sexta-feira, dezembro 23, 2005

Vziga Gatov!!! (sempre prontos)


Em meados dos anos 80, a Africa do Sul era uma das mais duras ditaduras do mundo. Alem das policias politicas, dos assassinatos e dos desaparecimentos, o regime de Pretoria imponha a uma grande parte da sua população a exclusão mais ignóbil que pode haver: a exclusão rácica. O racismo institucionalizado tal como Hitler imaginou teve lugar no seio da própria mãe Africa.
O sistema de apartheid, foi idealizado pelo snobismo inglês durante o século XX e posto em prática nas décadas de 50 e 60 pelo Ian Smith na Rodésia. Teoricamente o conceito é simples: um mesmo espaço dois países. Uma mesma terra estava dividida em dois países sobrepostos no mesmo território. Um país para brancos e um país para negros. A riqueza e o bem-estar para os primeiros, a pobreza e a miséria para os segundos. O apartheid na africa do sul chocava o mundo e criava gritos de revolta onde quer que houvesse preocupações com a justiça.
Para alem de impor aos próprios sul-africanos a violência do aprtaid, o estado fascista comandado pelo então presidente Pieter Botha tinha ambições imperialistas. Para impor uma ordem geografia periférica decide atacar e invadir a jovem republica de Angola.
Em Agosto de 1981, uma operação designada “Protea” 15.000 soldados sul-africanos, apoiados por blindados e aviação de invadem Angola e bombardeiam o Lubango, na serra da Huila., Causam a morte de 1700 pessoas, porque atacam durante o dia alvos civis como escolas e o hospital civil do Lubango. O mundo estava ainda ofuscado com o fausto do casamento da princesa Diana com o príncipe de Gales e os intlectuais estavam atentos à transladação da Guernica de Nova Iorque para Madrid. Enquanto isso morreram só num raid de aviação mais de 650 civis na província da Hulia. A invasão sul-africana provocou um verdadeiro êxodo com mais de 130.000 deslocados.
Por Mar, comandos sul-africanos sabotam a refinaria de Luanda e conseguiram deixa às escuras a capital angolana durante semanas. A comunicação social portuguesa falava do apagão em Luanda como incompetência dos angolanos de se governarem sozinhos….
Angola é atacada pela aviação sul-africana. O porto de Benguela é encerrado. Malange é bombardeada. Luanda fica em risco. A Força Aérea Angolana não tem hipóteses de se defender. Não existe nenhuma base aérea Angolana que permita lançar operações defensivas contra os ataques sul-africanos.
Internamente a Unita funcionava em parceria com a Africa do Sul. Tal como funcionou com o exército colonial portuguê, a Unita funcionava como se fossem os batalhões de observação das forças sul-africanas. A Africa do Sul, por seu turno armava e dava apoio logístico às tropas do Jonas Savimbi.
A diplomacia Angolana esta isolada e sem apoios no mundo ocidental. A única ajuda internacional que pode ter vem de Cuba. Os Estados Unidos apoiam a Unita e a Africa do Sul. Cuba já tinha enviado um contingente de homens para apoiarem o exército angolano. Foram os cubanos que na primeira invasão sul-africana em início de 76 estancaram os invasores. Em Luanda os quadros médios e superiores necessários ao funcionamento regular do país são assegurados por cooperantes cubanos muitos portugueses que apoiam o regime do presidente poeta Agostinho Neto tambem estavam presentes.
Em meados de 84 a situação militar é desesperada. O Embaixador de Angola em Moscovo vai juntamente com o seu homónimo cubano falar com os homens dos negócios estrangeiros russos responsáveis pelo Africa Austral. O angolano vai pedir ajuda aos russos e o cubano vai com ele meter a cunha… Leva na pasta a esperança de um povo martirizado por 450 anos de colonialismo e 20 anos de guerra.
Os russos, para variar, na reunião não decidem nada. Ao estilo frio dos eslavos, não dizem que sim nem que não… O cubano esta confiante. O angolano permanece em expectativa.
Na semana seguinte o embaixador é de novo chamado. Está decidido, o exército soviético vai ajudar: vão mandar engenheiros, uma companhia de tropas especiais aerotransportadas (Spetnaz -- na fotografia!!!) e 20 homens da KGB – alem daqueles que já estavam oficiosamente em Luanda.
O diplomata angolano ficou desiludido. O cubano argumenta que se os russo tomaram aquela decisão foi pelo melhor… O cubano diz que é para confiar nos camaradas russos…o angolano não tinha muitas certezas mas agradeceu e voltou para Luanda mais seguro depois de ouvir o Fidel dizer que retirava de Angola quando os Sul-Africanos acabassem com o apartheid …. No fundo o que o Fidel disse foi que ia continuar em Angola.
Em 1985 os russos chegaram. A equipe de engenheiros russos construíram juntamente com os operários angolanos e cooperantes portugueses especialistas e experimentados em minas um aeroporto. Uma obra inovadora de engenharia militar. A obra foi feita totalmente subterrânea nos arredores da cidade do Kuito próximo da fronteira com a Namíbia. Era possível abrigar e fazer levantar do solo mais de 50 aviões em menos de 5 horas.
Partindo do aeroporto do Kuito a Força Aérea Angolana conseguia desencadear acções defensivas contra o exercito da Africa do Sul, que tinha bases junto à fronteira. A Força Aérea Angolana conseguiu inclusivamente abater no solo uma delegação com alguns generais sul-africanos que se tinha deslocado à frente norte na actual Namíbia.
