quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Lição para as esquerdas


A vitória esmagadora do Hamas nas eleições legislativas para a Autoridade Palestina foi uma vitória da luta sobre a submissão.

Estas eleições palestinianas também são uma exelente oportunidade para que todas as esquerdas possam tirar as suas conclusões e redefinir as suas rotas.

Os representantes do Hamas foram eleitos não porem serem muçulmanos e sim por serem combativos. Trata-se de um aviso fundamental para aqueles que se dizem laicos, ateus e "de esquerda" mas na vida real têm posições de compromisso com a reacção.

Entre laicos conciliadores e religiosos combativos, os povos preferem os últimos — por serem combativos e não por serem religiosos. Esta lição é preciosa para o movimento revolucionário de todo o mundo.

Hoje, tanto na Europa como em outros continentes, há numerosos partidos que se dizem de esquerda mas não o são.
Falo-vos de partidos que se assumem como socialistas mas na prática são organizações reformistas/possibilistas, que muitas vezes se prestam a por um carimbo "de esquerda" a políticas reaccionárias.

Os palestinianos, forjados em décadas de luta não se deixaram enganar. Entre uma Fatah desmoralizada e colaboracionista e um Hamas revolucionário e combativo, souberam escolher.

Ainda bem que assim foi.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

As sereias e as caricaturas do profeta


As sereias e a comunicação social imparcial pertencem ao mesmo mundo. Pertencem ao mundo dos anjinhos dos super-heróis e das coisas belas que só são reais dentro dos filmes publicitários. Pertencem ao mundo das coisas que não existem e que no íntimo gostávamos que existissem.

Pode contar-se uma história com mais ou menos ficção e carregando mais ou menos na paleta de cores, mas as história que é contada é necessariamente diferente daquela que é vivida. È assim que a coisa funciona e não há volta a dar.

Quando um órgão de informação diz que é imparcial, mente.
Quando diz que não está ao serviço de nenhuma interesse mente de uma forma ainda mais descarada.
Não há nenhum órgão de informação que se limite a informar. Até os jornais de parede nas salas de aula servem para difundir modelos de comportamentos que se querem como ideias.

Tudo o que envolve a difusão massiva de mensagem envolve propaganda.

Enquanto empresas privadas, os órgãos de informação estão dependentes dos accionistas. Estão escravizados dos clientes para a publicidade. E têm objectivos de venda e de tiragens que lhes impões determinadas linhas editorais.

Enquanto agentes de difusão de informação os jornalistas estão subalternizados aos editores, aos directores e ao público consumidor.

Os consumidores dos produtos de entretenimento que se convencionou chamar informação estão condenados à passividade bovina.

A natureza de do próprio processo de fabrico de notícias impõe uma série de intermediários entre o actor directo e o consumidor de informação que fazem com que cada historia que seja contada venha já completamente dissecada, formalizada, cozinhada, digerida e servida muitas vezes sob a forma de dejecto informativo.
Do facto que eventualmente pode ser noticia, frequentemente só chega ao consumidor o cheiro alterado pelos processos da comunicação social.

Os jornais, as rádios, as televisões não se limitam a mostrar-nos o que acontece. Mostram-nos aquilo que querem mostrar, para poder controlar a nossa opinião sobre os factos.

Aquilo a que erradamente se chama informação é um agente patológico que inoculado sobre as massas tem a capacidade de as modificar na sua forma. Através da gestão da informação e dos modelos de difusão de informação é possível fazer os outros agir segundo determinados padrões. Não é novidade. A propaganda sempre existiu. Sempre existirá.

Se a técnica de impressão tem 500 anos, e os jornais existem há três séculos só há uns escassos oitenta anos se começou a falar em imparcialidade no discurso informativo.
A propaganda essa é transversal a todos os processos de comunicação.
A imparcialidade entre os órgãos de comunicação social está assim ao nível dos orgasmos entre as casadas, não é assunto de que se fale, todas assumem que os vivem, mas poucas são capazes de se recordar quando foi a ultima vez!!!!

O jornal ou a rádio imparcial foi uma invenção da propaganda politica do pós primeira guerra mundial. Aparece como reacção às censuras que caíram sobre os jornais do mundo durante esse primeiro conflito do século XX.

Entre os anos vinte e até à segunda guerra a comunicação social foi assunto de estudo dos políticos competentes e a propaganda surge com todo o seu esplendor nesses idos anos 30. Foi o tempo da invenção dos ministros da propaganda. Até aqui em portugal no nosso fascismozinho de pantufas, tivemos um ministério da propaganda ( com um ministro intelectual – António Ferro).

No mundo tripartido de entre as duas guerras, três linhas diferentes de propaganda, assumiam as diferenças estéticas e ideológicas e concorriam para atingir um mesmo fim: a mobilização das massas.
A propaganda nazi assumia um papel organizacional e de difusão tecnicista, com grandes meios dos estados ao serviço da difusão das mensagens.
O mundo socialista, assumiu a propaganda na linha da teorização leninista da necessidade de agitação e mobilização.
As democracias ocidentais inventaram a imparcialidade para fazer propaganda aos modelos ocidentais de democracias parlamentares. Inventou-se o mito da “imprensa livre “ que servia o “Mundo Livre”. Foi a invenção do “Free World”.
A roupa da imparcialidade que a comunicação social ocidental assumiu, serviu para fazer contra informação às máquinas de propaganda nazi e soviética que se preparavam para a segunda guerra.
Esta propaganda ocidental e os mitos da informação imparcial serviram para ajudar a ganhar a guerra.

