iraque.
Amanhã onde será? Na Venezuela? no Irão?
Cá em casa?

As férias e a Datcha


Aqui há umas duas semanas tive uma reunião de trabalho num daqueles edifícios antigos e remodelados da Graça. Fantástica vista sobre o rio e margem sul. Mesmo por cima da estação de Stª. Apolónia.
Porque cada vez me chateia mais trazer o carro para Lisboa, atravessei o rio cedinho e decidi-me por andar até à estação de comboios ponto de encontro marcado. O sol de finais de Julho por volta das oito da manhã ainda não queima e Lisboa a despertar convida ao passeio.
Saindo do barco, cruzei o Jardim do Campo das cebolas na direcção à casa dos bicos. Entre duas palmeiras crescidas e protegida pelos contentores do lixo ficou organizada a instalação – arte pós moderna: Um carro de supermercado cheio de garrafas vazias. A estrutura que resta do que foi um aparador de sala. Uma mesa de esplanada da em plástico branco com uma perna partida. Caixotes de papelão dobrados a fazer de enxerga e um saco cama imundo em cima. Sentado sobre uma lata de tinta vazia estava um eslavo enorme e alcoolizado.
Descontente com a organização do mobiliário urbano, empertigava-se um policia. Indiferente e à espera de uma oportunidade para trabalhar, uma equipe de limpeza de jardins da câmara de Lisboa. Pressionado pelos taxistas e na insegurança dos seus vinte anos e estatura media mediterrânea o policiazinho tentava impor respeito ao gigante russo:
-- Bamos lá a dejocupar a bia que as funchionarias camarárias querem bajer o trabalhinho delas!!!
( as três senhoras fardadas de verde da CML falavam entre si em crioulo e assistiam à cena como se fosse uma telenovela)
O russo fingia que não ouvia o bófia e ia-se rindo... Por insistencia dos taxistas, lá abandonou o seu posto permitindo às empregadas da limpeza armadas de ancinhos arrancarem a merda de pombo à relva do jardim!!!
O policia impressionado com a insolência do russo que se foi sentar num dos bancos do jardim a despejar um pacote de vinho pôs-se na conversa com os taxistas. Um fogareiro dos mais velhos, desabituado de ter a autoridade tão próxima sem ser para passar multas, ia comentando:
-- Olhem para isto, até tem limpeza ao domicilio de borla!!! Casa com jardim , vista para o Tejo, um policia a fazer segurança e três pretas para lhe limparem o jardim. Parece um ministro!!! É para isto é que eu ando a pagar impostos!!!
Solidário com a gargalhada geral dos taxistas e do bófia, o russo respondeu;
-- Eta maia datcha bled, eta maia datacha!!!
Como nem o policia nem os taxistas percebem russo continuaram com as gargalhadas de sarcasmo.
Cá o je que até é um rapaz poliglota de tasco e balcão de taberna apanhou o sentido. Falo uma palavritas do chamado russo de praia e por isso aqui deixo a minha traduçãozinha da conversa do vagabundo:
-- “ É a minha casa de campo, pá, é a minha casa de campo!!!!
Com esta ideia de casa de campo do mendigo eslavo segui para o meu trabalho deixando os taxistas mais o policia e as jardineiras a rirem ao sol...
À medida que o dia foi aquecendo a gravata foi progressivamente sufocando. À minha memória voltou váiras vezes o russo bebado e sorridente. Com a subida da temperatura desenvolvi uma inveja furiosa do russo: Um gajo levanta-se cedo para ir bulir, e passa o dia inteiro a bombar e o cabrão do russo acorda e embebeda-se!!! Privilegiado!!!
Com esta ideia politicamente incorrecta e com ganas de auto agressões hepáticas trabalhei a ultima semana de Julho.
Na primeira semana de Agosto fui de ferias para o sul como era costume fazer toda a gente. Tive na praia com a minha mulher. Passei os dias ao sol e a nadar no imenso atlântico e as noites com petiscos e copos entre velhos amigos.
Confesso durante as ferias não voltei a lembrar-me do russo.
Mas agora que voltei para o trabalho há uma vozinha dentro de mim que me manda correr para a datcha do campo das cebolas. Sinto uma vontade persistente de ficar a embebedar-me com vinho ordinário. Despir a camisa e ir respondendo em russo aos sarcasmos dos bófia e dos fogareiros enquanto fico deitado num banco de jardim a desfrutar do sol de Lisboa.
Flatulências a partir de 28/01/2006