Os angolanos começavam a ficar contentes com a ajuda dos russos. O apoio técnico na construção do aeroporto foi fundamental… Mas mesmo assim, achavam que 20 “seguras” eram demasiados KGB… ainda por cima ninguém os via….Para quê tanto KGB????
A utilidade dos homens da KGB não tardou a revelar-se.
Em Janeiro de 1988 as forças sul-africanas atravessaram a fronteira. Falamos de uma composição de três batalhões com tanques e carros blindados, com mais seis batalhões da Unita, apoiados por aviões de combate. Um exercito enorme avançando em colunas de mais de 20 mil homens e duas mil viaturas. Vinham armados de tecnologia e poder para tomar a base Aérea do Kuito e abrir um corredor que permitisse abrir uma brecha dividindo o país ao meio com controlo do planalto central. A ideia era isolar o governo de Luanda no norte do país. Depois era a velha técnica romana da tenaz com o Mobutu, no Zaire, cima e a grande Africa do Sul, vitoriosa em baixo.
Acontece que os russos não dormiam em serviço. A KGB não estava parada. Mesmo nos oficiais superiores do exército sul-africano haviam várias fontes de informação.
Quando o Estado-maior Sul-Africano tomou a decisão de avançar, os homens da KGB tiveram conhecimento dos planos. As informações russas perceberam o quando, o quem e o como do ataque.
A KGB foi de uma utilidade vital na recolha das informações que permitiram defender o aeroporto do Kuito e vencer definitivamente a invasão Sul-Africana.
Mais de 60% dos efectivos da Unita estavam envolvidos no ataque. Os tanques da cavalaria Sul-africana estavam presentes em força com cerca de 50 % dos efectivos operacionais. Os homens da Unita, sobretudo infantaria, avançavam a pé atrás dos tanques da Africa do sul.
Os russos planificaram e coordenavam a defesa. O estado-maior angolano deu à KGB e à Spetanaz a responsabilidade de coordenar a defesa e comandar o contra-ataque. Os cubanos ficaram encarregues de manobrar a artilharia – falamos de katiuscas os temíveis mísseis montados sobre camionetas. As tropas especiais do exercito angolano sobretudo infantaria de soldados já experimentados no norte e leste, foram dispostos em de forma a embuscar a coluna sul-africana criando um corredor de morte em emboscada.
Depois foi a guerra de nervos.
A KGB conhecia o dia, o local e a hora da invasão, não partilhava com os cubanos nem com os angolanos as decisões. Com algumas horas de antecedência mandou colocar os homens no terreno que até verem os primeiros tanques sul-africanos estavam convencidos que se tratava de um exercício. Os russos conheciam inclusivamente o número de homens envolvidos e os meios.
Os sul-africanos entraram pela fronteira cautelosos… Os russos sabiam a que velocidade os sul-africanos avançariam. Os homens do apartheid prosseguiram pela madrugada na chana cautelosos e esperando alguma resistência, nada aconteceu.
Os mapas e as transmissões da Africa do Sul anunciavam que estavam a 10 km do objectivo. De resistência, nada. Os comandantes ordenaram o avance. A coluna prosseguiu. Faltavam zero cinco km para o objectivo, da resistência angolana nem sinal. Os generais sul-africanos reúnem-se. Que fazer??? Por unanimidade decidem prosseguir e voltar a parae a 1000 metros do objectivo. Uma quinta de criação de gado, que era a parte visível do aeroporto. Continuaram. Diz quem estava lá que dava para cheirar o medo dos sul-africanos e o ódio no suor dos soldados da Unita. A mil metros nova paragem da coluna. Não há resistência, a palavra foi dada. Os homens da Unita passaram através dos tanques para tomarem posições e fazerem o assalto ao aeroporto. À vista da quinta que sabiam ser o disfarce do aeroporto subterrâneo ganharam confiança e avançaram… faltavam 600 metros.
Do lado do exército angolano os oficiais tinham dificuldade em manter em silencio os soldados…
--- tchée estes russos vão deixar-nos os sul-africanos entrar-nos em casa???como é qui pode!!!
Aos 500 metros das casas, nem mais um centímetro os russos dão sinal.
Os cubanos manobram as katiuscas .
Os soldados angolanos abrem fogo.
Os sul-africanos ficam encurralados. Os primeiros blindados são pulverizados. Os segundos também. È preciso dar a volta e recuar. Rebentam mais uns quantos.
Os angolanos não deixam a unita entrar pela chana , obrigam o inimigo a cavar posições de defesa. Mesmo no caminho de retirada dos tanques. Os carros de assalto sul-africanos já vinham com toda a pressa a fugir à área de fogo da katiusca. As unidades de infantaria da Unita são dizimadas pelos próprios tanques da Africa do Sul. As baixas são terríveis.
Fala-se na maior batalha africana pelos meios envolvidos.
A africa do Sul depois da derrota do Kuito foi obrigada a negociar com Angola.
Nunca mais os homens da Unita confiaram nas forças armadas da africa do sul.
A ajuda da KGB foi mais uma vez determinante para o real desenvolvimento dos povos e pela segurança das forças democráticas.
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Está agora a fazer 88 anos que , no dia 20 de Dezembro de 1917, o Conselho dos Comissários do Povo estabeleceram a Comissão de Emergência de Toda a Rússia para combater elementos contra revolucionários e forças de sabotagem que tentavam destruir o sonho soviético. Estamos a falar sobre tudo de espiões e enviados do império prussiano e de forças ksaristas que no exílio faziam tudo para minar a revolução do povo russo. O revolucionário soviético Felix Dzerzhinski foi o primeiro Presidente desta Comissão de Segurança.

