quinta-feira, fevereiro 16, 2006

O Biguana foi em trabalho para Madrid

Quando recebi este mail do meu amigo Biguna percebi que tinha de partilha-lo convosco.

(...)
Cheguei cedo ao aeroporto, cerca de 1h30 antes da partida do avião. Dirigi-me para a porta de embarque onde peguei no meu livro (de viagens do Bill Bryson, muito bom) e dei inicio ao meu ritual de controlar as gajas que vão no mesmo avião que eu, sonhando que poderia ser hoje que a melhor gaja do avião iria sentar-se ao pé de mim e me "obrigaria" a ter sexo com ela a 30000 pés.

Não aconteceu, é pena, mas se ainda não perdi a esperança ao longo das cerca de 30 vezes que viajei de avião, também não a vou perder agora. Tb diga-se que hoje as probabilidades eram escassas, gajas podiam contar-se pelas unhas dos pés, e boas nem vê-las.



A maioria dos passageiros eram empresários tugas com esperança de conseguir vender as suas empresas falidas a alguma multinacional espanhola ou gestores espanhóis que vem 1 vez por semana ver como está a produtividade na sucursal portuguesa da sua empresa, ou aplicar um downsizing...
Foi um espécime destes que se sentou ao meu lado. Menos mal. Ainda tinha bem presente na memória a viagem desde Genebra, bem como o sósia do Graciano Saga que se sentou ao meu lado, com as suas calças Wrangler 3nºs abaixo do tamanho ideal, o cabelinho a Maradona nos anos 80 e o intenso cheiro a Old Spice.
Já para não falar que o sr. decidiu partilhar comigo e com metade do avião todos os toques poli-merdo-fónicos do seu telemóvel, incluindo alguns que me pareciam excertos de músicas do próprio Graciano Saga.


Chegado a Madrid Barajas e depois de caminhar os quase 10km que separavam a gate da saída do aeroporto, aproximei-me da praça de taxis onde constatei o chaço que me iria transportar, um Peugeot não-sei-o-num a cair de podre, dos que fazem inveja a qq Mercedes de Lx, daqueles com 20 anos e 1 bilião de kms. Pelo cheiro no interior tirei mais 2 elações: que a lei anti-tabaco do sr. Zapatero é pra tuga ver, e que afinal não são só os franceses que não se banham.

Prosseguindo, viro-me para o taxista no meu belo espanhol e digo "Buenas noches, Hotel Foxa, 3 Cantos", ao que o sr. responde "hummmm, connosco a 3 Cantos, pero no al hotel. Pero no hay problema. Vamos!". Assustei-me, juro que me assustei, a última vez que estive em Madrid andei duas horas perdido dentro de um taxi, com o mapa na mão a tentar indicar ao taxista onde era o hotel que ambos desconhecíamos. Hoje as coisas correram um pouco melhor, mal saímos da autoestrada para 3 Cantos vi o néon a indicar o hotel. Que sensação de alívio, e acho q para o taxista tb...

Depois de jogar as malas para dentro do quarto de hotel (bastante luxuoso diga-se, parecia uma suíte de um palacio vitoriano), achei boa ideia ir comer qq coisa. Saí do hotel e descobri que estava no meio de nenhures e que bares não deviam existir num raio de vários kms. Fiquei-me pelo bar de hotel onde pedi uma sandes de salmão e uma caña de Mahou. Durante momentos ponderei no que o sabor daquela cerveja me fazia lembrar, mas mal vi exposta uma garrafa de Osborne, senti a bexiga cheia não precisei de pensar mais.

De volta ao quarto fiz um pequeno zapping na tv, onde pude (re)constatar a obsessão mórbida que os espanhois tem por programas de imprensa cor-de-rosa e por reality shows. O melhor que se pode dizer da TV espanhola é que nos dá a sensação de um estado de coma sem a preocupação e o incómodo.


Assim termina um dia em viagem como tantos os outros... Mas antes de terminar vou experimentar o jacuzzi instalado na casa-de-banho do quarto!!!

3 Cantos (Madrid), 13 de Fevereiro de 2006
Flatulências a partir de 28/01/2006