Com o fim da segunda guerra e o esmagamento do nazismo, a guerra-fria marca um novo modelo de difusão de informação.
Do lado socialista mantém-se a propaganda institucionalizada e o controlo directo sobre os órgãos de informação. A referência é o jornal Pravda – “a verdade”.
Do outro lado capitalista a propaganda manteve a roupagem da imparcialidade para continuar a fazer a propaganda dos modelos económicos e políticos do regime capitalista ocidental. A referência é o New York Times.
Ambos jornais diários de difusão massiva, e ambos jornais de regime. Onde o Pravda assumo o carácter propagandístico da sua informação o New York Times define-se como imparcial.

No mundo ocidental, a propaganda passou a ser designada como informação.

Depois da segunda Grande Guerra, a Europa foi considerada pelos Estados Unidos da América o espaço certo para ser a referência propagandística do modelo do capitalismo.
Os teóricos da propaganda americana, através da recém formada Agencia Central de Inteligência (CIA) perceberam que a forma mais eficaz de propagandear o modelo americano de desenvolvimento liberal seria através de exemplos de sucesso económico.

O Plano Marshall permitiu aos países europeus do pós guerra não só recuperar as suas economias completamente arrasadas, mas serviu sobretudo como factor de propaganda para exibir aos povos do mundo socialista. “Vejam como o capitalismo parlamentar promove o desenvolvimento” – foi esta a mensagem que a propaganda dos estados unidos difundiu.

Os anos 50 e 60 forma anos de bonança para a Europa, porque a propaganda americana quis mostrar aos russos, os níveis de prosperidade e consumo possíveis de atingir vivendo num sistema economicamente liberal e politicamente parlamentarista.

A mensagem foi tão bem difundida que ainda hoje, neste mundo parlamentarista liberal em convulsões e agonia, há muito boa gente (e digo boa gente sem ironia nenhuma – gente boa e bem formada) que continua a acreditar que a melhor forma de gerir uma sociedade é através de um sistema economicamente liberal e politicamente democrático.

A difusão desta ideia de desenvolvimento é a confirmação do profissionalismo e da eficácia da propaganda americana.


Ao desmoronar do socialismo na União Soviética não foi alheio o papel da propaganda ocidental capitalista que conseguiu passar a sua mensagem de uma forma contínua mesmo para lá da “cortina de ferro”.
A propaganda norte-americana, conseguiu mesmo dentro da Rússia ainda socialista, mobilizar milhares de pessoas. À mínima oportunidade saíram para a rua prontos para reverter os processos históricos iniciados por Lenine com vista à integração num modelo económico capitalista. Saíram para a rua porque estavam convictos que o desenvolvimento surgiria de um sistema político completamente diferente daquele que conheciam.
A ideia do desenvolvimento baseada na democracia parlamentar e no liberalismo económico era a alternativa defendida por aqueles milhares de pessoas que se manifestaram contra o Mikhail Gorbatchov.

Com a queda do muro e o fim da guerra-fria, a propaganda dos valores ditos ocidentais desenvolvida pelos norte-americanos continuou a ser necessária.
O objectivo agora não é mais esmagar uma ideologia que preconiza um modelo de desenvolvimento económico e social diferente.
Hoje a propaganda norte americana faz falta para salvar o próprio sistema económico que está à beira do colapso interno.

O sangue que corre nas veias e artérias da economia norte americana é o petróleo. Os combustíveis fósseis em geral e o petróleo em particular são o oxigénio dos motores que literalmente mantêm o mundo a rodar.
Desde que se tomou conhecimento que o petróleo é um recurso finito, a pressão sobre os produtores de petróleo, não tem parado de crescer.
A propaganda ocidental tem tido um papel importantíssimo nesta pressão exercida sobre os países produtores de petróleo.
Acontece que a maior parte do petróleo do mundo esta enterrado nas areias dos desertos que pertencem a povos islamizados. O islão enquanto religião preconizam uma forma de desenvolvimento diferente do capitalismo americano. Mais uma vez é a dieferença de modelos que se torna insuportavel aos americanos
A propaganda norte americana na ultima década e meia tem-se esforçado para mostrar ao mundo que os povos islamizados não são dignos de viveram segundo os modelos e as leis que escolherem para eles.
A propaganda norte americana tem usado todos os meios legítimos e ilegítimos para provocar, achincalhar, desprezar e humilhar os homens e as mulheres que constituem o Islão.

Tal como na durante a guerra-fria, hoje a propaganda norte americana continua a controlar os órgãos de informação da Europa.
Os estados unidos e Israel têm tido uma política vergonhosa no médio oriente e com as comunidades árabes espalhadas pelo mundo.
A comunicação social europeia esconde a cabeça na areia e sempre que fala no médio oriente fala em fundamentalismo.
Quando uma parte da comunicação social europeia tenta fazer humor com assuntos que sabem que vão acender fogueiras e incendiar rastilhos, quem são os responsáveis por essa acção de propaganda?

Pode ser que se f XXXX odam --. (XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
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XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXauto censurado por sugestão do Zé da PenalvaXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
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Eles bem merecem.
Alla Ackba.
Flatulências a partir de 28/01/2006