Um ano depois da morte de Josef Stalin, no dia 13 de Março de 1954, foi estabelecido a Comissão para a Segurança do Estado, Komitet Gosudarstvennoi Bezopasnosti (KGB), que foi o mais notável agência do governo soviético. Sua história terminou no dia 3 de Abril de 1995, quando o alcoólico Boris Eltsin assinou a lei sobre o Serviço de Segurança Federal da Federação Russa e o nome do KGB foi alterado para FSB (Gabinete de Segurança do Estado).

O autor russo Viktor Pelevin considera que a ideia foi ultrajosa, pois “destruiu uma marca internacionalmente conhecida. Nem todos os estrangeiros sabem o que quer dizer FSB, e até fazem confusão com FSD – Female Sexual Dysfunction (Disfunção sexual feminina) noção que foi criada pelas companhias farmacêuticas para poderem vender Viagra às mulheres”.

Nesta semana do 20 de Dezembro comemora-se o aniversário dos serviços de segurança e tos os profissionais na FSB, Serviço de Inteligência no Estrangeiro, Serviço Federal das Prisões e a Directoria Central para Programas Especiais do Presidente da Federação Russa tiveram um dia de folga. Todos estes serviços contituiram o KGB.

O presidente Vladimir Putin, que trabalhava nos serviços de segurança do estado, ontem congratulou todos os profissionais nesse sector, dizendo que não só protegem os interesses nacionais da Rússia como também e fundamentalmente, a estrutura do Estado.

A KGB foi uma organização sobretudo de recolha e tratamento de informação. Em termos internos fez um trabalho de protecção da revolução soviética, e de protecção do estado russo contra inimigos externos, falo-vos não só na segunda guerra mundial, mas sobretudo durante a guerra-fria quando os Estados Unidos tentaram sistematicamente sabotar o desenvolvimento científico russo, nomeadamente na conquista do espaço.

A propaganda norte-americana fez da KGB os mauzões de todos os filmes. Os agentes da Comissão de Segurança do Estado Soviético eram sempre os piores vilões… A realidade foi bem diferente. A KGB foi uma agência de informações imprescindível para a criação da democracia e para o desenvolvimento de muitos povos do mundo.
As informações que a KGB recolhia não serviam só os interesses dos russos, a KGB foi de facto um organismo revolucionário e os seus homens estão de parabéns.

Em nome de todos os camaradas caídos na batalha do Kuito e em todas as outras batalhas pela liberdade presto aqui a minha modesta e sentida homenagem ao KGB e ao mais bem organizado e mais eficaz serviço de seguranças alguma vez criado.

Vziga Gatov!!!!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Filosofando barato


Como já dizia o outro:
“A vida é aquilo que nos acontece enquanto estamos ocupadíssimos a fazer outros planos.”
Ou a dormir.
Cuidado, ás vezes mesmo ao nosso lado a realidade que passa vertiginosa não se repete.
Flatulências a partir de 28/01/2006